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Instrvcçam sobre a cvltvra das amoreiras, & criaçaõ dos bichos da seda / dirigida a conseruaçaõ, & augmento das manufacturas da seda, estabelecidas pelo... Principe Dom Pedro, Governador, e Regente dos Reinos de Portugal cover

Instrvcçam sobre a cvltvra das amoreiras, & criaçaõ dos bichos da seda / dirigida a conseruaçaõ, & augmento das manufacturas da seda, estabelecidas pelo... Principe Dom Pedro, Governador, e Regente dos Reinos de Portugal

Chapter 12: CAPITVLO III.
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About This Book

The work provides practical instruction on cultivating mulberry trees and rearing silkworms, describing the insect's lifecycle and step‑by‑step husbandry to support silk manufacture. It situates these techniques within economic and climatic considerations, arguing that temperate conditions favor production and that governmental encouragement can foster local industry. The text surveys the historical diffusion of sericulture across Asia and Europe, offers regional examples of established practice, and emphasizes the social and commercial benefits of expanding silk production.

CAPITVLO III.

Modo de transplantar as amoreiras, nascidas por semente.

Depois de plantadas as amoras (como fica dito) he necessario mouer, & trabalhar a terra, pello menos tres vezes cada anno, nos mezes de Abril, Iunho, & Agosto, quando a terra esteja, humida ou pella chuua, ou pello orualho, mas de sorte, que este trabalho da terra, nam toque as raizes. Quando for necessario, se regaràõ sómente, porque a demasiada agoa, nam faça apodrecer as raizes.

Nos mezes de Março, & Abril seguintes, he necessario podar, & cortar cõ hum instrumento muito fino, os ramos que os troncos lançarem, o que se continuar à todos os annos, cortandose tambẽ o tronco no mais alto, meyo palmo sômente, & quando for crescẽdo, se lhe deixaràõ ao mais, tres ramos.

E como cõ este cuidado, & beneficio, chegarem à altura de seis pés, & à grossura de hum braço, se transplantaràõ nos lugares aonde se quizerem pôr, aduertindo quese se houuerem de transplantar em campo descuberto, & exposto a todo o genero de animaes, serà conueniente deixar crecer as aruores, a outo pés de alto.

Isto mesmo, se obseruarà com as aruores, que vierem de Prouincias distantes, & lugares estrãgeiros; se vierẽ pequenas, se meteràõ em lugares serrados, & defendidos, com distancias proporcionadas, & se terà o mesmo cuidado de as cultiuar.

E se vierem da grandeza de seis, ou outo pès, as transplantaràõ logo (como fica dito) fazendo, se puder ser, que cheguem nos mezes de Setẽbro, Outubro, & Nouembro, que he o tempo em que hũas, & outras se deuem transplãtar, ou ao menos nas Luas nouas de Março, & Abril.

Quando se transplantarem, se abriràõ cauas à proporçaõ das aruores, deixando as aruores mais na superficie, que no fundo da terra; mas he conueniente, que as cauas sejaõ mais altas, porque a agoa da chuua, que nellas entrar, farà pegar mais fortemente as raizes, & se lançaràõ nas cauas eruas arrancadas do campo, que vindo a apodrecer, lhe seruẽ de esterco; mas estas eruas, naõ tenhaõ raizes, & quaesquer outras immundicias, saõ proprias para o mesmo effeito.

Serà necessario regalas no mesmo tempo, que se metem na terra, & nos mezes seguintes de Iulho, & Agosto, para que peguem bem, & cercar o tronco da aruore de alguns paos, & espinhos, da altura de hum pé para as defender nos primeiros mezes, & se mouerà, & trabalharà a terra nos primeiros annos.

A mà, & a boa terra he igualmente fructifera para estas aruores, mas a seca, & ligeira mais propria para a bõdade da folha, ainda que na humida, nos valles, & junto a Ribeiras, saõ mayores as aruores, & crecem mais facilmente; & nisto tem as amoreiras a natureza das vinhas, junto das quaes vem com perfeiçaõ, sem serẽ danosas às vinhas.

Os lugares mais expostos ao Sol, saõ os melhores. Em toda a parte, onde se puzerem, se lhe darà distancia de hũas a outras, de duas, ou tres braças ao menos, porque naturalmente esta aruore he muito copada, & o tronco muito grosso; mas ainda que se ponhaõ mais junta, naõ deixaõ de crecer da mesma sorte.