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A new, practical and easy method of learning the Portuguese language cover

A new, practical and easy method of learning the Portuguese language

Chapter 23: Reading Lessons.
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About This Book

A practical language course that applies a natural, immersion-inspired method to teach Portuguese, beginning with the alphabet, accents and detailed pronunciation of vowels and consonants. It then treats morphology and syntax: articles, gender, plural formation, declensions, adjectives, numbers and a full range of pronouns, followed by vocabulary lists and simple dialogues. A second stage offers an extensive verb system with auxiliaries, regular and irregular conjugations, passive and reflexive forms, plus adverbs, prepositions, conjunctions, interjections, reading lessons and common idiomatic expressions for practical use.

Reading Lessons.

1.

Em um ajuntamento[545] de senhoras e homens suscitou-se[546] a questão[547] de qual era o paiz[548] melhor[549] para se habitar[550]; e dizendo uma que Londres, outra que Pariz, este que o Brazil, aquelle que a Austria ou a Italia, disse uma senhora mui presumida[551]: “Pois[552] eu dou[553] a primazia[554] ao celibato, pois tenho ouvido dizer a meu irmão padre[555], que he de todos os estados o mais perfeito.”

2.

Certo[556] juiz de fóra[557] tendo queixas do povo[558] que os arrematantes da vacca[559] só matavão[560] um boi[561] cada dia d’assouge[562], e que este não chegava[563] para todos, e ao mesmo tempo[564] ouvindo dizer aos ditos arrematantes que dous bois erão de sobejo[565]; mandou[566] por seu respeitando despacho que cada dia d’assougue se matasse boi e meio.

3.

Dizia o P. Antonio Vieira, que toda a fortuna d’um homem de corte[567] consistia em saber adular[568], mentir[569], furtar[570], e repartir[571].

4.

Na desgraçada[572] morte[573] do Principe D. Affonso, disse El-Rei Dom João II. seu pai: “No excessivo sentimento em que vivo da morte de meu filho, só me consola parecer-me que Deos se lembrou[574] d’este reino[575]; porque o Principe não era para Rei dos Portuguezes: os Portuguezes hão de mister Rei de bronze. Era o Principe inclinado a delicias[576].”

5.

Levantando[577] El-Rei D. João I. o sitio[578], que tinha posto a Coria, disse: “Grande falta[579] nos fizerão os cavalheiros da taboa redonda[580]; porque se elles aqui estivérão, não nos levantáramos desta cidade sem a render[581].” Respondeo Mem Rodrigues de Vasconcellos: “Não faltarão por certo, senhor, aqui esses cavalheiros; porque aqui está Martim Vasques da Cunha, que he tão bom, como dizem o foi D. Galaz; Gonçalo Vasques Coutinho, que he tão bom como D. Tristão; João Fernandes Pacheco, que não deve nada a Lancarote; e aqui estou eu, que não mereço[582] menos[583] que qualquer d’elles: O certo he, senhor, que só faltou aqui o bom Rei Artur, que os sabía estimar, e animar com mercês grandes.”

6.

Quando El-Rei D. Sebastião quiz[584] fazer[585] a jornada de Africa, determinou avistar-se em N. Senhora de Guadalupe com El-Rei Philippe seu tio[586]; para se ajustar[587] esta funcção[588] veio[589] de Castella o duque[590] d’Alva, cavalheiro mui soberbo[591], e pouco affeiçoado aos Portuguezes, e de cá foi o conde[592] de Redondo. Entre a pratica[593] que tiverão, lhe perguntou[594] o duque que fidalgos vinhão com El-Rei Dom Sebastião; porque com El-Rei vinha elle, e outros como elle. Respondeo-lhe o conde: “Com El-Rei meu senhor vem o duque de Bragança, o de Aveiro, e o marquez[595] de Villa-Real; e fidalgos razos[596], como eu e vós, vem muitos.”

7.

Pedindo[597] um pobre[598] esmola[599] a Philippe II. lhe dizia que se lembrasse erão irmãos; e perguntando-lhe El-Rei por que quarte, respondeo por Adão. Mandou[600]-lhe El-Rei dar um real. Replicou[601] o pobre que aquella esmola não era d’um irmão Rei. “Se a todos os meus irmãos”, disse Philippe, “eu désse outro tanto[602], já não teria[603] real que dar.”

8.

Christovão Colon foi o primeiro que com audaz[604] fortaleza[605] navegou o oceano, o descobrio[606] as Indias de Castella; pelo que mereceo que os Reis Catholicos o fizessem duque de Beraguas. Estava uma noite[607] ceando[608] com outros cavalheiros seus amigos; e dizendo-lhe um que aquella façanha a poderia obrar qualquer outro, se lhe dessem o socorro[609], que fosse necessario, dissimulou Christovão Colon, e tirando um ovo[610] do prato, perguntou aos demais fidalgos se poderia algum fazer que aquelle ovo estivesse levantado[611], sem que se arrimasse[612] a cousa alguma? Respondêrão todos, que não podia ser[613]. Pegou[614] no ovo Christovão Colon, e dando com elle mansamente[615] na mesa[616], lhe fez uma pequena[617] móssa[618], e o póz muito direito. Rírão-se[619] todos, e disse Colon: “Nenhum[620] de Vossas Mercês[621] ha que não acha facil navegar o oceano, depois que eu de lá vim; porém he certo, que se eu não fôra o primeiro, nenhum seria o segundo.”

9.

Um Mahometano consultando a Aischeh mulher de Mahometo, lhe pedio uma regra[622] para bem viver; e ella lhe respondeo: “Reconhece[623] um só Deos, refrêa[624] a tua lingua, reprime[625] as tuas paixões[626], adquire sciencia, vive constante na tua religião, abstem-te de fazer mal[627], frequenta os bons, encobre[628] os defeitos do teu proximo[629], soccorre[630] os pobres, e espera a eternidade por recompensa.”

10.

Querendo certo homem desquitar-se[631] de sua mulher, com quem tinha pouca paz[632], appareceo[633] para este fim[634] diante[635] do Provisor. Estranhou[636] elle a proposta[637], porque conhecia a mulher, e era de boas qualidades: “Porque quereis deixar[638] vossa mulher?” (lhe perguntou o Provisor): “Não he virtuosa?”—“Sim, senhor”; respondeo o homem.—“Não he rica?”—“Sim, senhor.” Emfim[639] a todas as cousas, sobre que era perguntado, respondia em abono seu. Com que lhe disse o Provisor: “Pois se vossa mulher tem tantas cousas boas, porque quereis desquitar-vos della?” A isto o homem, descalçando[640] um sapato[641], perguntou ao Provisor: “Senhor, este sapato não he novo?”—“Sim”, respondeo o Provisor. Accrescentou[642]: “não está bem feito[643]?”—“Sim, ao que parece”, respondeo o Provisor.—“Não he de bom cordavão, e de boa sola?”—Respondeo do mesmo modo que sim. “Pois vê Vossa Mercê com tudo isso[644]” (disse o descontente marido[645]), “pois eu quero tirar este sapato, e calçar outro, porque eu sei muito bem aonde[646] me aperta[647], e faz mancar[648], e Vossa Mercê não o sabe.”

11.
Botocudos.

Estes Indios dominão[649] na cordilheira[650] habitada[651] por seus maiores[652] os Aimorés, de cuja[653] barbaridade ainda guardão sementes. Quando os Portuguezes começárão[654] a povoar[655] o Brazil tiverão de guerrear com os ferozes[656] Aimorés, a quem dizem[657] que derão[658] o nome de Botocudos, de boto, e codea[659], por isso que os Indios desta nação[660] erão rolhos, e trazião[661] o corpo[662] coberto d’uma codea de gomma[663] copal com que se pintavão[664] para se preservarem das ferretoadas[665] dos mosquitos e outros insectos. Os Botocudos são mais brancos[666] que a maior parte dos demais[667] Indios do Brazil, porém, como seus ascendentes os Aimorés, costumão[668] pintar a cara[669] e mais partes do corpo. Dividem-se em varias tribus ou cabildas[670], cada[671] uma com seu cabo[672], que tem um poder[673] absoluto sobre os seus[674] em os negocios de maior importancia como são a caça[675], a guerra[676] e a escolha[677] de uma nova morada[678]; mas na aldea[679] limita-se toda a sua autoridade a compôr as desavenças que são entre elles mui frequentes. Este lugar não he hereditario, escolhe-se para elle o mais bravo, e por vezes[680] o mais atrevido[681] se proclama por chefe da tribu, sobre tudo se por ventura o que os commandava vem a morrer. Os Botocudos tem as espadoas[682] largas, o pescoço[683] curto, o nariz[684] chato, as maçãas[685] do rosto proeminentes, os pés[686] pequenos, as extremidades inferiores delgadas[687], mas nervosas. Furão as orelhas[688], e o beiço inferior[689], e enfião no buraco[690] uma rodella de páo[691]. São vingativos[692] e traidores[693], posto que tinhão um exterior alegre e um ar[694] de franqueza. Não tem especie alguma de culto; considerão[695] o sol[696] como uma divindade a que chamão[697], e reverenceão ainda mais a lua[698], quando com sua luz os protege em suas excursões nocturnas. Amão e imitão as ceremonias religiosas dos christãos, quanto isto póde compadecer-se com a vida nomada que fazem, assim que são de todos os Indios os que mais custão a civilizar-se.

12.
As grutas
[699] do inferno[700].

Deo-se[701] este nome ás cavernas naturaes que se achão[702] na montanha em que estão assentadas a povoação e fortaleza[703] da Nova-Coimbra, na provincia de Mato-Grosso e sobre a margem direita[704] do Paraguai. No vertente[705] septentrional[706] da montanha existe uma abertura que dá passo[707] a duas especies de antecamaras, 1 de braça[708] e meia de comprido[709], e 1 de largo[710], e outra algum tanto maior. Desce-se para ellas por uma ladeira que tem obra de 20 braças de comprimento[711], guarnecida de estalactitas, que provêm da filtração continua da abobada. No cabo[712] da ladeira entra-se n’uma salla parecida com uma mesquita[713], de cuja abobada pendem estalactitas de differentes fórmas e tamanhos[714], e o mesmo se observa no chão. A’ esquerda[715] a parede se acha revestida d’uma incrustação d’espalto, que com o reflexo da luz arremeda uma soberba cascata. Póde esta salla ter 50 braças de comprido e 1S de largo, e no fundo della existe um espaço de 6 braças pelo menos coberto d’agua limpida porém de máo sabor[716], que dá da parte de fóra[717] origem a um ribeiro[718] represado frequentemente pelas aguas do Paraguai, nas cheias[719] que alagão todos os annos por varias vezes os campos vizinhos. Os naturaes[720] do paiz não se atrevião[721] a entrar n’estas grutas que forão pela primeira vez exploradas pelo engenheiro[722] Ricardo Franco d’Almeida Serra, em 1791, levando em sua companhia o naturalista Alexandre Rodriguez Ferreira que as debuxou[723] e descreveo[724]. Em 1795, varias pessoas[725] curiosas entrárão n’ellas e com fachas virão que no ribeiro que as aguas ali formavão havião jacarés[726], e que um d’elles tinha uma pata de menos.