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The Oxford book of Portuguese verse cover

The Oxford book of Portuguese verse

Chapter 281: 203. Minha terra
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About This Book

This anthology gathers Portuguese verse from the twelfth through the twentieth century, presenting medieval Galician-Portuguese lyric—dance and pilgrimage songs—alongside troubadour-influenced courtly love poems, satirical pieces, and later lyric developments. An extended introduction situates the poems in early national formation, foreign contacts, and manuscript songbooks, and highlights forms such as cantigas de amigo, cantigas de amor, serranilhas, barcarolas, and other folk and court genres. Selections stress the music and dance origins of many texts and trace a continuity between popular village songs and cultivated court poetry, offering a historical and formal panorama of Portuguese poetic tradition.

ANTONIO CORREA DE OLIVEIRA

1880-

203. Minha terra

Minha terra, quem me dera
ser humilde lavrador!
Ter o pão de cada dia,
ter a graça do Senhor:
cavar-te com minhas mãos
com caridade e amor.
Minha terra, quem me dera
ser um poeta afamado!
Ter o sino de Camões,
andar nas naos embarcado:
mostrar ás outras nações
Portugal alevantado.
Minha terra, quem me dera
poder ver-te de um sertão!
Ter-te longe dos meus olhos,
pertinho do coração:
para amar-te mais, podendo,
que me parece que não.
Minha terra, quem me dera
ser um nauta assinalado!
Passar trabalhos no mar,
ir á guerra, ser soldado:
dar por ti todo o meu sangue
de portugués desgraçado!