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Poesias

Chapter 125: INDICE.
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About This Book

A coletânea reúne poemas de tom religioso e contemplativo que evocam ritos da Semana Santa, o interior de igrejas, o canto dos coros e a presença das velas e crucifixos. Intercaladas com imagens líricas de noite, vento e memória, surgem meditações sobre a morte, o juízo e a esperança na vida espiritual, acompanhadas de críticas ao falso devotismo, à hipocrisia e aos despotismos que corrompem a liberdade. A linguagem aposta em cadência solene e imagens visuais para unir fervor religioso e reflexão moral.

Sua cabeça era um craneo
Branco-pallido, escarnado:
Nas mãos tem fouce e ampulheta,
Triste adorno de finado.
Alça-se e arqueja o ginete:
I­gneas fai­scas lançou,
E debaixo de seus pés
Abriu-se a terra, e o tragou.
Dos covaes surgem phantasmas:
Feio urrar os ares corta:
Bate incerto o coração
Da donzella semimorta.
Ao redor danças de espectros
Em remoinho passavam:
Canto de medonhas vozes
Era o canto que cantavam:
«Aflliges-te? Oh, tem paciencia!
Não fosses com Deus audaz.
Teu corpo pertence á terra:
Á tua alma o céu dê paz.—

[1] Maria-Theresa d'Austria e Friderico de Prussia.




A COSTUREIRA, E O PINTASILGO MORTO.

(Lamartine).


Tu cujas azas tremulas
O meu olhar tornava;
Cujo trinado harmonico
Meus dias alegrava,
Ai, já não ouves!—Chamo-te,
E é vão este chamar!
Chegou a estação gelida;
Foi para te matar.

Nunca me has-de esquecer! Por bem seis annos,
Companheira leal
Tu me foste, avesinha;
Meiga entre as meigas, desprezando os campos,
Deslembrada da mãe, que, á noite, aninha
No movel cannavial.

A ti, affeita a mim, affiz-me em breve.
Meu unico recreio
Era brincar comtigo.
Ao veres-me encerrar no pobre alvergue
Gorgeiavas, e o tedio o canto amigo
Volvia em brando enleio.

Meu amor te suppria a liberdade;
Meus passos traduzias,
Meu gesto, meu falar;
Repetias-me o nome em teus modilhos;
Punhas-te a chilrear
Quando sorrir me vias.

Oh, que par! Que viver sereno e sancto!
Estavamos tão bem!
Nosso parco alimento
Com a ponta da agulha eu mourejava,
E dizia scismando:—o meu sustento
É o delle tambem.»
Sementes varias dava-te co' a alpista,
E, qual ramalhetinho
Feito na orla do prado,
Á 'splendida gaiola atar me vias,
Para debique teu, de herva um punhado,

De alface um tenro olhinho....
Se ao menos fosse licito
Saberes que pranteio!..
Ai, foi em dia identico,
Que teu adejar veio
Fazer brilhar o jubilo
Neste triste aposento,
Onde em saudosa magua,
Sósinha te lamento!




INDICE.


LIVRO I

A HARPA DO CRENTE


pag:
A Semana Sancta. 3
A Voz. 35
A Arrabida. 41
Mocidade e Morte. 63
Deus. 81
A Tempestade. 87
O Soldado. 95
A Victoria e a Piedade. 111
A Cruz mutilada. 121



LIVRO II

POESIAS VARIAS.


A Perda d'Arzilla. 137
A Rosa. 147
O Mendigo. 151
O Bom Pescador. 159
Tristezas do Desterro. 165
O Mosteiro deserto. 185
A Volta do Proscripto. 201
N'um Album. 211
A Felicidade. 217
Os Infantes em Ceuta. 221



LIVRO III

VERSÕES


O Seccar das Folhas. 273
A Noiva do Sepulchro. 277
O Canto do Cossaco. 293
O Caçador feroz. 297
O Cão do Louvre. 311
Leonor. 315
A Costureira e o Pintasilgo morto. 327