LXII
Tudo é perdido, menos a honra!
Francisco I a quem duas derrotas experimentadas pelos seus generaes Lautrec e Bonnivet tinham feito perder o milanez, quiz reconquistar este ducado, e transpoz os Alpes á frente d'um novo exercito. A breve trecho pôde entrar em Milão. Mas em vez de perseguir o inimigo a todo o transe, obstinou-se no cêrco de Pavia, e, como este cêrco fosse delongado, teve a imprudencia de se enfraquecer, destacando 12:000 homens que deviam marchar sobre Napoles. No entretanto, os imperiaes reforçavam-se e levavam soccorro a Pavia. Feriu-se a batalha e foi encarniçada. O rei foi ferido na fronte, e a sua armadura, que a França possue ainda, foi toda crivada. Mas o numero venceu a coragem, a batalha foi perdida e Francisco I feito prisioneiro. Entregou a sua espada ao vice-rei de Napoles, Lannoy, que a recebeu de joelhos.
«Foi do campo imperial, perto de Pavia, que Francisco I escreveu a sua mãe uma carta que se tornou celebre, graças á tradicção, que muito a alterou dando-lhe a fórma d'um laconismo sublime:
—«Senhora, tudo é perdido, menos a honra!»
Recentes investigações, porém, fizeram descobrir o texto verdadeiro d'essa carta que começa do seguinte modo:—«Senhora, para vos fazer saber como se cumpre o resto do meu infortunio, de todas as coisas, só me ficou a honra e a vida, que está salva.»