WeRead Powered by ReaderPub
The Oxford book of Portuguese verse cover

The Oxford book of Portuguese verse

Chapter 193: 144. Amor e Morte
Open in WeRead

About This Book

This anthology gathers Portuguese verse from the twelfth through the twentieth century, presenting medieval Galician-Portuguese lyric—dance and pilgrimage songs—alongside troubadour-influenced courtly love poems, satirical pieces, and later lyric developments. An extended introduction situates the poems in early national formation, foreign contacts, and manuscript songbooks, and highlights forms such as cantigas de amigo, cantigas de amor, serranilhas, barcarolas, and other folk and court genres. Selections stress the music and dance origins of many texts and trace a continuity between popular village songs and cultivated court poetry, offering a historical and formal panorama of Portuguese poetic tradition.

FERNAM ALVAREZ DO ORIENTE

1540?-1595?

144. Amor e Morte

Obrando amor, mas em meu dano forte,
só nele quis mostrar potencia rara,
em não querer que a mão do fado avara
um dia me outorgasse alegre sorte.
Da Parca dura assim temi que o corte
com a vida a fe da alma me acabara;
mas ah que é semrazão injusta e clara
que o que começa amor acaba a morte!
E como a pena que me traz cansado
tem feito na alma eterna eterno assento,
estou num triste mas seguro estado:
que se amor não der fim ao meu tormento,
nem fortuna remedio a meu cuidado,
nem morte mudará meu pensamento.

145. Florimonte

Armada de aspereza, minha estrela
a nova dor me leva e me encaminha,
mas se uma gloria vi perder-se asinha
foi por quem a perdi gloria perdê-la.
Sucede nova dor, nova querela
á liberdade que gosado tinha:
não sei remedio dar á magua minha,
e quem lh’ o pode dar não sabe dela.
Que alivio logo em tormento espero
se a que m’ o causa na alma não o sente
senam se o ve nos olhos com que o vejo?
Porem, ah doce amor, eu antes quero
passar convosco a vida descontente
que contente vivir sem meu desejo.