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The Oxford book of Portuguese verse cover

The Oxford book of Portuguese verse

Chapter 191: 143. Descanso
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About This Book

This anthology gathers Portuguese verse from the twelfth through the twentieth century, presenting medieval Galician-Portuguese lyric—dance and pilgrimage songs—alongside troubadour-influenced courtly love poems, satirical pieces, and later lyric developments. An extended introduction situates the poems in early national formation, foreign contacts, and manuscript songbooks, and highlights forms such as cantigas de amigo, cantigas de amor, serranilhas, barcarolas, and other folk and court genres. Selections stress the music and dance origins of many texts and trace a continuity between popular village songs and cultivated court poetry, offering a historical and formal panorama of Portuguese poetic tradition.

FREI AGOSTINHO DA CRUZ

1540-1619

142. A Nosso Senhor

Quando será, Senhor, que desatado
deste peso mortal convosco esteja,
e vendo esta alma em vos o que deseja
veja quanto de vos tem desejado?
Que inda que ser não pode coroado
quem valerosamente não peleja,
basta, por muito mais fraco que seja,
quererdes vos por mim ter pelejado.
Aqui se fortifica a confiança,
aqui se certifica meu desejo,
que quem muito deseja muito alcança;
e se pena me dá, se me faz pejo
o sentimento grave da tardança,
desejando acharei o que desejo.

143. Descanso

Tempo foi que pastava neste prado
bem fora de cuidar que poderia
tornar a ver-me nele inda algum dia
de tantos mil cuidados descuidado:
o Senhor que me trouxe a tal estado
quando castigos graves merecia,
dando-me muitos dias do que pedia,
para sempre jamais seja louvado!
Estas aguas correntes, estas flores,
estes bosques cobertos de verdura,
os passarinhos neles escondidos,
aqui lhe dem comigo mil louvores!
Sem fim o louve toda a criatura:
não sintam outra cousa meus sentidos!