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Electra: Drama em cinco actos cover

Electra: Drama em cinco actos

Chapter 35: SCENA XVII
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About This Book

A peça abre num salão palaciano onde visitantes e criados comentam a chegada de uma jovem sobrinha trazida de um colégio e os boatos que cercam a mãe dela, cuja vida passada marcou a família. Ao longo dos atos, conversas privadas e cenas domésticas revelam tentativas de sondar o caráter da jovem, que oscila entre candura encantadora e travessura inquietante, despertando admiração, preocupação e curiosidade nos parentes. Tramas secundárias expõem intrigas sociais, laços financeiros e relações ambíguas entre vizinhos e parentes, enquanto o drama concentra-se na tensão entre herança moral e vontade individual.

Pobresinho d’elle!

Evarista

Que o levem para a sua casa.

Electra

Ninguem lhe toque... Ninguem se atreva a tocar-lhe... É meu. (Desprende-se á força de Evarista e de Pantoja, que querem contel-a, e sae de uma corrida pela esquerda)

SCENA XVII

OS MESMOS E JOSÉ

Pantoja

(colerico, passando para a direita) Que falta de dignidade e de juizo!

José

(pressuroso, pelo jardim) Minha senhora...

Evarista

O snr. D. Maximo que disse?

José

Não sabia de nada. Está lá com uns senhores. Quando lhe contei poz-se a rir... Como se nada!... Diz que o menino que está muito bem entregue á menina.

Urbano

Já é pachorra!

Evarista

(a José) Vaes leval-o a casa. Para que a menina aprenda.

Marquez

Voto por que a deixem gosar um pouco mais do seu lindo crime.

SCENA XVIII

OS MESMOS E ELECTRA, pela esquerda, trazendo nos braços o menino, que tem pouco mais ou menos dois annos

Electra

Queridinho da minh’alma!

Evarista

Deixa o menino, e vamo-nos.

Urbano

São horas.

Cuesta

(ao marquez) Eu, pela minha parte, acho que é um rasgo de maternidade. E applaudo-o.

Marquez

Eu digo que é um lance angelico. E adoro-o.

Evarista

(querendo pegar no menino) Então, Electra?

Electra

(em passo ligeiro afasta-se dos que querem tirar-lhe o pequerrucho. Este abraça-lhe o pescoço) Não, não posso deixal-o agora.

Evarista

Balbina, pega n’esse menino.

Electra

(passa de um lado para o outro, procurando um refugio) Não! e não!

Urbano

Dá-m’o a mim.

Electra

Não!

Pantoja

(imperioso, a José) Pegue n’elle, José.

Electra

Não, já disse!... Ninguem lhe toca... É meu.

Evarista

Mas, filha, se temos de sahir!

Electra

Saiam! vão com Deus. (Vendo que o chapeu a inhibe de abraçar e beijar o seu amiguinho, arranca-o rapidamente da cabeça e atira-o para longe. Continúa a passear o menino, fugindo dos que lh’o querem tirar, e, sem ouvir, falando com o pequerrucho, que lhe deita os braços ao pescoço e a beija) Dorme, dorme, meu amor. Não tenhas medo, filhinho... Dorme, que não te largo.

Evarista

Então vamos ou não vamos?

Electra

Eu não vou... Tens fome? tens sede, meu anjo? Eu te acalentarei... Deixa berrar esses egoistas todos, que se não lembram de que não tens mãe!

Pantoja

Mas tem quem olhe por elle.

Evarista

Basta! (Imperiosa, aos creados) levem-o para a sua casa.

Electra

(resolutamente, sem deixar que toquem na creança) A casa! a casa! (Com passo decidido, sem olhar para ninguem, corre para o jardim e sae. Seguem-a todos com a vista, indecisos, não ousando dar um passo para ella)

Pantoja

Que escandalo!

Evarista

Que loucura!

Marquez

Que juizo! o juizo mais perfeito da mulher! Achou o seu caminho.

FIM DO SEGUNDO ACTO