WeRead Powered by ReaderPub
Chronica d'El-Rei D. Affonso III cover

Chronica d'El-Rei D. Affonso III

Chapter 32: *C*
Open in WeRead

About This Book

A royal chronicle by a contemporary court historian presents a chronological account of a king's reign, focusing on military campaigns to seize southern towns and castles, sieges and skirmishes, actions by religious military orders, and the consolidation of royal authority through territorial expansion and administrative decisions. Alongside battle narratives it records dynastic arrangements, local governance, and the author's reflections on sources and the challenges of reconstructing past events.

CAPITULO XII

Como El-Rei D. Affonso cercou, e tomou Loulé, e como a Aljasur tomou o Mestre de San Tiago, e o Mestre Daviz Albufeira, e da declaração que se fez deste nome Algarve, e dos Lugares que agora nelle cabem

Como El-Rei cobrou a Villa de Farão, como é dito, logo a poucos dias elle, e o Mestre foram com suas gentes cercar a Villa de Loulé, e sem prolongado cerco, ainda que fosse com dano dos Christãas em breve a cobrou; e porque o Mestre de San-Tiago trazia em sua companhia bons Cavalleiros, e mui esforçados, destes se acertavam, que nos combates das Villas, e pelejas dos Mouros que por sua bondade não receavam de commetter, muitos morriam, e havendo El-Rei desso piedade, e sentimento se diz, que em acabando de tomar esta Villa de Loulé dice ao Mestre, que lhe pezava muito de tão bons Cavalleiros como eram os seus, morrerem assi nestes combates, por quanto eram homens singulares, escolheitos, e que o Mestre lhe respondeo.

«Senhor não vos anojeis das mortes destes, que acabaram suas vidas em seu proprio officio, e de tanto seu merecimento, pois é em serviço de Deos, e por honra, e louvor de sua Fé, e se o haveis, porque são Cavalleiros eu posso logo fazer outros tantos». E de Loulé cavalgou o Mestre, e correndo a terra dos imigos contra o Cabo, houve avizo certo que muitos Mouros juntos iam a via Daljazur, e uns dizem, que este ajuntamento faziam para com outros consultarem sobre o que fariam por Silves, e Tavilla, e os outros Lugares, que eram tomados, e outros affirmam que iam para uma voda para que eram convidados, e esta parece a cauza, e rezão mais conforme, porque os Mouros Daljazur sahiram a uma legoa a receber os do Cabo, e uns, e outros vinham mais de festa, que de guerra, ca muitos delles foram achados sem armas, e com elles saltou o Mestre de que matou, e cativou os que quiz, e alguns que se quizeram salvar na Villa para que foram fogindo perseguidos do Mestre não tiveram acordo de çarrar as portas, por quaes o Mestre entrou de volta com elles, e tomou o Lugar sem algum partido dos Mouros.

E Dalbofeira se acha por mais certa opinião, que em tempo deste Rei foi tomada dos Mouros por o Mestre Daviz Dom Lourenço Affonso, e assi parece rezão, porque elle foi sempre, e é hoje da dita Ordem. E por estes lugares, que dos Mouros se tomaram se acabou de conquistar toda a terra, que nós os Portuguezes chamamos Algarve, mas para deste nome não virem duvidas, e confuzão aos que as Estorias antigas Dafrica, e Despanha lerem, é de saber, que Algarve é nome Arabico, e o Reino, e Senhorio, que os Mouros chamavam do Algarve era mui grande, e de grandes potencias, porque começava no Cabo de São Vicente, e seguia pela costa Despacha até Almiria, e pela banda Dafrica se estendia até Tremecem, em que entravam Fez, e Cepta, e Tangere, que diziam de Benamarim, porque os Lugares, que os Reis de Portugal até agora tem na parte do Algarve daquem már, que é em Hespanha são estes, a saber, Estombar, Alvor, Villa nova de Portimão, Cacella, Paderne, Tavilla, Farão, Loulé, Silves, e Albufeira, Aljazur, e Alcoutim, e Castro Marim, e Lagos, e destes alguns são Lugares novos, que em tempo dos Reis de Portugal novamente depois se fizeram, e reformaram.

E destes Lugares do Algarve depois que os El-Rei Dom Affonso houve a seu poder, e Senhorio se acha, que com suas Galés, e outros muitos navios fez sempre de continuo crua guerra aos Mouros Dafrica, que em seus corpos e fazendas recebiam grandes danos e prezas, e El-Rei Dom Affonso por seu grande esforço, e bons feitos, tinha antre os Reis principais Christãos mui louvado nome, pelo qual se acha que o Papa por esta honrada fama del Rei lhe mandou por meo dum Frei Payo, Ministro da ministração dos Freires de San-Tiago rogando-lhe que em remissão de seus peccados, quizesse tomar a Cruz de Jesu Christo contra os Mouros dultra már, que tiranamente tinham a Caza Santa em desprezo da Fé, e da Religião e que El-Rei respodeo, que se El-Rei de França a esta conquista passasse em pessoa, que lhe prometia, que elle tambem com a sua passasse, salvo se alguma outra guerra, ou tamanha necessidade o impedisse, porque o não podesse fazer, e por esso ambos não foram, porque o derradeiro Rei de França, que por recobrar a Caza Santa passou a ultra már, foi El-Rei São Luis de França primo com irmão deste Dom Affonso de Portugal, filhos de duas Irmãs, quando levou comsigo a Rainha Dona Margarida sua molher, e elle, e dous Irmãos seus foram dos infieis prezos, e cativos na grande, e crua batalha, que ouveram com o gram Soldam, junto com Damiata do Egypto, como em outras partes já dice, o que foi muito antes do tempo deste requerimento do Papa, segundo está na Coronica de França, e em outras mais largamente se contem.

CAPITULO XIII

Como o Reino do Algarve por divisões que houve foi posto em terçaria de Cavalleiros Portuguezes, e o que sobre esso se fez

Como El-Rei de Portugal foi em posse pacifica, o Mestre Dom Payo Correa se tornou a seu Mestrado, e deu conta a El-Rei Dom Affonso de Castella de todo o que era passado, o qual para mais firmeza, e maior seguridade das condições com que a El-Rei seu genro fizera sua doação do Algarve, houve por bem, que o dito seu genro as prometesse, e segurasse com menagem, e juramento em sua propria pessoa, para que o dito Rei Dom Affonso de Castella enviou a Portugal com seu poder abastante ao Ifante D. Luis seu irmão, que diceram de Pontes, filho del-Rei Dom Fernando, e da Rainha Dona Joana sua segunda molher, filha do Conde Dom Simão de Pontes, e sobrinha del-Rei Dom Luis de França, o qual álem de tomar del-Rei de Portugal todas as seguridades conforme as condições de sua doação, ainda o dito Ifante para maior seguridade, e mais honesta escuza del-Rei D. Affonso de Castella, para os de seu Reino, que o reprendiam, e acuzavam por tal doação, quiz que todas estas Villas e Castellos fossem, como foram logo entregues a João de Boim, e Pedro Annes, seu filho, Vassallos e naturaes del-Rei de Portugal, que eram pessoas de limpo e nobre sangue de grandes cazas, para que por elles os tivessem de fieldade com menagem de juramento que fizeram, que quando el-Rei de Portugal não comprisse a condição dos cincoenta Cavalleiros, que a El-Rei de Castella em sua vida havia de dar, que elles com suas pessoas, e com as ditas Villas e Castellos servissem a El-Rei de Castella, e comprissem inteiramente tudo o que El-Rei de Portugal era neste cazo obrigado a cumprir.

E porque El-Rei de Portugal não foi desta terçaria do Reino do Algarve muito contente, e dice por outros desvairos que houve com Castella sobre partições, e termos dos Reinos, foram estes Reis desacordados de que El-Rei de Castella se sentia mais aggravado, mas por meo da Rainha Dona Breatiz, que como virtuosa, e prudente procurou logo antre elles boa paz, e concordia, vieram logo por Embaxadores a Portugal o dito Dom Payo Correa Mestre de San-Tiago, de que já dice, e Dom Martim Nunes, Mestre da Cavallaria do Templo nos tres Reinos Despanha, e Dom Affonso Garcia, Adiantado mór no Reino de Murcia, os quaes pozeram antre elles taes convenças, com que perderam todo o dezamor, e escandalo, que antre elles havia, e ficou assentado, que El-Rei de Portugal livremente, e para sempre despozesse de todalas terras, e Villas, e couzas do Algarve todo o que quizesse sem embargo de todalas outras promessas e condições que antre elles fossem postas, salvo da ajuda dos cincoenta Cavalleiros de que o não revelou, e com esto os Embaxadores se tornaram, e acharam El-Rei de Castella em Badalhouse, que logo enviou suas provizões ao dito João de Boim, e Pedro Anes seu filho, porque lhe mandou que entregassem a El-Rei Dom Affonso seu genro todalas Villas e Castellos do Algarve, e se elle fosse fallecido, que as entregassem a El-Rei Dom Diniz seu filho, e lhas alevantou com todalas crauzolas, e solenidade, e todo preito, e menagem, que por quaisquer obrigações, e couzas do Algarve tiveram feito a elle, ou a outrem em seu nome, e por Carta asselada feita em Badalhouse Mercoles dezaseis dias andados de Fevereiro da era de mil e duzentos e sessenta e sete annos, e sobscrita por o Secretario Millão Paes, que por mandado del-Rei a fez escrever.

CAPITULO XIV

Como El-Rei Dom Affonso de Castella quitou ao Ifante D. Diniz seu neto a obrigação do Algarve, e a soltou a Portugal levemente para sempre

E porque a este tempo o Ifante D. Diniz herdeiro filho del-Rei de Portugal, posto que fosse moço era já em idade para poder caminhar, El-Rei, e a Rainha seus padres acordaram de o enviar, como enviaram muito honradamente a Castella a visitar El-Rei Dom Affonso seu avô, para lhe ter em mercê a doação, e avenças passadas, e assi para lhe pedir relevamento das mais obrigações, e serviço dos cincoenta Cavalleiros, e assi com mui nobre companhia chegou a Sevilha onde achou El-Rei, que o recebeo, e agazalhou com muitas festas, e honras, e com sinaes de grande amor, a quem o Ifante Dom Diniz passados os comprimentos, e visitações, e bem ensinado da instrução, que levava pedio por mercê a El-Rei seu avô, que daquella obrigação dos cincoenta Cavalleiros, e assi de qualquer outra que tocasse ao Algarve, quizesse para sempre relevar a El-Rei Dom Affonso seu padre, e a elle, e aos que delle decendessem, na qual cousa segundo a Coronica de Castella conta, El-Rei esteve algum pouco suspenso, e com os grandes de seu Reino quiz poer o caso em Conselho, no qual por só Dom Nuno de Lara com rezões que pareciam onestas, e de bem de seus Reinos ouve alguma contradição, mas os outros, que logo conheceram a vontade del-Rei, que era satisfazer em todo a seu neto, todos lhe aprovaram, e louvaram, e sobre este assento andando o Ifante Dom Diniz com El-Rei seu avô foram a Jaem, donde houve por bem que o Ifante se tornasse, como tornou a Portugal, e lhe mandou dar uma carta que trouxe para El-Rei seu padre, escrita em pergaminho em palavras Castelhanas, e asselada de seu selo pendente das Armas de Castella, e de Lião, que tornadas fielmente em Portuguez por mim Coronista, que a propria Carta vi, diziam nesta maneira.

«Saibam quantos esta Carta virem, como eu Dom Affonso pola graça de Deos Rei de Castella, e de Toledo, e de Lião, de Galiza, de Sevilha, de Cordova, de Murcia, e de Jaem, quito para sempre a vós Dom Affonso per essa mesma graça Rei de Portugal, e do Algarve, a menagem que fizestes a mim por carta, ou por cartas, e a Dom Luis meu irmão, em meu nome, para fazer a mim comprir os preitos, e posturas, e as convenças, que foram postas antre mim, e vós, e Dom Diniz, e os outros vossos filhos, e vossos herdeiros, por rezão dos cincoenta Cavalleiros, que a mim deviam ser feita em meus dias pelo Algarve, a qual ajuda, e os quaes preitos, e posturas, e menagens em qualquer maneira que fossem feitas assi por Cartas, como sem Cartas, eu quito para sempre a voz, e Dom Diniz, e aos outros vossos filhos, e herdeiros que nunca por esso a mim, nem a outrem por mim, vós nem elles, nem outrem por vós sejaes, nem sejam teudos de nhuma couza por rezão dos Castellos, nem da terra do Algarve, que vos dei, e outorguei, que se alguma Carta, ou Cartas parecer, ou parecerem sobre a menagem, ou menagens, ou sobre preitos, ou posturas, ou avenças, ou sobre o serviço, ou ajuda que a mim devesse ser feito, ou feita pelos Castellos, ou pola terra do Algarve, que desdaqui em diante nunca valham, e sejam quebrados, e de nhuma formidão, e renuncio, e quito todo o direito, e toda demanda, que eu haveria, ou haver poderia por esta Carta, ou por essas Cartas contra vós ou contra Dom Diniz, ou contra os outros vossos filhos, ou vossos herdeiros, ou contra os Cavalleiros que tivessem, ou tiveram os Castellos do Algarve em tal guiza, que nunca a mim essa Carta, ou Cartas possa nem possam preitar, nem a outrem por mim, nem a vós, nem Dom Diniz, nem a vossos filhos, nem a vosssos herdeiros, nem aos sobreditos Cavalleiros empecer, e em testemunho da sobredita couza, dou a vós sobredito Rei de Portugal e do Algarve esta minha Carta aberta asselada de meu selo de chumbo, que tenhais em testemunho, feita a Carta em Jaem por nosso mandado Sabbado sete dias do mez de Maio de mil e duzentos e sessenta e sete annos, e eu Milão Peres a fiz escrever».

CAPITULO XV

Da morte do mestre Dom Payo Correa, e das causas que houve para El-Rei D. Affonso de Castella, pai da Rainha de Portugal ser desobedecido, e como foi ajudado de Portugal, que foi fundamento para se acrecentarem a Portugul os Lugares de riba Dodiana

Com esta Carta, e com grandes davidas que o Ifante D. Diniz recebeo del-Rei Dom Affonso seu avô se tornou a Portugal com que El-Rei seu padre foi muito alegre, e com elle veo o Mestre Dom Payo Correa, que depois de tornado a Castella não soube mais delle, nem o que depois fez, salvo que no fim de seus dias se recolheo á Villa de Ucles, que era Cabeça do Convento do seu Mestrado de San-Tiago em Castella, onde se diz que bem, e catolicamente acabou sua vida já velho a dés dias de Fevereiro de mil e duzentos setenta e cinco annos, (1275) e que mandou que morto o trouxessem a Tavilla, que elle ganhara dos Mouros, de que escondidamente foi ahi trazido, e sepultado na Egreja de Santa Maria antre o Altar mór, e a parede da Egreja.

E passados depois alguns annos andando a era de mil duzentos e setenta e um, havendo contenda na jurdição do Imperio de Roma, que vagara por morte de Federico o segundo, que foi mao, e erege Emperador dos Romãos, e grande perseguidor das cousas da Santa Egreja, alguns Eleitores elegeram a Rodufo Conde de Cambra, irmão del-Rei de Inglaterra, e outros elegeram, e chamaram logo para o Imperio este Rei Dom Affonso de Castella, o qual mui poderoso de armas, e gentes, e assi mui abastado de riquezas, depois que leixou em Castella jurado por Rei, e seu sobcessor ao Ifante D. Fernando de Lacerda seu filho primogenito, logo passou em França esperando de ser logo no dito Imperio sem contradição confirmado por o Papa Gregorio decimo, ao tempo em Lião Sola nova de França fez Concilio geral, onde o dito Rei D. Affonso achou já eleito e confirmado o dito Rodufo com quem competia, e agravando-se desso ao Papa, que encontrou na Villa de Belicaudo em França junto com Avinhão, finalmente confortado de Sua Santidade, e rogado, que por se evitar cisma, e guerras antre os Christãos, que renunciasse o direito que no dito Imperio tinha, e elle o fez, e tornou-se em Espanha onde achou falecido de peste o dito Ifante Dom Fernando, seu filho maior, que por assossego da sobceção de Castella, e de Lião sobre que os Reis de França, e de Castella competiram, fora cazado com a Ifante Dona Branca filha del-Rei S. Luis a que pertencia ter direito nos ditos Reinos Despanha por ser filho da Rainha Dona Branca filha del-Rei Dom Affonso o noveno, que venceo a batalha das Navas de Toloza, e desta Ifante Dona Branca o dito Ifante Dom Fernando tinha já havido dous filhos, a saber Dom Affonso, e Dom Fernando de Lacerda, a que muito mais claramente dizem da guedelha, porque este apelido de Lacerda não é de alguma geração, nem memoria passada dos seus progenitores de uma parte, nem da outra, mas sómente lhe foi posto nome aventicio, porque o dito Ifante Dom Fernando, que primeiramente se chamou de Lacerda, quando naceo trouxe do ventre da Rainha Dona Violante Daragão sua madre uma guedelha de cabelos nos peitos a que chamam Lacerda, e este Dom Affonso por contrato do cazamento, e por direito comum pertencia mais a sobcessão de Castella que outro algum.

Mas ao tempo que o dito Ifante Dom Fernando faleceo era tambem em Castella o Ifante Dom Sancho seu irmão lidimo, que a auzencia del-Rei Dom Affonso seu padre, e por morte do irmão tomou logo posse da governação, e defenção do Reino, em que trabalhou de ser como singular Principe, porque resistio com batalhas, e grandes forças aos Reis de Grada, e Marrocos, que entraram em Espanha, e não consentio que Dom Affonso de Lacerda seu sobrinho fosse jurado, nem obedecido por sobcessor de Castella, e El-Rei Dom Affonso em chegando de França, procurou logo que o dito Ifante Dom Sancho por todolos Estados do Reino fosse, como foi jurado, e havido por seu sobcessor, sem embargo doutro juramento, que ao dito Ifante Dom Fernando por si, e por seus filhos, e sobcessores era feito, e a Rainha Dona Violante molhar del-Rei Dom Affonso de Castella anojada por se denegar a sobcessão a seus netos, e principalmente a Dom Affonso o primeiro com receo que houve de os matarem em Castella, se foi com elles para El-Rei Dom James deste nome o primeiro, e dos Reis Daragão o decimo, que era padre della, donde enviou pedir a El-Rei Dom Affonso seu marido depois que veo de França, que pois elle por si ganhara dos Mouros o Reino de Murcia, que o désse ao Ifante Dom Affonso seu neto, com que para sua honra, e estado seria satisfeito, e renunciaria por esso todo o direito que tivesse na sobcessão de Castella, no que El-Rei levemente, e com san vontade consentia, mas o Ifante Dom Sancho em todo o contrariou, que com ameaças de morte, que fez não leixou ir ao Papa os Embaxadores que El-Rei seu padre sobre esso lhe mandava, dizendo que como o Ifante Dom Fernando seu irmão falecera, logo o Deos leixara por herdeiro de todolos Reinos, e couzas de que El-Rei seu padre era Rei, e Senhor.

E querendo El-Rei por Cortes, e prazer dos povos remedear esta denegação do Ifante seu filho, e para que seu neto houvesse toda via o Reino de Murcia, fez ajuntar os procuradores dos Concelhos do Reino, a que o Ifante Dom Sancho requereo com muitas rezões, que faziam por elle, que por alguma maneira não consentissem no requerimento del-Rei, e assi descontente o Ifante antes de se tomar alguma concruzão, se foi para Cordova, e El-Rei depois de declarar aos povos as muitas cauzas, e razões porque de direito podia dar o Reino de Murcia a Dom Affonso seu neto, os Procuradores para no cabo responderem com madura deliberação, como elle requeria, pediram espaço dalgum tempo, para lhe tornarem reposta, os quaes sem lha darem se foram logo com medo ajuntar com o Ifante Dom Sancho em Cordova, onde sendo delle bem recebidos, concordaram, que por quanto em Valhadolid sobre este cazo se faria ajuntamento dos mais principaes Lugares, e grandes do Reino, elles dahi a certo tempo fossem, como foram ahi juntos, salvo os Concelhos Dandaluzia, que sempre tiveram com El-Rei Dom Affonso, os quaes assi juntos em Valhadolid era hi o Ifante Dom Sancho filho del-Rei, e o Ifante Dom João seu irmão, e o Ifante Dom Manoel seu tio, e Dom Lopo Senhor de Biscaya, e Dom Diogo seu irmão, e depois de muitas praticas, e apontamentos, que antre si fizeram leixaram todos a determinação da sentença ao dito Ifante Dom Manoel, o qual alevantado em pé, pronunciou a sentença, e dice, que por quanto El-Rei Dom Affonso seu irmão matara o Ifante Dom Fadrique tambem seu irmão, e a Dom Simão Rodrigues dos Cameyros seu sogro, e outros nobres do seu Reino sem cauza, que perdesse por esso a justiça, e porque se dezaforaram os Fidalgos, e os Concelhos com dano, e perda delles, que não comprissem suas Cartas, nem lhe pagassem os foros, e porque despertara a terra, e fizera más moedas, que não houvesse do Reino preitas, nem serviços, nem martineguas, nem moedas foreiras, e que dahi em diante o dito Ifante se podesse chamar Rei de Castella, e de Lião.

E preguntados os Procuradores, e povos se aprovavam esta sentença, respondeo por todos um Diogo Affonso Alcaide mór de Toledo, que a todos parecia bem a determinação do Ifante Dom Manoel, por as rezões que dicera, e mais por a prodigalidade del-Rei Dom Affonso, que para o resgate do Emperador de Constantinopla dera das rendas de Castella cincoenta quintaes de prata, e mais por dar o Algarve a seu genro El-Rei Dom Affonso de Portugal, e lhe quitar ajuda, e o serviço dos cincoenta Cavalleiros em que era obrigado, e porém que lhe parecia couza honesta, se ao Ifante Dom Sancho assi bem parecesse, que elle em vida del-Rei seu Padre senão chamasse Rei, no que o Ifante consentio; e com esto a obediencia de todos os Lugares logo foi alevantada a El-Rei, salvo a de Sevilha, onde El-Rei se recolheo; e perseguido de muitas necessidades enviando rogar, e encomendar aos Prelados, e pessoas de auctoridade do Reino, que pozessem concordia, e boa paz antre elle, e seu filho, elles segundo alguns dizem o não fizeram, antes o contrariavam.

Com esta tamanha necessidade enviou a pedir ajuda a El-Rei Dom Affonso seu genro, que por em tempo de tanta fortuna ser agardecido ás boas obras, e graças que delle tinha recebidas, lhe mandou trezentos Cavalleiros Portuguezes pagos á sua custa por muito tempo, que por honra, e serviço del-Rei o fizeram de maneira em Castella, que sua fama, e bom nome será sempre lembrada, e as Coronicas Despanha, que eu vi dão desso craro testemunho, e destes trezentos Cavalleiros de Portugal, que vieram, e andaram em serviço del-Rei Dom Affonso, creo que se tomou a opinião errada, que em alguns livros vi, em que tem, que a obrigação de que este Rei Dom Affonso relevou a El-Rei de Portugal seu genro, e a El-Rei Dom Diniz seu neto, era de trezentos Cavalleiros com que era obrigado de o ajudar, e servir quando lhe comprisse, a tal sentença, e opinião são errados, porque a obrigação, que El-Rei Dom Affonso, e Ifante Dom Diniz seu filho tomaram por a sobcessão do Algarve, do que foram relevados, era sómente de cincoenta Cavalleiros, que em vida del-Rei Dom Affonso de Castella, contra todolos Reis Despanha lhe haviam de dar, e a verdade desto eu Coronista verdadeiramente a vi nas proprias doações, quitações, e privilegios assellados, e auctorizados, que sobresso se concederam, os quais estão no Castello de Lisboa, na Torre do Tombo de Portugal, de que eu sou Guarda mór, e outros semelhantes deve haver nos Cartorios de Castella.

E porém a guerra, e desavença antre El-Rei Dom Affonso de Castella, e o Ifante Dom Sancho seu filho durou muitos annos, nem cessou, salvo por morte del-Rei, em cuja vida padeceo muitas necessidades, e foi sempre perseguido de mui contrairas fortunas, por as quaes meteo por sua ajuda em Espanha Abençaf Rei de Marrocos, e seus filhos a que se diz, que antes de entrarem empenhou sua Coroa por sessenta mil dobras, o qual com grandes gentes, e poder de Mouros correo a terra dos Christãos, e sem aproveitarem ao dito Rei de Castella fazendo primeiro nellas muitos danos, e estragos se volveo em Africa, como na Coronica de Castella esto milhor, e com mais particularidade se declara.

CAPITULO XVI

Do falecimento del-Rei D. Affonso de Portugal, como antes de seu falecimento deu Caza ao Ifante Dom Diniz seu filho herdeiro

A este tempo chegada a era de mil duzentos setenta e oito, (1278) El-Rei Dom Affonso de Portugal sendo já velho de setenta annos, e perseguido de dores, e paixões de velhice, por descançar em alguma parte dos trabalhos, e cuidados do Reino, ao Ifante Dom Diniz seu filho, que era de dezoito annos, e não era cazado, deu-lhe Caza em Lisboa a dezaseis dias de Junho do anno sobre dito, e de seu assentamento alem doutras couzas, lhe ordenou logo mais em dinheiros quarenta mil livras de moeda antiga, que valiam a respeito dos preços, e valor do ouro, e da prata dagora dezaseis mil cruzados, porque naquella tempo, segundo é bem verificado, uma livra valia vinte soldos, e duas livras e meia faziam cincoenta soldos, que valiam um maravedi douro, que no preço, e pezo eram os maravedis douro como agora são os cruzados, e ducados.

E do dia que El-Rei deu assi Caza ao Ifante seu filho, e a nove mezes primeiros seguintes, tendo já feito em mui inteiro acordo seu solene Testamento, arrependido de seus peccados recebendo como bom Catholico, e fiel Christão todolos Sacramentos para bem de sua alma, em Lisboa a vinte dias de Março de mil e duzentos setenta e nove, (1279) acabou sua vida, e deu sua alma a Deos, em idade de setenta annos, dos quais Reino trinta e dous, e foi logo soterrado no Moesteiro de São Domingos de Lisboa, que elle novamente fez, e depois na era de mil e duzentos e oitenta e nove, foi tresladado seu corpo ao Moesteiro Dalcobaça, pela Rainha Dona Breatiz sua molher, que ficou viva, e se mandou depois enterrar com elle no dito Moesteiro Dalcobaça, onde ambos jazem.

Este Rei Dom Affonso fez de novo o dito Moesteiro de S. Domingos de Lisboa, o qual começou aos tres annos primeiros depois que foi Rei, e o acabou em déz annos, e assi fez o Moesteiro de Santa Clara de Santarem, e povorou, e fez a Villa Destremoz, e reformou, e povorou a Villa de Beja, que dos tempos dos Mouros era de todo destroida, mas não fez a torre grande do Castello, por que esta fez seu filho, El-Rei Dom Diniz, e assi deu bons foraes a muitos Lugares do seu Reino, e em umas grandes fomes, que nelle houve em seu tempo, se acha que uzou de grande piedade com seus vassalos, a que proveo com devidos mantimentos, trazidos de muitas partes de fóra do Reino á custa de suas rendas, e a penhor das ricas joias de seu tesouro, e foi o primeiro que se intitulou Rei de Portugal, e do Algarve, e que primeiro por esta cauza poz a bordadura dos Castellos, como atraz é já dito.

DEO GRATIAS

INDEX

DAS COUSAS NOTAVEIS

*A*

Abenafaam Rei mouro é vencido na batalha de Silves onde morreo afogado em um rio pag. 40 a 42

Affonso III (D.) Onde, e quando foi levantado Rei de Portugal, pag. 16. Foi casado segunda vez com Dona Breatiz sua sobrinha, filha natural del-Rei D. Affonso X de Castella, pag. 17. Foi o primeiro que se intitulou Rei de Portugal e dos Algarves, e pôz no Escudo além das Quinas os Castellos, pag. 17. Foi muito amante da Justiça, e grande reedificador, pag. 18. Sendo casado com Dona Matildes, Condessa de Bolonha a deixou, e vindo a Portugal se recebeu com sua sobrinha Dona Breatiz, pag. 19. Não admitte a Embaixada dos Cavalleiros que vieram a Portugal com a Condessa Dona Matilde para que a recebesse em sua companhia, antes partem injuriados da sua presença, pag. 21. Estranha-lhe o Papa este procedimento, e lhe manda intimar censuras pelo Arcebispo de S. Tiago, e não cede da sua pertinacia pag. 23. Dos filhos que teve de Dona Breatriz, pag. 24. Amou muito a sua filha a Infanta Dona Branca a quem deu a Villa de Monte-mór-o-velho, e em testamento lhe deixou mais de dés mil livras, pag. 25. Das diversas terras que juntou á Corôa com o casamento de Dona Breatiz, pag. 26. Como alcançou o Reino do Algarve, e se intitulou Rei delle, pag. 45. Conquista gloriosamente a Villa de Faro, pag.^s 46 a 50. E' exhortado pelo Papa para conquistar a Terra Santa, pag. 53. Manda trezentos Cavalleiros em soccorro de seu sogro, que lho pedira por estar dessapossado do Reino, pag. 63. Em que dia e anno morreo, pag. 65. Onde foi enterrado, e para que parte foi tresladado o seu corpo, pag. 66. Edificios que fez, ibi.

Affonso X (D.) De Castella, teve de Dona Mayor Guilhelme de Gusmão sua manceba e Dona Breatiz que cazou com D. Affonso III de Portugal, pag. 19. Amou excessivamente a esta filha e lhe deu um grande dote quando se recebeo com aquelle Principe, ibi. Deixou a sua neta a Infanta Dona Branca, grande copia de dinheiro, pag. 26. Sucedeu nos reinos de Castella, e de Lião a seu Pae D. Fernando, pag. 28. Doa a El-Rei D. Affonso III o Reino do Algarve, e com que condições, pag. 45. Concede á petição de seu neto o Infante D. Diniz a izenção dos cincoenta Cavalleiros com que doara a seu pae o Reino do Algarve, pag. 56 e 57. Sendo eleito Emperador dos Romanos, parte a França para ser confirmado pelo Papa, e acha já de posse do Imperio a Rodulpho, e volta para Castella, pag.^s 59 e 60. Por ter morto seu irmão o Infante D. Fadrique, e a seu sogro D. Simão Rodrigues Cameiros é dessapossado do Reino por sentença de seu irmão o Infante D. Manuel, pag. 62. Pede soccorro a seu genro D. Affonso III para rebater esta violencia, e lho manda, pag. 63.

Affonso (Infante D.) Filho de Affonso III de Portugal, e Dona Breatiz, casou com Dona Violante filha do Infante D. Manuel de Castella, e da Infanta Dona Constancia de Aragão, pag. 25.

Affonso Garcia (D.) Adiantado-mór do Reino de Murcia, é mandado por Embaixador de Castella a pacificar ao seu Principe com D. Affonso III, pag. 55.

Albofeira. E' conquistada esta Villa por D. Lourenço Affonso Mestre de
Aviz, pag. 52.

Algarve. Como foi conquistado por D. Payo Corrêa, e das gloriosas vitorias que alcançou dos Mouros, pag.^s 29 a 32. Com que condições foi doado por El-Rei de Castella a El-Rei D. Affonso III de Portugal, pag. 45. Que terras comprehendia quando era possuido dos Mouros, e quaes sejam as que tem depois que o dominaram os Portuguezes, pag. 52.

Aljustrel. Foi conquistado por D. Payo Corrêa, e depois de ser entregue a D. Sancho II de Portugal, o deu este Principe á Ordem de San-Thiago, pag. 28 e 29.

Aljuzur. Foi conquistado por D. Payo Corrêa, pag. 52.

Alvaro Garcia. Cavalleiro de San-Thiago, é morto pelos Mouros em Tavira, e honorificamente sepultado, pag. 39.

Alvor. E' couquistado por D. Payo Corrêa, pag. 40.

Arcebispo de San-Thiago. E' mandado pelo Papa que admoestasse a D. Affonso III que largasse a Dona Breatiz por estar viva sua primeira mulher a Condessa Dona Matilde, e que repugnando o emprazasse para que em quatro mezes apparecesse pessoalmente na sua prezença, pag. 23.

*B*

Beja. Foi reformada, e povoada por D. Affonso III, pag. 60.

Beltram de Caya, cavalleiro alentado é morto pelos Mouros em Tavira, e como foi honorificamente sepultado, pag. 39.

Branca (Rainha Dona) filha del-Rei D. Affonso Noveno que venceo a batalha das Navas de Toloza, foi mãe de S. Luis Rei de França, pag. 60.

Branca (Infanta Dona) filha de Affonso III de Portugal, e da Rainha Dona
Breatiz se recolheo no Mosteiro de Lorvão, e foi Senhora das Olgas de
Burgos onde sem cazar faleceo, pag. 25. Possuio grandes terras em
Castella, como em Portugal, ibi.

Branca (Infanta Dona) filha de S. Luis Rei de França, foi mulher do
Infante D. Fernando de Lacerda, filho primogenito de D. Affonso X de
Castella de quem teve dous filhos, pag. 60.

Breatiz (Rainha Dona) filha natural de D. Affonso X de Castella, foi casada com seu tio D. Affonso III de Portugal, pag. 17 e 18. Mandou tresladar o corpo de seu marido para o Convento de Alcobaça, onde foi enterrada, pag. 66.

*C*

Campo Maior. Foi dada esta Villa por El-Rei D. Diniz a sua irmã a
Infanta Dona Branca, pag. 24.

Castellos. Os que se vêm no Escudo das Armas de Portugal, foram postos por D. Affonso III, quando lhe foi dado em dote o Algarve, e não por serem do Condado de Bolonha, pag. 17.

Constança (Infanta Dona). Filha de D. Affonso III e Dona Breatiz, foi com sua mãi a Sevilha a ver seu pai, que assistia naquella Cidade, onde faleceo, e foi conduzida ao Convento de Alcobaça, e nelle está sepultada, pag. 26.

Cordova. Quando foi esta cidade ganhada por El-Rei D. Fernando de
Castella, pag. 26.

*D*

Infante D. Diniz. Foi filho primogenito de D. Affonso III de Portugal, e D. Breatiz, que depois sucedeo no Reino a seu pai, pag. 24. Onde e quando naceo, ibi. Edificou o Mosteiro de Odivelas onde está sepultado, ibi. Sendo Rei deu a sua irmã a Infanta Dona Branca a Villa de Campo Maior, pag. 24. Parte a Castella para pedir a seu avô D. Affonso X, exima ao Reino de Portugal da obrigação dos cincoenta Cavalleiros com que lhe doara o Algarve, e depois de algumas contradições o alcança, pag. 56. Em que dia e anno lhe fez casa seu pai, pag. 56. Edificou a Torre do Castello de Beja, ibi.

Diogo Affonso. Alcaide-mòr de Toledo aprova em nome de todos os
Procuradores que estavam juntos em Valhadolid a determinação do Infante
D. Manoel com a qual dessapossou do Reino de Castella a seu irmão D.
Affonso X, pag. 62.

Duram Vaz. Cavalleiro insigne é morto pelos Mouros em Tavira, e como foi enterrado, pag. 39.

*E*

Estevão Vaz, Cavalleiro famoso morre em Tavira, e como foi honorificamente sepultado, pag. 39.

Estremoz. Foi edificada esta Villa e povoada por D. Affonso III, pag. 66.

*F*

Fadrique (Infante D.) Foi morto por seu irmão D. Affonso X de Castella, e por este motivo foi dessapossado do Reino por determinação de seu irmão o Infante D. Manoel, pag. 62.

Faro. Como, e quando foi conquistada esta Villa por D. Affonso III, pag. 47 a 50.

Fernão Lopes (D.) Prior do Esprital assistio com D. Affonso III na conquista de Faro, pag. 48.

Fernando (El-Rei D.) De Castella, quando tomou Cordova? pag. 27. Em que anno conquistou a cidade de Sevilha, pag. 28. Quando morreo. ibi.

Fernando (D.) Filho natural del-Rei D. Affonso III, foi Cavalleiro da
Ordem do Templo, e aonde está sepultado? pag. 26.

Fernando de Lacerda (Infante D.) Filho primogenito de D. Affonso X de Castella, é jurado por sucessor da Coroa quando seu pai passou a França a coroar-se por Emperador dos Romanos, pag. 59. Foi cazado com Dona Branca filha de S. Luis Rei de França, ibi. Morreo de peste, pag. 60. Teve dous filhos, e como se chamaram, ibi. Porque tomou o appelido de Lacerda, ibi.

*G*

Gregorio X roga a D. Affonso X de Castella que por evitar algum scisma se recolha ao seu Reino, quando vinha a coroar-se Emperador dos Romanos por já estar de posse desta dignidade Rodulpho Conde de Cambra, irmão del-Rei de Inglaterra, pag. 60.

Garcia Lopes (D.) Sendo privado de Mestre da Ordem de Calatrava lhe sucedeo João Nunes do Prado, pag. 24.

Garcia Rodrigues. Deu os meios a D. Payo Correa para haver de conquistar o Algarve, pag. 30. Morre alentadamente em Tavira com mais seis companheiros acometidos por um grande numero de Mouros, pag. 37 e 38.

*J*

João de Avinhão (D.) Chançarel assistio com D. Affonso III na conquista de Faro, pag. 48.

João de Boim. Assistio no lanço de um muro na tomada da Villa de Faro, que ao depois tomou o seu nome o lugar que tinha ocupado, pag. 48. Tomou entrega de todos os lugares do Algarve conquistados por ordem del-Rei de Castella para em seu nome os entregar a seu genro D. Affonso III, e quando se celebrou este ajuste, pag. 54.

João Nunes do Prado, Cavalleiro da Ordem de Calatrava de que foi Mestre, foi reputado filho da Infanta D. Branca filha del-Rei Affonso III de Portugal, e de um Cavalleiro chamado o Carpiteiro, pag. 25.

*L*

Livra. Que valor tinha uma e duas e meia, pag. 65 Quarenta mil assinou para renda do Infante D. Diniz seu pai D. Affonso III, ibi.

Loulé é conquistado por D. Affonso III pag. 50

Lourenço Affonso (D.) Mestre de Aviz assiste com El-Rei D. Affonso III na conquista de Faro, pag. 48. Conquistou a Villa de Albufeira, pag. 52.

Luis (São) Primo com irmão del-Rei D. Affonso III de Portugal foi o ultimo Rei de França que passou á conquista da Terra Santa, e que successo teve nesta empreza, pag. 53.

Luis (Infante D.) é mandado por seu irmão D. Affonso X de Castella a Portugal a firmar as condições com que doara a seu genro D. Affonso III o Reino do Algarve, pag. 54. Quem foram os pais deste Infante, ibi.

*M*

Manoel (Infante D.) irmão de D. Affonso X de Castella pronuncia em Valhadolid sentença em presença de muitos Procuradores de Cidades contra este Principe, para que não lhe obedeçam os povos, se intitule Rei seu sobrinho D. Sancho, pag. 62.

Martim Nunes (D.) Mestre da Cavallaria do Templo, veio por Embaxador de
Castella a concordar o seu Principe com El-Rei D. Affonso III, pag. 55.

Matilde, (Dona) Condessa de Bolonha sabendo que era morto D. Sancho II parte de França em uma Armada, e chegando a Cascaes não é admitiida por seu marido D. Affonso III por estar cazado com Dona Breatiz pag. 21. Volta para França, e se queixa ao Papa do procedimento de D. Affonso III o qual sendo advertido pela Pontifice a que largasse a Dona Breatiz, e não obedecendo se poz interdito em todo o Reino, pag. 23. Onde, e quando morreo esta Condessa, ibi.

Mayor Guilhelme de Gusmão (Dona) foi manceba de D. Affonso X de
Castella, de quem teve Dona Breatiz, que cazou com D. Affonso III de
Portugal, pag. 19.

Mem do Valle é morto pelos Mouros em Tavira, e de como foi honorificamente sepultado, pag. 39.

Mertola. Foi conquistada por D. Payo Correa, e depois foi dada por D.
Sancho II á Ordem de San-Tiago, pag. 28.

Monte mór o Velho. Esta Villa foi doada por El-Rei D. Affonso III a sua filha a Infanta Dona Branca, pag. 25.

Mosteiro. O de São Domingos de Lisboa, e de Santa Clara de Santarem, foram fundados por El-Rei D. Affonso III, pag. 66.

*N*

Nuno de Lara (D.) Oppõem-se com fortes razões a El-Rei D. Affonso de Castella, para que não conceda a seu netto o Infante D. Diniz a izenção dos cincoenta Cavalleiros com que lhe doava o Reino do Algarve, pag. 56.

*O*

Odivellas. Mosteiro de Religiosas Bernardas foi fundado pelo Infante D.
Diniz onde está sepultado, pag. 25.

*P*

Paderne. E' conquistada esta Villa por D. Payo Correa, pag. 43.

Papa. Admoesta a D. Affonso III que largue Dona Breatiz por estar viva sua primeira mulher, e não obedecendo interditou o Reino todo, pag. 22 e 23. Por morte de Dona Matilde levanta o interdito, e dispensa em que os filhos que tivera D. Affonso III de Dona Breatiz vivendo Dona Matilde pudessem suceder no Reino, pag. 24. Pede por Fr. Payo Ministro dos Freyres de San-Tiago a El-Rei D. Affonso III que conquiste a Terra Santa, pag. 53.

Payo, (Fr.) Ministro da ministração dos Freires de San-Tiago, é mandado pelo Papa para que exhorte a El-Rei D. Affonso III a conquistar a Terra Santa, pag. 53.

Payo Correa, (D). Mestre da Ordem de San-Tiago assistio á Conquista de
Cordova, e Sevilha com El-Rei D. Fernando de Castella, pag. 27 e 28.
Conquistou as Villas de Aljustrel, e Mertola, pag. 28. Como conquistou o
Algarve, e das vitorias que para este fim alcançou dos Mouros, pag. 29 a
32. Toma Tavira com grande mortandade dos Mouros, pag. 39. Conquista
Selir, e Alvor, pag. 40. Alcança uma famosa vitoria de Abenafaam em
Silves, e conquista esta Cidade, pag. 40 e 41. Toma Paderne, pag. 43.
Foi o principal instrumento para que El-Rei D. Affonso III tomasse as
Villas de Faro, e Loulé, pag. 46 a 49. Veio por Embaxador del-Rei de
Castella a concordar este Principe com D. Affonso III, pag. 55. Onde, e
quando morreo, pag. 59. Onde está sepultado, ibi.

Pedro Estaço. Defende um lanço do muro na tomada de Faro, pag. 47.

Pedro Rodrigues, Commendador mór, é morto pelos Mouros em Tavira, e como foi enterrado, pag. 39.

Portugal. Esteve interdito alguns annos pelo Pontifice, por não querer
D. Affonso III deixar a Dona Breatiz sendo viva a sua primeira mulher
Dona Matilde, pag. 23.

*R*

Rodulpho. Conde de Cambra irmão del-Rei de Inglaterra, é eleito por
Emperador dos Romanos por alguns Eleitores, pag. 59.

*S*

Sancho II de Portugal deu á Ordem de San-Tiago as Villas de Aljustrel, e
Mertola, pag. 29.

Sancho (Infante D.) Filho legitimo de D. Affonso X de Castella toma posse do governo por morte de seu irmão D. Fernando de Lacerda, pag. 60. Foi valeroso Principe, ibi. E' jurado por sucessor do Reino, pag. 61. Convoca os Concelhos em Valhadolid para que não consintam que seu pai dê o Reino de Murcia a seu neto D. Affonso, e o consegue, pag. 62.

Selir. E' conquistado por D. Payo Correa, pag, 40.

Sevilha. Em que dia, e anno foi conquistada por El-Rei D. Fernando de
Castella, pag. 28. Nesta Cidade morreo este Principe, e quando, ibi.

Simão Rodrigues dos Cameiros, Sogro del-Rei de Castella D. Affonso X é morto por este Principe, cauza porque o desapossaram do Reino, pag. 62.

Silves. Cidade no Algarve é conquistada por D. Payo Correa do poder dos
Mouros, e como ficaram tributarios a Portugal, pag. 42.

*T*

Tavira. Em que dia, e anno foi tomada por Payo Correa com grande mortandade dos Mouros, pag. 39. Na Igreja de Santa Maria desta Villa está sepultado D. Payo Correa, pag. 59.

*U*

Ucles. E' cabeça do Convento do Mestrado de San-Tiago em Castella, pag. 59. Neste lugar morreo D. Payo Correa, ibi.

*V*

Violante (Rainha Dona), mulher de D. Affonso X de Castella receosa de que matassem a seus netos, partio com elles para Aragão a amparar-se de seu pae El-Rei D. Jayme, pag. 6l. Pede a seu marido que dê a seu neto D. Affonso o Reino de Murcia, o que não alcançou, pag. 6l.

Violante (Dona), filha do Infante D. Manoel de Castella, e da Infanta Dona Constança de Aragão, cazada com D. Affonso, filho de D. Affonso III de Portugal, e da Rainha Dona Breatiz, pag. 25.

FIM

INDICE DOS CAPITULOS

I—Como se intitulou Rei de Portugal, e do Algarve, e como acrecentou os
Castellos no Escudo das Armas Reaes, e a causa porque 16

II—Como El-Rei D. Affonso sendo casado com a Condessa de Bolonha em
França a leixou, e casou com a filha del-Rei de Castella 19

III—Como a Condessa de Bolonha veio a Portugal, e como El-Rei seu marido a não quiz ver, e ella se tornou, e do que sobre esso fez 20

IV—Como depois da morte da Condessa de Bolonha foi despensado com El-Rei Dom Affonso que cazasse com a Rainha D. Breatiz, e dos filhes que della houvesse 24

V—Das terras e Lugares que se acrescentaram a Portugal por este casamento 26

VI—Que fundamento houve para o Mestre Dom Payo Correa começar de conquistar o Algarve, que era dos Mouros 29

VII—Do accordo que os Mouros fizeram contra o Mestre, e como houveram com elle batalha em que foram vencidos 33

VIII—Como houve treguas antre os Christãos, e Mouros, e com que fundamento cada uns o outrogaram, e como foi a morte dos sete Cavalleiros Martyres, e o Mestre tomou Tavilla 35

IX—Como o Mestre tomou Selir, e Alvor, e a Cidade de Silves, porque partidos a leixou aos Mouros 40

X—Como o Mestre tornou a cercar Paderne, e o tomou, e do fundamento que houve para El-Rei D. Affonso de Portugal haver para si o Reino do Algarve, e se intitular delle, e com que obrigação lhe foi dado 43

XI—Como El-Rei Dom Affonso de Portugal depois de lhe ser dado o Algarve, tomou aos Mouros a Villa de Farão, em que foi em sua ajuda o mestre D. Payo Correa 46

XII—Como El-Rei D. Affonso cercou, e tomou Loulé, e como a Aljasur tomou o Mestre de San-Tiago, e o Mestre Daviz Albufeira, e da declaração que se fez deste nome Algarve, e dos Lugares que agora nelle cabem 51

XIII—Como o Reino do Algarve por divizões que houve foi posto em terçaria de Cavalleiros Portuguezes, e o que sobre esso se fez 54

XIV—Como El-Rei Dom Affonso de Castella quitou ao Ifante D. Diniz seu neto a obrigação do Algarve, e a soltou a Portugal levemente para sempre 56

XV—Da morte do mestre Dom Payo Correa, e das causas que houve para El-Rei D. Affonso de Castella, pai da Rainha de Portugal ser desobedecido, e como foi ajudado de Portugal, que foi fundamento para se acrecentarem a Portugal os Lugares de riba Dodiana 58

XVI—Do falecimento del-Rei Dom Affonso de Portugal, como antes de seu falecimento deu Caza ao Ifante Dom Diniz seu filho herdeiro 65

End of Project Gutenberg's Chronica d'El-Rei D. Affonso III, by Ruy de Pina