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Os sonetos completos de Anthero de Quental

Chapter 73: LOGOS
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About This Book

A collection of sonnets offering intense, introspective lyricism that fuses metaphysical speculation and mystic feeling with strict formal control. The poems probe inner conflict, melancholy, and existential doubt, alternating between stoic resignation, skeptical irony, and sudden tenderness. Imagery favors psychological, sculptural expression and musical diction rather than pictorial description, and recurring tensions between imagination and critical reason shape the tone. Compact and concentrated, the sonnets function as concise meditations on suffering, creative vocation, and the limits of knowledge, displaying refined technique alongside emotional urgency and philosophical questioning.

IGNOTUS

(A Salomão Sáragga)

Onde te escondes? Eis que em vão clamamos,
Suspirando e erguendo as mãos em vão!
Já a voz enrouquece e o coração
Está cançado—e já desesperamos…

Por céo, por mar e terras procuramos
O Espirito que enche a solidão,
E só a propria voz na immensidão
Fatigada nos volve… e não te achamos!

Céos e terra, clamai, aonde? aonde?—
Mas o Espirito antigo só responde,
Em tom de grande tedio e de pezar:

—Não vos queixeis, ó filhos da anciedade,
Que eu mesmo, desde toda a eternidade,
Tambem me busco a mim… sem me encontrar!

NO CIRCO

(A João de Deus)

Muito longe d'aqui, nem eu sei quando,
Nem onde era esse mundo, em que eu vivia…
Mas tão longe… que até dizer podia
Que emquanto lá andei, andei sonhando…

Porque era tudo ali aereo e brando,
E lucida a existencia amanhecia…
E eu… leve como a luz… até que um dia
Um vento me tomou, e vim rolando…

Cahi e achei-me, de repente, involto
Em lucta bestial, na arena fera,
Onde um bruto furor bramia solto.

Senti um monstro em mim nascer n'essa hora,
E achei-me de improviso feito fera…
—É assim que rujo entre leões agora!

NIRVÂNA

(A Guerra Junqueiro)

Para além do Universo luminoso,
Cheio de fórmas, de rumor, de lida,
De forças, de desejos e de vida,
Abre-se como um vacuo tenebroso.

A onda d'esse mar tumultuoso
Vem ali expirar, esmaecida…
N'uma immobilidade indefinida
Termina ali o ser, inerte, ocioso…

E quando o pensamento, assim absorto,
Emerge a custo d'esse mundo morto
E torna a olhar as cousas naturaes,

Á bella luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tedio, em tudo quanto fita,
A illusão e o vasio universaes.

CONSULTA

(A Alberto Sampaio)

Chamei em volta do meu frio leito
As memorias melhores de outra edade,
Fórmas vagas, que ás noites, com piedade,
Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito…

E disse-lhes:—No mundo immenso e estreito
Valia a pena, acaso, em anciedade
Ter nascido? dizei-mo com verdade,
Pobres memorias que eu ao seio estreito…

Mas ellas perturbaram-se—coitadas!
E empallideceram, contristadas,
Ainda a mais feliz, a mais serena…

E cada uma d'ellas, lentamente,
Com um sorriso morbido, pungente,
Me respondeu:—Não, não valia a pena!

Divina comedia

(Ao Dr. José Falcão)

Erguendo os braços para o céo distante
E apostrophando os deuses invisiveis,
Os homens clamam:—«Deuses impassiveis,
A quem serve o destino triumphante,

Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inestinguiveis,
Dor, peccado, illusão, luctas horriveis,
N'um turbilhão cruel e delirante…

Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda não existe,
Ter ficado a dormir eternamente?

Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem:—«Homens! porque é que nos criastes?»

VISÃO

(A J. M. Eça de Queiroz)

Eu vi o Amor—mas nos seus olhos baços
Nada sorria já: só fixo e lento
Morava agora ali um pensamento
De dor sem tregoa e de intimos cançaços.

Pairava, como espectro, nos espaços,
Todo envolto n'um nimbo pardacento…
Na attitude convulsa do tormento,
Torcia e retorcia os magros braços…

E arrancava das aras destroçadas
A uma e uma as pennas maculadas,
Soltando a espaços um soluço fundo,

Soluço de odio e raiva impenitentes…
E do phantasma as lagrimas ardentes
Cahiam lentamente sobre o mundo!

1880—1884

Transcendentalismo

(A J. P. Oliveira Martins)

Já socega, depois de tanta lucta,
Já me descança em paz o coração.
Cahi na conta, emfim, de quanto é vão
O bem que ao Mundo e á Sorte se disputa.

Penetrando, com fronte não enxuta,
No sacrario do templo da Illusão,
Só encontrei, com dor e confusão,
Trevas e pó, uma materia bruta…

Não é no vasto mundo—por immenso
Que elle pareça á nossa mocidade—
Que a alma sacia o seu desejo intenso…

Na esphera do invisivel, do intangivel,
Sobre desertos, vacuo, soledade,
Vôa e paira o espirito impassivel!

EVOLUÇÃO

(A Santos Valente)

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,
Tronco ou ramo na incognita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquissimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pacigo…

Hoje sou homem—e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espiraes, na immensidade…

Interrogo o infinito e ás vezes chóro…
Mas, estendendo as mãos no vacuo, adoro
E aspiro unicamente á liberdade.

Elogio da Morte

Morrer é ser iniciado.

Anthologia Grega.

I

Altas horas da noite, o Inconsciente
Sacode-me com força, e accórdo em susto.
Como se o esmagassem de repente,
Assim me pára o coração robusto.

Não que de larvas me povôe a mente
Esse vacuo nocturno, mudo e augusto,
Ou forceje a razão por que afugente
Algum remorso, com que encara a custo…

Nem phantasmas nocturnos visionarios,
Nem desfilar de espectros mortuarios,
Nem dentro de mim terror de Deus ou Sorte…

Nada! o fundo dum poço, humido e morno,
Um muro de silencio e treva em torno,
E ao longe os passos sepulcraes da Morte.

II

Na floresta dos sonhos, dia a dia,
Se interna meu dorido pensamento.
Nas regiões do vago esquecimento
Me conduz, passo a passo, a phantasia.

Atravesso, no escuro, a nevoa fria
D'um mundo estranho, que povôa o vento,
E meu queixoso e incerto sentimento
Só das visões da noite se confia.

Que mysticos desejos me enlouquecem?
Do Nirvâna os abysmos apparecem,
A meus olhos, na muda immensidade!

N'esta viagem pelo ermo espaço,
Só busco o teu encontro e o teu abraço,
Morte! irman do Amor e da Verdade!

III

Eu não sei quem tu és—mas não procuro
(Tal é minha confiança) devassal-o.
Basta sentir-te ao pé de mim, no escuro,
Entre as fórmas da noite, com quem falo.

Atravez do silencio frio e obscuro
Teus passos vou seguindo, e, sem abalo,
No cairel dos abysmos do Futuro
Me inclino á tua voz, para sondal-o.

Por ti me engolfo no nocturno mundo
Das visões da região innominada,
A ver se fixo o teu olhar profundo…

Fixal-o, comprehendel-o, basta uma hora,
Funerea Beatriz de mão gelada…
Mas unica Beatriz consoladora!

IV

Longo tempo ignorei (mas que cegueira
Me trazia este espirito ennublado!)
Quem fosses tu, que andavas a meu lado,
Noite e dia, impassivel companheira…

Muitas vezes, é certo, na canceira,
No tedio extremo d'um viver maguado,
Para ti levantei o olhar turbado,
Invocando-te, amiga derradeira…

Mas não te amava então nem conhecia:
Meu pensamento inerte nada lia
Sobre essa muda fronte, austera e calma.

Luz intima, afinal, alumiou-me…
Filha do mesmo pae, já sei teu nome,
Morte, irman coeterna da minha alma!

V

Que nome te darei, austera imagem,
Que avisto já n'um angulo da estrada,
Quando me desmaiava a alma prostrada
Do cançaço e do tedio da viagem?

Em teus olhos vê a turba uma voragem,
Cobre o rosto e recúa apavorada…
Mas eu confio em ti, sombra velada,
E cuido perceber tua linguagem…

Mais claros vejo, a cada passo, escritos,
Filha da noite, os lemmas do Ideal,
Nos teus olhos profundos sempre fitos…

Dormirei no teu seio inalteravel,
Na communhão da paz universal,
Morte libertadora e inviolavel!

VI

Só quem teme o Não-ser é que se assusta
Com teu vasto silencio mortuario,
Noite sem fim, espaço solitario,
Noite da Morte, tenebrosa e augusta…

Eu não: minh'alma humilde mas robusta
Entra crente em teu atrio funerario:
Para os mais és um vacuo cinerario,
A mim sorri-me a tua face adusta.

A mim seduz-me a paz santa e ineffavel
E o silencio sem par do Inalteravel,
Que envolve o eterno amor no eterno luto.

Talvez seja peccado procurar-te,
Mas não sonhar comtigo e adorar-te,
Não-ser, que és o Ser unico absoluto.

Contemplação

(A Francisco Machado de Faria e Maia)

Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as apparencias,
Mas vendo a face immovel das essencias,
Entre ideas e espiritos pairando…

Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existencias…
Uma nevoa de enganos e impotencias
Sobre vacuo insondavel rastejando…

E d'entre a nevoa e a sombra universaes
Só me chega um murmurio, feito de ais…
É a queixa, o profundissimo gemido

Das cousas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só presentido…

Lacrimae rerum

(A Tommaso Cannizzaro)

Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,
Quantas vezes tenho eu interrogado
Teu verbo, teu oraculo sagrado,
Confidente e interprete da Sorte!

Aonde vão teus soes, como cohorte
De almas inquietas, que conduz o Fado?
E o homem porque vaga desolado
E em vão busca a certeza que o conforte?

Mas, na pompa de immenso funeral,
Muda, a noite, sinistra e triumphal,
Passa volvendo as horas vagarosas…

É tudo, em torno de mim, duvida e luto:
E, perdido n'um sonho immenso, escuto
O suspiro das cousas tenebrosas…

REDEMPÇÃO

(Á Ex.^{ma} Snr.^a D. Celeste C. B. R.)

I

Vozes do mar, das arvores, do vento!
Quando ás vezes, n'um sonho doloroso,
Me embala o vosso canto poderoso,
Eu julgo igual ao meu vosso tormento…

Verbo crepuscular e intimo alento
Das cousas mudas; psalmo mysterioso;
Não serás tu, queixume vaporoso,
O suspiro do mundo e o seu lamento?

Um espirito habita a immensidade:
Uma ancia cruel de liberdade
Agita e abala as formas fugitivas.

E eu comprehendo a vossa lingua estranha,
Vozes do mar, da selva, da montanha…
Almas irmans da minha, almas captivas!

II

Não choreis, ventos, arvores e mares,
Côro antigo de vozes rumorosas,
Das vozes primitivas, dolorosas
Como um pranto de larvas tumulares…

Da sombra das visões crepusculares
Rompendo, um dia, surgireis radiosas
D'esse sonho e essas ancias affrontosas,
Que exprimem vossas queixas singulares…

Almas no limbo ainda da existencia,
Accordareis um dia na Consciencia,
E pairando, já puro pensamento,

Vereis as Formas, filhas da Illusão,
Cahir desfeitas, como um sonho vão…
E acabará por fim vosso tormento.

Voz interior

(A João de Deus)

Embebido n'um sonho doloroso,
Que atravessam phantasticos clarões,
Tropeçando n'um povo de visões,
Se agita meu pensar tumultuoso…

Com um bramir de mar tempestuoso
Que até aos céos arroja os seus cachões,
Atravez d'uma luz de exhalações,
Rodeia-me o Universo monstruoso…

Um ai sem termo, um tragico gemido
Echoa sem cessar ao meu ouvido,
Com horrivel, monotono vaivem…

Só no meu coração, que sondo e meço,
Não sei que voz, que eu mesmo desconheço,
Em segredo protesta e affirma o Bem!

LUCTA

Fluxo e refluxo eterno…

João de Deus.

Dorme a noite encostada nas colinas.
Como um sonho de paz e esquecimento
Desponta a lua. Adormeceu o vento,
Adormeceram valles e campinas…

Mas a mim, cheia de attracções divinas,
Dá-me a noite rebate ao pensamento.
Sinto em volta de mim, tropel nevoento,
Os Destinos e as Almas peregrinas!

Insondavel problema!… Apavorado
Recúa o pensamento!… E já prostrado
E estupido á força de fadiga,

Fito inconsciente as sombras visionarias,
Emquanto pelas praias solitarias
Echoa, ó mar, a tua voz antiga.

LOGOS

(Ao snr. D. Nicolau Salmeron)

Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mim
E, o que é mais, dentro de mim—que me rodeias
Com um nimbo de affectos e de ideas,
Que são o meu principio, meio e fim…

Que estranho ser és tu (se és ser) que assim
Me arrebatas comtigo e me passeias
Em regiões innominadas, cheias
De encanto e de pavor… de não e sim…

És um reflexo apenas da minha alma,
E em vez de te encarar com fronte calma,
Sobresalto-me ao ver-te, e tremo e exoro-te…

Falo-te, calas… calo, e vens attento…
És um pae, um irmão, e é um tormento
Ter-te a meu lado… és um tyranno, e adoro-te!

Com os mortos

Os que amei, onde estão? idos, dispersos,
Arrastados no gyro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos…

E eu mesmo, com os pés tambem immersos
Na corrente e á mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma livida, em cachões,
E entre ella, aqui e ali, vultos submersos…

Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei: vivem commigo.

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me tambem,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na communhão ideal do eterno Bem.

Oceano Nox

(A A. de Azevedo Castello Branco)

Junto do mar, que erguia gravemente
A tragica voz rouca, em quanto o vento
Passava como o vôo d'um pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermittente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céo pesado e nevoento,
E interroguei, scismando, esse lamento
Que sahia das cousas, vagamente…

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idea gravitaes?—

Mas na immensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente immortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais…

Communhão

(Ao snr. João Lobo de Moura)

Reprimirei meu pranto!… Considera
Quantos, minh'alma, antes de nós vagaram,
Quantos as mãos incertas levantaram
Sob este mesmo céo de luz austera!…

—Luz morta! amarga a propria primavera!—
Mas seus pacientes corações luctaram,
Crentes só por instincto, e se apoiaram
Na obscura e heroica fé, que os retempera…

E sou eu mais do que elles? igual fado
Me prende á lei de ignotas multidões.—
Seguirei meu caminho confiado,

Entre esses vultos mudos, mas amigos,
Na humilde fé de obscuras gerações,
Na communhão dos nossos paes antigos.

Solemnia Verba

Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, d'esta altura fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos…

Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E noite, onde foi luz de primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera
Semeador de sombras e quebrantos!—

Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do penar tornado crente,

Respondeu: D'esta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se é isto a vida,
Nem foi de mais o desengano e a dor.

O que diz a Morte

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de magua e tedio encaram
As proprias obras vans, de que escarnecem…

Em mim, os Soffrimentos que não saram,
Paixão, Duvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como n'um mar, em mim desapparecem.—

Assim a Morte diz. Verbo velado,
Silencioso interprete sagrado
Das cousas invisiveis, muda e fria,

É, na sua mudez, mais retumbante
Que o clamoroso mar; mais rutilante,
Na sua noite, do que a luz do dia.

Na mão de Deus

(Á Ex.^{ma} Snr.^a Victoria de O. M.)

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descançou a final meu coração.
Do palacio encantado da Illusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortaes, com que se enfeita
A ignorancia infantil, despojo vão,
Depuz do Ideal e da Paixão
A forma transitoria e imperfeita.

Como criança, em lobrega jornada,
Que a mãe leva ao collo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto…
Dorme o teu somno, coração liberto,
Dorme na não de Deus eternamente!

INDICE

A cruz dizia á terra, onde assentava [pag. 64]
Adornou o meu quarto a flor do cardo [pag. 26]
Ali, onde o mar quebra, n'um cachão [pag. 52]
Altas horas da noite, o Inconsciente [pag. 103]
Amar! mas d'um amor que tenha vida [pag. 25]
Amem a noite os magros crapulosos [pag. 65]
Aquella, que eu adoro, não é feita [pag. 44]
Aquelles, que eu amei, não sei que vento [pag. 49]
Ardentes filhas do prazer, dizei-me [pag. 48]
Chamei em volta do meu frio leito [pag. 96]
Chovam lyrios e rosas no teu collo [pag. 35]
Como um vento de morte e de ruina [pag. 84]
Conheci a belleza que não morre [pag. 7]
Conquista pois sósinho o teu futuro [pag. 58]
Deixae-os vir a mim, os que lidaram [pag. 120]
Deixal-a ir, a ave, a quem roubaram [pag. 46]
Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando [pag. 22]
Disse ao meu coração: Olha por quantos [pag. 119]
Dorme a noite encostada nas colinas [pag. 114]
Dorme entre os gelos, flor immaculada [pag. 85]
Embebido n'um sonho doloroso [pag. 113]
Empunhasse eu a espada dos valentes! [pag. 45]
Em sonho, ás vezes, se o sonhar quebranta [pag. 37]
Em vão luctamos! Como nevoa baça [pag. 19]
Entre os filhos d'um seculo maldito [pag. 86]
Erguendo os braços para o céo distante [pag. 83]
Espectros que velaes, em quanto a custo [pag. 87]
Esperemos em Deus! Elle ha tornado [pag. 10]
Espirito que passas, quando o vento [pag. 32]
Esse negro corcel, cujas passadas [pag. 80]
Estava a morte ali, em pé, deante [pag. 82]
Estreita é do prazer na vida a taça [pag. 6]
Eu amo a vasta sombra das montanhas [pag. 30]
Eu bem sei que te chamam pequenina [pag. 27]
Eu não sei quem tu és mas não procuro [pag. 103]
Eu vi o Amor—mas nos seus olhos baços [pag. 97]
Força é pois ir buscar outro caminho! [pag. 57]
Fui rocha, em tempos, e fui, no mundo antigo [pag. 102]
Fumo e scismo. Os castellos do horizonte [pag. 40]
Ha mil annos, bom Christo, ergueste os magros braços [pag. 20]
Ha mil annos, e mais, que aqui estou morto [pag. 69]
Já não sei o que vale a nova idea [pag. 66]
Já socega, depois de tanta lucta [pag. 101]
Junto do mar, que erguia gravemente [pag. 117]
Lá! mas aonde é ? aonde? Espera [pag. 62]
Longo tempo ignorei—mas que cegueira [pag. 106]
Mãe, que adormente este viver dorido [pag. 38]
Mas a Idea quem é? quem foi que a vio [pag. 59]
Mas o velho tyranno solitario [pag. 77]
Meus dias vão correndo vagarosos [pag. 8]
Muito longe d'aqui, nem eu sei quando [pag. 94]
Na capella, perdida entre a folhagem [pag. 34]
Na floresta dos sonhos, dia a dia [pag. 104]
Na mão de Deus, na sua mão direita [pag. 121]
Na tua mão, sombrio cavalleiro [pag. 78]
Nas florestas solemnes ha o culto [pag. 68]
Não busco n'esta vida gloria ou fama [pag. 18]
Não duvido que o mundo no seu eixo [pag. 41]
Não choreis, ventos, arvores e mares [pag. 112]
Não morreste, por mais que o brade á gente [pag. 91]
Não se perdeu teu sangue generoso [pag. 63]
Não me fales de gloria: é outro o altar [pag. 16]
No céo, se existe um céo para quem chora [pag. 11]
Nenhum de vós ao certo me conhece [pag. 75]
Noite, irmã da Razão e irmã da Morte [pag. 110]
Noite, vão para ti meus pensamento [pag. 89]
No meu sonho desfilam as visões [pag. 92]
N'um céo intemerato e crystalino [pag. 67]
N'um sonho todo feito de incerteza [pag. 88]
O espectro familiar, que anda commigo [pag. 79]
Oh chimera, que passas embalada [pag. 47]
Oh! o noivado barbaro! o noivado [pag. 61]
Onde te escondes? eis que em vão clamamos [pag. 93]
Os que amei, onde estão? idos, dispersos [pag. 116]
Outra amante não ha! não ha na vida [pag. 60]
Ouve tu, meu cançado coração [pag. 31]
Pallido Christo, oh conductor divino! [pag. 56]
Para além do Universo luminoso [pag. 93]
Para tristezas, para dar nasceste [pag. 50]
Pelas rugas da fronte que medita [pag. 43]
Pelo caminho estreito, aonde a custo [pag. 90]
Pois que os deuses antigos e os antigos [pag. 55]
Porque descrês, mulher, do amor, da vida? [pag. 15]
Poz-te Deus sobre a fronte a mão piedosa [pag. 5]
Quando nós vamos ambos, de mãos dadas [pag. 31]
Que belleza mortal se te assemelha [pag. 3]
Que nome te darei, austera imagem [pag. 107]
Quem anda lá por fora, pela vinha [pag. 28]
Razão, irmã do Amor e da Justiça [pag. 71]
Reprimirei meu pranto!… Considera [pag. 118]
Sáe das nuvens, levanta a fronte e escuta [pag. 76]
Se comparo poder, ou ouro, ou fama [pag. 9]
Se é lei, que rege o escuro pensamento [pag. 12]
Sempre o futuro, sempre! e o presente [pag. 14]
Só! Ao ermita sósinho na montanha [pag. 13]
Só males são reaes, só dor existe [pag. 17]
Só quem teme o Não-Ser é que se assusta [pag. 108]
Só por ti, astro ainda e sempre occulto [pag. 34]
Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha [pag. 29]
Sonhei—nem sempre o sonho é cousa vã [pag. 33]
Sonho de olhos abertos, caminhando [pag. 109]
Sonho que sou um cavalleiro andante [pag. 42]
Tu, que eu não vejo e estás ao pé de mim [pag. 115]
Tu, que dormes, espirito sereno [pag. 70]
Tu, que não crês, nem amas, nem esperas [pag. 81]
Um dia, meu amor, e talvez cedo [pag. 36]
Um diluvio de luz cáe da montanha [pag. 4]
Vae-te na aza negra da desgraça [pag. 21]
Vozes do mar, das arvores, do vento [pag. 111]

Porto Typographia Occidental. Fabrica 66