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Raios de extincta luz / poesias ineditas (1859-1863) cover

Raios de extincta luz / poesias ineditas (1859-1863)

Chapter 101: INDICE
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About This Book

A volume gathers early, previously unpublished lyric poems revealing a contemplative, religiously inflected romantic sensibility, marked by introspective melancholy, devotional imagery and attention to forms such as sonnets and odes. Editorial material supplies a biographical excursus, notes and recovered fragments and translations that situate these pieces as a formative phase, highlighting tensions between faith, doubt and youthful idealism. Together the poems and commentary allow readers to follow stylistic experiments and emotional development that both anticipate and contrast with the author’s later, more polemical writings.

XXVIII

O SOL DO BELLO

O SOL DO BELLO

RECITADA NA NOITE DE 13 DE MAIO DE 1862, NO THEATRO ACADEMICO, POR A. FIALHO MACHADO

O sol do bello a todos alumia!
Sua auréola cinge cada fronte
Bem como o rei do dia, mal desponte,
Dá luz egual a todo o sêr creado!
Este baptismo santo envolve e lava
Todos na mesma onda inspiradora!
Queima com a mesma chamma abrasadora!
Orvalha em egual pranto derramado!
Juntas as almas, que o sentir enlaça,
Commungam, como irmãs, na mesma taça!

Vê-os, agora, artista.—Elles estendem-te
Os seus braços e o affecto é que os impele!
Esse braço, que vezes mil repele
O laço, que em vão, tenta escravisal-o…
A corrupção hypocrita de tantos…
Que sabe resistir a quem o opprime…
É esse que, n'um impeto sublime,
Se ergue a ti, se ergue ao irmão para estreital-o.
É que a alma, que não verga á tyrannia,
Curva-se, livre, ao bello que a alumia!

Sim! aquelles que do alto de um vão throno
—Mal firme throno que estremece ao vento—
Pedem, como tributo de um momento,
Respeito, amor, affecto á mocidade,
(Mas pedem como quem ordena a escravos)
Não são esses aqui os respeitados!
Não são esses que são aqui amados!
Não escuta voz de imperio a liberdade!
Mas quem de amor nos labios traz doçura
Esse é que leva a flor de uma alma pura!

Pura e nobre! Embora, despeitados,
Lhe chamem louco e frio a esse peito…
Não se acreditam vozes de despeito.
Frio! quem diz que é frio o peito moço?
Que o sentimento é extincto n'estas almas?
Dil-o a velhice que não tem no seio
Nem uma voz de amor, nem um anceio,
A dar ao bello, que arrebata o nosso:—
Dil-o quem a deseja corrompida…
Porém na mocidade habita a vida!

A vida! sim! Bem como em cofre de ouro
Se guarda o que ha melhor, o que ha mais puro,
Deu-lhe o Senhor a guarda do futuro,
Confiou-lhe em deposito essas gemas
—O amor, a fé, o bello, a liberdade!
O amor! o que nos dá sentir profundo!
A fé! a que nos mostra melhor mundo!
A liberdade! a que espedaça algemas!
O bello! a nossa flammula brilhante!
E sobre tudo, a voz que brada—avante!

XXIX

IBERIA

(Do Seculo XIX, de Penafiel, n.^o 20, 1864).

IBERIA

I

Flor dos povos! oh tu que inda te embalas,
E inda em botão, aos ventos do futuro!
Que tens por vazos e jardins e salas
Toda a vasta extensão do tempo escuro!
E frontes gloriosas a adornal-as,
A fronte da historia, o grande auguro!
Lirio que saes do seio á humanidade
Como filha melhor—Fraternidade!

Deixa que escreva aqui teu nome todo,
E já d'aqui aspire teu perfume!
E, arredando co'as mãos o frio lodo
Do presente, me aqueça a esse teu lume!
Deixa beijar-te em sonho, e d'este modo
Trazer-te unida ao seio, que consumme
Esta ancia ardente de destino novo,
E este fogo roubado ao seio do povo!

Porque te vemos só quando sonhamos…
E, irmã! só nos sorris em nosso somno…
E, a dormir, doce amiga, te beijamos!
Tu—só em nossas almas—tens teu throno
Ainda! mas, sem ver-te, te adoramos,
E, como um cão fiel segue o seu dono,
Trazemos ante o olhar tua lembrança,
E caminhamos cheios de confiança!

Fraternidade! esta palavra é suave,
Como antegosto de melhor destino!
Como a onda de um Ganges que nos lave!
E como a pósse de um penhor divino!
Como o vôo sereno de uma ave
Que, sendo apenas ponto pequenino,
Emtanto faz, transpondo ao longe um monte,
Sonhar com melhor céo e outro horisonte!

O grande céo! o céo da humanidade!
Onde os povos serão constellações,
E, destillando a luz da liberdade,
Serão astros e estrellas as nações!
Onde hade o grande laço da egualdade
Reunir a vontade e os corações!
Cobrindo-os, a dormir, os mesmos céos,
Terão todos tambem o mesmo Deus.

Não vejo outro Evangelho de ouro escripto
Dentro no homem,—nem sei que outro areal,
Outro cabo, outro monte de granito,
Do grande navegar surja a final!
Guiados pelo instincto do infinito
É para lá que os povos—náo real!—
Hão a prôa virar lá quando um dia
Marearem pela bussula harmonia!

II

Hãode então, como irmãos, reconhecer-se
Os amigos—ha tanto tempo ausentes!
Hão então (caso novo e estranho!) ver-se
Face a face as nações, sem que dementes
As entranhas se rasguem! e hade lêr-se
Um protocolo, em letras de ouro, ingentes,
Escripto, sem emenda e sem errata,
Por mãos do amor—o grande diplomata!

III

Elle é quem concilia as differenças,
Quem nos concilios hade erguer a voz,
Tirando nova ideia e novas crenças
Das esfriadas cinzas dos avós!
E, sem trabalhos, e sem dôres immensas,
E sem rios de sangue e pranto após,
Rasgando o ventre á velha liberdade
Sairá á luz a joven Egualdade!

É doce vêr assim, á luz da esperança,
Pelo futuro dentro, as cousas bellas…
Prevêr do céo humano essa mudança,
Que em sóes converte as minimas estrellas!
Do passado infeliz eis a vingança!
E dos mortos as faces amarellas,
Córando de ventura e de alegria,
Hãode surgir, emfim, á luz do dia!

IV

E nós tambem, tambem commungaremos
Na grande communhão das novas gentes:
Tambem os nossos braços ergueremos
—Braços livres de jovens impacientes—
E o cinto d'este Velho quebraremos,
De aonde a espada e o sceptro estão pendentes,
(Já tão gastos!) lançando-os á ribeira…
Para o coroar de palmas e oliveira!

Hespanha—irmã! que boda alegre a nossa!
Como hãode então teus seios palpitar!
Que ribeira de lagrimas tão grossa
Teu branco véo de noiva hade estancar!
Como hade parecer pequena poça
Para os banhos, então, o grande mar!
E entornar-nos volupia nos desejos
O mixto de odio antigo e novos beijos!

………………………………….

Mas tu 'stás presa!… e nós… 'stamos dementes!
Separa-nos o abysmo! os teus algozes…
A cruz de Ignacio… e as garras inclementes
Dos leões orgulhosos e ferozes…
E a estupidez do povo dos valentes,
D'estes pardaes de atroadoras vozes…
Entre nós nos cavaram oceanos…
Sejam-lhe ponte os corpos dos tyrannos!

Porque beijas teus ferros, pobre louca,
E cuidas 'star beijando cousa santa?
E, tendo em tuas mãos cousa tão pouca,
Tão tenue como a capa de uma santa,
Pensas avassalar a terra amouca,
E te ergues com vaidade e gloria tanta?
Oh! tu, cuidando os orbes abraçar,
Só ruinas abraças—Throno e Altar!

Lembre-te a voz do Cid! a atroadora
Voz que se ouvia ao longe nos combates!
Porque tu estás feita psalmeadora
No côro das egrejas—porque bates
No peito, em vez de erguer dominadora
A tua mão em meio de combates,
E livre e bella, oh Hespanha, olhar os céos
Procurando por lá teu novo Deus!

V

Como nos amaremos, doce amiga!
Como então amaremos! que noivado
O nosso não será!… Não tem a espiga
No campo côr melhor, nem mais doirado
Esplendor, do que tu, bella inimiga.
Hasde vêr a ventura… quando o estrado
Do leito nupcial fôr Liberdade,
E fôr docel o céo—Fraternidade.

XXX

VERSÕES E IMITAÇÕES

EXCERPTOS DE UMA TRADUCÇÃO DO FAUSTO

I

*DEDICATORIA*

Ainda uma outra vez, imagens fluctuantes,
Vos ergueis ante mim, como outr'ora radiantes
Ante mim, que vos fito em vago enleio incerto!
Voaes… mas eu hesito em vos retêr agora…
Assusta o meu olhar a luz da vossa aurora,
E teme as illusões, meu coração desperto!

Que aérea multidão! que virginaes choreas!
Meu velho coração, pois que inda te incendeias
Não é melhor ceder? sim, sim, rejuvenesce!
D'entre as nevoas surgi, visões do tempo antigo!
Sim, levae-me tambem no vosso bando amigo,
Levae-me aonde ha luz e cantos, e alvorece!

Reconheço entre vós as sombras fugidías
De outro tempo melhor, de mais alegres dias:
Meu coração evoca imagens adoradas…
Susurra em torno a mim voz de saudoso encanto:
É o primeiro amor, que passa como um canto
De antigas tradições vagamente escutadas…

E as lagrimas, tambem, correm silenciosas!
O lamento dorido, as magoas saudosas,
Renovam-se; desperta a dor que dormitava…
Sim, a dor, ante mim, mostra-me os dias idos,
E nomeia-me os bens, sob meus pés fundidos,
Quando em minha illusão julguei que os abraçava!

Almas a quem cantei, não me ouvireis agora!
O circulo fiel dos amigos d'outr'ora
Desfez-se como a voz d'este canto primeiro!
Rodeia-me hoje a turba: o seu applauso é triste:
Quem folgou de escutar-me, em tempo, se inda existe
Disperso erra no mundo, ah! n'um mundo estrangeiro…

Como a saudade então, uma longa saudade,
D'esse reino encantado, onde ha paz e verdade,
Me falla ao coração n'uma queixa sumida!
Meu canto sobe e desce, incerto e fluctuante,
Sobe e desce indeciso e com tom murmurante,
Bem como uma harpa eólea aos ventos suspendida.

E tremo sem saber porquê, e lentamente
Sinto o pranto nascer, correndo docemente,
Ungindo o coração que embala e adormece…
O que tenho, o que sou, mal o vejo a distancia…
É a nuvem no mar, é um sonho de infancia…
Só, á luz da saudade, o passado apparece!

II

*NA CATHEDRAL*

Officios; orgão e canto. MARGARIDA no meio da multidão. O ESPIRITO RUIM por detrás d'ella.

O ESPIRITO RUIM

  Como foste, como eu te conheci,
  E como estás mudada, Margarida!
  Que pensamento é que te traz aqui?
      Ainda adormecida,
  Tua alma ha pouco, lembras-te? buscava,
  Esta sombra do altar—mas não chorava,
  Não, não chorava as lagrimas que choras!
  Rezar era então brinco de criança,
      Para ti, innocente…
      Lias nas tuas Horas
  As tuas orações—e docemente
  Sorria a Deus tua infantil confiança…
        Margarida!
  Quantas ruinas em tão curta vida!
  Que pensamento occulto te tortura?
      E, no teu coração,
  Que peccado te roe essa alma impura?
  Não rezes: Deus não te ouve a oração!
  Rezas por tua mãe? por ti foi morta,
  Sim, morta lentamente, a infeliz!
  Olha o sangue espalhado á tua porta…
      De quem é elle, diz?
  E escuta! n'esse seio criminoso
      O que é que já se move?
  Sim, o que é que se agita, e te commove
  Com um presentimento doloroso?

MARGARIDA

Ai de mim! ai de mim! quem podesse livrar-me
D'esta turba cruel de negros pensamentos!
Vejo-os de toda a parte e a todos os momentos,
Erguer-se em volta a mim, correndo a torturar-me!

CÔRO E ORGÃO

      Dies irae, dies illa
      Solvet saeclum in favilla.

O ESPIRITO RUIM

  Cae sobre ti a colera do céo!
  Sôa a trombeta! as campas se quebrantam!
      A terra estremeceu,
      Os mortos se levantam.
  Tambem teu miseravel coração,
      Que dormia desfeito,
  Já renasce das cinzas, já o chamam
  Para os fogos eternos que se inflammam…
      Teu pobre coração
  Estala-te tambem dentro do peito!

MARGARIDA

  Oh! quem me dera ao menos d'aqui fóra!
  Esta musica faz-me uma afflicção!
  Este orgão parece alguem que chora…
      Parte-me o coração!

CÔRO E ORGÃO

      Judex ergo cum sedebit,
      Quidquid latet apparebit,
      Nil inultum remanebit.

MARGARIDA

      Que oppressão! que quebranto!
      A abobada estremece!
      Estas pedras, parece
      Que querem desabar!
      Soffocam-me de espanto
      Estes tectos escuros!
      Affrontam-me estes muros!
        Mais ar! mais ar!

O ESPIRITO RUIM

Esconde-te infeliz! e onde irá occultar
Seu peccado e vergonha essa alma deshonrada?
      Mais ar? pedes mais ar?
      Ai de ti desgraçada!

CÔRO E ORGÃO

    Quid sum miser, tunc dicturus,
    Quem patronum rogaturus
    Cum vix justus sit securus?

O ESPIRITO RUIM

  Os justos no céo de horror e desgosto…
  De ti, de te vêr, desviam o rosto…
  Estende o inferno as mãos para aqui…
        Ai, de ti!

CÔRO E ORGÃO

Quid sum miser, tunc dicturus.

MARGARIDA

    Visinha, dê-me os seus saes.
                    (Cae desmaiada)

III

*A CANÇÃO DO REI DE THULE*

Era uma vez um bom rei
Em Thule—essa ilha distante,
Ao morrer, deixou-lhe a amante
Um copo de ouro de lei.

Era um copo de oiro fino
Todo lavrado a primor;
Se fosse o calix divino
Não lhe tinha mais amor.

Seus tristes olhos leaes
Não tinham outra alegria:
E só por elle bebia,
Nos seus banquetes reaes.

Chegada a hora da morte
Poz-se o rei a meditar
Grandezas da sua sorte
Seus reinos á beira-mar.

Deixava um rico thesouro,
Palacios, villas, cidades:
De nada tinha saudades,
A não ser do copo de ouro.

No castello da deveza,
N'aquellas salas sem fim,
Mandou armar uma meza
Para um ultimo festim.

Convidou sem mais tardar
Os seus fieis cavalleiros,
Para os brindes derradeiros
No castello á beira-mar.

Então, vasando-o de um trago,
E com entranhada magoa,
Poz nas ondas o olhar vago
E atirou com a taça á agua.

Viu-a boiar suspendida,
'Té que as ondas a levaram:
Os olhos se lhe toldaram,
E não bebeu mais em vida!

1870-71.

A DÔR

(DO POETA HUNGARO SANDOR PETÖFI)

O que é a Dôr? Um mar. E a alegria?
Pérola occulta n'esse mar fremente.
Quantas vezes a pérola encantada,
Entre as rochas profundas sepultada,
Se dissolve esquecida, lentamente,
E nunca chega a vêr a luz do dia?

1881.

A CASA DO CORAÇÃO

IMITADO DO ALLEMÃO

(No Album da filha de João de Deus)

O coração tem dois quartos:
Moram ali, sem se vêr,
N'um a Dôr, n'outro o Prazer.

Quando o Prazer no seu quarto
Acorda cheio de ardor,
No seu, adormece a Dôr…

Cuidado, Prazer! Cautella,
Canta e ri mais devagar…
Não vá a Dôr acordar…

ESTANCIAS

IMITADAS DO ALLEMÃO

Rebentam flores mil das minhas lagrimas,
E só serpentes nascem dos meus cantos;
É que os meus cantos são envenenados,
E só puros, só doces os meus prantos.

* * * * *

Se queres conhecer o homem e o mundo,
Não desvies de ti o olhar profundo;
Mas foge de te ouvir e de te vêr,
Se a ti mesmo te queres conhecer.

1887.

ROMANCE DE GOESTO ANSURES

(POSTO EM LINGUAGEM MODERNA)

No figueiral figueiredo,
Lá no figueiral entrei.
Seis donzellas encontrára,
Seis donzellas encontrei;
Para ellas caminhára,
Para ellas caminhei;
Chorando a todas achára,
A todas chorando achei;
Logo ali lhes perguntára,
Logo ali lhes perguntei,
Quem foi que ousou maltratal-as,
Tratal-as de tão má lei?

No figueiral figueiredo,
Lá no figueiral entrei.
Uma d'ellas respondera:
—Cavalleiro, não o sei…
Mal haja, mal haja a terra
Que tem máo e fraco rei,
Que se eu as armas vestira,
Por minha fé, que não sei
Se homem ousára levar-me,
Levar-me de tão má lei…
Com Deus ide cavalleiro,
Ide com Deus, que não sei
Se onde me fallaes agora
Nunca mais vos fallarei.

No figueiral figueiredo,
Lá no figueiral entrei.
Eu então lhe replicára:
—Por minha fé, não irei;
Antes olhos d'essa cara
Bem caros os comprarei;
A longas terras distantes
Só por seguir-vos me irei;
Por caminhos dasvairados
Atraz de vós andarei;
Linguas moiras de aravias
Por vós eu as fallarei;
Moiros se me apparecerem
A todos os matarei.

No figueiral figueiredo,
Lá no figueiral entrei.
N'isto o moiro que as guardára,
Perto d'ali encontrei:
Se elle bem me ameaçára,
Eu melhor o ameacei;
Um tronco secco esgalhára,
Um tronco secco esgalhei;
Com elle a todos matára,
A todos desbaratei;
As donzellas libertára,
Todas sim as libertei;
Aquella que me fallára
Com ella me casarei.
No figueiral figueiredo,
Lá no figueiral entrei.

XXXI

SONETOS DESPREZADOS

     Incorporamos aqui os Sonetos IV, X, XVI, XVII e XX, da collecção de
     Coimbra, de 1861, não incluidos no volume dos Sonetos completos.

A M. E.

Terra do exilio! Aqui tambem as flores
Têm perfume e matiz; tambem vicejam
Rosas no prado, e pelo prado adejam
Zéfiros brandos suspirando amores:

Tambem cá tem a terra seus primores;
Pelos vales as fontes rumorejam;
Tem as moitas seus sôpros, que bafejam,
E o céo tem sua luz e seus ardores.

Em toda a natureza ha amor e cantos,
Em toda a natureza Deus se encerra…
E comtudo esta é a causa de meus prantos!

Eu sou bem como a flor que não descerra
Em clima alheio. Que importam teus encantos?
Não és, terra do exilio, a minha terra.

AD AMICOS

PROPTER SOLATIUM

Renasço, amigos, vivo! Ha pouco ainda
Disse ao viver: «Afunda-te no nada
E já, bem vêdes, surjo á luz dourada,
—No labio o rir, no peito esp'rança infinda!

Ah, flor da vida! flor viçosa e linda!
Envolto na mortalha regelada
Do pensar—perdão!—foste olvidada…
Flor do sentir e crêr e amar… bem vinda!

A vida! como a sinto, ardente, immensa!
Não unica! tomando a immensidade!
Livre! perante Deus surgindo forte!

Que amor! que luz! que pira vasta, intensa!
Plenitude! harmonia! realidade!
Mas melhor que tudo isto é sempre a morte!

A Q. M. Q.

Fica-te em paz! não pode a mão do homem
Partir o seio á arvéloa queixosa,
Quando o canto soltar, e a voz chorosa
Erguer lá contra as magoas que a consommem.

Respeito o teu sacrario: embora tomem
Por orgulho o respeito; eu colho a rosa
Mas não a flor modesta e melindrosa,
Que se occulta entre as mais… e que as mais somem.

Mais que amor tenho crença: essa existencia
Pede-me um culto por quem dera a vida,
Por que dou esta dôr, que aqui se encerra.

Mulher! mulher! de que valera a essencia,
A essencia pura, a uma alma que é descrida?
Fica-te em paz: fique eu com minha guerra!

IGNOTO DEO

Corre aos braços da mãe o filho amado;
—Por olvidar, volvendo a sua historia—
Corre á mente do inf'liz doce memoria;
Corre á luz de um olhar o olhar buscado;

Vem o alivio animar peito magoado;
Corre o forte a buscar na morte a gloria;
Desfeita do viver sombra illusoria,
Foge o espirito livre ao seu anciado.

Tudo busca quem o ama: a luz dourada
Busca do seu viver, como no escuro
Quem avista uma luz lhe vae ao encontro.

Só tu, ventura! uma vez sonhada;
Só tu, sombra de amor! que em vão procuro,
Só tu, foges de mim, só não te encontro!

IGNOTO DEO

Senhor! eu sou teu filho! eu sou aquelle
Que tanta vez peccou, porém, contrito
Tanta vez tem erguido a ti o grito
Da aguia que o tufão no alto compelle.

E a aguia soffre tambem, como ave imbele,
E mais que ella (que põe mais alto o fito)
Mas da aguia que luctou, o brado afflicto,
Senhor! o teu ouvido não repelle.

Eu não caio, meu Deus, sem ter luctado;
Fraco sou, por que sou de barro e limo,
Porém, na tua Lei medito e scismo.

E eu sou teu filho! A um filho desgraçado
Que hade um pae recusar? Oh, dá-me arrimo,
Estende-me tua mão por sobre o abysmo.

XXXII

FIAT LUX!
(POEMETO)

FIAT LUX!

Et terra erat inanis et vacua.

Tinham os astros já mil annos,—tinham
Talvez cem mil—ou tinham um minuto—
(Pois quem sabe contar horas ou seculos
No relogio—que tem o firmamento
Por quadrante,—e algarismos, sóes e estrellas?)

'Stavam ha muito ali.
                  O velho Cahos,
O oleiro do infinito, que entre as duas
Mãos—o tempo e o espaço—os amassára,
Cansou por fim tambem de fazer mundos,
Não tendo já mais barro, nem mais raios
Com que o barro pintar.

                  Ora, limpando
As mãos, que estavam sujas do trabalho,
E esfregando uma palma contra a outra,
Soprou depois os restos, sem vêr onde,
Por esse abysmo além.

                  Oh pó de mundos!
Migalha dos banquetes do Principio!
Triste parto das sombras, atirado
Sobre o berço de luz do firmamento!
Morcêgo horrivel, meio tonto e cego,
Cahido no salão de lustres de astros!

O pó soprado, informe bola escura,
Como filho engeitado, que se esconde
Pela sombra dos muros, foi rolando
Pelos cantos do espaço, involto em trevas…
Que o não vissem os sóes.

* * * * *

                  E foi descendo,
Extranho, negro, horrivel, monstruoso.
E, quanto era maior a treva, ainda
Mais o medo crescia que o olhassem…
E mais o horror de si o endoudecia…
E mais girava, immenso já de inchado
De terror e delirio!

                  Os grandes astros
Como um viveiro immenso de fulgores
Atiravam, de sol em sol, as notas
Do eterno concerto…

* * * * *

                    E foi rolando,
Vertiginoso e bebado de horrores!

O feio, ebrio da mesma fealdade!
O mal, possesso do seu mal! As trevas
Cheias de medo de se vêr tão negras!

E o firmamento arfava n'um delirio
De harmonia e ventura! O espaço ardente
Suava luz—girando no infinito—
Pelos póros do céo… que são estrellas.

* * * * *

Oh! como a ave da noite eterna, ao vêr-se
Dentro do dia eterno… endoidecia!
Como rolava tonta a um lado e ao outro
Batendo as duas azas—Sombra e Espanto,—
Por todo esse infinito já não via
Um só buraco que a escondesse!

* * * * *

                        O Abysmo
—Escravo, mas heroe—chorava mudo…
E engulia os soluços.
                  Despojado,
Que lhe havia elle dar?

Os outros riam.

* * * * *

Oh! a belleza é cruel! A altura é fria!
E impiedosa e feroz! A ave aérea
Não tem dó do insecto! A virgem branca
Pisa o negro reptil! o louro infante
Crucifica o morcêgo! Os astros de ouro
Viram a Terra assim… e não choraram!

* * * * *

Um riso louco, então, feito de raios
Infinitos de luz, encheu o espaço!
O giro das espheras cambaleava
E estorcia-se, doido, em grandes frouxos
De hilaridade e brilho! E o écco eterno
Que em vez de voz, repete os esplendores,
Confuso co'as mil ondas tumultuosas
Parecia tempestade de harmonia.

Todo o céo se inclinava, incendiado
N'uma aurora boreal prodigiosa,
Vendo o truão horrivel do infinito!

* * * * *

Foi então que o Abysmo, o triste escravo
Dos senhores da luz—partido, oppresso
Co'a immensa dôr d'aquelle rir,—não pôde
Suster-se mais.

            Ouviu-se desde baixo
Vir subindo um suspiro—e quantos éccos
Da antiga confusão ha 'hi no espaço:
E todas as tristezas que ficaram
Dos combates de outr'ora: e os soffrimentos
De quantas luctas houve, antes do tempo:
E essas mil dôres, e essas mil torturas,
Que custou cada sol: todo esse inferno
De negrumes, que o céo lançou, despindo-os,
Quando quiz ser só luz… de ais e gemidos
Quando quiz ser só canto… a parte infame
Que na injusta partilha coube ao Abysmo…
Tudo isto, no suspiro do captivo,
—Triste, mas grave; queixa, mas não súpplica…
Antes accusação,—na voz debaixo
Tudo isto ali subiu!

* * * * *

              Os grandes astros
Enfiaram de pasmo e emudeceram!
E, se em seios de luz ha 'hi remorsos,
Sentiram-no n'essa hora…

* * * * *

                        Então abriram-se
As portas do silencio—e, como um sôpro
Que agitasse as espheras, voz sem timbre
(Se ha ouvir…) se ouviu: «Quem faz chorar o Abysmo

* * * * *

Oh! o grande bem e a grande formosura,
Que tendo a estrella e o céo, inclina a face
Para a grande abjecção! A Aurora immensa,
Que quer saber quem escurece a Treva!
A ventura sem fim, que se conturba
Porque a desgraça soffre!

                      O Abysmo horrivel
Sentiu que seus mil males vacillavam,
Sobre a base da eterna injúria, e se íam
Co' esse sôpro de amor.—E estranho, e pávido,
Duvidou se soffria e teve, em sonho,
Como visões do céo d'onde o lançaram…
E quasi perdoou…

'Stava adorando!

* * * * *

Oh, gotta de piedade, que adoçaste
Aquelle oceano de injustiça! Oh, lagrima
Teda feita de bem!… Bebeu-te o Abysmo!

* * * * *

E a Terra informe viu.

                    Como o silencio
De algum poço—que o fundo das montanhas
Guarda velado pela treva—pode
Ouvir, cheio de horror, o écco primeiro
De uma pedra descendo: como o centro
Da mina pode vêr o alvião primeiro
Que a abre de par em par,—assim a Terra
Viu a coisa sem nome que descia
Pelo infinito abaixo.

* * * * *

                    Olhou transida.
Era uma Mão—que parecia treva,
Tanto brilhava! E vinha-se alongando
Com cinco dedos—cinco continentes
De luz—fixa, sem côr, indefinivel,
Leviathan de brilho, pelo ether
Descia—e as ondas de harmonia erguiam-se
Como em tormenta de espleddor—horrivel…
Tanto era bello!

                  Ao longe, ao longe, ao longe,
'Té aonde a visão abre os espaços,
A orla do infinito radiava.

* * * * *

E cada sol, e cada estrella, vendo
Aquella Mão descer, dizia—Certo
Que me vem afagar
!—E estremecia.

E a Mão passou em face das estrellas…
Mas não as viu.—Passou o grande côro
Dos sóes… e não os viu.—A via-lactea…
E não a viu.—E foi seguindo ávante.

* * * * *

Lá onde o escuro é tanto que suffoca
O tempo, no nevoeiro esquecimento,
Onde em vaga fronteira se confundem
O sêr e o não sêr—lá para o extremo,
É onde a Mão já ía…

* * * * *

                        E os grandes astros,
De sol em sol, de um horisonte ao outro,
Inquietos, através do ether immenso,
Lançavam vozes de ouro, perguntando
«Onde vae o Senhor

* * * * *

E a Mão descia.

Já não havia mais. Tinha chegado
Por defronte da Terra. E n'essa hora
Dois infinitos—um de horror, e o outro
Infinito esplendor, se contemplaram.

* * * * *

E os astros de ouro pelo céo disseram: «Eis que Deus vae brincar tambem co'a Terra!» E a Mão estava.

            E a Terra negra olhava-a,
Como um selvagem um espelho; o susto
Co'o prazer inefavel combatiam-se
Lá dentro… e a massa informe estremecia.

Convulsa se agitava. Fascinada
Parecia recuar… e approximava-se!
E, n'um ultimo esfôrço, dando um salto
Enorme, por fugir—cahiu no centro
D'aquella Mão.

* * * * *

            E os astros murmuravam
Aos sóes: «Certo que Deus a precipita

* * * * *

Mas a Mão não se abriu para lançal-a.
Os grandes dedos sobre a massa horrivel
Se fecharam. Pareciam, sobre o corpo
Tenebroso, que tinham apertado,
Cinco chagas de luz.

E consultaram.

* * * * *

Os cinco dedos entre si disseram: «Que havemos nós fazer a isto?» E todos Immoveis ali estavam.

                  E entre os dedos
D'onde—bem como um sapo entre os dois seios
De uma virgem—a Terra olhava o espaço,
Pareceram-lhe ao longe os grandes astros
Como pontinhos negros.

                        Um segundo
Roubado á eternidade é quanto basta,
Quer se seja morrão, quer seja estrella.

* * * * *

Então a grande Mão abriu-se e disse
Á Terra: Vae!—E como aguia sublime
Desde os Alpes se atira, a Terra ergueu-se,
Levando um vôo immenso entre as estrellas!

* * * * *

Viam-se-lhe luzir no dorso negro
Cinco traços de luz! Leito de brilho
Aonde os cinco dedos se poisaram!
E lepra de esplendor!

* * * * *

Rolou no espaço.

E os astros entre si se consultaram: «Dar-lhe-hemos nós logar

                        E o Sol altivo
Fallou e disse:—Eu vejo-lhe no dorso
Uma mancha de luz—a Natureza!

E a Lyra disse:—Eu vejo-lhe outra fórma
Resplendente—é Idéa!

                  E Vesper disse:
—Eu vejo-lhe um signal de affago—é Alma!

E Venus disse:—Eu vejo reluzir-lhe
Uma cicatriz de luz—é Amor!

                              E disse,
Então, o Sete-estrello:—Eu adoro-lhe
Como o sitio de um beijo do Eterno…
—É Immortalidade!

* * * * *

                  E o côro immenso
Abriu-se e deu logar á Terra escura,
De cuja face cinco grandes f'ridas
Gottejavam a luz—a Natureza,
Que tem de Deus a força; a Idéa, filha
Da immensidade d'elle; a Alma, eterna
Como seu sêr; o Amor, que é olhar d'elle;
E a Immortalidade luminosa,
Que é o berço onde n'elle repousámos.

* * * * *

…………………………………. …………………………………. …………………………………. E, agora, oh Terra! que és, entre mil rodas, Uma roda do carro—vae rolando E desprende, ao rodar por sobre o tempo, Tuas cinco faíscas prodigiosas, Pela estrada do Sêr—a Eternidade!

Bussaco, Outubro de 1863.

XXXIII

OMBRA

OMBRA

(DA ANTHERO DE QUENTAL)

Quando Cristo sentì che la sua ora
Giunta era alfine, a quei che lo cercavano
Grave, calmo, sereno appresentossi.
Venia la turba in arme! Ma di tanti
Non un sol si attentó muovere il passo
E por la mano in su il figliuol dell'uomo.
Tutti con bassi gli occhi, a Gesú innanzi
Inerme, nascondean l'armi. Ma quegli,
Che il doveva tradir, fattosi presso,
Lo strinse fra le braccia mormorando
Dio ti salvi Maestro! E, siccome era
Pattuito, baciollo in sulla faccia.
Cosí gli altri avanzandosi, lo presero.
Ma Gesú, gli occhi al ciel, senza vederli
Li perdonava e li seguia sereno.
Era scabro il cammino. In cima a un monte
Saliano; e da' due fianchi e giuso al basso,
Su la terra era notte. E, quando al fine
Aggiunser la più eccelsa erta del colle,
Di repente fu visto illuminarsi
Uno de' lati d'una blanda e dolce
Luce; ma immensa. E quanta terra in quella
Dal monte all' oceàn capia, su cui,
Dall'alto riflettendosi, la viva
Face splendea, si rischiarava tutta
Da valle a monte, e risalia la bianca
Luce a mezzo l'azzurro arco del cielo.
E puro somigliava albor lunare
O da quel lato rinascente aurora.
Ed era questo il lume che su Giuda
Non risplendea,

            Dall' altra parte intanto
Era tenebra fonda e parea come
Di quei triste il delitto ella ascondesse
Tutt' all' ingiro, in procellosa notte
Biancicante di neve all' orizzonte.
Cosí, divisa in due parti la terra,
Involta questa rimanea nell' ombra.

………………………………….

Fu da quest' ombra che la chiesa nacque.

Domenico Milelli, Rottami, p. 39. 1890.

FIM

INDICE

Dedicatoria

     Explicação prévia
     Escorso biographico de Anthero de Quental
     Autobiographia de Anthero
     Bibliographia

     I—Palavras aladas
    II—Laço de amor
   III—Força—Amor
    IV—Paz em Deus
     V—N'uma noite de primavera
    VI—Psalmo
   VII—Á beira-mar
  VIII—Aspiração
    IX—A Pyramide no deserto
     X—Desalento—Conforto
    XI—A senda do Calvario
   XII—A João de Deus
  XIII—Per amica silentia lunae
   XIV—Na primeira pagina do Inferno de Dante
    XV—Dante—Divina Comedia
   XVI—Momentos de Tedio (Sonetos)
          I. Sinite parvulos
         II. A um Crucifixo
        III. Decomposição
         IV. Nihil
          V. Quinze annos
         VI. Sarcasmos
  XVII—Amor de filha
 XVIII—Gargalhadas
   XIX—Á Italia
    XX—A Gennaro Perrelli
   XXI—Guitarrilha de Satan
  XXII—Serenata
 XXIII—O Possesso (Sonetos)
  XXIV—Epigramma transcendental
   XXV—Na Sepultura de Zara
          Versão do Dr. Storck
  XXVI—Glosa camoniana
 XXVII—As Fadas
XXVIII—O sol do Bello
  XXIX—Iberia
   XXX—Versões e imitações
        Excerptos de uma traducção do Fausto:
          I. Dedicatoria
         II. Na Cathedral
        III. A canção do Rei de Thule
        A Dôr, imitação de Petöfi
        A casa do Coração (do allemão)
        Estancias (do allemão)
        Romance de Goesto Ansures (ao moderno)
  XXXI—Sonetos desprezados
 XXXII—Fiat lux! (Poemeto)
XXXIII—Ombra, versão italiana de Domenico Milelli

Acabado de imprimir EM 10 DE JUNHO DE 1892 commemorando o 312.^o anno DA MORTE DE CAMÕES

* * * * *

NA TYPOGRAPHIA DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS
para
*M. GOMES*, LIVREIRO-EDITOR
estabelecido na
Rua Garrett (Chiado), 70-72
LISBOA.

M. GOMES, Livreiro-Editor

70, RUA GARRETT (CHIADO), 72—LISBOA

Livreiro de Suas Magestades e Altezas

EDIÇÕES

Visconde de Condeixa

O Mosteiro da Batalha, 1 vol. gr. in folio illustrado com 26 heliogravuras 13$500

Alberto Braga

Contos escolhidos, ed. illustrada por Casanova. 1$000

Edmond Demoulins

O socialismo perante a sciencia social, 1 vol. $200

A. de Oliveira-Soares

O Paraiso perdido $700

Macedo Papança (Conde de Monsaraz)

Poesias: O ultimo romantico—Paginas soltas—Severo Torrelli, 1 vol. 1$000

Griselia, mysterio, traducção em verso, 1 vol. $500

Colette (Claudia de Campos)

Rindo, 1 vol. de Contos.

L. A. Palmeirim

Os excentricos do meu tempo, 1 vol.

Alfredo da Cunha

Endeixas e Madrigaes, 1 vol. de poesias

Cartonado

H. Lopes de Mendonça

A morta, drama em verso 1 vol.

José de Lacerda

Flor de pantano, 1 vol. de poesias

Antonio Vianna

José da Silva Carvalho e o seu tempo, 1 gr. vol. e fac-similes

ULTIMAS NOVIDADES

em livros francezes, italianos, hespanhoes, allemães e inglezes que põe á venda no mesmo dia da publicação, sobre litteratura e todos os ramos das sciencias

* * * * *

Assignaturas de jornaes, pelos preços do estrangeiro, para o que tem montado serviço especial

* * * * *

COMMISSÕES

Encarrega-se de quaesquer que lhe incumbam para o que tem correspondentes especiaes em todos os paizes.

End of Project Gutenberg's Raios de extincta luz, by Antero de Quental