IV
HYMNO
DA SOCIEDADE DOS AMIGOS DAS LETTRAS E ARTES. EXHORTAÇÃO AO TRABALHO COM MUSICA DO SNR. JOÃO LUIZ DE MORAES PEREIRA
Voz
No regaço do luxo a opulencia
os cançassos do ocio maldiz.
Entre as lidas sorri a indigencia;
co’o pão negro se julga feliz.
Côro
Trabalhar, meus irmãos, que o trabalho
é riqueza, é virtude, é vigor.
D’entre a orchestra da serra e do malho
brotam vida, cidades, amor.
Voz
Deus, impondo ao peccado a fadiga,
té na pena sorriu paternal:
só quem vence a perguiça inimiga
reconquista o edén terreal
Côro
Trabalhar, meus irmãos, etc.
Voz
¿Quem dá graças aos Ceos ao sol posto?
¿Quem lh’as dá vendo a aurora raiar?
É o obreiro; o suor lhe enche o rosto,
mas seus dias não turva o pesar.
Côro
Trabalhar, meus irmãos, etc.
Voz
O que vive na inercia aborrida
não somente é de irmãos roubador;
é suicida, e mais vil que o suicida;
é suicida, a quem falta o valor.
Côro
Trabalhar, meus irmãos; etc.
Voz
Caia opprobrio no vil ocioso,
que desherda o presente e o porvir.
Só á noite compete o repouso;
só aos mortos o eterno dormir.
Côro
Trabalhar, meus irmãos, etc.
Voz
Mar e terra, ar e ceo, tudo lida.
Deus a todos poz luz e deu mãos.
Lei suprema o trabalho é na vida.
¡Trabalhar, trabalhar, meus irmãos!
Côro.
Trabalhar, meus irmãos, que o trabalho
é riqueza, é virtude, é vigor.
D’entre a orchestra da serra e do malho
brotam vida, cidades, amor.