APÊNDICE
A que se faz referência na nota da página 36
O Sr. Theodoro Rogge, ilustre professor alemão e amador distinto e enthusiasta de faianças, veio a Portugal e, no seu regresso à pátria, deu a lume no periódico «Blätter für Kunstgewerbe» (Ano de 1895, caderno 3.º e 4.º) um excelente artigo sobre alguns azulejos que encontrou no nosso país e que julgou dignos de menção especial. Tão pouco se tem tratado em Portugal deste género de cerâmica que me pareceu conveniente tornar conhecido aquele interessante escrito, de que se fez tiragem em folhas separadas, das quais e respetivas estampas o ilustre professor me brindou com um exemplar, cuja tradução segue:
Tiragem separada do Jornal da arte. Ano de 1895, caderno 3.º e 4.º
Arte cerâmica e decoração em Portugal
Em Portugal a cerâmica serve para fins decorativos pelas maneiras mais variadas, começando nos mais simples objetos de necessidade imediata, como o fogão, os ladrilhos toscos do chão e análogos, e rematando nos magníficos azulejos de faiança artisticamente arranjados tanto sobre o ponto de vista do arquiteto como do pintor.
O emprego destes azulejos (ladrilhos fabricados de argila cozida e esmaltados de um só lado) imprime nos edifícios portugueses uma graça especial, dando-lhes ao mesmo tempo solidez e beleza.
Em geral nos paízes do sul as paredes das casas não são construídas tão solidamente como no nosso norte, sendo apenas as molduras das portas e das janelas e os cunhais das casas construídos de pedraria rigorosamente talhada, enquanto o grosso das paredes é fabricado, sem grande prodigalidade de argamassa, de pedras irregulares, tais como as pedreiras as fornecem. Nestas circunstâncias o emprego de ladrilhos vidrados para abrigar as paredes contra a inclemência do tempo torna-se quase uma necessidade absoluta.
Tão frequente é o uso dos azulejos que eles constituem um característico do país, podendo até dizer-se que poucas igrejas e casas há onde eles se não encontrem. Ora formam as molduras dos portais das casas e dos jardins, ora constituem a decoração alegre dos vestíbulos e das escadarias.
Em muitas casas, e até em bastantes pobres, as paredes interiores são forradas de azulejos pelo menos até 1 metro de altura. Frequentemente os azulejos são empregados para decoração das fachadas desde a base até ao telhado, ora com pinturas simples, ora enfeitadas com quadros da mão de artistas, muitas vezes também cobrem eles as torres e cúpulas, sendo o seu luzir ao brilho do sol meridional de um efeito verdadeiramente esplêndido.
Os azulejos são quadrados de 0,13m até 0,16m de lado, sendo de formas e dimensões mais variadas do que as molduras dos quadros. O que dá um valor artístico e especial a estes artefactos, ás vezes aparentemente toscos, é a ligeireza e elegância do desenho, muito em harmonia com a própria índole do material. Como já disse, os azulejos são de terra de majólica, de pouca espessura, cozidos e pintados antes de serem esmaltados.
A tinta é rapidamente absorvida pela argila, sendo impossível destruir ou emendar o desenho; o esmalte, sobreposto depois, dá a tudo muito brilho e duração. Sendo limitado o número de tintas que resistem ao processo da fabricação, a variedade das cores não é grande, mas este facto mesmo produz uma harmonia de composição, que redunda em especial proveito da cerâmica. A cor mais vulgarmente usada é o azul, derivando daí (azul, ou asur é o nome árabe de Japis-lazuh) a designação dos ladrilhos; há, contudo, autores que derivam a palavra do árabe zallaja, que significa liso, polido.
A fabricação dos azulejos deve-se, sem dúvida alguma, como tantos outros processos da arte cerâmica, aos mouros, divulgando-se em todos os países onde penetrou o seu domínio. No princípio foram destinados a substituir os mosaicos bizantinos nas mesquitas; empregaram-se, porém, mais tarde, também na decoração dos edifícios cristãos. O desenho estava originariamente distribuído em chapas unicolores de diferentes tamanhos e formas, sendo pouco depois adoptado o sistema típico atual.
Como parece, os azulejos começaram a divulgar-se no século XI, se não mais cedo, mas os mais antigos, que ainda existem na península ibérica, os da Alhambra em Granada pertencem ao século XIV[67].
Com respeito à coloração pode afirmar-se que, em Portugal, nos primeiras tempos do fabrico só se empregaram tintas inteiras sem matiz, sendo mesmo raras as cores alegres (de lustre).
Depois da introdução das faianças italianas da Renascença, a sua influência na decoração dos azulejos não tardou a fazer-se sentir. São disto claro exemplo os magníficos azulejos do sumptuoso palácio da Bacalhôa em Azeitão, uma vila amena perto da margem sul do Tejo, em cujo sítio antigamente os fidalgos portugueses costumavam veranear.
Segundo as pesquisas profundas de Joaquim Rasteiro, português, acerca daquele interessante monumento de arquitetura portuguesa[68], a construção dele foi começada pela infanta D.ᵃ Brites, passando a propriedade mais tarde às mãos de Afonso de Albuquerque, filho do célebre herói da Índia, que consideravelmente alargou as decorações do palácio e jardim com azulejos de cores. «Afonso de Albuquerque, filho do grande vencedor dos índios, edificou em 1554, reinando João III», diz uma inscrição sobre o portão principal do átrio.
O palácio com seus jardins constitui um verdadeiro museu de todas as espécies de faianças que se podem imaginar. Encontram-se ali o azulejo unicolor servindo para decorações no género munífico, o azulejo liso com ornamentos multicolores, o azulejo lustrado (estampado em relevo) à maneira dos espanhóis, os azulejos formando quadro simbólico, histórico ou mitológico, o medalhão à maneira dos de Luca della Robbia, de baixo ou alto relevo, de terra cota simples, ou colorido, ou esmaltado, com festões de frutos, ou simples grinaldas de folhas.
A galeria do lado ocidental do palácio, que dá para o jardim, tem revestimento de azulejos até à altura de 1m72. No meio de um desenho em azul, amarelo, verde maçã e castanho, sobre fundo branco, com friso de ovados, veem-se personificações dos rios Mondêgo, Nilo, Danúbio e Douro com ricas bordaduras, tudo obra de mão de verdadeiro artista e de inexcedível brilho e magnífico efeito[69].
Os pavilhões do jardim, as paredes e as galerias do lago artificial, no canto sudoeste daquele, são igualmente providas de ricas decorações em azulejo. Até os bancos e os alegretes das flores são revestidos de azulejos, posto que alguns destes mais simples e unicolores, formando uma espécie de mosaico. Os azulejos, que ornam as colunatas do lago são verdes com ornamentos de lustre, estampados em relevo cavado. No centro de uma destas paredes encontram-se as armas dos Albuquerques igualmente em azulejo. O pavilhão central, dos três situados no lago, tem não só azulejos de desenho ornamental, mas também três quadros figurais notáveis pelas suas formas e pelas suas cores. Um representa o rio Tejo, outro Suzana no banho. No fundo deste último quadro vê-se um palácio, em cujo pórtico se acha inscrito o ano de 1565. As chapas de terra cota (azulejos) que cobrem as paredes deste pavilhão estão colocadas com os cantos para baixo [<>], excepto os ladrilhos dos quadros, cujas juntas são verticais e horizontais. A colocação especial dos azulejos motivou uma mudança agradável do desenho, sendo ainda aumentada pelo emprego de azulejos de desenhos diferentes.
Apresento no caderno 4.º um dos desenhos unicolores daquele pavilhão.
Toda a parede a oeste do lago, com a sua extensão de cerca de 30 metros e com a sua considerável altura, é coberta de azulejos verdes em baixo relevo, de muito valor artístico[70]. Um Neptuno lançando água, nichos e medalhões em relevo alto servem para dar mais vida ao extenso quadrângulo. O diâmetro dos medalhões é de 54 centímetros, com as grinaldas de flores e frutos de 78 centímetros. O muro sul do jardim, costeando o caminho do palácio para o lago, tem doze medalhões de baixo relevo, correspondendo a outras tantas pirâmides colocadas no alto do muro. Os relevos representam heróis da antiguidade, Alexandre, Cipião, César, Aníbal e outros. O conjunto de toda esta construção representa obra de mestre, de um arquiteto talentoso bem certo do efeito desta maneira decorativa.
Portugal é rico em ruínas grandiosas, muito pitorescas e, pela maior parte, desconhecidas no estrangeiro, como os castelos de Obidos, Leiria, Tomar e Palmela. Do último ainda se levantam ao belo céu azul as colunas isoladas de alguns arcos, e ali encontrei magníficas decorações de azulejos muito bem adaptadas às largas dimensões da igreja. Azulejos isolados, tais como se encontram nos museus da arte industrial, quase sempre de origem espanhola, não podem dar senão uma ideia muito imperfeita da magnífica harmonia e da arte genial com que os azulejos naqueles tempos foram aproveitados para a decoração. Na estampa junta vê-se o sistema de desenho empregado por cima das janelas e entre as colunas dos arcos.
A estampa, em cores, deste caderno apresenta o detalhe do desenho formado de dezasseis ladrilhos. Este desenho, como a sua roseta central, lembra alguma coisa os modelos romanescos, que provavelmente ainda se conservavam tradicionalmente nas oficinas e que, nesta igreja de caráter romão dos tempos da Renascença, estão muito no seu lugar. Os frisos, porém, pertencem à Renascença pura, sendo pela maior parte formados por filas de folhas. A mesma estampa mostra uma parte composta de dois azulejos. Todos os ornatos mostram as mesmas cores, azul ou amarelo, contornados de azul sobre fundo branco, sendo não raras vezes o fundo enchido com a cor suplementar, o que faz aparecer o ornamento em branco.
O mesmo desenho de azulejos encontra-se em alguns outros edifícios do país, por exemplo na catedral de Portalegre, no Alentejo, fundada em 1565. Mas o sistema da composição dos azulejos é sempre variado, sendo deveras surpreendente a diversidade de desenhos que se podem arranjar com os mesmos ladrilhos. É claro que para isso se precisa uma mão experimentada, sendo especialmente difícil o fecho dos cantos. Os operários daqueles tempos tinham um exame especial com respeito ao assentamento dos azulejos.
A catedral de Portalegre, cuja torre teve a cúpula revestida de azulejos, contém no seu interior ainda muitos outros desenhos bonitos e notáveis de azulejos, como o representado no caderno 4.º. O artista desenhou uns retângulos e serviu-se apenas do azul e do amarelo, mas aplicando estas cores tão bem com respeito ao espaço que ocupam que, longe de parecerem desarmónicas, exaltam o efeito uma da outra[71]. O desenho da fita é também tirado daquela igreja.
Do século XVI existem ainda muitos azulejos lisos em Portugal; estampados em relevo encontram-se no convento da Pena e no palácio real de Sintra. As chaminés gigantescas deste último, que antes parecem pagodes da Índia, eram ornadas de azulejos estampados, desenhados por Duarte de Armas, pintor do rei D. Manuel.
Nos séculos XVI e XVII fabricaram-se azulejos magníficos. Ao lado de ornamentos, de vasos com flores, de arabescos, aparecem quadros figurais, emoldurados em ricos desenhos arquitetónicos, tudo apenas em dois tons de azul, contornados da mesma cor. Os quadros representam cenas bíblicas, feitos heróicos da história portuguesa, caçadas, touradas, danças, cenas bucólicas e viagens. Estes trabalhos distinguem-se muitas vezes pelo talento do autor, mostrando sempre elegância e ligeireza do pincel, surpreendendo especialmente as figuras pela sua correção anatómica e boa representação do nu.
Forma isto um notável contraste com a moderna produção deste género na Alemanha, onde a figura humana é mal tratada até à caricatura. Da mesma época tenho de mencionar um túmulo[72] no mosteiro da serra da Arrábida, em que o revestimento azulejado da cúpula ainda está completamente conservado. Na sacristia da catedral de Portalegre todas as paredes são vestidas de azulejos, representando cenas da vida de Santa Maria, emolduradas de riquíssimas decorações da Renascença, arabescos com hipocampos, arnorettos e festões.
Também em algumas igrejas de Lisboa existem interessantes quadros em azulejo daquela época, mas a maior parte ficou destruída no grande terramoto de 1755.
Atualmente a fabricação de azulejos em Portugal restringe-se, infelizmente, a estampar os ladrilhos de padrões rotineiros, perdendo-se deste modo todo o encanto artístico, que tanto distingue as produções antigas. Não me foi possível verificar se em Portugal existiam oficinas especiais para a fabricação dos azulejos, parecendo-me por isso, que sejam produto das olarias e fábricas de porcelanas. Ainda hoje uma rua de um bairro antigo de Lisboa tem o seu nome derivado daquela indústria.
As olarias tinham por patronas Santa Justa e Santa Rufina e governavam-se por um regulamento antigo, que tratava de quatro espécies de faiança, branca, vermelha, amarela e outra chamada «da Maia».
Por ocasião da vinda de Filipe III de Espanha a Portugal, em 1619, os operários das fábricas de faiança construíram também um arco de triunfo, como os outros artistas.
João Batista Lavanha, no seu livro sobre as festas celebradas nessa ocasião, descreve o arco dos oleiros. No meio de diferentes emblemas alusivos à arte, via-se a figura alegórica da olaria estendendo a mão esquerda sobre o torno do oleiro, com a mão direita levantava um vaso semilhante àqueles que então se fabricavam em Lisboa pelos modelos chineses. Por baixo da figura lia-se o seguinte verso:
Noutro quadro estava representado um navio da Índia descarregando caixotes com porcelanas chinesas. Outros barcos estrangeiros carregavam porcelana portuguesa, vendo-se ao longe iguais saindo a barra.
Pode-se concluir daí que naquela época (1620) a arte estava bastante adiantada, não só imitando-se a louça chinesa, mas exportando-se até os produtos portugueses.
Em apoio do que disse sobre a origem mourisca dos conhecimentos dos portugueses a respeito das artes cerâmicas, posso acrescentar que rara é a designação de qualquer vaso que não derive do árabe. Assim, albarrada, alcadefe, alcatruz, almofia, almotolia, bacio, barranha, bateia, bátega, botija, copa e copo, jarro, taça, etc. É notavel que entre estes nomes não só figuram os de vasos de uso doméstico e comum, mas ainda alguns de objetos exclusivamente de luxo, como, por exemplo: albarrada, que designa um determinado vaso de flores e jarra, pote de flores, ainda hoje muito em uso em Portugal.
Não posso deixar de mencionar a louça de Extremoz com as suas formas originais, tendo como as alcarazzas do sul de Espanha, a propriedade de darem à água bastante frescura, em consequência da evaporação do líquido transpirando pela argila porosa e não vidrada.
Tradução do Dr. Hugo Mastbaum.
Para se avaliar do interesse com que na Alemanha se busca saber quanto pode importar a qualquer ramo da atividade humana, sirva de exemplo o trabalho do professor Theodoro Rogge, que foi capaz de encontrar num jornal, essencialmente dado ao comércio e à política (Jornal do Comércio, de Lisboa), o escrito de autor obscuro e desconhecido, sobre a Bacalhôa, quase ignorada. Nunca supus que aquele meu trabalho valesse ser lido por um estrangeiro no seu país e, ainda menos, que eu merecesse as frases lisonjeiras que o ilustre professor me dirige. Não tive a honra de tratar com o Sr. Rogge, nem mesmo o gosto de o encontrar na sua viagem a Portugal, por isso mais me prendem as suas palavras de benevolente aplauso.
Ao meu amigo Dr. Hugo Mastbaum agradeço cordialmente o obséquio de me fazer conhecido pela tradução o escrito do seu ilustre compatriota.
J. R.
FOOTNOTES
[1] Nota do autor: Resende, Vida e Feitos de D. João II.
[2] Nota do autor: Guarienti, Abecedario pittorico.
[3] Nota do autor: Carta do Sr. Ramalho Ortigão a J. R.
[4] Nota do autor: Vite de più eccellenti pittori, scultori ed architetti, de Giorgio Vasari.
[5] Nota do autor: Von Albrecht Haupt, Die Baukunst der Renaissance in Portugal, 1890.
[6] Nota do autor: L. 4.. da Chancel. de D. Jogo 1, fl. 24. Na Torre do Tombo.
[7] Nota do autor: O infante D. João vinha algumas vezes à sua quinta. De Azeitão a 13 de abril de 1440, data ele um alvará, proibindo, a requerimento de Diogo Mendes de Vasconcelos, comendador de Sesimbra, a pastagem de gados na ribeira da Yena (hoje Aiana). Num outro alvará, de Azeitão também, datado do dia 16 do mesmo mês e ano, reestabelece o juiz da mesma ribeira, para livrar e conhecer os ditos feitos (questões de esgotamento de terras, pastagens e regime de águas) e que apreme e constranja os lavradores da dita ribeira, que respondam perante ele. Este juiz deveria ser um lavrador. Tombo de Sesimbra, fl. 123 v. e 124.
[8] Nota do autor: L. 1.0 dos Místicos, fl. 53 v. Na Torre do Tombo.
[9] Nota do autor: L. 5.º da Chancel. de D. Manuel, fl. 21 v. Na Torre do Tombo.
[10] A escritura existe no cartório dos Srs. condes de Mesquitela, senhores do morgado dos Albuquerques. O título 3.0 do livro 4.0 da ordenação Manuelina tem por título: «Que nenhum faça contratos nem distratos, em que ponha juramento, nem boa fé». Archivo pittoresco, vol. V.
[11] Economista, jornal de Lisboa, n.ᵒ 1:097 de 1885.
[12] Nota do autor: Carta mandando criar em vila a aldeia de Vila Fresca. Lisboa, 5 de dezembro de 1759.
[13] Nota do autor: Alvará de Lisboa, 16 de agosto 1786.
[14] Nota do autor: A Arruda foi criada vila em 1574, e, desde os primeiros tempos da monarquia, é chamada vala, mas pelos mais antigos documentos se pode mostrar que esta vila quereria dizer granja, quinta. Em 1255 o mestre Paio Peres Correia e o comendador de Mértola, Gonçalo Peres, dão ao frei Estevão Mendes aquele campo que é chamado vila da Arruda. Em 1300 a Arruda é dada à rainha D. Isabel, recebendo a ordem de Santiago em troca a quinta da Horta Lagoa no termo de Santarém. Em 1236 já o mestre Paio Peres tinha trocado com o sobrejuiz Pedro Martins o usufruto da Arruda pelas herdades que este tinha nas lezírias da Toureira. Mais tarde, em 1300, a rainha D. Beatriz deu à ordem de Santiago a quinta da Rebaldeira em troca da Arruda. Depois ainda Afonso IV troca a Arruda pela herdade da Anisa no termo de Alcácer, isto em maio de 1329. NB. Os dois contratos atrás, de 1300, um é de 14 de junho, outro de 3 de outubro.
[15] Nota do autor: «Et qui habuerit aldeam, et uno jugo de bois et xxxx oues et uno asino et duos lectos, comparei caualum.» Foral de Sesimbra, de Palmela e todos os do tipo de Évora.
[16] Nota do autor: A divisa do infante D. Henrique escrevia-se «Talent de bien fere», por faire.
[17] Nota do autor: «Non tibi, inquit illa (Beatriz) solum regni hwreditas obvenit, sed etiam matri, et propinquis, et omnibus denique, qui in te spem rerum suarum collocatum habent.» H. Osorii, De Rebus Emmanuelis, liber prim. Edit. 1791, pág. 36.
[18] Nota do autor: L. 1.0 dos Místicos. Na Torre do Tombo.
[19] Nota do autor: Salva, Col. de doc. ineditos para a hist. de Hisp., tomo VI. Carta de Cristóvão de Moura ao rei Filipe, em 9 de março 1579.
[20] Nota do autor: O cardeal Bembo, secretario de Leão X, fez dizer a este papa, quando anunciou aos príncipes cristãos a sua elevação ao pontificado, que ele tinha sido feito pontífice pelos decretos dos deuses imortais.
[21] Nota do autor: Comentários, parte XV, cap. L.
[22] Nota do autor: Em pouco estará restaurada esta galeria, graças ao atual proprietário, o Sr. conde de Mesquitela, D. Luís, que soube compreender o valor daquelas edificações.
[23] Nota do autor: Luiz Domnech, Historia general del arte, caderno.
[24] Nota do autor: Henry Havard, La Céramique. L’histoire, 22.
[25] Nota do autor: Von Albrecht Haupt, Die Baukunst der Renaissance in Portugal, 1890.
[26] Nota do autor: Kunstgewerbeblatt. Oktober 1893, Leipzig. Tradução do meu bom amigo Dr. Hugo Mastbaum. O ilustrado professor, Dr. Theodor Rogge, publicou em 1895 um outro artigo, Keramik und Decoration in Portugal, cuja tradução seguirá, em apêndice, nesta monografia.
[27] Nota do autor: Al-makkari, tomo I. Tradução inglesa de Gayangos e port. do meu amigo Oliveira Parreira.
[28] Nota do autor: D. Francisco Javier Simonet, professor de árabe em Granada, Influencia del elemento indígena sobre la cultura de los mosos de Granada, 1894. Neste folheto, o autor, um traga-mouros de primeira força, mata-se por mostrar que a raça arabe é incapaz de qualquer aperfeiçoamento; só lhe concede as qualidades guerreiras, e quer que estes dominadores da península ibérica nenhuma lição aqui dessem, mas que todo o esplendor da sua época se deva à influencia do elemento indígena.
[29] Nota do autor: Nota de Simonet: Ibn-Said, citado por Al-mahkari. Tomo 7, 124.
[30] Nota do autor: Nota de Simonet: «Nebriga traduce por pavimento o suelo de azulejos y Freund por suelo de mosaico».
[31] Nota do autor: Oliveira, Grandezas de Lisboa. Tratado XV, cap.
[32] Nota do autor: A propriedade de Nuno Martins é a quinta chamada ainda hoje da Palhavã; foi-lhe dada de emprazamento na era de César de 1451 (ano 1413) por Afonso Martins Palhavã e sua mulher Constança Atines, pelo foro animal de duas mil libras dos reais de três libras e meia. O Palhavã e mulher morreram sem herdeiros, o foro passou à coroa, e D. Duarte, em 11 de novembro de 1436, fez dele mercê ao dito Nuno Martins da Silveira, seu criado, do seu conselho e seu escrivão da puridade.
[33] Nota do autor: Sr. Visconde de Sanches de Baina, Resumo histórico dos Albuquergues, pág. 13.
[34] Nota do autor: Silva Túlio, Archivo pittoresco.
[35] Nota do autor: Afonso de Albuquerque, Comentários, part. IV, cap. XLV.
[36] Nota do autor: Gaspar Correia, Lendas da Índia, tom. iv, pág. 461.
[37] Nota do autor: São de notar estas circumstancias na morte de D. Manuel. Ironias do destino: Dia de abstinência de carne, número aziago para muitos; e da hora, que direi?!
[38] Nota do autor: Casa dos Bicos.
[39] Nota do autor: Gaspar Correia, Lendas da Índia, tom. IV, pág. 376.
[40] Nota do autor: Afonso de Albuquerque, Comentários. Gaspar Correia repreende a permuta dizendo: «Mas esta esmola dos meninos se perverteu, que seu filho, que ficou no reino, o quis antes para si, que não para os meninos, nem para outra nenhuma esmola.» Lendas. Ibid. O mesmo autor (pág. 472) diz que o sucessor de Albuquerque, o Grande, Lopo Soares pela sua má tença que tinha às coisas de Afonso de Albuquerque, quisera derrubar a capela, o que não fez executar pelo grande despêndio, no entanto, mandou tirar-lhe o sobrado; também ordenou que dali se tirassem os ossos do grande capitão, mas foi desobedecido, e, a pretexto de que as boticas prejudicavam a defesa da cidade, fê-las derrubar e mandou que se fizessem noutro lugar. Que aplicação aqui não tem a fábula do ledo decrépito!
[41] Nota do autor: D. Aleixo de Menezes, eremita de Santo Agostinho, capelão-mor em 1590, arcebispo de Goa, primaz do Oriente, em 1595, arcebispo de Braga, primaz das Espanhas em 1611.
[42] Nota do autor: Melchioris Phabi, Decisiones, tom. I.
[43] Nota do autor: Sousa, História genealógica, tom. V, pág. 312. Falcão, Livro de toda a fazenda, pág. 161.
[44] Nota do autor: Sousa, História genealógica, tom. XI, pág. 445.
[45] Nota do autor: É erro. A pintura era em tela, de que restam as réguas, que a pregavam, e representava Goa, Calecut, Malaca e Ormuz.
[46] Nota do autor: Teve o sobrenome Sebastião por haver nascido no dia 20 de janeiro, que a igreja de Roma dedica a S. Sebastião.
[47] Nota do autor: Pedro de Mendonça havia casado em primeiras núpcias com D.ᵃ Catarina de Menezes, e deste matrimónio era filho este Francisco de Mendonça, a que o documento se refere.
[48] Nota do autor: Cartório dos tabeliães de Azeitão, liv. 20.
[49] Nota do autor: Monstruosidades do tempo e da fortuna.
[50] Nota do autor: Lendas da Índia, pág. 457.
[51] Nota do autor: Monstruosidades do tempo e da fortuna, pág. 169.
[52] Nota do autor: D.ᵃ Maria Manuel era filha de D. João Manuel de Albuquerque, filho natural de D. Jorge Manuel, senhor do morgado.
[53] Nota do autor: Paulina, carta comunicatória de excomunhão, a quem não revelar o que sabe em alguma matéria, da qual só por esta via se pode ter notícia. Chama-se Paulina, porque o papa Paulo III foi o primeiro que as mandou publicar. Eram lidas na ocasião da missa.
[54] Nota do autor: História genealógica, pág. 441.
[55] Nota do autor: Pertencente aos Almadas Carvalhais, provedores da Casa da Índia.
[56] Nota do autor: O sobrenome era Josefa e não Teresa.
[57] Nota do autor: Reis 320004000.
[58] Nota do autor: Manuel Carvalho de Ataíde, pai do célebre marquês de Pombal, era casado com D.ᵃ Teresa Luísa de Mendonça, filha de João de Almada e Melo, alcaide-mor de Palmela, casado com D.ᵃ Maria de Mendonça, filha ilegítima de Francisco de Mendonça, alcaide-mor de Mourão, meio irmão de D.ᵃ Maria Josefa de Mendonça e Albuquerque, mãe de Luís Guedes de Miranda. Na procuração Manuel Carvalho chama tio a Luís Guedes.
[59] Nota do autor: Em 12 de maio de 1720 ainda Luís Guedes era vivo, pois o patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, em visita à sua diocese, dispõe que ele, como administrador do morgado de Afonso de Albuquerque, proceda aos reparos de que necessita a igreja de S. Simão. Deve ter falecido neste ano ou princípios de 1721.
[60] Nota do autor: O papa Clemente XI concedeu a criação de duas sedes episcopais em Lisboa e, para as distinguir, chamou-lhes oriental e ocidental. D. João V continuou a extravagância, dividindo Lisboa em duas cidades do mesmo modo designadas por decreto de 9 de janeiro de 1717.
[61] Nota do autor: Sousa, em História genealógica, marca o nascimento de D. António no dia 3. A data que eu sigo é dos artigos do processo, que tenho à vista.
[62] Nota do autor: Sousa, em História genealógica, marca o nascimento de D. José a 22 de julho. Eu sigo a data dos artigos.
[63] Nota do autor: Esta casa ainda existe, na estrada da Luz, adiante do palácio e quinta das Laranjeiras, que foi do conde de Farrobo.
[64] Nota do autor: D. Luís da Costa foi coronel de cavalaria nas guerras da restauração de 1640, com reputação de soldado valente, e comendador da ordem de Cristo. Ibidem.
[65] Nota do autor: Moreri. Dicionário. 2.º Suplemento, pal. Costa.
[66] Nota do autor: Li nesta resposta do ministro do rei de Portugal uma passagem, de que não posso fugir à tentação de dar conta; por mostrar a rigidez deste personagem por tantos títulos célebre. A cúria, que desconhecia, ou fingia não conhecer o rei D. José e o seu primeiro ministro, o pacto feito entre estes dois homens e a escola política que seguiam, o juízo prudencial com que a natureza dotara o rei, a ilustração do conde de Oeiras, as sabidas qualidades do seu génio e o seu conhecimento dos ardis da diplomacia curial, usou nos breves Suggestivos, como lhes chamou Sebastião de Carvalho, de uma estudada linguagem, melíflua, aveludada e calculadamente sentida, repassada de dor de angústia e capaz de fanar aos ânimos desprevenidos. Nota do autor: No breve ao seu caríssimo filho José I, pedia-lhe Clemente XIII que se lembrasse do tormento do seu amantíssimo pai na hora final, de que estava próximo, se deixasse o mundo sem se haverem ambos consagrado, e da tranquillidade que lhe iria na alma ao morrer, se pai e filho se tivessem reconciliado. A intenção da cúria romana não escapou ao ministro do rei, que, numa ementa a esta passagem, escreveu: «Tudo isto são palavras patéticas, que só servem para moverem dos púlpitos o povo ignorante.» A cúria, julgando também que a rainha e o infante D. Pedro, irmão do rei, podiam influenciar para o conseguimento dos pretendidos fins, fez expedir breves a estes dois personagens e, para lisonjear o conde de Oeiras, foi dada ordem ao núncio em Madrid para fazer chegar abertos à mão do conde todos os quatro breves expedidos de Roma, a fim de que ele fosse o primeiro a conhecer o seu conteúdo «acciò ella (Ec.ᵃ) sia il primo d’ogni altro a saperne il contenuto.» O conde de Oeiras na sua resposta ao arcebispo de Niceia, depois dos cumprimentos da mais fina cortesia e de lhe falar da remessa da resposta do rei, cuja cópia lhe oferece, continua: «Ao mesmo tempo devo prevenir a v. ex.ᵃ que lhe não cause reparo a falta de outras respostas sobre alguma das mais cartas (refere-se aos breves para a rainha e infante) que acompanharam a de v. ex.ᵃ, porque S. M. as mandou ficar suspensas na secretaria de estado, em raspo de serem opostas à impreterivel forma do despacho do gabinete do mesmo senhor, segundo a qual os negócios das cortes são imediata e privativamente dirigidos à real pessoa de S. M. para os mandar tratar pelos ofícios dos ministros... sem que outras algumas pessoas... tenham neles a menor intervenção, como é pratica universal de todas as outras monarquias da Europa, onde se distingue o que é regularidade do que é sedição.»
[67] Nota do autor: Os azulejos de Córdova atribuem-se ao fim do século X. Nota da Red.
[68] Nota do autor: O respetivo trabalho intitulou-o A Renascença italiana em Portugal, e apareceu no Jornal do Comércio, Lisboa 1892. Nota de Th. Rog.
[69] Nota do autor: Em folha separada dá uma estampa do Douro. Nota de J. R.
[70] Nota do autor: O autor do presente escrito visitou a Bacalhôa e dali levou desenhos; nesta parte, porém, a memória, ou os apontamentos são-lhe infiéis; o azulejo verde é de uma galeria proxima. Este é amarelo, azul e verde em fundo branco. Nota de J. R.
[71] Nota do autor: O quarto dos duques de Aveiro no seu palácio de Azeitão tem uma faia em volta, de mais de 1 metro de altura, deste mesmo azulejo. Nota de J. R.
[72] Nota do autor: O ilustre professor alemão, que com tantos cuidados e verdadeiros conhecimentos explorou em Portugal este género de cerâmica e suas aplicações, guiado pelas aparências, julgou ver na Arrábida um túmulo no que é um templozinho esbelto, que sai com elegância de entre as frondosas matas da serra, apresentando ao sol para se mirar a sua espelhada cúpula. Foi fundado no meado do século XVII por D. António de Lencastre, da casa de Aveiro, e é da vocação do Bom Jesus. Nota de J. R.
Estampa II
Bacalhôa. (Planta geral)
LEGENDA
- A Vinha
- B Casa da Índia
- C Casa das Pombas
- D Lago
- E Casa da Penna
- FF Galerias cobertas e arradas
- G Pavilhão central
- H Pavilhão correspondente a casa da Penna
- I Pequeno jardim de entrada para os pavilhões
- J Jardim
- K Palacio
- L Escadaria
- M Patio
- N Portão do Norte
- O Portão do Sul
- P Galeria de 13 arcos
- QR Cubellos de meia altura dos de palacio
- S Pomar