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A Primavera

Chapter 23: NOTA AO IDILLIO.
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About This Book

A collection of pastoral poems and accompanying prologues that evoke rural scenes, seasonal renewal, and youthful memory. The poet pairs lyrical depictions of fields, shepherds, and nature’s cycles with reflective commentary on poetic practice, literary influences, and personal change; the introductory material considers the passage of time, editorial revision, and the uneasy act of revisiting early work. Traces of European pastoral models appear alongside moral and sentimental observations, while nostalgia, the contrast between past and present, and an affectionate celebration of countryside life provide thematic cohesion.

NOTA
AO IDILLIO.

Na muita rama que ao Idillio decotei para esta segunda edição, ninguem, por mais que a cate, poderá achar fruto, nem sequer uma triste flôr, se a não he o passo que para aqui traslado, da falla de Alexis pag. 96 na primeira edição; ácerca do qual e de tudo o mais quanto supprimi ou accrescentei, releva reclamar pela maior indulgencia dos leitores. Não ma negará quem ja alguma vez houver experimentado como de todas as couzas, que parecendo tenues, são agras e laboriosas, a mais agra, laboriosa, e não sei se diga impossivel, he poetar e metrificar as fallas da infancia: caminho he esse que estreitissimo corre por entre precipicios, sendo maravilha que ahi os maiores engenhos se tenhão, e sigão sem caír ou para a direita ou para a esquerda. O primeiro e melhor juiz do homem candido he a sua consciencia: a minha me diz que os trez filhos de Menalca nem sempre, antes poucas vezes, fallão como conviria: de sobejo são poetas para meninos e rusticos; e tanto, que se não fôra a resalva, que logo do comêço lhes vai lançada, de serem filhos de improvizador, e por elle doutrinados no canto, não haveria perdão que de ridiculos os salvasse.

Segue-se o excerpto, com todos seus defeitos e aleijões de nascença:

O MENINO ALEXIS.
Ver-me no bosque de prazer me enchia;
Quando Amintas, chamando-me da gruta,
Aonde estão de musgo revestidas
As imagens das Náiades da fonte,
Assim me disse, dando-me uma rosa:
—“Eu te darei uma pequena ovelha,
Toda branca, na testa só malhada,
Se fores ter com Egle, e lhe entregares
A rosa, que te dou, se lhe disseres
“Egle, Amintas por ti morre de amores.”
Beija-a depois na face, e continúa;
“Egle, este beijo é do extremoso Amintas.”
¿Não a vês la ao longe entre os salgueiros,
Apascentando as candidas novilhas?
Corre; e não tardes a buscar a ovelha.”—
Eu fui correndo a ella, dei-lhe a rosa,
Beijei-lhe a face, e disse-lhe: “Este beijo,
Egle, este beijo é do extremoso Amintas.”
Nada me respondeo, sorrio-se, e as faces
Como a rosa encarnadas lhe ficárão.
Abraçando-a depois, lhe disse alegre,
“Egle, Amintas por ti morre de amores.”
Rio-se outra vez, e dando-me na face,
“Oh como tu és máo! vai-te, me-disse,
Não posso ... não, não quero acreditar-te.”
Nada lhe respondi, voltei á gruta,
Onde o Pastor contente e alvoraçado
Me deo sem custo uma pequena ovelha
Toda branca, na testa só malhada.
¡Como a minha ovelhinha é bella, e mansa!
Andei com ella todo o dia ao pasto
Pela relva do bosque, etc.