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The Oxford book of Portuguese verse

Chapter 276: AFFONSO LOPES VIEIRA
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About This Book

This anthology gathers Portuguese verse from the twelfth through the twentieth century, presenting medieval Galician-Portuguese lyric—dance and pilgrimage songs—alongside troubadour-influenced courtly love poems, satirical pieces, and later lyric developments. An extended introduction situates the poems in early national formation, foreign contacts, and manuscript songbooks, and highlights forms such as cantigas de amigo, cantigas de amor, serranilhas, barcarolas, and other folk and court genres. Selections stress the music and dance origins of many texts and trace a continuity between popular village songs and cultivated court poetry, offering a historical and formal panorama of Portuguese poetic tradition.

AFFONSO LOPES VIEIRA

1878-

200. O soneto dos tumulos

Até ao fim do mundo. A grande amada
escuta o adeus da grande voz sentida:
santa e rainha, aguarda aquela vida
que só depois do fim é começada.
Pedra de sonho e dor, foste lavrada
pela saudade imensa aqui vivida:
guarda a saudade, pois, da despedida
e a esperança da hora desejada.
Guarda a saudade que jamais acaba,
que o dia que ha de vir, de amor contente,
os que dormem aqui vão esperando.
E no fragor do mundo que desaba
hão de acordar sorrindo eternamente,
os olhos um no outro enfim pousando.

201. Guitarras de Alcacer

Ó guitarras de Alcacer-Quibir,
chorai-vos cantando, gemei a sorrir.
Cantai as saudades dos fieis namorados,
os olhos castanhos, os beijos trocados.
Ó guitarras de Alcacer-Quibir,
chorai-vos cantando, gemei a sorrir.
Gemei as saudades brando, muito brando,
matando as saudades, chorai-vos cantando.
Ó guitarras de Alcacer-Quibir,
chorai-vos cantando, gemei a sorrir.
Gemei as saudades carpindo, carpindo,
carpindo as saudades do amor mais lindo.
Ó guitarras de Alcacer-Quibir,
chorai-vos cantando, gemei a sorrir.
Cantai vos gemendo, chorando mais forte,
guitarras, amores, que amanhã é a morte.
Ó guitarras de Alcacer-Quibir,
chorai-vos cantando, gemei a sorrir.

202. Sinos ao longe

Chegam de longe,
vindas na aragem,
imagens debeis
de bronzes finos.
E cristalinos
pousam na aragem,
na aragem vaga,
finos e flebeis,
como essas penas
no ar serenas
que o ar afaga
só de amparâ-las
e suspendê-las.
Expiram longe,
idas na aragem,
imagens debeis
de bronzes finos,
de cousas flebeis.