XLVIII
Subir ao Capitolio
Na antiga Roma, os generaes vencedores subiam em triumpho ao Capitolio, no meio das acclamações de todo o povo, e alli offereciam sacrificios aos deuses; em seguida o povo os acompanhava a sua casa com archotes e soltando gritos de alegria.
Na Edade Média, e durante o grande seculo litterario da Italia, resuscitaram-se, em favor da poesia, os antigos triumphos do Capitolio. No dia de Paschoa, a 8 d'abril de 1341, Petrarcha subiu ao Capitolio no meio dos principaes cidadãos, precedidos de doze mancebos, escolhidos nas familias mais illustres, que declamavam os seus versos. Recebeu a corôa de louro e recitou um soneto ácerca do heroe da antiga Roma.
Tasso recebeu tambem as honras da coroação; a sua entrada em Roma já teve o aspecto de um triumpho. O povo, os nobres, os prelados, os cardeaes, os sobrinhos do Papa, foram ao seu encontro e o conduziram ao Vaticano, no meio das mais vivas acclamações. O Papa, avistando-o, disse-lhe com graça particular:
—«Vinde honrar esta corôa, que honrou todos quantos a collocaram antes de vós.»
Os aprestos da cerimonia proseguiam com a maior rapidez e o Tasso ia, emfim, receber a recompensa d'uma vida cheia d'amargura e de dôr; mas por uma ultima irrisão da sorte elle morreu na vespera do proprio dia em que devia subir ao Capitolio, e o louro poetico não adornou senão a fronte do seu cadaver, que fôra amortalhado com a toga romana.
Pouca gente desconhece a magnifica descripção que Madame de Stael fez da coroação de Corinna. A brilhante escriptora faz reviver no seu celebre romance a Corinna Thebana, a rival feliz de Pindaro, varias vezes coroada nos jogos olympicos.