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Cantos

Chapter 2: SIRVA DE PROLOGO.
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About This Book

This collection gathers lyrical poems that range from intimate meditations on love and longing to expansive evocations of landscape and cultural identity. The verse combines melodious Romantic diction with classical forms and folkloric touches, alternating concise songs and longer narrative or reflective pieces. Recurring motifs include nostalgia, nature imagery, the tension between personal feeling and public life, and an elegiac awareness of social decline alongside hope for renewal. Occasional prose pieces frame the poems with commentary on literary life and the responsibilities of the poet. Overall the volume balances ardent emotion with formal polish, moving between private lyricism and broader cultural reflection.

A collecção de poesias, que agora reimprimo, vae illustrada com algumas linhas de A. Herculano, a que devo a maior satisfação que tenho até hoje experimentado na minha vida litteraria.

Merecer a critica de A. Herculano, já eu consideraria como bastante honroso para mim; uma simples menção do meo primeiro volume, rubricada com o seo nome, desejava-o de certo; mas esperal-o, seria da minha parte demasiada vaidade.

Ora, em vez da critica inflexivel, que eu devera, mas não ousava receiar; em vez da simples noticia do apparecimento de um volume, que não seria de todo ruim, pois que teria merecido occupar a sua attenção; o illustre escriptor poz por alguns momentos de parte a severidade que tem direito de usar para com todos, quando é tão severo para comsigo mesmo,—e, benevolamente indulgente, dirigio me algumas linhas, que me fizerão comprehender quão alto eu reputava a sua gloria, na plenitude de contentamento, de que as suas palavras me deixarão possuido.

O escriptor conhecia-o eu ha muito, mas de nome e pelas suas obras: essas obras que todos nós temos lido, e esse nome que eu sempre ouvira pronunciar com admiração e respeito.

Se pois, n’aquella occasião, me fosse dado escolher auctor para esse artigo, não podia recahir em outro a minha escolha. Hoje, com mais razão. Tive ensejo de o conhecer pessoalmente, e a fortuna de encontrar nelle um d’aquelles poucos, d’alta intelligencia, que não perdem em serem admirados de perto, e cuja amizade se pode ambicionar como um thesouro: fortuna, digo, por que o é de certo, quando se admira o escripto, que se possa ao mesmo tempo estimar o escriptor; e ainda maior fortuna, quando queremos manifestar o nosso reconhecimento, que nos não remorda a consciencia, previnindo-nos, de que ainda quando digamos mais do que a verdade, ficaremos sempre aquem do que devemos.

Ahi vae o artigo tal qual o transcreveo e remetteo-me de Lisboa o meo bom amigo Gomes de Amorim.

Dresde 30 de Março de 1857.