XXXV
Achei!—Eureka!
Esta exclamação que se faz ouvir quando, depois de longas investigações, o espirito, repentinamente inspirado, chega á descoberta que elle perseguia, foi proferida pela primeira vez, por Archimedes, nas circumstancias seguintes:
Hieron, rei de Syracusa, suspeitava que um ourives, que lhe tinha fabricado uma corôa d'ouro, tivesse falsificado o metal, misturando-lhe uma certa quantidade de prata. Elle consultou Archimedes, seu parente, sobre os meios de descobrir a fraude, de que julgava poder queixar-se. O illustre mathematico reflectia profundamente na solução possivel d'este problema, quando um dia, estando no banho, percebeu que os seus membros, mergulhados na agoa, perdiam consideravelmente do seu pezo; que, por exemplo, elle podia levantar uma perna com extrema facilidade. O seu genio entreviu logo os elementos d'esse grande principio d'hydrostatica, que determinou em seguida rigorosamente:—que todo o corpo mergulhado n'agoa, perde uma parte do seu pezo, egual ao pezo do volume d'agoa que esse corpo desloca.—Esta descoberta dava-lhe a solução do problema. No meio do enthusiasmo que lhe produziu esta revelação elle sahiu do banho e lançou-se na rua gritando:
—Achei! achei!—Eureka! Eureka!
Com effeito, tinha encontrado o meio de determinar a gravidade especifica de todos os corpos, tomando a agoa por unidade. Procurou, pois, duas massas, d'ouro e de prata, cada uma d'um pezo egual á corôa: mergulhou-as successivamente n'um vaso cheio d'agoa, observando com cuidado a quantidade de liquido deslocado pela immersão de cada uma d'ellas. Submetteu á mesma experiencia a propria corôa, e achou assim o meio certo d'apreciar a quantidade d'ouro e de prata de que ella era composta.
—O achei! de Archimedes, ficou tendo applicação, nos casos em que, uma difficuldade qualquer, se vence por uma solução satisfactoria.