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Instrvcçam sobre a cvltvra das amoreiras, & criaçaõ dos bichos da seda / dirigida a conseruaçaõ, & augmento das manufacturas da seda, estabelecidas pelo... Principe Dom Pedro, Governador, e Regente dos Reinos de Portugal cover

Instrvcçam sobre a cvltvra das amoreiras, & criaçaõ dos bichos da seda / dirigida a conseruaçaõ, & augmento das manufacturas da seda, estabelecidas pelo... Principe Dom Pedro, Governador, e Regente dos Reinos de Portugal

Chapter 19: II. PARTE.
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About This Book

The work provides practical instruction on cultivating mulberry trees and rearing silkworms, describing the insect's lifecycle and step‑by‑step husbandry to support silk manufacture. It situates these techniques within economic and climatic considerations, arguing that temperate conditions favor production and that governmental encouragement can foster local industry. The text surveys the historical diffusion of sericulture across Asia and Europe, offers regional examples of established practice, and emphasizes the social and commercial benefits of expanding silk production.

II. PARTE.

CONTEM O MODO DE criar os bichos, até tirar a seda.

CAPITVLO I.

Do lugar proprio para criar os bichos.

Para fazer hũa copiosa criação de bichos de seda, se deue preparar hum lugar cõmodo, em que se alimentẽ sete semanas, que tem de vida, ao menos nos vltimos trinta dias, porque nos primeiros, se podem criar em lugares mais estreitos, & em quaesquer camaras, a que não fazem nenhum genero de dano, como não sejão sotaõs, ou lugares humidos, mas em camaras claras, & liures ao vento.

Conuem que as camaras, se for possiuel, tenhão janellas hũas defronte das outras, algũas ao meyo dia, porque nos dias calmosos entre o ar liuremente, mas tambem que tenhão vidraças, ou encerados porque nos dias tempestuosos, & frios estejaõ abrigados.

He necessario, que não haja nenhum mao cheiro, & he preciso cerrar todos os buracos de ratos, & impedir, que não entrem na camara, galinhas, frangos, ou pardais.

Na camara destinada a esta criação, se armaràm junto das paredes, partileiros da altura, que se quizer, segundo a criação que se faz, & nelles se meteràm taboleiros diuididos huns dos outros, meyo palmo, & huns sobre outros em distãcia de hum couado, & pello meyo da caza, se pode tambem armar, deixando espaço entre hũs, & outros, capaz de poder andar liuremẽte a pessoa, que tiuer cuidado delles, & para poder meter escadas para sobir aos taboleiros mais altos, a lhe meter folhas.

Os taboleiros, tenhão as bordas altas, para impedir, que os bichos nam cayam, & para maior preuẽçam, he conueniente que os taboleiros debaixo sejão maiores, que os primeiros, porque vindo a cahir os bichos do taboleiro alto, fiquem no baixo, & se nam percam.

Os partileiros, sobre que se ham de armar os taboleiros, em altura de quinze pés, podẽ ter seis ordẽs de taboleiros.

As pessoas que costumão fazer esta criação todos os annos, fazẽ por hũa sô vez a despeza destes partileiros.

He bom pôr sobre elles, papeis, assim para a conseruaçam, & limpeza delles, como para a facilidade, que com elles se tem em mudar os bichos, quando he necessario; muitos escuzão esta despeza a qual nam he considerauel, & toda a casta de papel serue a este effeito.

As pessoas pobres, a que falta a cõmodidade de caza separada, de partileiros, & taboleiros, fazem a criaçam sobre a mesma caza, como seja de taboado, dentro de arcas, cestos, alcofas, ou sobre taboas postas de parede a parede, sem outro cuidado mais, que de os guardar a todos os bichos, & passaros, que os comem.

A frequente entrada de gẽte nas cazas, o fogo, & o fumo não lhe fazem dano, o que lhe faz dano, he o grande estrondo de sinos, a vesinhança de officios mecanicos, como Ferradores, Ferreiros, & outros semelhantes, que lhe causaõ o mesmo dano, que os trouoens, pello que serà conueniente de os apartar, o mais que puder ser, destes estrondos, suposto que sendo nascidos entre elles, lhe naõ fazem dano.