ANTONIO CORREA DE OLIVEIRA
1880-
203. Minha terra
Minha terra, quem me dera
ser humilde lavrador!
Ter o pão de cada dia,
ter a graça do Senhor:
cavar-te com minhas mãos
com caridade e amor.
Minha terra, quem me dera
ser um poeta afamado!
Ter o sino de Camões,
andar nas naos embarcado:
mostrar ás outras nações
Portugal alevantado.
Minha terra, quem me dera
poder ver-te de um sertão!
Ter-te longe dos meus olhos,
pertinho do coração:
para amar-te mais, podendo,
que me parece que não.
Minha terra, quem me dera
ser um nauta assinalado!
Passar trabalhos no mar,
ir á guerra, ser soldado:
dar por ti todo o meu sangue
de portugués desgraçado!