O senhor tam novo d’ olhos cor de esperança,
ides de caminho para algum lugar?
O peregrino
Vou dar volta ao mundo...
O lavrador
Sem arnez ou lança?
Ó senhor tam novo d’ olhos cor de esperança,
penas e miserias é o que ireis achar.
Uma velhinha (mais adiante)
Ó senhor tam novo d’ olhos inocentes,
Ides com cuidados para um tal andar?
O peregrino
Vou a prender monstros, combater serpentes...
A velhinha
Ó senhor tam novo d’ olhos inocentes,
Ós dragões ferozes vão-no espostejar!
Uma jovem camponesa
Ó senhor tam novo d’ olhos encantados,
ides pela fresca para algum pomar?
O peregrino
Vou-me a ler destinos, descobrir os fados.
A camponesa
Ó senhor tam novo d’ olhos encantados,
Feiticeiros negros vão-no enfeitiçar!
Uma pastorinha (mais adiante)
Ó senhor tam novo d’ olhos tam brilhantes,
vossos olhos dizem que ides para casar...
O peregrino
Vou fazer tesouros, fabricar diamantes...
A pastorinha
Ó senhor tam novo d’ olhos tam brilhantes,
ha ladrões nos bosques, vão-no assassinar!
Um mendigo
Ó senhor tam novo d’ olhos cor de chama,
vossos olhos ardem como a luz solar.
O peregrino
Vou descobrir mundos, quero gloria e fama.
O mendigo
Ó senhor tam novo d’ olhos cor de chama,
sobe o pó mais alto que os trovões do mar.
A estrela d’ alva
O criança d’ olhos cor de flor de linhos,
por infernos deixas teu paz, teu lar.
O peregrino (desaparecendo ao longe)
Florirei as pedras pelos maos caminhos!
Levo a luz dos astros e as canções dos ninhos
a sorrir nos beiços e a tremer no olhar!