Não disse mais; e
esvaeceu-se.
Dom Sueiro, espavorido,
Fugiu: sem volver os olhos,
Sem parar, sempre ha corrido.
Fugiu: sem volver os olhos,
Sem parar, sempre ha corrido.
Brilha a lua em seu crescente:
Passa a noite silenciosa;
E só lhe quebra o socego
O mocho e a fonte ruidosa.
E só lhe quebra o socego
O mocho e a fonte ruidosa.
Á porta do seu castello
Já dom Sueiro chegava.
Alli, vestida de branco,
Do bosque a donzella estava.
Alli, vestida de branco,
Do bosque a donzella estava.
«Mal-hajas tu, cavalleiro:—
Apenas o viu lhe disse:—
O ter de mulheres medo
É signalada pequice.
O ter de mulheres medo
É signalada pequice.
Fui eu que fiz de phantasma:
Teu valor conhecer quiz.
Tremer como tu tremeste
É só proprio de homens vís.—
Tremer como tu tremeste
É só proprio de homens vís.—
As faces do nobre alcaide
De vermelho se tingiram;
Mas voltou logo a ternura;
Passados sustos fugiram.
Mas voltou logo a ternura;
Passados sustos fugiram.
«Vinde a meus
braços, querida!
Vinde: não vos detenhaes,
Digna de ser minha esposa
Só vós sois, e ninguem mais.
Digna de ser minha esposa
Só vós sois, e ninguem mais.
Neste sitio, hoje vos juro
Amor firme e puro e ardente:
Em corpo e alma sou vosso;
Sê-lo-hei eternamente.»—
Em corpo e alma sou vosso;
Sê-lo-hei eternamente.»—
«Em corpo e alma!?—ella
clama,
Com uma voz sepulchral.—
Certo será graciosa
Nossa união conjugal!»
Certo será graciosa
Nossa união conjugal!»
Então, qual bravo
terçol,
Que em sua presa poz mira,
Ao mesquinho dom Sueiro,
Abrindo os braços, se atira.
Ao mesquinho dom Sueiro,
Abrindo os braços, se atira.
«Arredo! Filha do inferno!—
Grita o alcaide.—Isto o que
é?»
Ai!... olhou... É dona Dulce,
Não a donzella, quem vê.
Ai!... olhou... É dona Dulce,
Não a donzella, quem vê.
Com os braços descarnados
Ella o collo lhe estreitou,
E os labios apodrecidos
Aos labios delle chegou.
E os labios apodrecidos
Aos labios delle chegou.
Mortal halito de serpe
Seu halito assemelhava:
Sua figura era horrivel:
Tocada apenas gelava.
Sua figura era horrivel:
Tocada apenas gelava.
«Deixa-te agora de medos:—
Disse o espectro a dom Sueiro.—
Que é da audacia que mostravas,
Audacia de cavalleiro?
Que é da audacia que mostravas,
Audacia de cavalleiro?
Tremes?... De quê,
assassino?
Antes devêras tremer,
Quando envenenaste Elvira,
E a tua pobre mulher.
Quando envenenaste Elvira,
E a tua pobre mulher.
Meu amor e meus encantos
Pouco tempo te prenderam:
Em mim do sepulchro os vermes
Por tua mão se pasceram.
Em mim do sepulchro os vermes
Por tua mão se pasceram.
Depois, a amar-me tornando,
Repetiste um crime horrivel...
Teu amor é frouxo sempre;
Teu odio sempre terrivel!
Teu amor é frouxo sempre;
Teu odio sempre terrivel!
Mas agora, odiada ou grata,
Não sairei de teu lado:
Nada quebra no outro mundo
Dos mortos negro noivado.
Nada quebra no outro mundo
Dos mortos negro noivado.
Alma e corpo me cedeste:
O corpo aqui dormirá:
Porém tua alma comigo
Mais longe se acolherá!»
Porém tua alma comigo
Mais longe se acolherá!»
Não lhe respondeu o
alcaide,
Que a morte empallidecera,
E, ao som de arranco profundo,
No chão, extincto, batera.
E, ao som de arranco profundo,
No chão, extincto, batera.
Mas contam 'inda os pastores,
Que á meia-noite vagueia
Nas margens do ameno Lima,
Que murmurando serpeia;
Nas margens do ameno Lima,
Que murmurando serpeia;
E que, gritando e gemendo,
O seguem duas figuras,
Ambas com brancos vestidos
E tisnadas cataduras.
Ambas com brancos vestidos
E tisnadas cataduras.
O CANTO DO COSSACO.
(Béranger).
Vem, meu ginete: oh vem, meu nobre
amigo!
Chama-te em altos sons tuba do norte.
Prestes no saque, intrepido nas brigas,
Dá, guiado por mim, asas á morte.
Os teus jaezes não arreia o ouro;
Mas de meus feitos o terás em paga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
Tuas rédeas me entrega a paz que foge.
Ei-los por terra os europeus baluartes!
Meus aureos sonhos realisa agora;
Terás repouso na mansão das artes.
Volve a terceira vez ao Sena inquieto,
Que te lavou sangrento, e a sede apaga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
Reis, sacerdotes, grandes nos clamaram,
Entre o choro de miseros humanos:
—Cossacos, vinde ser de nós senhores!
Servos seremos, por ficar tyrannos.»
E a cruz e o sceptro quebrarão meus fortes;
Que eu hei tomado minha lança e adaga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
De um enorme gigante vi o espectro
Nosso campo correr co' a vista ardente;
E, gritando:—meu reino outra vez surge!»—
Mostrar com a acha d'armas o occidente.
A sombra era immortal do rei dos Hunos;
D'Áttila a voz, qual maldicção aziaga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
De que serve seu brilho á velha Europa?
Que lhe presta o saber para salvar-se?
Os turbilhões de pó, que hão-de sumi-la,
Debaixo de teus pés vão levantar-se.
Templos, palacios, leis, memorias, usos,
Na correria extrema, e pisa e estraga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
Chama-te em altos sons tuba do norte.
Prestes no saque, intrepido nas brigas,
Dá, guiado por mim, asas á morte.
Os teus jaezes não arreia o ouro;
Mas de meus feitos o terás em paga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
Tuas rédeas me entrega a paz que foge.
Ei-los por terra os europeus baluartes!
Meus aureos sonhos realisa agora;
Terás repouso na mansão das artes.
Volve a terceira vez ao Sena inquieto,
Que te lavou sangrento, e a sede apaga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
Reis, sacerdotes, grandes nos clamaram,
Entre o choro de miseros humanos:
—Cossacos, vinde ser de nós senhores!
Servos seremos, por ficar tyrannos.»
E a cruz e o sceptro quebrarão meus fortes;
Que eu hei tomado minha lança e adaga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
De um enorme gigante vi o espectro
Nosso campo correr co' a vista ardente;
E, gritando:—meu reino outra vez surge!»—
Mostrar com a acha d'armas o occidente.
A sombra era immortal do rei dos Hunos;
D'Áttila a voz, qual maldicção aziaga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
De que serve seu brilho á velha Europa?
Que lhe presta o saber para salvar-se?
Os turbilhões de pó, que hão-de sumi-la,
Debaixo de teus pés vão levantar-se.
Templos, palacios, leis, memorias, usos,
Na correria extrema, e pisa e estraga.
Meu ginete fiel, rincha orgulhoso,
E os reis e os povos com teus pés esmaga.
O CAÇADOR FEROZ.
(Burger).
Sua buzina tocára
O conde, altivo senhor:
«De pé, de cavallo, álerta!—
Disse; e monta o corredor.
«De pé, de cavallo, álerta!—
Disse; e monta o corredor.
O nobre animal relincha:
Pula e parte; e a turba
após.
Ei-los vão! Quem era o conde?
Era o caçador feroz.
Ei-los vão! Quem era o conde?
Era o caçador feroz.
Por estevaes e por sarças,
Por campinas cultivadas,
Voam rapidos. Resoam
Motejos, gritos, risadas.
Voam rapidos. Resoam
Motejos, gritos, risadas.
O sol que vinha rompendo
Em luz as veigas banhava,
E do zimborio do templo
O lanternim scintillava.
E do zimborio do templo
O lanternim scintillava.
«Tlim,
tlão!—convocando á missa,
Tangia o sagrado sino;
E involto nos sons de um orgam,
Do côro se ouvia o hymno.
E involto nos sons de um orgam,
Do côro se ouvia o hymno.
Duas sendas lá se cruzam;
E a turba chegára
lá.
Da direita um cavalleiro,
E outro da esquerda está.
Da direita um cavalleiro,
E outro da esquerda está.
Nedio ginete, qual neve
Alvo, guiava o primeiro;
O segundo, á rédea solta,
Esporeava um fouveiro.
O segundo, á rédea solta,
Esporeava um fouveiro.
Quem taes cavalleiros eram
Creio certo adivinha-lo,
Bem que ainda com certeza
Não me atreva a declara-lo.
Bem que ainda com certeza
Não me atreva a declara-lo.
Da direita ao cavalleiro
Fulgia o rosto formoso;
Porém no olhar do da esquerda
Fulgor havia horroroso.
Porém no olhar do da esquerda
Fulgor havia horroroso.
«Bem vindos sois,
cavalleiros;
Bem vindos á montaria!
Qual prazer, no céu, na terra,
Ao nosso se igualaria!—
Qual prazer, no céu, na terra,
Ao nosso se igualaria!—
Assim disse o conde, e rija
Palmada na côxa deu.
Atirando pelos ares
A grande altura o chapeu.
Atirando pelos ares
A grande altura o chapeu.
«O som da tua buzina—
Tornou logo o da direita—
Nem aos canticos do côro
Nem do sino ao som se ageita.
Nem aos canticos do côro
Nem do sino ao som se ageita.
Ruim caçada te espera!
Atrás te cumpre voltar.
Contra ti a ira celeste
Não queiras desafiar.»
Contra ti a ira celeste
Não queiras desafiar.»
«Nobre conde monteae—
Prestes o outro atalhou—
Que importa a bulha do côro,
E se o sino badalou?
Que importa a bulha do côro,
E se o sino badalou?
Deixae ao povo o seu medo:
Que para a relé foi feito.
Não são palavras sandías
Das que merecem respeito.—
Não são palavras sandías
Das que merecem respeito.—
«Ah, bem dicto! Oh tu da
esquerda,
Um heroe és quanto a mim.
Só padre-nossos empecem
A algum caçador ruim!
Só padre-nossos empecem
A algum caçador ruim!
Que tem missas, que tem resas
Com o montear, sandeu?
Se medo queres metter-me,
Falhou o calculo teu.—
Se medo queres metter-me,
Falhou o calculo teu.—
Disse o conde. Ávante
correm:
Vão por campinas e
outeiros.
Sempre da direita e esquerda
Estão os dous cavalleiros.
Sempre da direita e esquerda
Estão os dous cavalleiros.
Eis, lá em distancia, um
cervo
Branco transpõe a
assomada,
Tendo de pontas galhosas
A erguida fronte adornada.
Tendo de pontas galhosas
A erguida fronte adornada.
Então o conde a buzina
Com mais alento assoprou,
E tudo, a pé, a cavallo,
Com mais rapidez voou.
E tudo, a pé, a cavallo,
Com mais rapidez voou.
Ora dos que por diante,
Ora dos que de trás
vão,
Um ou outro rebentado
Fica no meio do chão.
Um ou outro rebentado
Fica no meio do chão.
E o conde:—Cahem? No inferno
Baqueiar podesseis vós!
Os que desalentam fiquem:
Sem elles bem vamos nós.—
Os que desalentam fiquem:
Sem elles bem vamos nós.—
N'uma seara guarida,
Fugindo, o cervo buscou:
O pobre dono do campo,
Triste, ao conde se chegou:
O pobre dono do campo,
Triste, ao conde se chegou:
«Meu bom senhor—clamou
elle—
Compaixão, meu bom senhor!
Ah, poupae mesquinhos fructos
De um abundante suor.—
Ah, poupae mesquinhos fructos
De um abundante suor.—
Da direita o cavalleiro
O conde amoestou então:
Cortezes eram seus dictos,
Cortezes e de razão:
Cortezes eram seus dictos,
Cortezes e de razão:
Mas, atiçando-o o da
esquerda
Á maldade perpetrar,
Desprezou o da direita
Para o maldicto o enredar.
Desprezou o da direita
Para o maldicto o enredar.
«Fóra
cão!—ao camponez
Grita o conde esbravejando—
Quando não, com mil diabos,
Soltar-te a matilha mando.
Quando não, com mil diabos,
Soltar-te a matilha mando.
Álerta, socios! O
açoute
Pelas orelhas chegae-lhe;
E que sou fiel ás juras
Dessa maneira provae-lhe.»
E que sou fiel ás juras
Dessa maneira provae-lhe.»
Dicto e feito. O conde salta
Por cima os vallos fronteiros;
E atrás delle, estrepitando,
Homens, cavallos, balseiros.
E atrás delle, estrepitando,
Homens, cavallos, balseiros.
O tropel, com grita horrenda,
Pisa e destroe a seara;
Que ninguem do lavrador
Dorido choro escutára.
Que ninguem do lavrador
Dorido choro escutára.
Pelo estridor acossado,
Que já bem perto sentia,
O cervo os crueis intentos,
Veloz fugindo, illudia.
O cervo os crueis intentos,
Veloz fugindo, illudia.
Através de montes, valles,
Perseguido e não tomado,
Manhoso se foi metter
Entre um rebanho de gado.
Manhoso se foi metter
Entre um rebanho de gado.
Entrando do campo ao bosque,
Saindo do bosque ao claro,
Seguiram-no os cães, e em breve
Lhe acharam da pista o faro.
Seguiram-no os cães, e em breve
Lhe acharam da pista o faro.
Cheio de angustia o pastor,
Por seu rebanho temendo,
Por terra se arremessou
Aos pés do conde, tremendo.
Por terra se arremessou
Aos pés do conde, tremendo.
—Deixae meu pobre rebanho;
Senhor, tende dó de mi:
De muitas tristes viuvas
O gado retouça aqui.
De muitas tristes viuvas
O gado retouça aqui.
Cada qual das pobrezinhas
Tem das rezes uma só:
Eis toda a sua riqueza:
Senhor, tende dellas dó.»
Eis toda a sua riqueza:
Senhor, tende dellas dó.»
Da direita o cavalleiro
O conde amoestou então:
Cortezes eram seus dictos,
Cortezes e de razão:
Cortezes eram seus dictos,
Cortezes e de razão:
Mas a maldade do conde
Sempre atiçava o da
esquerda,
E elle, o bom ludibriando,
Corria á ultima perda.
E elle, o bom ludibriando,
Corria á ultima perda.
«Cão! A mim
oppôr-te queres?
As contas vou-te eu fazer.
Quem me déra entre essas vaccas
Comtigo as taes velhas ver;
Quem me déra entre essas vaccas
Comtigo as taes velhas ver;
Que seria o mais suave
Prazer do
coração meu
Montear-vos, mais que fosse
Pelas campinas do céu.
Montear-vos, mais que fosse
Pelas campinas do céu.
Álerta, socios,
ávante!
Cães, avança!
csê!
perdido!—
E os cães no que acham mais perto
Saltam com fero latido.
E os cães no que acham mais perto
Saltam com fero latido.
O pegureiro por terra
Cái em seu sangue banhado,
E sanguento o gado fica
Todo alli atassalhado.
E sanguento o gado fica
Todo alli atassalhado.
Á morte escapou a custo
O veado, que fugia
Cada vez menos ligeiro,
N'uma floresta sombria.
Cada vez menos ligeiro,
N'uma floresta sombria.
Cuberto de escuma e sangue,
Perdida a
respiração,
Do bosque em meio salvou-se
No alvergue de um ermitão.
Do bosque em meio salvou-se
No alvergue de um ermitão.
Segue-o o tropel
incançavel:
Estala o açoute
incessante:
Soam buzinas; retinem
Os gritos de—abóca! ávante!»
Soam buzinas; retinem
Os gritos de—abóca! ávante!»
O solitario piedoso
Da cabana então
saíu,
E ao conde, com brando gesto,
Taes palavras dirigiu:
E ao conde, com brando gesto,
Taes palavras dirigiu:
—Senhor, deixa teus intentos,
E o sacro asylo venera:
A creatura ao céu se queixa;
Delle teu castigo espera.
A creatura ao céu se queixa;
Delle teu castigo espera.
Aos bons avisos, oh conde,
Cede pela ultima vez;
Quando não, na perdição,
Certo, abysmado te vês.»
Quando não, na perdição,
Certo, abysmado te vês.»
Cuidadoso o da direita
Ao conde correu então:
Cortezes eram seus dictos,
Cortezes e de razão.
Cortezes eram seus dictos,
Cortezes e de razão.
Mas o da esquerda atiçando
Nelle o animo damnado,
Do bom apesar do aviso,
Ai, do mau foi enganado!
Do bom apesar do aviso,
Ai, do mau foi enganado!
«Perdição?!
Disso me rio,
Não cuideis que eu tenha
susto.
No terceiro céu que fôra
Me escapára o cervo a custo.
No terceiro céu que fôra
Me escapára o cervo a custo.
Que me importa a ira divina?
Vae-te prégar ao deserto.
Teus sermões a montaria
Não farão falhar, por certo.—
Teus sermões a montaria
Não farão falhar, por certo.—
Assim disse o conde. O
açoute
Sacode; as buzinas soam.
«Csê! abóca!..—Ui! de diante
Homens e cabana voam.
«Csê! abóca!..—Ui! de diante
Homens e cabana voam.
De trás corceis, homens
fogem:
Sons e gritos de caçada
Se esvaecem de repente
Da morte na paz gelada.
Se esvaecem de repente
Da morte na paz gelada.
Pávido o conde olha em
roda:
Tóca a buzina...
não soa:
Grita... em vão: nada ouve: o açoute
Vibra: mas no ar não toa.
Grita... em vão: nada ouve: o açoute
Vibra: mas no ar não toa.
Para um e para outro lado
O seu cavallo esporeia...
Nem para trás voltar póde,
Nem àvante se meneia.
Nem para trás voltar póde,
Nem àvante se meneia.
Então escurece emtorno:
Cada vez mais de ennegrece:
Qual sepulchro fica: ao longe
Bramir triste o mar parece.
Qual sepulchro fica: ao longe
Bramir triste o mar parece.
Lá troa voz de
trovão!
Que era o que dizia a voz?
Era a sentença do conde,
Sentença medonha e atroz.
Era a sentença do conde,
Sentença medonha e atroz.
«Genio infernal, atrevido
Contra Deus, homens e feras!
Das creaturas os gemidos
Resoaram nas espheras.
Das creaturas os gemidos
Resoaram nas espheras.
Tuas maldades e insultos
Alto pedem
punição,
Onde da vingança o facho
Ondeia erguido clarão.
Onde da vingança o facho
Ondeia erguido clarão.
Malvado, foge; que os monstros
Do inferno te vão seguir,
Para que sejas exemplo
Aos tyrannos do porvir!»
Para que sejas exemplo
Aos tyrannos do porvir!»
Qual d'aurora boreal,
Flavo pallido fulgor
Tingiu então na floresta
Das folhas a verde côr.
Tingiu então na floresta
Das folhas a verde côr.
Immovel, pasmado, mudo,
Gelado o conde ficou;
Trépida angustia dos ossos
Á medulla lhe chegou.
Trépida angustia dos ossos
Á medulla lhe chegou.
Frio susto pela frente
Contra elle arroja o terror:
Pelas costas o persegue
O trovão atroador.
Pelas costas o persegue
O trovão atroador.
O susto o gela; o céu
ruge...
Da terra vai-se elevando
Negra agigantada mão,
Ora abrindo, ora fechando.
Negra agigantada mão,
Ora abrindo, ora fechando.
Pelos cabellos da fronte,
Ai, quer o conde prender!..
Elle atrás o rosto volta;
Nem mais o pôde volver.
Elle atrás o rosto volta;
Nem mais o pôde volver.
Em roda chammeja a terra
Verde, azul, vermelho fogo:
Delle um mar rodeia o conde:
Surge o inferno em peso logo.
Delle um mar rodeia o conde:
Surge o inferno em peso logo.
Lá dos abysmos profundos
Sáem mil mastins raivosos,
Que, pelo averno açodados,
Se tornam mais furiosos.
Que, pelo averno açodados,
Se tornam mais furiosos.
Toma alento o conde, e foge:
Por montes, por campos vai,
Do seio arrancando a espaços
Do espanto terrivel ai:
Do seio arrancando a espaços
Do espanto terrivel ai:
Mas por todo o largo mundo
Atrás delle ruge o
inferno,
De dia do orbe no centro,
De noite no ar superno.
De dia do orbe no centro,
De noite no ar superno.
Ficou-lhe a face voltada,
Por mais que ávante
corresse,
Sem que dos horridos monstros
Os olhos tirar podesse.
Sem que dos horridos monstros
Os olhos tirar podesse.
Eis como a caçada foi
Do tropel desenfreiado,
A qual até nossos dias
Tão constante tem passado,
A qual até nossos dias
Tão constante tem passado,
Que, muitas vezes, durante
As horas da noite escura,
Ainda ao dissoluto causa
Do medo o horror e amargura
Ainda ao dissoluto causa
Do medo o horror e amargura
De bastantes caçadores
Podia a boca dize-lo,
Se antes não lhes conviesse
Calado comsigo te-lo.
Se antes não lhes conviesse
Calado comsigo te-lo.
O CÃO DO LOUVRE.
(Delavigne).
Tu que passas, descobre-te! Alli dorme
O forte que morreu.
Dá ao martyr do Louvre
algumas flores;
Dá
pão ao seu lebreu.
Da batalha era o dia. O
canhão troa:
E o livre corre á morte, e juncto delle
E o livre corre á morte, e juncto delle
O seu cão
vai:
A mesma bala ambos feriu: o martyr
Não deploreis: o amigo seu que vive
Não deploreis: o amigo seu que vive
Só
pranteai!
Tristonho, sobre o forte elle se
inclina,
Affagando-o e gemendo; e a ver se acorda
Affagando-o e gemendo; e a ver se acorda
Põe-se a
latir;
E do seu companheiro no combate
Sobre o cadaver sanguinoso o pranto
Sobre o cadaver sanguinoso o pranto
Deixa cahir.
Essa gleba guardando onde repousam
As cinzas dos heroes, nada o consola
As cinzas dos heroes, nada o consola
No seu gemer;
E ao que o ameiga triste repellindo,
«Oh, que não és meu dono!—o cão parece
«Oh, que não és meu dono!—o cão parece
Tentar dizer.
Quando sobre as grinaldas de perpetuas
O matutino alvor da aurora o orvalho
O matutino alvor da aurora o orvalho
Faz scintillar,
Os olhos abre vívidos, e
pula
Para affagar seu dono, que elle pensa
Para affagar seu dono, que elle pensa
Ha-de voltar!
Quando da noite a
viração as c'roas
Fez ranger sobre a cruz do monumento,
Fez ranger sobre a cruz do monumento,
Desanimou:
Elle quizera que seu dono o ouvisse;
E ladra e uiva; mas o adeus de á noite
E ladra e uiva; mas o adeus de á noite
Lá lhe
faltou!
O inverno chega, e a neve, com
violencia,
Cái, e branqueia, e esconde esse gelado
Cái, e branqueia, e esconde esse gelado
Leito de morte:
Ei-lo que sólta um lugubre
gemido,
E busca, alli deitando-se, ampara-lo
E busca, alli deitando-se, ampara-lo
Do frio norte.
Antes que os membros lhe
entorpeça o somno,
Mil tentativas para erguer a campa
Mil tentativas para erguer a campa
Inuteis faz:
Depois comsigo diz, como hontem disse,
—Quando acordar, por certo, ha-de chamar-me.»
—Quando acordar, por certo, ha-de chamar-me.»
E dorme em paz.
Mas, na alta noite, em sonhos
vê trincheiras,
E seu dono entre as balas encontradas
E seu dono entre as balas encontradas
Cahir ferido:
E ouve-o que o chama com sibillo
usado;
E ergue-se e corre após uma van sombra,
E ergue-se e corre após uma van sombra,
Dando um bramido.
É alli que elle espera
horas e horas,
E saudoso murmura: alli pranteia,
E saudoso murmura: alli pranteia,
E
morrerá.
O seu nome qual é? Todos o
ignoram.
O que o sabía, o dono seu querido,
O que o sabía, o dono seu querido,
Nunca o
dirá!..
Tu que passas, descobre-te!
Além dorme
O forte que morreu.
Dá ao martyr do Louvre
algumas flores,
E esmola ao seu
lebreu.
LEONOR.
(Burger).
Ralada de ruins sonhos
Já desperta
está Leonor,
E 'inda agora os céus d'oriente
Da manhan tingiu o alvor.
E 'inda agora os céus d'oriente
Da manhan tingiu o alvor.
«Guilherme, és
morto?—ella exclama—
Ou trahiste a pobre amante?
Se vives, porque retardas
De te eu ver feliz instante?»
Se vives, porque retardas
De te eu ver feliz instante?»
Nas tropas de Friderico
Tempo havia que partíra
Para a batalha de Praga,
E cartas delle quem vira?
Para a batalha de Praga,
E cartas delle quem vira?
Mas a imperatriz e o rei[1],
De guerras, emfim, cansados,
Depondo os animos feros,
De paz faziam tractados.
Depondo os animos feros,
De paz faziam tractados.
Já aos seus lares tornavam
Ambas as hostes folgando.
Cingem frentes ramos verdes;
Vem atabales rufando.
Cingem frentes ramos verdes;
Vem atabales rufando.
E por montes e por valles
Velhos e moços chegavam,
Dando brados de alegria,
A encontrar os que voltavam.
Dando brados de alegria,
A encontrar os que voltavam.
«Boa vinda! Adeus!—diziam
As filhas, noivas, e esposas.
E Leonor? Nenhum dos vindos
Lhe faz caricias saudosas.
E Leonor? Nenhum dos vindos
Lhe faz caricias saudosas.
Por Guilherme ella pergunta;
Por qual estrada viria.
Vão trabalho; vans perguntas:
Novas delle quem sabia?
Vão trabalho; vans perguntas:
Novas delle quem sabia?
Não o vê.
Passaram todos...
Em furioso devaneio,
Ei-la arranca as negras tranças;
Fere crua o lindo seio.
Ei-la arranca as negras tranças;
Fere crua o lindo seio.
Sua mãe, correndo a ella:
«Valha-me Deus!—lhe
bradou.—
Minha filha, pois que é isso?!»
E entre os braços a apertou.
Minha filha, pois que é isso?!»
E entre os braços a apertou.
«Minha mãe,
perdeu-se tudo!
O mundo, tudo perdi:
De nada Deus se condoe...
Oh dor, oh pobre de mi!—
De nada Deus se condoe...
Oh dor, oh pobre de mi!—
«Ai! Jesus venha
á minha alma!
Filha, um padre-nosso resa.
Deus é pae: sempre nos ouve:
Nunca a humana dor despreza.—
Deus é pae: sempre nos ouve:
Nunca a humana dor despreza.—
«Minha mãe,
inutil crença!
Que bens me tem feito Deus?
Padre-nossos!.. padre-nossos!..
Que importam resas aos céus?—
Padre-nossos!.. padre-nossos!..
Que importam resas aos céus?—
«Ai! Jesus venha
á minha alma!
Pois não é quem
resa ouvido?
Busca da igreja o consolo
Verás teu pesar vencido.—
Busca da igreja o consolo
Verás teu pesar vencido.—
«Mãe, oh
mãe, esta amargura
Nenhum sacramento adoça:
Não sei nenhum sacramento,
Que aos mortos dar vida possa.—
Não sei nenhum sacramento,
Que aos mortos dar vida possa.—
«Filha, quem sabe se,
ingrato,
Elle ás promessas faltou;
E lá na remota Hungria
Novo amor o captivou?
E lá na remota Hungria
Novo amor o captivou?
Se, mudavel, te abandona,
Do crime o premio terá:
Do ultimo trance na angustia
O remorso o punirá.—
Do ultimo trance na angustia
O remorso o punirá.—
«Morreu-me, oh
mãe, a esperança.
Perdido... tudo é perdido!
Morrer, tambem, só me resta.
Nunca eu houvera nascido!
Morrer, tambem, só me resta.
Nunca eu houvera nascido!
Foge, oh sol resplandecente!
Manda a noite e os seus terrores...
Deus, oh Deus, que nunca escutas
O gemer de humanas dores.—
Deus, oh Deus, que nunca escutas
O gemer de humanas dores.—
«Meu Senhor! A desditosa
Não pensa o que a lingua
exprime.
Não julgues a filha tua:
Nem te lembres do seu crime.
Não julgues a filha tua:
Nem te lembres do seu crime.
Vans paixões esquece, oh
filha:
Cogita no goso eterno,
No sangue que te remiu,
E nos tormentos do inferno.—
No sangue que te remiu,
E nos tormentos do inferno.—
«O que é goso
eterno, oh mãe,
E o inferno em que consiste?
Com Guilherme ha goso eterno,
Sem Guilherme o inferno existe.
Com Guilherme ha goso eterno,
Sem Guilherme o inferno existe.
Sem elle, que a luz fugindo,
Se troque em nocturno horror;
Sem elle, no céu, na terra
Só conheço acerba dor!»
Sem elle, no céu, na terra
Só conheço acerba dor!»
Assim no sangue e na mente
Furia insana lhe fervia:
Cruel chamando ao Senhor,
Mil blasphemias repetia.
Cruel chamando ao Senhor,
Mil blasphemias repetia.
Desde o sol brilhar no oriente
Até que o céu
se estrellava,
As mãos, louca, retorcia,
O brando seio pisava.
As mãos, louca, retorcia,
O brando seio pisava.
Porém ouçamos!..
A terra
Pisa um cavallo lá fóra!..
E pelos degraus da escada
Tinem sons d'espada e espóra...
E pelos degraus da escada
Tinem sons d'espada e espóra...
Ouçamos! Batem na argola
Pancadas que mal feriram...
E através das portas, claro,
Estas palavras se ouviram:
E através das portas, claro,
Estas palavras se ouviram:
«Oh lá, querida,
abre a porta.
Dormes? Estás acordada?
Folgas em riso? Pranteias?
De mim és 'inda lembrada?—
Folgas em riso? Pranteias?
De mim és 'inda lembrada?—
«Guilherme, tu?! Na alta
noite?
Tenho velado e gemido.
Quanto padeci!.. Mas, d'onde
Até 'qui tens tu corrido?!—
Quanto padeci!.. Mas, d'onde
Até 'qui tens tu corrido?!—
«Nós montamos
á meia-noite
Só. Vim tarde, mas
ligeiro,
Desde a Bohemia, e comigo
Levar-te-hei, por derradeiro.—
Desde a Bohemia, e comigo
Levar-te-hei, por derradeiro.—
«Oh meu querido Guilherme,
Vem depressa: aqui te abriga
Entre meus braços; que o vento
Do bosque as crinas fustiga.—
Entre meus braços; que o vento
Do bosque as crinas fustiga.—
«Rugir o deixa nos matos.
Sibilla? Sibille embora!
Não paro... que o meu ginete
Escarva o chão... tine a espóra...
Não paro... que o meu ginete
Escarva o chão... tine a espóra...
Nosso leito nupcial
Dista cem milhas d'aqui.
Sobraça as roupas... vem... salta
No murzelo, atrás de mi.—
Sobraça as roupas... vem... salta
No murzelo, atrás de mi.—
«Além cem milhas,
me queres
Hoje ao thalamo guiar?
Ouve... o relogio ainda soa:
Doze vezes fere o ar.—
Ouve... o relogio ainda soa:
Doze vezes fere o ar.—
«Olha em roda! A lua
é clara:
Nós e os mortos bem
corremos.
Aposto eu que n'um instante
Ao leito nupcial iremos?—
Aposto eu que n'um instante
Ao leito nupcial iremos?—
«Mas dize-me, onde
é que habitas?
Como é o leito do
noivado?—
«Longe, quedo, fresco, breve:
De oito taboas é formado.—
«Longe, quedo, fresco, breve:
De oito taboas é formado.—
«Para dous?—«Para
nós ambos.
Sobraça as roupas: vem
cá.
Os convidados esperam:
O quarto patente está.—
Os convidados esperam:
O quarto patente está.—
Sobraçada a roupa, a bella
Para o ginete saltou,
E ao seu leal cavalleiro
Co' as alvas mãos se enlaçou.
E ao seu leal cavalleiro
Co' as alvas mãos se enlaçou.
Ei-los vão! Soa a corrida.
Ei-los vão, á
fula-fula!
Ginete e guerreiro arquejam:
A faisca, a pedra pula.
Ginete e guerreiro arquejam:
A faisca, a pedra pula.
Ui, como, á direita,
á esquerda,
Ante seus olhos se escoam
Prado e selva, e do galope
Sob a ponte os sons ecchoam!
Prado e selva, e do galope
Sob a ponte os sons ecchoam!
«Tremes, cara? A lua
é pura.
Depressa o morto andar usa.
Tens medo de mortos?—«Não.
Mas delles falar se escusa.—
Tens medo de mortos?—«Não.
Mas delles falar se escusa.—
«Que sons e cantos
são estes?
O corvo alli remoinha!
Sons de sino? Hymnos de morte?
É morto que se avizinha!—
Sons de sino? Hymnos de morte?
É morto que se avizinha!—
Era de feito um saimento,
Que andas e esquife levava:
Aos silvos de cobra em pégo
Seu canto se assemelhava.
Aos silvos de cobra em pégo
Seu canto se assemelhava.
«Um enterro á
meia-noite,
Com psalmos e com lamento,
E eu a minha noiva levo
Ao sarau do casamento?
E eu a minha noiva levo
Ao sarau do casamento?
Vinde, sacristão e o
côro,
O ephitalamio entoai-nos;
Vinde, abbade, e antes que entremos
No leito, a bençam lançai-nos.—
Vinde, abbade, e antes que entremos
No leito, a bençam lançai-nos.—
Cala o som e o canto: a tumba
Some-se: finda o clamor
A seu mando; e o tropel voa
Na pista do corredor.
A seu mando; e o tropel voa
Na pista do corredor.
Sempre mais alto a corrida
Soa. Vão á
fula-fula.
Ginete e guerreiro arquejam:
A faisca, a pedra pula.
Ginete e guerreiro arquejam:
A faisca, a pedra pula.
Como á dextra e esquerda
fogem
Montes, bosques, matagaes!
Como á dextra e esquerda fogem
Cidades, villas, casaes!
Como á dextra e esquerda fogem
Cidades, villas, casaes!
«Tremes, cara? A lua
é pura.
Depressa o morto usa andar.
Temes os mortos, querida?—
«Ai, deixa-os lá repousar!—
Temes os mortos, querida?—
«Ai, deixa-os lá repousar!—
«Olha! Ao redor de uma forca
Dançar em tropel
não vês
Aereos corpos, que alvejam
Da luz da lua através?
Aereos corpos, que alvejam
Da luz da lua através?
Oh lé, birbantes, aqui!
Birbantes, acompanhai-me!
Vinde. A dança do noivado
Juncto do leito dançai-me.—
Vinde. A dança do noivado
Juncto do leito dançai-me.—
E os vultos vem após logo,
Ruído immenso fazendo,
Como o furacão nas folhas
Seccas do vergel rangendo.
Como o furacão nas folhas
Seccas do vergel rangendo.
E resoando a corrida
Ei-los vão, á
fula-fula.
Ginete e guerreiro arquejam:
A faisca, a pedra pula.
Ginete e guerreiro arquejam:
A faisca, a pedra pula.
Para trás fugir parece
Quanto o luar allumia;
Para trás suas estrellas
Sumir o céu parecia.
Para trás suas estrellas
Sumir o céu parecia.
«Tremes, cara? A lua
é pura.
Depressa o morto andar usa.
Temes os mortos, querida?—
«Ai, delles falar se escusa!—
Temes os mortos, querida?—
«Ai, delles falar se escusa!—
«Murzelo, o gallo
ouvír creio!
Breve a areia ha-de correr...
Murzelo, avia-te, voa;
Que sinto o ar do amanhecer!
Murzelo, avia-te, voa;
Que sinto o ar do amanhecer!
Nossa jornada está finda:
Ao leito nupcial chegámos:
Ligeiro os mortos caminham:
A méta final tocámos.—
Ligeiro os mortos caminham:
A méta final tocámos.—
D'uma porta ás grades
ferreas
Á rédea solta
chegaram,
E de fragil vara ao toque
Ferrolho e chave saltaram.
E de fragil vara ao toque
Ferrolho e chave saltaram.
Fugiram piando as aves:
A corrida, emfim, parára
Sobre campas. Os moimentos
Alvejam; que a noite é clara.
Sobre campas. Os moimentos
Alvejam; que a noite é clara.
Peça após
peça, ao guerreiro
Cáe a armadura lustrosa
Em negro pó impalpavel,
Qual de isca fuliginosa.
Em negro pó impalpavel,
Qual de isca fuliginosa.