WeRead Powered by ReaderPub
Memorias de José Garibaldi, volume 2 / Traduzidas do manuscripto original por Alexandre Dumas cover

Memorias de José Garibaldi, volume 2 / Traduzidas do manuscripto original por Alexandre Dumas

Chapter 4: III O CORONEL NEGRA
Open in WeRead

Explore more books like this:

About This Book

The memoirs recount riverine and urban campaigns led by a small flotilla commander who organizes volunteer legions to defend a besieged city. They narrate a desperate naval engagement with a superior squadron, the loss and rescue of ships, evacuation to shore, and arduous marches and skirmishes through hostile territory. The text details the raising, discipline, and privations of expatriate volunteer units, fortification and defense of river forts, and the challenges of sustaining forces under siege. Recurring themes include personal honor, leadership under fire, sacrifice, and improvisation in irregular warfare.

III
 
O CORONEL NEGRA

A 17 de novembro do mesmo anno, a legião italiana achava-se de serviço nas linhas e eu tambem ahi estava.

Depois do almoço o coronel Negra, natural de Montevideo, montou a cavallo e percorreu a linha acompanhado por alguns homens.

O inimigo dirigiu-lhe alguns tiros, e com tanta felicidade que o feriram mortalmente.

Vendo-o cahir, o inimigo avançou e apoderou-se do corpo.

Apenas soube este acontecimento e não querendo deixar o corpo de um tão bravo official exposto aos insultos do inimigo, reuni uns cem homens e ataquei com elles.

Momentos depois o corpo do coronel estava em meu poder.

Então os soldados de Oribe encheram-se de furor, e tendo recebido consideraveis reforços achei-me cercado por todos os lados. Os nossos soldados vendo isto voaram em meu soccorro, tomando parte no combate toda a legião.

Exaltados pela minha voz, avançaram contra o inimigo e com tanta felicidade que n'um momento estava na mais completa derrota, tendo-lhe tomado uma bateria e occupado as suas posições.

Mas bem depressa voltando em massa nos atacaram.

Todas as forças da guarnição sahiram, e o combate tornou-se geral, durando oito horas.

Fomos obrigados a abandonar as posições que haviamos tomado, mas Oribe suffreu grandes perdas, e entramos em Montevideo vencedores na realidade e convencidos da nossa superioridade sobre o inimigo.

Tivemos sessenta homens feridos ou mortos.

Tinha tomado parte no combate como um simples soldado, por isso não tinha observado o que se passou em volta de mim. Entretanto no meio da confusão havia visto Anzani combatendo com o seu socego habitual, e sabia que dominando a lucta nenhum detalhe lhe havia escapado.

N'essa mesma tarde pedi-lhe uma nota de todos os que se haviam distinguido.

No dia seguinte reuni a legião, louvando-a e agradecendo-lhe em nome da Italia, e promovi alguns d'estes bravos a officiaes e a sargentos.

Depois d'estes dois combates a legião italiana tinha tomado tal influencia sobre o inimigo que quando elle a via marchar de bayoneta callada fugia, ou se acceitava o combate era sempre derrotado.

Durante estes acontecimentos Rivera tinha conseguido reunir um pequeno exercito composto de cinco ou seis mil homens, com o qual fazia frente a Urquiza, hoje presidente da republica argentina. De tempos a tempos Rivera enviava pelo Cerro mantimentos a Montevideo.

Oribe mandou uma parte do seu exercito a Urquiza, ordenando-lhe que tratasse de destruir Rivera.