FOOTNOTES:
2 The Portuguese of former times never resigned the common denomination of Spaniards to the inhabitants of the Castilian monarchy. They invariably styled the Spaniards Castelhanos. Even in the late edition of the poems of Camões, that writer, who composed only a few trifles in Castilian verse, is distinguished by the title of Principe dos Poetas de Hespanha, (Prince of Spanish poets).
3 Detailed information concerning the settling of French knights in Portugal, under Henry of Burgundy, may be found in Manuel Faria y Sousa’s well known work:—Europa Portuguesa, v. i. p. 448.
5 Further information on this subject is contained in Manuel de Faria y Sousa’s Europa Portuguesa, vol. iii. p. 378, whence all these particulars are derived.
6 It is difficult to collect any sense from the words. Those who understand Portuguese may try their skill on the following specimen:—
Tal a tal ca monta?
Tinheradesme, nom tinheradesme,
De là vinherasdes, de cà filharedes,
Ca amabia tudo em soma.
Per mil goyvos trebalhando
Oy oy vos lombrego
Algorem se cada folgança
Asmey cu: porque do terrenho
Nom ha hi tal perchego.
The above fragment is contained in the Europa Portuguesa, vol. iii. p. 379.—Dieze has also printed it in his Remarks on Velasquez.
7 Two complete songs by Egaz Moniz are given in the work of Manuel de Faria y Sousa already mentioned, vol. iii. p. 380. One commences as follows:—
Corpo doyro
Alegrade a quem amardes,
Que ei jà moyro.
Ei bos rogo bos lembredes
Ca bos quije
A que dolos nom abedes
Que bos fije.
Cambastes a Pertigal
Por Castilla
A amade o mei mal
Que dor me filha.
8 There is no poetry in the specimens quoted by Faria y Sousa. For example the following:—
Que em sembra cò os netos de Agar fornezinhos
Huna atimarom prasmada fazanha,
Ca Muza, et Zariph com basta campanha
De juso da sina do Miramolino
Com falsa infançom et Prestes maligno
De Cepta aduxerom ao Solar Espanha.
Et porque era força, adarve, et foçado
Da Betica Almina, et o seu Casteval
O Conde por Encha, et pro comunal
Em tarra os encreos poyarom a Saagrado,
El Gibaraltar, maguer que adordado,
Et co compridouro per saa defensaõ,
Pello susodeto sem algo de afaõ
Presto foy delles entrado et filhado.
9 See Barbosa Machado, article Dionis.
10 The changes which the name Alphonso undergoes in Spanish and Portuguese may mislead persons who are not intimate with those languages. In Spanish it is indiscriminately either Alfonso or Alonzo; the latter form, however, is chiefly used in common life. In Portuguese, from the natural tendency of that language to omit the letter l, the name is invariably pronounced and written Affonso.
11 This poem is given by Barbosa Machado, under the head D. Pedro I.—As it is written in the Castilian language, it would be out of place in a collection of specimens of Portuguese poetry. The Portuguese songs of Pedro I. are included in Garcia de Resende’s Cancioneiro.
12 The Spanish Don becomes Dom in Portuguese.
14 Manuel de Faria y Sousa has printed it in his Discurso de los Sonetos, prefixed to his Fuente Aganippe, that is to say, his poems, vol. i. The language and style of this sonnet are sufficiently ancient.
de pram que vos av des hem contado,
o feito de Armadis, o namorado,
sem quedar ende por contarhi rem.
que vos seredes sempre ende loado,
eu entre os homes hos por bo mentado,
que vos eram adeante, e que hora hem.
Breoranja amarendoudo hu nom amarom
esto, combade, e contra sà vontade.
por sa gram fremosura, e sa bondade,
e ber porque o sim amor nom lho pagarom.
15 One of these sonnets is printed, as a specimen, in the before-mentioned Discurso de los Sonetos. There is in the antiquated diction a degree of precision which approximates to the style of the original:—
com sà fremosa Madre, e sàs donzellas;
el rindo, e cheo de lédice entre ellas,
ja de arco, e de sas setas nom curando.
na gram coita que ella ha, e vendo aquellas
setas de Amor, filha em sa mano huna dellas,
e metea no arco, e vayse andando.
Her, disse: ay traidor que me has falido;
en prenderey de ti crua vendita.
e catando a sa sestra endoa do grita,
hay merce, a Brioranja que fogia.
16 See Sarmiento’s Obras Posthumas, p. 323.
17 The Cronica do Condestabre de Portugal Nun Alvarez Pereyra, printed in gothic letters at Lisbon 1526, in folio, may serve for an example. That this chronicle was composed about the end of the fourteenth century is a fact which admits of no doubt. Though written quite in the dry style of the chronicles, yet the author seems to have had a vague idea of historical arrangement; and he sometimes aims at a certain degree of skill and eloquence in antithesis. Thus in the preface, which commences in the following manner:—
Antigamente foy costume fazerem memoria das cousas que se faziam, assi erradas, como dos valentes e nobres feitos; dos erros, porque dellos soubessem guardar, e dos valentes e nobres feitos, aos boõs fizessem cobiça a ver peras cousas semelhantes fazerem.
With this artificial commencement, the simplicity of the following passage forms a remarkable contrast:—
E por nom fazer longo prollego (prologo), farei aqui começo em este virtuoso Senhor, do qual veo o valente y muy virtuoso conde estabre Dom Nunalvaréz Pereyra. E assi dehi em diante siguiremos nossa historia.
19 Dieze, in his Remarks on Velasquez p. 105, has printed a commencing stanza of one of these songs, which presents no great merit, together with a translated passage from Argote de Molina’s Nobleza de Andalusìa.
20 Even Cervantes in his Journey to Parnassus, makes Mercury assign to Lusitania the supplying of Amores, in order to collect together the ingredients of romantic poetry.
21 What is stated by Barbosa Machado shews how highly Garcia de Resende was esteemed by his contemporaries.
22 Barbosa Machado likewise gives an account of this collection under the head D. Pedro I. p. 540, a place in which such a notice would scarcely be looked for.
23 This is expressly mentioned by the Spanish writer Sarmiento, who says:—El cancionero Portuguez contiene muchissimos mas poetas que el Castellano. Este contiene solos los del siglo xv. pero aquel contiene algunos del Siglo xiv.—Obras posth. p. 323.
24 It will soon be necessary to make this author the subject of a particular notice.
25 I have met with no notice of a Romanceiro distinguished from the Portuguese Cancioneiro by any remarkable number of narrative romances.
26 Dieze, in his Remarks on Velasquez, p. 76, has collected notices of the lives of those Portuguese who in the fifteenth and sixteenth centuries distinguished themselves by the composition of latin verse.
27 According to the testimony of Barbosa Machado, Lopes wrote several chronicles; only one was however printed, a damaged copy of which I have now before me. It is entitled: Chronica d’El Rey D. Joaõ I. de boa memoria &c. composta por Fernam Lopes. Lisboa 1644. With Zurrara’s continuation it forms one thick folio volume. It is singular enough that in these old Portuguese chronicles, the word Rey (King) is always preceded by the Castilian article El, instead of the Portuguese O. Thus El Rey, united as if forming one word, has become in the official stile of Portugal the substitute for O Rey.
28 The following speech, which is short, and is not badly conceived, may be transcribed here entire as an interesting specimen of Portuguese prose of the fifteenth century. Nuno Alvarez, who commands the Portuguese army against the Castilians, whom his brothers have joined, thus addresses his companions in arms:—
Amigos, eu nam sey mais que diga do que vos jà tenho dito, però ainda vos quero responder a ìsso, que me dissestes. Quanto he o que dizeis: que os Castellanos sam muytos, et vem grandes Capitanes, et senhores com elles, tanto vos serà mayor honra, et louvor de serem por vós vencidos, ca jà muytas vezes aconteceo os poucos vencerem muytos, porque todo o vencimento he em Deos, et nam nos homens. Na outra cousa, em que duvidaes, segundo parece, que he a vinda de meus Irmaõs em sua companhia, a ìsso nam temais por nenhuma guisa, nem Deos quizesse tal, que nenhum por mim fosse enganado. Ca eu naõ os hey por meus Irmanos nesta parte, pois que vem por desviar a terra, que os gérou. E nam digo contra meus Irmaõs, mas em verdade vos juro, que ainda que ahi viesse meu Padre, eu seria contra elle, por serviço do Mestre meu senhor. E pera vós verdes que he assim, se a voz praz de em esta obra sermos todos companheiros; eu vos juro, et prometo, que eu seja o dianteiro ante a minha bandeira, et o primeiro que comece a pelejar, et assi podeis ver a vontade, que eu tenho contra meus Irmaõs neste feito. Mas, naõ embargo da vossa tençaõ ser todavia qual me dissestes, aquelles, que se quizerem hir pera suas casas, et lugares, vaõse com Deos, ea eis, et esses poucos de boõs Portugueses, que comigo vem, lhe entendo poer a praça.
29 Barbosa Machado’s article under the head “Bernardim Ribeyro,” is too short and unsatisfactory for a name so celebrated.
30 For example in the following stanzas:—
Com seu gado et com seu fato,
Com tudo se agasalhou
Em huma bicada de hum mato,
E levandoo a pascer,
O outro dia à ribeira
Joana acertou de hi ver,
Que andava pela ribeira
Do Tejo a flores colher.
Vestido branco trazia,
Hum pouco a frontada andava,
Fermosa bem parecia
Aos olhos de quem na olhava.
Jano em vendoa foy pasmado,
Mas por ver que ella fazia
Escondeose entre hum prado.
Joana flores colhia,
Jano colhia cuidado.
Despois que ella tene as flores
Jà colhidas, et escolhidas
As desvariadas cores
Com rosas entremetidas,
Fez dellas huma capella.
E soltou os seus cabellos
Que eram tam longos como ella,
E de cada hum a Jano em vellos
Lhe nacia huma querella.—
31 For example:—
O coitado que farei,
Que nam sei onde me và,
Com quem me consolarei?
Ou quem me consolarà?
Ao longo das ribeiras,
Ao som das suas agoas,
Chorarei muitas canceitas,
Minhas magoas derradeiras,
Minhas derradeiras magoas.
Todos fogem jà de mim,
Todos me desemporaram,
Meus males sòs me ficaram
Pera me darem a fim
Com que nunca se acabaram.
De todo bem desespero
Pois me desespera quem
Me quer mal que lhe nam quero,
Nam lhe quero senam bem,
Bem que nunca della espero.
O meus desditosos dias,
O meus dias desditosos,
Como vos his saudosos,
Saudosos de alegrias,
D’alegrias desejosos:
Deixaime jà descançar,
Pois que eu vos faço tristes,
Tristes porque meu pesar
Me deu os males que vistes,
E muitos mais por pasar.—
32 The Spaniards cannot easily enter into the spirit of these verbal allusions in the Portuguese language; for the word which in Portuguese signifies a river, is in Spanish by the usual change in the penult syllable Ribera, and signifies a bank. The Portuguese Ribeira, or Ribeiro, is probably derived from Rivus; and the Spanish Ribera from Ripa.
33 For example:—
O cuidado da ribeira,
Ribeira do bem passado.
Pois de ti vivo apartado
Comigo vive canseira:
Audo com a fantesia,
Trago huma tristeza tal,
Que mouro con alegria,
Tam contente sou com o mal,
Que sempre mal ter queria.—
This fifth eclogue is, however, attributed to Ribeyro only by conjecture.
34 These eclogues form an appendix to the old as well as the new edition of the prose romance of Menina e Moça, which will soon be further noticed.
36 This very plain dealing effusion is as follows. It is without punctuation:—
que ainda que dei a maõ
nam casei ho coraçaõ
Antes que vos conheçese
sem errar contra vos nada
huma soo maõ fiz casada
sem que mais nisso metesse
doulhe que ella se perdesse
solteiros e vossos sam
hos olhos e ho coraçam
Dizem que ho bom casamento
se a de fazer de vontade
eu a vos a liberdade
vos dei e o pensamento
nisto soo me achei contento
que se a outrem dei a maõ
dei a vos ho coraçaõ
Como senhora vos vi
sem palauras de presente
na alma vos reçebi
onde estareis para sempre
nam de palaura somente
nem fiz mais que dar a maõ
guardandovos o coraçaõ
Caseime com meu cuidado
e com vosso dessejar
senhora nam sam casado
nam mo queiras acuitar
que servirvos e amar
me nasçeo do coraçaõ
que tendes em vossa maõ
Ho casar nam fez mudança
em meu antiguo cuidado
nem me negou esperança
do galardam esperado
nam me engeiteis por casado
que se a outro dei a maõ
a vos dei ho coraçaõ.
37 They may be found in the appendix to the old and scarce edition of the tale Menina e Moça, (Lisboa, 1559, in 8.)
38 In the Cancionero de Romances, Amberes 1555, in 8vo. It is also to be found in the new as well as in the old edition of the Menina e Moça.
39 It commences thus:—
Que vai pello pe da serra,
Onde me a mi fez a guerra
Muito tempo o grande amor,
Me levou a minha dor.
Jà era tarde do dia
E a agua della corria
Por antre hum alto arvoredo,
Onde ás vezes hia quedo
O Rio, e ás vezes nam.
Entrada era do veram,
Quando começam as aves
Com seus cantares suaves
Facer tudo graciozo.
Ao rogido saudozo
Das aguas cantavam ellas;
Toda las minhas querellas
Se me pozeram diante; &c.
40 The new edition of the Menina e Moça, ou Saudades de Bernardim Ribeyro, published by one of the descendants of the poet, Lisboa 1785, in 8vo. is easier to read than the old edition, on account of the more regular punctuation. But the old and scarce edition, which, however, bears on the title page, the words de novo estampada, Lisboa 1559, in 8vo. contains, in an appendix, Ribeyro’s eclogues, and also a collection of old Portuguese poems by other authors.
41 She says:—
Escolhi para meu contentamento (se entre tristezas et saudades ha algum) virme viver a este monte, onde o lugar et mingoa da conversação da gente te fosse, como para meu cuidado cumpria: porque grande erro fora depois de tantos nojos, quantos eu com estes meus olhos, vi aventurarme ainda esperar do mundo o descanço, que elle nunca dè a ninguem. Estando eu aqui ló, taõ longe dè toda a outra gente, et de mim ainda mais longe; donde nam vejo senaõ serras de hum cabo, que se naõ mudaõ nunca, et do outro aguas do mar, que nunca estam quedas, onde cuidava eu jà que esquecia a desaventura, porque ella, et depois eu a todo poder que ambas pudemos naõ leixamos em mi nada em que pudesse nova magoa ter lugar; &c.
42 The following is the passage:—
Nam tardou muito que estando eu assi cuidando, sobre hum verde ramo que por sima da agua se estendia, se veyo pousar hum Rousinol, começou a cantar tam docemente que de todo me levou a pos si o meu sentido d’ouvir; et elle cada vez crecia mais em seus queixumes, que parecia que como cansada queria acabar, senaõ quando tornava como que começava. Entam (triste da avezinha) que estandose assi queixando nam sey como se cahio morte sobre aquella agua, cahindo por entre as ramas, muitas folhas cahiram tambem com ella; pareceo aquello sinal de pezar naquelle arvoredo de caso tam desestrado. Levava a pos si a agua, et as folhas a pos ella, et quizeraa eu hir tomar: mas polla corrente que alli fazia, et pelo mato que dali para baxo acerca do rio logo estava, prestasmente se alongou da vista; o coraçaõ me doco tanto entaõ em ver taõ asinha morto quem dantes taõ pouco havia que vira estar cantando, que naõ pude ter as lagrimas.
43 This passage may be regarded as a specimen of romantic didactic prose:—
Coitadas das mulheres que porque vem que as namoram os homens com obras cuidam que assi se devem elles tambem de namorar: et he muito pelo contrario, que aos homens namoramnos desdeis et presunçoens, apos huma brandura de olhos, asperesa muita de obras. Isto de seu natural lhes deve vir, porque sam rijos, que parece nam terem em muito senam o que trabalham muito. Nos outras boandas de nosso nacimento fazemos outra cousa: porem se elles com nosco entrassem a juizo, que razam mostrariam per si? Ca o amor que he senam vontade? Ella nam se dà, nem se toma por força, mas como quer que seja, ou pela desventura das mulheres, ou pela ventura dos homens.
44 The publisher of the new edition of the Menina e Moça (see note p. 33.) expressly states in his preface, that by recalling public attention to that work, he proposes to refute the censures which have been pronounced on the Portuguese language.
45 Egloga de Christovam Falcam, chamado Crisfal, annexed to the old edition of the Menina e Moça. See note page 33.
e ja que me conheçia,
lagrimas lhe vi correr
dos olhos que nam movia:
de mim sem nada dizer.
Eu lhe disse: meu dessejo,
vendoa tal com asaz dor,
dessejo do meu amor
crerei eu ao que vejo,
ou crerei ao meu temor,
A ysto bem sem prazer
me tornou entam assi
com voz de pouco poder:
Crisfal que vez tu em mim
que nam seja pera crer?
Eu lhe respondi: perdervos
de vos ver por tanto anno
fazme assim temer meu dano
que vejo meus olhos vervos,
e temo que me engano.
como pude ser tam crua
Bem abraçado me tinha
a minha boca na sua
e a sua façe na minha.
Lagrimas tinha choradas
que com a boca gostey,
mas com quanto certo sey
que as lagrimas sam salgadas,
aquellas doçes achey.
com muitas palauras tristes,
e tomey por concruzam,
alma por que nam partistes
que bem tinheis de rezam.
Entam ella assi chorosa
de tam choroso me ver,
ja pera me socorrer
com huma voz piadosa
comezoume assi dizer:
ora non mais! Crisfal manço
bem sey tua lealdade.
Ay que grande descanço
he falar coma verdade.
Eu sey bem que nam me mentes,
que o menter he diferente,
nam fala dalma quem mente.
Crisfal nam te descontentes
se me quereo veer contente.
Assi, como o contava,
Huma Nymfa, o escrivia
N’ hum alamo que alli estava,
Que ainda entam crescia.
Dizem, que foi seu intento
De escrevelo en tal lugar,
Pera por tempo se alçar
Onde baixo pensamento
Lhe nam pudesse chegar.
50 These verses bear the following superscription:—Carta do mesmo, estando preso, que mandoa a huma Senhora con que era casado a furto contra vontade de seus parentes &c.—This letter is also attached to the old edition of the Menina e Moça.
51 From the verb Esparecer, which is almost synonymous with the French Extravaguer, the term Esparça is probably derived.
Vejo o começo no cabo,
De feiçaõ que nam conheço,
Se começo, nem se acabo.
Assi me desconheci,
Nam me quereis vos fazer
O que por vos fiz amim.
Vejo me em grande perigo,
Nam posso vivir comigo,
Nem posso fugir de mim.
55 The following for example:—
amor, nam as posso dormir.
em vos seu mal e seu bem,
se algum tempo repousarem
ja nenhum repouso tem.
Dias vam e noutes vem
sem vos ver nem vos ouvir.
Como as poderei dormir?
na causa de seu pensar
acorda sempre ho cuidado
para nunca descuidar.
As noites do repousar,
dias sam ao meu sentir,
noutes de meu nam dormir.
e passado em mal presente;
o sentido desvelado,
ho coraçam descontente:
ho juizo que ysto sente
como se deve sentir,
pouco leixara dormir.
cos olhos do coraçam,
nam me deito sem dessejo
nem me erguo sem paixam;
hos dias sem vos ver vam,
as noites sera vos ouvir,
eu as nam posso dormir.
56 In illustration of this remark, the words cor, paço, povo, pay, may, por, ter, may be compared with the Spanish words color, palacio, pueblo, padre, madre, poner, tener, and similar comparisons may be made of a multitude of others. Let the reader also take into consideration the clipping pronunciation of o and a when these vowels terminate words in the Portuguese language. The Portuguese articles o and a, abbreviated from lo and la, together with the compounds formed from them, as no and na, instead of en lo and en la, must necessarily be offensive to the Spanish ear. It is singular, however, that the Portuguese language has a tendency to lengthen those particular words in which the Spanish cannot tolerate any further extension; for the Spanish Universidad, Magestad, &c. become in Portuguese Universidade, Magestade, and so forth.
57 It deserves, however, to be noticed, that of all the sister languages of Roman descent, the Portuguese alone has preserved, in its grammatical structure, a remarkable fragment of the ancient latin conjugation, namely, the pluperfect of the indicative, viz. fora, foras, fora, from fueram, fueras, fuerat. But this pluperfect has also the signification of a preterite of the subjunctive; and through the ambiguity, which thus arises, the value of this grammatical relic in the Portuguese language is in a great measure lost, notwithstanding that the connection may easily mark the proper sense. But how happens it that of all the languages claiming a Roman origin, the Portuguese, though in other respects remarkable for a certain simplicity of character, is, upon the whole, distinguished by the most numerous and subtle tenses in the conjugations of its verbs?
58 This trait of distinction between the Portuguese and Spanish national character is still noticed by travellers. The Portuguese is a bigot, like the Spaniard, but he is far less fanatical. The intercourse of trade in Lisbon, requires an external appearance of tolerance. If the English sailors refuse to take off their hats during the catholic processions in Portugal, the populace content themselves with exclaiming, “they are English heretics!” or uttering some other words of reproach.
61 All the notices extant respecting the life of this poet, are collected in the biographical memoir prefixed to the new edition of his Obras Lisb. 1784, 2 vols. 8vo. Dieze in his Remarks on Velasquez, has merely selected the article “Saa de Miranda,” from the works of Nicolas Antonio and Barbosa Machado.
62 He says in his third sonnet:—
Sam preceitos de Horacio, me diram!
Em al nam posso, sigoo em apparenças.
Quem muito peleijou, como irá sam?
Tantos ledores, tantas as sentenças.
Cum vento vellas vem, et vellas vam.
63 In one of the introductory stanzas of his first Portuguese eclogue, he says, addressing the prince Dom Manoel:—
Co as Musas, co as Graças, cos Amores.
64 One of his sonnets commences at once with the description of this conflict:—
Tem guerra co a razon. Amor, que jaz
Hi ja de muito tempo, manda e faz
Tudo o que quer a torto ou a direito.
65 For example in the following charming sonnet, which even derives a peculiar air of simplicity from the recurrence of masculine rhymes:—
Mais ouço, et sinto ao vir vosso, et fallar,
Naõ sey que entendo mais té no callar,
Nem quando vos nam vejo alma que vee.
Que lhe aparece em qual parte que esté,
Olhe o Ceo, olhe a terra, ou olhe o mar,
E triste aquelle vosso sossurar,
Em que tanto mais vay, que direy que he?
Em verdade naõ sey que he isto que anda
Entre nós, ou se he ár como parece,
Ou fogo d’outra sorte, et d’outra ley,
Em que ando, de que vivo: et nunca abranda,
Por ventura que á vista resplandece.
Ora o que eu sey taõ mal como direy?
66 What a beautiful elegiac didactic picture is presented by the following sonnet on the setting sun:—
Do tempo, em tal sazaõ que soe ser fria:
Esta agoa que d’alto cae acordarmehia,
Do sono naõ, mas de cuidados graves.
Ó cousas todas vãs, todas mudaveis,
Qual he o coraçaõ que em vós confia?
Passando hum dia vay, passa outra dia,
Incertos todos mais que ao vento as naves.
En vi ja por aqui sombras et flores,
Vi agoas, et vi fontes, vi verdura,
As aves vi cantar todas d’amores.
Mudo, et seco he já tudo, et de mistura,
Tambem fazendome eu fuy d’outras cores.
E tudo o mais renova, isto he sem cura.