WeRead Powered by ReaderPub
Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II cover

Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II

Chapter 23: NOTAS DE RODAPÉ:
Open in WeRead

Explore more books like this:

About This Book

The work offers a systematic geographical and historical survey of Portugal, pairing detailed local descriptions and river, town, and provincial notices with political and secular history. It explains mapmaking principles—latitude and longitude, meridians, tropics, poles, and the use of lunar eclipses to estimate longitudes—and discusses variations among cartographers' coordinates. The author aims to correct foreign misconceptions by providing precise measurements, comparative tables of coordinates, and annotated maps. The text combines practical instructions for reading maps with regional topography and place-by-place entries intended for both native and foreign readers.

215 Ribeira de Freixas. He hum pequeno rio, que corre meya legua distante da Villa de Trancozo.

216 Ribeira dos Gallegos. Corre pelo termo da Villa de Vinhaes, e junto da Freguezia de Santa Cecilia dos Casares, onde se pescaõ muitas, e boas trutas.

217 Ribeira da Murta. No termo de Alvaiazere discorre esta ribeira pela Freguezia de S. Pedro do Rego, e divide este termo do da Villa das Pias.

218 Rio das Maçãs. He huma ribeira, que corre junto à Villa de Collares.

219 Rio Mourinho. Passa pelo termo de Montemór o Novo, e por junto do Convento dos Religiosos Paulistas, que os provê de grandes pardelhas.

220 Rio Tinto. Corre huma legua distante do Porto. Chama-se tinto, porque quando foy a geral destruiçaõ de Hespanha, mataraõ os Cidadãos do Porto tantos Mouros, que o sangue chegou a tingir a agua.[251] Mete-se no Douro.

221 S. Romaõ. Nasce na Freguezia de S. Martinho das Amoreiras, termo de Ourique. Corre pelas Villas de Alvalade, Garvaõ, e termo de Panoyas, até desaguar no porto delRey, termo da Villa de Alcacer do Sal.

222 Sabor. Nasce por cima do Lugar de Rabal, que fica na raya de Galiza, mas he termo de Bragança, donde dista duas leguas. Discorre sempre por altas, e alcantiladas penedias, até chegar aos confins da Villa de Castro Vicente; e depois de ter andado dezaseis leguas, e obedecer a cinco pontes, algumas de cantaria, e de perfeita arquitectura, com orgulho desagua no Douro.

223 Sacavem. Este rio, que discorre pelo Lugar de seu nome duas leguas distante de Lisboa, desemboca no Tejo, e faz huma profundissima foz, na qual podem entrar os mayores navios deste porto; e ficando quasi ao Norte da Cidade, volta contra o Noroeste, navegando-se até a Mealhada, e da sua ribeira se levantaõ huns montes, que a cultura tem feito apraziveis, os quaes se vaõ estendendo com huma larga volta contra o Poente, levando sempre ao pé hum fundo valle aberto por muitas partes com regatos, que por elle correm. Por ordem delRey D. Joaõ. V. se reformou a barca da passagem deste rio pela admiravel idéa do nosso insigne Maquinista Bento de Moura, com grande commodidade para os passageiros.

224 Sadaõ, ou Sado. O nascimento deste rio foy ignorado por Duarte Nunes na Descripçaõ de Portugal; porém Joaõ Salgado de Araujo diz, que nasce nas faldas da serra de Monchique junto à Villa de Almodovar, e passando por Ourique, recebe as ribeiras de Aivados, Gracido, Ferrarias, Campilhas, Figueira, Roxo, e Garcia menino, onde faz hum grande lago, e mais para diante outro, que chamaõ de Santa Margarida, até que copioso vay acabar em Setubal. André de Resende ignorando-lhe tambem o principio, e dando-lhe o nome de Callipode, que o tirou de Ptolomeu, diz que depois de se ajuntarem as torrentes do Enxarrama, Santa Detença, e Odivellas acima de Porto de Rey, he que se começa a chamar Sado; nome que usurpa pela demora que faz no esteiro de Alcacere, antigamente Salacia; e por naõ viver muito tempo soberbo, e desvanecido com tanto roubo, morre dahi a pouco em Setubal, formando-lhe huma grande foz, e bahia. He navegavel este rio por doze leguas até Porto de Rey; e as terras por onde passa, adornadas de muitas fontes, e arvoredos, ficaõ ferteis, e e cheias de nata para corresponderem abundantes na breve producçaõ dos seus frutos.

225 Safrins. Corre em distancia de meya legua da Villa de Ferreira, e a provê de bordalos taõ bons, que se mandaõ dar aos doentes.

226 Sarmenha. He huma ribeira, que dista do rio Douro duas leguas, e nasce nas raizes da serra do Maraõ.

227 Sarrazola. Caudalosa ribeira, que banha Benavilla, huma legua distante de Aviz.

228 Seda. Nasce esta ribeira nas serras de Portalegre, e rega a Villa, a que dá o nome.

229 Sertima. Rio, que corre pelo termo da Villa de S. Lourenço do Bairro, e que se augmenta com muitos ribeiros, que fertilizaõ o mesmo termo.

230 Sequa. Divide, ou corta pelo meyo a Cidade de Tavira, o qual nascendo do sertaõ, faz este transito por huma boa ponte de sete arcos.

231 Sever, ou Severa. Tem sua origem na serra de S. Mamede no Alentejo, e com as fontes, que se despenhaõ das serras de S. Braz, e Portalegre, se faz copioso. Desta sorte correndo pela Villa de Ouguela, paga seu tributo ao Tejo junto a Villa Velha, onde se pescaõ as mais excellentes trutas. O Padre Poyares no Diccionario Geografico lhe dá o fim no Guadiana à vista de Badajoz.

232 Silveira. Pequena ribeira, que se despenha da serra d’Ossa da banda do Sul.

233 Sizandro. Principia a descubrirse na Sapataria de huma fonte chamada Sizandro, e vem cercar Torres-Vedras, que para mayor commodidade se atravessa com cinco pontes.

234 Sobrena. He huma ribeira do Alentejo, que nasce entre Viana, e Villa nova da Baronia, a qual regando os seus pomares, se mete em Odivellas.

235 Sorraya. He huma ribeira, que pela parte do Sul banha a Villa de Erra.

236 Sor. He huma caudalosa ribeira, que banha a Villa da Ponte de Sor pela banda do Oriente, e se mete no Tejo ao pé de Coruche. Os Romanos fundaraõ aqui huma grandissima ponte, para por ella fazerem a estrada de Santarem para Merida.

237 Sordo. Na Freguezia de Santa Eulalia da Comieira do Concelho de Penaguiaõ corre este rio da parte do Norte; e passando pelo Lugar de Relvas, se vay esconder no Corgo.

238 Sozeis. Dista esta ribeira duas leguas de Evora no caminho de Béja, e se recolhe no Enxarrama.

239 Sousa. Nasce junto à Igreja de Moura entre o Mosteiro de Pombeiro, e o de Cramos; e daqui descendo a fertilizar todas as terras, a que vay dando nome por espaço de oito leguas, vay acabar no Douro defronte do Lugar de Arnelas, duas leguas acima do Porto.

240 Soberbo. Deixou este rio de ser Tavora por ser Soberbo, depois que o ultimo Marquez daquelle titulo Francisco de Assiz padeceo no caes de Bellem a 13 de Janeiro de 1759 a injuriosa morte pela conjuração em que entrou contra o Fidelissimo D. Joseph I. E porque naõ corresse mais com o nome de Tavora, cujo appellido recebia, tanto que fazia alto na venda do Cepo, daquelle dia por diante se mandou chamar o rio Soberbo. Origina-se elle de huma fonte chamada de Joaõ Duraõ perto de Trancoso, e do Mosteiro de S. Francisco. Augmentado com outros pequenos rios alcança nome; e caminhando para o Norte até a ponte do Abbade, divide os dous Bispados de Viseu, e Lamego. Avista Sernancelhe, e o Mosteiro da Ribeira, que he de Freiras de Santa Clara, e com ponte de madeira se vay indo direito Nornordeste ao Villar, e por ponte de pedra se diffunde a Fonte Arcada; e voltando outra vez para o Norte, marcha por entre Paredes, e Castello de Cabriz até descer ao Mosteiro de S. Pedro das Aguias. Estende-se a Espinhosa, e vay buscar sua ponte de pedra, onde he chamado o Poço do fumo. Visita a Villa de Tavora, e o Lugar de Taboaço, e daqui caminha para o Douro.[252]

241 Sul. Rega a Villa de S. Pedro do Sul, a que deu nome, e consente vadearse com duas pontes de pedra, que mandou fazer o Infante D. Luiz, que foy Senhor do Concelho de Lafões.

242 Tamega. He dos principaes rios do Reino. Nasce em Galiza junto da serra do Larouco na fonte, a que chamaõ Tamega, de que herdou o nome. Atravessa grande parte do Minho de Norte a Sul, até que entra pela Villa de Chaves por huma excellente ponte feita pelos naturaes da Villa em tempo, que governava o Imperador Trajano, como consta do letreiro, que se lê esculpido em hum pilar della, o qual transcreve Grutero, e Argote,[253] e vem a ser:

IMP. CÆS. NERVÆ.
TRAIANO. AUG. GER.
DACICO. PONT. MAX.
TRIB. POT. CONS. V. P. P.
AQUIFLAVIENSES
PONTEM LAPIDEUM.
D. S. F. C.

Quer dizer: Imperatori Cæsari Nervæ Trajano Augusto Germanico Dacico Pontifici Maximo Tribunitiæ Potestatis Consuli quinto Patri Patriæ Aquiflavienses Pontem lapideum de suo fieri curarunt.

243 O Doutor Joaõ de Barros infere, que esta ponte devia ser feita antecedentemente de madeira, porque a inscripçaõ diz: Pontem lapideum; e como aquella estrada era muy frequentada dos Romanos para Braga, mandaraõ fabricalla de pedra. O certo he, que esta ponte tem já dezaseis seculos de duraçaõ, e he toda de cantaria muy forte com noventa e tres passos de comprido, vinte e seis de largo, e trinta e dois de alto.

244 Passa este rio pela Villa de Canavezes, e de Amarante, onde tem outra ponte feita, e ordenada pelo glorioso S. Gonçalo. Chegando em fim à Villa de Entre ambos os rios, se mete ao Douro, seis leguas pouco mais, ou menos acima do Porto; e duas leguas para baixo de Amarante ha outra ponte de cantaria nobre sobre o mesmo rio, à qual chamaõ de Canavezes, que mandou fazer a Rainha D. Mafalda, filha delRey D. Sancho I. Tem mais a ponte de Cavez muy alta com cinco arcos. Chama-se de Cavez, porque o Arquitecto que a fabricou, assim se chamava. Consta de hum monumento, onde jaz o seu corpo, que he no fim da ponte, em que se lem as letras da Era, em que se acabou de fazer, que foy pelos annos de Christo 1226. Ha mais a ponte de Mondim, que parece mais moderna do que as outras; e porque o rio he nesta parte fundo, se vay damnificando pouco a pouco.

245 No anno de 1109 aconteceo neste rio hum admiravel prodigio, que referem a Monarquia, e a Benedictina Lusitana,[254] e foy dividirem-se suas aguas pelo mez de Dezembro para darem passagem ao sagrado corpo do glorioso S. Giraldo, e a toda a mais gente, que o acompanhava, quando lhe foraõ dar sepultura na Cidade de Braga.

245 Taveiró. He ribeira, que banha as Villas da Bemposta da Beira, e de Castello-Novo, e entra no Ponsul.

247 Tedo. Nasce em Caria, onde chamaõ Granja do Tedo. Recebe o ribeiro de Leomil, avista a Villa de Nagoza, e vay ao Douro por baixo de Santo Adriaõ.

248 Teja. Provê esta ribeira de peixe a Villa de Nomaõ.

249 Tejo. Entre Escritores Gregos, e Latinos foy sempre muy celebrado o Tejo, e por isto alguns lhes daõ a primazia entre os mais rios do Reino. Nasce nas serras de Molina junto da Cidade de Cuenca: outros o fazem natural de Mancha de Aragaõ: outros das serras de Albarracin; e discorrendo pelo Reino de Castella a nova, e Provincia da Estremadura Castelhana, rega os povos de Zurita, Aranjuez, Toledo, Talavera de la Reyna, Almaraz, e Alcantara, em cujo progresso recebe as correntes de muitos rios, principalmente o Henares, Xarrama, Mançanares, e Guadarrama; e com cento e vinte leguas de jornada vem por Santarem descançar em Lisboa, fazendo na melhor Cidade o melhor porto de mundo: e se a vulgar fama dos antigos, que lhe attribuia areas de ouro,[255] nos serve sómente hoje de admiraçaõ, e naõ de experiencia, fica semelhante falta bem supprida com os avanços das copiosas riquezas, que todos os annos lhe estaõ entrando pela sua famosa barra nas opulentas frotas do Brasil.

250 E quando nem isso fora, bastava para estimaçaõ, e riqueza encerrar em si o preciosissimo thesouro do glorioso corpo de Santa Iria, sepultado debaixo de suas aguas defronte de Santarem. Duas vezes foy visto milagrosamente: a primeira, quando o tio da Santa, chamado Celio, com a mayor parte do povo de Nabancia, assim Ecclesiasticos, como seculares, o foraõ ver por permissaõ de Deos, fazendo com que se separassem as aguas, e Celio chegou a abrir o sepulchro, e tirar da Santa parte de seus cabellos, e pedaços da tunica: a segunda no anno 1324 pela Rainha Santa Isabel, e ElRey D. Diniz, em cuja occasiaõ se abriraõ tambem as aguas para dar passagem à Santa Rainha, e tempo a se fazer hum padraõ de pedra, que indica o sitio do sepulchro,[256] que o Senado de Santarem mandou aperfeiçoar no anno de 1644. Do Tejo escrevem os Authores abaixo allegados.[257]

251 Temitólas. Nasce em Lumiares, e pela Villa de Armamar se vay direito ao Douro.

252 Tera. Tem seu nascimento na serra d’Ossa naquella parte, que olha para Estremoz, e corre junto da Villa de Pavía: tem ponte, por onde se vay para Aviz, e paga seu tributo ao Guadiana.

253 Terena. Esta ribeira he a mesma que a Lucefece: dá nome a huma Villa, e mete-se no Guadiana.

254 Tinhella. Nas serras de Carrezedo de Monte-Negro, termo da Villa de Chaves, tem este rio o seu berço. Fertiliza a Villa de Murça de Panoya, e depois de caminhar oito leguas vay desaguar no Tua.

255 Tourões. Esta ribeira nasce perto do Lugar de S. Pedro do Rio Seco, termo da Villa de Almeida; e vindo separando o Reino de Leaõ, entra no Agueda abaixo de Escarigo.

256 Trancaõ. He huma ribeira no termo de Lisboa, que passando pelo Milharado, Sapataria, e Bussellas, vem regar, e fertilizar a grande quinta dos Conegos Regulares de S. Vicente acima do Tojal, entrando-lhe pelo meyo della; e correndo por penedias furioso no tempo de Inverno vay buscar Unhos para morrer no Tejo; fazendo primeiro trabalhar muitas azenhas, e lagares com as suas correntes precipitadas.

257 Trogalha. Corre entre Sarzedas, e Castellobranco, e entra no Tejo.

258 Trovella. Fertiliza os Coutos de Correlhã, e o da Feitosa pouco distante de Ponte de Lima.

259 Tua. Nasce em Galiza proximo ao Lugar de Pias: corre por Mirandella, onde he recebido em ponte de dezanove arcos de cantaria; e fertilizando muitas terras, vay fenecer no Douro no porto de Foz-Tua.

260 Vade. Fertiliza com saborosas trutas o termo da Villa da Ponte da Barca.

261 Val de Abrahaõ. Pequena ribeira, que nasce, e desce da serra d’Ossa da parte do Sul.

262 Val de Lobos. Ribeira, que passa por hum Lugar da Freguezia de Bellas, e faz animar muitas azenhas, e fertilizar muitos pomares.

263 Valdouro. Corre esta ribeira huma legua distante da Villa de Ferreira, e a enriquece de grandes bordalos, e pardelhas.

264 Valla. Discorre junto da Villa de Mayorga, e com prejuizo de hum formoso campo, que pelo Inverno padece suas inundações.

265 Varche. Meya legua distante da Cidade de Elvas corre este ribeiro pelo valle de seu mesmo nome.

266 Varzeas. Faz dividir Melgaço de Galiza pela parte do Oriente, e desagua no Minho.

267 Vascaõ. Corre por Alcoutim, e entra no Guadiana, separando o Reino do Algarve de Campo de Ourique.

268 Vez. Banha este rio primeiramente o Val de Poldros, termo da Villa dos Arcos, onde nasce nas montanhas de Penella; e continuando seu caminho pelos campos de Valdevez, a que dá nome, vay logo perdello dahi a huma legua, por se misturar com o Lima junto de S. Pedro do Souto, posto que já caudaloso com os muitos regatos, que entraõ nelle.

269 Vellarva. He huma ribeira, que rega o Lugar de Santa Justa, que fica no termo de Alfandega da Fé, onde desagua a ribeira Alvar.

270 Velariça. Nasce na serra de Montemel acima do Lugar da Burga, termo de Bragança. Despenha-se pela serra até parar em hum valle, a que dá o nome, e por elle detido o espaço de seis leguas, fertiliza todo aquelle terreno bastantemente. Depois vay pagar o tributo ao Sabor meya legua acima do Douro.

271 Vereza. No cimo da serra da Gardunha nasce esta ribeira, e vem logo refrescando o Lugar do Louriçal, que fica no termo da Villa de S. Vicente, e vay avistar Castellobranco, passando por boa ponte.

272 Videgaõ. Passa esta ribeira naõ muy distante da Villa de Cabeço de Vide, fertilizando muitas hortas, e pomares.

273 Vide. Cerca esta ribeira a Villa de Castello de Vide.

274 Vizella. Fórma-se de tres regatos, que nascem no Concelho de Monte-Longo; e lavando com suas aguas a Aldeya de Arricanha, se mistura com o Ave, e perdem ambos o nome, mergulhando-se no mar pela Villa do Conde. Alguns lhe chamaõ Avizella. Delle cantou Manoel de Faria:[258]

Corre el Visela amado
Progresso sonoroso,
O crystalino parto de una peña,
A ser favor de un prado.

275 Unhaes. Pequeno ribeiro, que passa pelo pé da Villa de Alvares, e se mete no Zezere.

276 Voliarça. Nasce esta ribeira na Freguezia de S. Brissos, termo de Béja, e correndo de Poente a Nascente, se mete no Guadiana, passando primeiro entre Béja, e Cuba, da qual dista huma legua.

277 Vouga. Assinaõ o nascimento deste rio na fonte da Senhora da Lapa, ou na serra de Alcoba. Daqui vem descendo ao Mosteiro de S. Bento, que ha em Ferreira de Aves, pela parte do Poente; rega muitos Lugares, até que misturado com os rios Sul, e Agueda, entra em Aveiro com bastante soberba, segundo diz Fr. Joaõ Felix na Isagoge:

Amnibus innumeris, Agathoque superbus in æquor
Piscoso latè gurgite Vacca fluit.

Tem huma grandiosa ponte, acabada no anno de 1713 por ordem do Fidelissimo Rey D. Joaõ V.

278 Xever, Xevera, Xeverete, e Xola. Saõ ribeiras, que procedem da serra de Portalegre.

279 Xudruro. Ribeiro, que nasce na fonte Freja do Concelho do Guardaõ, e fertiliza muito o Lugar de Janardo.

280 Zacharias. Com este nome corre huma ribeira pelo termo da Villa de Alfandega da Fé sujeita a huma ponte de quatro arcos, e tem seu nascimento na serra de Sambade, que outros chamaõ de Montemel. Tendo corrido seis leguas, vay acabar no rio Sabor junto do Lugar dos Picões.

281 Zezere. A este rio chama Camões caudaloso, e na verdade o he com as enchentes de outros, que entraõ nelle. Nasce na serra da Estrella sobre a Villa de Manteigas pela parte de Levante; e dando volta ao Poente, recebendo varios rios, e ribeiros, enfadado da jornada se vay a Sudoeste, e se torna para o Sul receber outros riachos, e dá entrada ao Nabaõ, que com o ribeiro da Cortiça, e regatos daquelles montes fertiliza Thomar. Na Aldea da Mata se deixa atravessar com a barca da Esteveira: e pela famosa ponte do Cabril, que faz a divisaõ dos termos de Pedrogaõ grande, e pequeno. Vay finalmente acabar em Punhete, mergulhando-se no Tejo com tanto impeto, que na distancia de mil e quinhentos passos ainda conserva a mesma cor azul, e sabor doce das suas aguas, como bem advertem Resende, e outros.

NOTAS DE RODAPÉ:

[221] Monarq. Lusit. tom 1. liv. 4. c. 8. Vasconcel. lib. 5. de Ebor. Municip.

[222] Strab. apud Resend. lib. 2. de Antiquit. tit. de Flumin. Duart. Nun. Descripç. de Port. cap. 21.

[223] Cardos. Agiolog. Lusitan. tom. 1. pag. 305.

[224] Fr. Leaõ, Benedictin. Lusitan. tom. 2. p. 15. Monarq. Lusit. liv. 14. cap. 5.

[225] Far. Font. de Aganip. part. 4. Eglog. 4.

[226] Macedo nas Flor. de Hespanh. cap. 2. excel. 2.

[227] Argot. nas Memor. do Arcebispado de Braga tom. 2. pag. 865.

[228] Cardoso Diccion. Geogr. tom. 2. pag. 613.

[229] Fonseca Evor. glor. p. 89. fin.

[230] Corograf. Port. tom. 3. p. 336. Bluteau tom. 1. do Suplem. ao Vocab. p. 315.

[231] Argot. nas Antiguid. da Chancellar. de Braga pag. 20.

[232] Mem. instr. tom. 1. pag. 204.

[233] Bochart. Geograf. Sacr. liv. 1. cap. 35.

[234] Brit. Monarq. Lusit. liv. 2. cap. 4.

[235] Virgil. liv. 7. Æneid. Silio Italico liv. 1. Lactancio Firmiano lib. 7. c. 22. de Div. Instit. & alii.

[236] Claudian. liv. 2. de Raptu Proserpinæ p. 218.

[237] Strab. lib. 10. e 14.

[238] Lucio Flor. liv. 2. cap. 17.

[239] Botelh. no 7. do Alfonso est. 31. Reys em a Nota 124. da Epistol. ad Jametem.

[240] Plinio lib. 33. cap. 7. Vitruvio lib. 7. cap. 9. Strab. lib. 3. Pompon. Mella lib. 3. cap. 1. Bochart. tom. 2. p. 626. Nicol. de Santa Maria na Chron. dos Coneg. Regrant. liv. 6. cap. 1. Maced. Poema Olisip. cant. 2. est. 80. Joaõ Salgad. nos Success. Militar. p. 40. D. Francisc. Xavier da Garma no Theatro de Hespanh. tom. 1. p. 76. Argot. Mem. de Brag. p. 105. e nas Antiguid. da Chancel. de Brag. p. 32. e outros, que deixo de allegar.

[241] Cam. Canc. 4.

[242] Mousinh. cant. 3. est. 38. do African.

[243] Veja-se a Monarq. Lusitan. p. 4. liv. 4 cap. 18. Joaõ Salgad. Success. Milit. p. 106. Corograf. Portug. tom. 2. pag. 2.

[244] Brand. na Monarq. Lusitan. liv. 9. cap. 27.

[245] Fr. Joaõ Fel. na Isagoge pag. 35.

[246] Duart. Nun. Descripç. de Port.

[247] Araujo Success. Milit. liv. 1. cap. 1. Benedictin. Lusit. tom. 2. p. 109.

[248] Cardos. Agiolog. Lusitan. tom. 3. p. 573.

[249] Costa, Corograf. Portug. tom. 3. p. 260.

[250] Cam. Canç. 12. est. 2.

[251] Benedictin. Lusitan. tom. 2. p. 256.

[252] Joaõ Salgad. Success. Milit. p. 108. Cardos. Agiolog. Lusit. tom. 2. p. 714. Santuar. Marian. tom. 3. p. 172.

[253] Gruter p. 162. n 4. Argot. nas Antig. da Chancel. de Brag. p. 108. e Joaõ de Barr. na Descripç. do Minho.

[254] Brand. na Monarq. Lusit. liv. 8. cap. 25. Benedictin. Lusit. tom. 2. pag. 299.

[255] Catul. Juven. Estaço, Ovid. e outros apud Macedo nas Flor. de Hespanh. cap. 4. excel. 2.

[256] Vasconcell. Histor. de Santar. part. 1. liv. 2. cap. 23.

[257] Plin. liv. 4. cap. 22. & lib. 33. cap. 3. Mela lib. 3. cap. 1. Ludovic. Nun. Hispan. illustrat. tom. 3 cap. 35. Rodrig. dos Sant Histor. Hispan. part. 1. cap. 3. Resend. lib. 2. de Antiquit. Vasconcel. Descr. Lusitan. p. 407. Duart. Nun. Descr. de Portug. p. 33. Nicoláo de Oliveir. Grand. de Lisb. p. 21. Joaõ Salgad. Success. Milit. p. 175. D. Francisc. Xavier de Garma no Theatr. de Hesp. tom. 1. p. 68. e outros muitos.

[258] Far. Font. de Aganip. part. 3. Canç. 5.