JULIO DINIZ
1839-1871
179. Meteoro
Não a viram passar? Era no outono,
quando languece a flor, quando na selva
se cala o rouxinol e ao abandono
jazem as folhas na crestada relva.
Não a viram passar? As altas neves
revestiam das serras as cumiadas
e cm vez das brisas perpassando leves
assopravam violentas as rajadas.
No meo da tristeza destas scenas
ela só, muda e palida, sorria,
o seo a anuviar-se-lhe de penas,
o rosto a iluminar-se de alegria.
Não a viram? Passou. A natureza
é outra vez de galas revestida:
mas minha alma é coberta de tristeza
como naquele instante da partida.