WeRead Powered by ReaderPub
Sinapismos cover

Sinapismos

Chapter 45: Emendas
Open in WeRead

Explore more books like this:

About This Book

A collection of satirical sketches and humorous essays that lampoon local social life, exposing hypocrisy, vanity, religious cant, and inequality through ironic portraits, anecdote, and biting commentary. The author declares a program of social cure by ridicule, balancing respect for private family life with pointed attacks on public pretensions; pieces range from playful ridicule to harsher sarcasm motivated by attachment to the homeland. Interwoven are appeals to the poor and scenes of scandal, caricatures of officials, clergy, and bourgeois customs, all organized as short, conversational pieces intended to provoke laughter, reflection, and civic self-examination.

NOTAS

[1] Este artigo foi publicado, quando a Junta de Saude inventou o Microbio de 1889.

[2] Este digo não é consequencia d’uma simples abstracção do meu espirito. Originou-se no tratamento, ha dias applicado no posto de desinfecção do Caes, onde os viandantes eram considerados parreiras phyloxeradas e polvilhados com enxofre... a folle de sopro.

É economico e não faz bem nem mal.

Antes pelo contrario...

[3] Isto é francez e do mais decente.

[4] Com esta classificação é que foi ás nuvens o sr. dr. Pacheco. Nunca o vi tão zangado, a não ser quando aquelle barqueiro de Vigo lhe respondeu á lettra...

[5] Salvo seja.

[6] Para partos era o melhor clinico que cá havia. As senhoras viam-lhe a barriga e... suppunham logo simultaneidade de soffrimento.

[7] Justininho.—Desculpa se foi tolice. Faz como o sr. Illydio Dias:—declaração nos jornaes. Eu cá não me zango.

[8] A metrificação é livre, como a setta no ar.

N’estas coisas de versos, sigo a opinião do Capitão-mór da Morgadinha: o papel é para se escrever e não para se estragar com versos de quatro syllabas.

[9] O que arde cura, diz o Pimpão e confirma a sagrada Escriptura.

[10] Podemos fallar á vontade, que isto é grego para o sr. Joaquim...

[11] Do natural.

[12] Copia do natural. Recommendo aos leitores que tomem um bocado d’ar; especialmente aos que soffrem d’asthma.

[13] Ortographia sonica.

[14] Historico.

[15] Um bocado de latim, no meio d’estas coisas, faz sempre bom effeito, porque dá á gente um tom de sabio. Se foi asneira Vossa Excellencia desculpará... Do que me ficou do Conego Vaz, foi o melhor que pude arranjar. Vossa Excellencia tem cara de quem sabe muito latim.

[16] Historico. Anno de Nosso Senhor Jesus Christo 1886.

[17] Para vergonha nossa, direi que tão bello regulamento é o que ainda vigora n’esta terra. Em leis civilisadas, ou Valença, ou as terras do Kalakana...

[18] Esmiuço, aqui, materia conhecida, para boa comprehensão d’alguns, menos versados em Sciencias naturaes. Em questões de tanta magnitude, toda a clareza é pouca.

[19] Nem tudo se póde dizer claramente. Ha sempre quem dê mau sentido ás coisas...

[20] A camara, n’essa occasião, era composta dos srs. Zagallo, Vieira, José Seixas, J. Lopes, Albino, J. Narciso e do orador.

[21] Peço attenção para a redacção das propostas.

[22] Ao verificar a impressão d’estas propostas vejo, com desgosto, que os typographos espalharam por ahi, sem nexo nem intenção, bastantes pontos, compromettedores para a candidez e honestidade de costumes d’alguns Cavalheiros. Ahi fica a declaração para os salvar da intenção criminosa.

São coisas que succedem...

[23] Sinto que as acanhadas dimensões d’este volume me não permitiam incluir um artigo, que esbocei, ácerca da origem do Patriarcha. Tem por titulo: Aventuras do Patriarcha dos Gandricos e do seu amigo Gargalinho, em Paris da França. É um estudo realista. Faço, porém, obra para dois tostões...

[24] Não vá este artigo fundamentar suspeitas, ácerca das crenças do auctor. Zinão respeita a Religião e perfilha o que ella tem de sensato; mas só a admitte no Templo—depois de varrido de hypocritas, de traficantes, de escorropicha-galhetas e de icha-corvos—com um Evangelho e um Sacerdocio: a Caridade.

[25] Depois do que expuz, acerca do elogio-mutuo, n’estas paginas, onde manuseio ridiculos, poderá alguem attribuir-me intenções provocadoras da tal convenção, com a referencia que ahi faço a um homem, que, entre nós destramente maneja a penna.

Declaro que, n’estas e n’outras referencias, digo o que penso e o que sinto; sem pretenções a adulador, independente de preconceitos, de considerações pessoaes e das imposições dogmaticas com que, por ahi, se celebra e incensa muita coisa vulgar e ôca.

Não preparo o exito dos Sinapismos com a offerta de exemplares ás redacções, ou aos amigos, que as frequentam, com aquelles galanteadores e irresistiveis offerecimentos de: ao distinctissimo escriptor, ao precioso estylista, etc., com que se arma ao reclamo,—porque d’este não necessito.

Não viso á honra de ser considerado entre os litteratos, e por isso occulto o meu nome; não escrevo por especulação, e por isso offereço aos pobres qualquer producto do meu trabalho.

Dos defeitos da obra, que são muitos, salvo-me com este desinteresse e com esta independencia de opinião.

Não me dotou Deus com feitio para incensar vulgaridades pretenciosas, nem tambem com orgulho e vaidade para repudiar, ou amesquinhar meritos.

Entre a Critica e a minha individualidade está essa mascara:—Zinão. Se aquella me fôr hostil, respeital-a-hei no que tiver de sensato; se me fôr favoravel, francamente, não lh’o agradecerei, porque não peço elogios.

Que este livro proporcione a quem o ler alguns minutos de distracção; que essa distracção valha uns tostões e que d’esses tostões possa apartar uns cobres, que mitiguem alguma dôr—eis o que ambiciono d’este ignorado laboratorio, onde preparo os Sinapismos.

[26] Não posso ficar calado perante um tão extraordinario acontecimento, como esse que o sr. Joaquim debate na imprensa, com as suas sessenta epistolas. Altero, pois, a ordem dos capitulos, que já estavam no prelo, para não perder a opportunidade d’estas linhas coordenadas á pressa, entre as espiraes azuladas de dois Princezas, de seis ao vintem.

[27]

Isto sem pimenta não tem graça.
Foi só uma pitadinha...

[28] Este Marilio dos bosques já deu sorte com os Sinapismos. D’estes é que eu queria mais...

Uma pergunta: se Cuvier agora trabalhasse na sua zooclassificação, onde incluiria o Marilio?

Oh Marilio!—tu respondeste com um peccado ao entregador dos Sinapismos...

Approxima-te.

Vira-te para cá...
Agora para lá
Pôe-te de banda...
..................
........... olha! Vae-te embora.

[29] Já publicado.

[30] Cumpre-me declarar, para respeitabilidade das instituições de segurança publica da nossa terra, que o sr. Sampaio não exercia, n’aquella epocha, as funcções de Commissario das Policias.

[31] Consta-me que este cão foi depois resgatado pelo sr. dr. Pestana. Sua ex.ª está aqui e póde dizel-o...

[32] São indigestos estes periodos. Talvez, até, que Vossa Excellencia, approximando a pituitaria, sinta os vestigios do mau halito, que essa casquilha matrona, D. Politica, exhalava, quando a auscultei para conhecer as causas da atonia que a consome.

No entanto, queira Vossa Excellencia lêr. Talvez que, com estes sinapismos, a creatura melhore e lhe suba a côr ao rosto, indicio de... saude.

Se Vossa Excellencia tal perceber, pôde haver cura.

Eu (aqui á puridade) duvido.

[33] Vejam-se os acontecimentos politicos de 21 de Outubro e 3 de Novembro e todos os outros d’esta especie.

[34] No tocante a corpo commercial ou Valença, ou... Manchester.

[35] Especializo estes cavalheiros porque são os mais calorosos n’esta questão.

[36] Agua vae...

[37] Classificando politicamente estes dois cavalheiros, declaro, para facilidade das futuras investigações historicas, que me refiro ao momento actual, e que faço obra pelo que ouço dizer e não pelas suas consciencias, que são inaccessiveis.

[38] Portugal contemporaneo, do sr. Oliveira Martins.

[39] Alludo á infamissima vingança que, ha annos, se perpetrou na habitação d’um cidadão, alli para os lados da Ponte.

[40] Estava a publicação n’estas alturas, quando em Valença se resolveu a Questão da Musica, nas condições que eu previ.

A rusga foi, porém, tão desenfreada e, sobretudo, d’uma tal inopportunidade que não merece sinapismo: merece ventosa.

[41] Estes F. ou C. são—já se vê—epicenos.

[42] Stratego—posto militar, com honras de general. O Archontado era um dos poderes do Estado. Tinha nove membros; o terceiro, que commandava o exercito, chamava-se Polemarcho, mas, além d’este, havia os polemarchos inferiores, que tinham o posto inferior aos strategos.

Areopago era um tribunal civil, que eu aqui compararei—por exemplo—á nossa Excellentissima Camara.

Intitulava-se o Senado do Areopago.

Eponymo—era o mais graduado dos archontes e, portanto, o chefe do partido, digo, do Estado.

[43] Ostracismo—era a condemnação ao exilio... equivalente ás actuaes transferencias.

[44] Aproximadamente 20 de Outubro e 3 de Novembro, pela nossa divisão do anno.

[45] Estas camisas só eram usadas pelos fanaticos religiosos, porque arrancavam o coiro e... o cabello.

[46] Prytamos—cidadãos poderosos.

[47] Este nome é derivado d’um verbo: cambronnear, que teve uma leve referencia em Waterloo. Vem do sanskrito e conjuga-se: eu cambronneio, tu cambronneias, etc. Indica uma funcção organica.

[48] Os thetas constituiam a classe mais inferior dos cidadãos athenienses.

[49] Não pude comprehender no texto se aquelle possessivo seus se refere á cidade, se a Pericles.

[50] Eupatridas—Proprietarios.

[51] Kshatrias:—guerreiros da antiga India.

[52] Sudras:—escravos.

[53] Dmoes:—escravos para o serviço domestico.

[54] Talentos:—moeda grega de valor variavel.

[55] Coisa de tres kilometros...

[56] Recordo aos meus leitores que este Pericles foi o iniciador, por suggestão, da eschola prudhommica.

[57] Segundo as theorias recentemente apresentadas por philantropicos e honradissimos Cresus, o dever dinheiro é coisa pouco escorreita de dignidade. A honradez não gasta da mesma tinta com que se acceita uma lettra. Um titulo de divida—documento d’uma transacção—é assim como a marca a fogo que nas ancas do potro indica o nome do creador. O potro vende-se, recebe-se o dinheiro, mas o creador quando o encontra diz sempre: aquelle é dos meus.

[58] Por decencia vejo-me obrigado a inglezar esta e outras phrases. Saiba, porém, o leitor que todas ellas, significando as mais abjectas phantasias de Lord Deboche, foram publicadas nas columnas da Pall Mall Gazette, em quatro numeros de julho de 1885.

[59] Só para bebedeiras não chegam cinco libras diarias a qualquer d’esses animaes. O duque de Edimburgo, por exemplo, exgotta ao jantar quatro garrafas de champagne e dois litros de cognac.

[60] Pag. 155.

[61] Direi, de passagem, que isto nem sempre succede. Notam-se, ás vezes, umas anomalias, uns desvios da força nervosa que partindo do cerebro, vae actuar n’outros musculos, produzindo manifestações de sentimentos oppostos aos que nos impressionaram.

Por exemplo:

Quando vamos ao theatro e ouvimos o sr. Sampaio jeremiando o seu papel n’aquelle plangente e lugubre rhythmo d’uma licção de quarta-feira de trevas e vemos que elle tenta reproduzir com o rosto, com o gesto, com os olhos, as amarguras da sua alma atribulada por esta ou por aquella situação dramatica—nós não choramos; rimos e rimos a valer, com tanto mais furor, quanto mais afflictiva é a attitude do sr. Balagota.

Outro exemplo:

Quando o sr. Joaquim, depois de ler os Sinapismos, solta umas casquinadas de riso tirante a verdadeiro e lhe ouvimos dizer que sim, que o Zinão tem muita graça e desde que elle, Zinão, anda na rua, elle, sr. Joaquim, põe mais uma tranca na porta, a gente—em vez de rebolar no chão aos tombos com riso provocado por tão espirituosa facecia—fica muito séria, e até sente o quer que seja que instinctivamente vae enfiando em cada mão o dedo mata-parasitas entre o fura-bolos e o maior-de-todos, n’aquella posição com que o meu amigo M. Silva se previne cautelosamente contra os numerosos amigos que no dia da Cruz—uma vez por anno, felizmente—lhe vão festejar a garrafeira.

Spencer explica isto na sua Physiologie du rire:

La decharge de la force nerveuse peut se tourner en excitation pour d’autres nerfs qui n’ont pas de relation directe avec les membres et, ainsi, amener d’autres sentiments et idées.

A individualidade do sr. Sampaio no convivio diario, por quaesquer razões desperta o riso; e a individualidade do sr. Joaquim, pela sua auctoridade vice-administrativa e mais predicados ingenitos provoca a seriedade e o tal cruzamento dos dedos.

Convivendo diariamente com estes cavalheiros, as impressões que elles nos causam vão, por assim dizer, armazenar-se em nosso cerebro, condensando-se e augmentando de intensidade em força nervosa.

Quando, pelas facecias, ou pelas jeremiadas, elles nos communicam uma impressão mais forte, ha uma expansão brusca e violenta de força nervosa armazenada, que vae actuar em nervos e musculos correspondentes a sentimentos diversos.

[62] Oh padre capellão: que rica tirada para um juramento de bandeiras...

Só falta: é a terra que cobre os ossos de nossos avós!


Indice

Paginas
Duas palavras 5
Aos pobres de Valença 9
I O microbio 13
II Passe-Calles 23
III Carta a Sua Ex. ª o Sr. Governador de Paysandu 63
IV Uma descoberta do dr. Charcot 79
V Perfis 91
VI Coisas de egreja 105
VII Litteraturas 127
VIII Quimtilinarias 135
IX Politiquices 145
X Violetas 169
XI Os quadros da Collegiada 177
XII O senhor deputado 189
XIII Carta ao Zé Senso 201
XIV A Questão da Musica 209
XV As muralhas 235
XVI A manifestação de 14 de janeiro 247
XVII A Sociedade dos Provareis 279
XVIII Uma recita de curiosos 299
XIX Transferencias 309
XX A questão ingleza 321
XXI A manifestação dos artistas 333
XXII Carta a Sua Ex. ª o Sr. Administrador 347
XXIII Compadres e comadres 363
XXIV Ultimas palavras 375

Emendas

PAG. LINH. ONDE SE LÊ LEIA-SE
54 24 d’uma fórma d’um modo
112 22 origem viagem
127 16 eminente imminente
162 10 e 16 Luiz XI Luiz XIV
177 11 paleonlithica paleolithica
180 12 as borrasse os borrasse
205 22 corcodilo crocodilo
239 5 nada valeram nada valerem
318 25 anavalharem anavalhar

A perspicacia e benignidade do leitor confiamos outras irregularidades que n’essas paginas possa encontrar.