Quel
rapaz.
Quel rapariga.
Quels (ou quel) rapaz.
Quels (ou quel) raparigas. |
Aquelle
rapaz.
Aquella rapariga.
Aquelles rapazes.
Aquellas raparigas. |
O interrogativo é:
quen,
qui, ou
quê-nhê, quem.
Eis o quadro dos pronomes pessoaes.
| Singular: |
En,
in, mi
-n
Bu
(abó)
Di
bó
-bo
Ê
-l
nhô
êl, -le |
eu
-me
tu
de ti
-te
elle
lhe
lhe (vos)
o |
Plural: |
Nós,
nu
-no
Nhô, nhôs
nhô
Ês
-ls |
nós
-nos
vós
vos
elles
lhes |
Quên
qui dan (dâ-n)
el.
Quên qui dá-bo
el.
Quên qui dá-nhô
el.
Quên qui dá-no
el.
Quên qui dá nhô
el.
Quên qui dals (da-ls)
el.
Bu tâ
entendêle.
En tâ
jural. |
Quem
m'a deu.
Quem t'a deu.
Quem lh'a deu.
Quem nol'a deu.
Quem vol'a deu.
Quem lh'a deu.
Tu entendel-o.
Eu o juro. |
Bu (vós) tendo usurpado o
logar de
tu, não ha
pronome da segunda
pessoa do plural; o
pronomen
reverentiae é substituido por
nhô==senhor,
nhâ==senhora.
Nhô tomou o signal do
plural:
ô nh'amigos, nhôs
al judan fazê ês cuza,
ó meus amigos, vós haveis de me ajudar a fazer
esta cousa.
O pronome da segunda pessoa do singular diz-se
bó quando é
precedido
de proposição:
di
bó, de ti.
Nas ilhas de Barlavento ha
bucê,
bucês,
bocê,
bocês em logar de
bó,
abó e
nhô.
Os seguintes exemplos mostram as fórmas dos possessivos ou
seus
equivalentes:
Nha
caballo.
Nha
caballos.
Nha
egua.
Nha
eguas.
Ês caballo ê di
men.
Ês caballos ê di
men.
Ês egua ê di
men.
Ês eguas é di
men. |
O
meu cavallo.
Os meus cavallos.
A minha egua.
As minhas eguas.
Este cavallo é meu.
Estes cavallos são meus.
Esta egua é minha.
Estas eguas são minhas. |
Bu
cavallo.
Bu
cavallos.
Bu
egua.
Bu
eguas.
Ês caballo ê di
bó.
Ês egua ê di
bó.
|
O
teu cavallo.
Os teus cavallos.
A tua egua.
As tuas eguas.
Este cavallo é teu.
Esta egua é tua.
|
Si
caballo, sês
caballo.
Caballo di nhô ou nhâ.
Ês caballo ê di
nhô.
|
O
seu cavallo, o cavallo d'elle.
O seu (vosso) cavallo.
Este cavallo é vosso, seu.
|
Nós
boi.
Nós
báca.
Ês boi ou ês báca
ê di
nós. |
O
nosso boi.
A nossa vaca.
Este boi ou esta vaca é vosso, vossa.
|
Si
caballo, sês
caballo.
Ês caballo ê di sês,
d'êls ou d'ês. |
O
seu cavallo (d'elles).
Este cavallo é seu (d'elles).
|
4.
Verbo. Esta parte da grammatica
do creolo de Santo Antão
apresenta uma riqueza muito maior que em geral os outros dialectos
similhantes. Não é difficil explicar este facto:
o contacto persistente entre
a população que falla o dialecto e os que fallam
o portuguez puro
tende naturalmente a fazer penetrar no creolo maior numero de
fórmas
portuguezas. Vimos já o que se dava com as fórmas
do plural. Damos
os paradigmas da conjugação e faremos depois
algumas observações
sobre elles.
Ser (sér)
Indicativo
| Presente |
Perfeito composto |
Mi
ê
Bu, abo ou abo bu
ê
Êl
ê
Nós, nos nu
ê
Ês
ê |
Eu
sou
Tu és
Elle é
Nós somos
Elles são |
Eu
ten
sido
Bu ten
sido
Êl, ê ten
sido
Nos, nu, ten
sido
Ês tên
sido |
Eu
tenho sido
Tu tens sido
Elle tem sido
Nós temos sido
Elles têem sido |
| Imperfeito e perfeito |
Futuro |
Mi
era
Bu etc.
era
Êl era
Nós era
Ês era |
Eu
era
Tu eras
Elle era
Nós eramos
Elles eram |
En
al
ser
Bu al
ser
Êl al
ser
Nu al
ser
Ês al
ser |
Eu
serei
Tu serás
Elle será
Nós seremos
Elles serão |
Condicional
En
tâ
sérba
Bu tâ
serba
Ê tâ
sérba
Nu tâ
sérba
Ês tên de
ser
|
Eu
seria
Tu serias
Elle seria
Nós seriamos
Elles seriam |
Subjunctivo
| Presente |
Imperfeito |
En
ser
Bu
ser
Ê
ser
Nu
ser
Ês
ser |
Eu
seja
Tu sejas
Elle seja
Nós sejamos
Elles sejam |
Mi
era
Bu era
Êl, ê era
Nu era
Ês era |
Eu
fosse
Tu fosses
Elle fosse
Nós fossemos
Elles fossem |
Futuro composto
In
ten de
ser
Bu ten de
ser
El, ê ten de
ser
Nos, nu ten de
ser
Ês ten de
ser.
|
Eu
tiver de ser
Tu tiveres de ser
Elle tiver de ser
Nós tivermos de ser
Elles tiverem de ser |
Imperativo
| Ser |
Sê
tu |
Nhu
ser |
Sede
vós |
Haver
Este verbo é quasi exclusivamente empregado para a
expressão do
futuro como auxiliar, portanto no presente do indicativo.
A fórma
al
provém de
ha-de, por
apocope e mudança de
d em
l.
O verbo
dêbê
é empregado como auxiliar, substituindo
al. Na cidade da
Praia diz-se
hôbe (oubi) tempo,
tên habido, mas essas fórmas
não se acham
ainda no creolo rachado.
Ten (ter)
No presente do indicativo
tên para todas as pessoas
no paradigma
escripto pelo nosso informador; mas nas cartas 2.ª e
3.ª ha
tênê como
fórma fundamental, servindo pois para o presente
só com os pronomes
e figurando nos tempos compostos, como
ser no paradigma acima.
O imperfeito e o perfeito do indicativo tem
tenba, tinha, para todas
as pessoas; o imperativo
tên. Emprega-se o
participio
tido.
Stá (estar)
No presente do indicativo
sta ou
star para todas as pessoas; no
imperfeito
staba, no perfeito
stêbe, ou no creolo
rachado
staba, como no
imperfeito. Os tempos periphrasticos conformam-se ao paradigma de
ser. Emprega-se o participio
stado.
Verbos não auxiliares
O presente em regra é expresso por
tâ (-stá) com o
infinito, para
todas as pessoas exemplos:
en tâ
jurâ, eu juro,
bô tâ
flâ, vós dizeis;
mas occorre tambem como presente a simples fórma do
infinito:
nhu
sabê, vós sabeis. Algumas
fórmas do presente portuguez, principalmente
da terceira pessoa, occorrem, sem variação, com o
auxiliar
tâ ou isoladas,
exprimindo o presente:
en tâ
bai, eu vou;
êl
tâ lêba, elle leva;
en péga, eu agarro;
en tâ biro, eu volto;
in xinto, eu me sento.
Ha fórmas do preterito como
fazeba, fazia,
baba, ia (sobre o presente
bai).
O perfeito parece ser expresso pelo infinito, como
recebê,
fugî (elle
fugiu),
xinti,
matá,
entendê, nas cartas acima.
O imperativo é expresso pelo infinito:
esquecê, esquece,
esquecei;
judá, ajuda, ajudae.
Occorrem algumas fórmas particulares como
ben,
vem, vinde.
Ha participios em
ado como
usado,
enfadado, em
edo como
screbedo,
escripto, em
ido (normal?).
Os tempos periphrasticos seguem o paradigma de
ser (auxiliar com
a fórma principal, infinito presente ou participio passado).
Algumas vezes o futuro é identico ao presente:
en tâ mandá,
mandarei;
bô tâ flal,
dir-lhe-has.
Observações lexiologicas
A etymologia dos vocabulos creolos é geralmente transparente
nos
specimens que publicâmos; notâmos apenas
particularmente os seguintes,
comquanto outros chamem tambem a attenção:
Câ, não; origem
incerta.
Mâ,
mê, que;
provirá da conjugação adversativa
mas?
Mantenha em
mantenha chéo,
significando muitas recommendações;
originou-se este emprego evidentemente da formula antiga de saudar:
Deus te mantenha.
Pamóde, porque;
provém da formula
por amor
de,
por mór
de,
muito usada em portuguez, significando por causa de. No dialecto de
Macau usa-se no mesmo sentido a variante phonetica
prómódi.
Papiá, fallar;
flâ toma o sentido de
dizer.
Sâ em
nhu
sâ tâ passado como tem passado, e
sâ tâ dal, lhe
tem
dado, etc., é obscuro para nós.
Sábe (de
saber) serve para exprimir que uma
cousa é agradavel;
câ sábe, que
é desagradavel;
ês cumida
ê sâbe, esta comida é
agradavel,
sabe bem;
quel home tên ar
sábe, aquelle homem ter ar agradavel;
algumas vezes póde traduzir-se por
bem.
Fede exprime o contrario:
chêrá
féde, cheirar mal;
fazêl féde,
offendel-o.
Tioque, até que;
oque
(
oc),
oqu'ês, quando.
Nomes hypocoristicos ou nomes de casa
| Baca. |
Lourenço. |
Jéjé. |
José. |
| Balanta. |
Valentim. |
Faia. |
Raphael. |
| Banda. |
Domingos. |
Fan. |
Estephania. |
| Barujo. |
Vicente. |
Fina. |
Josephina. |
| Beba. |
Genoveva. |
Fita. |
Antonio. |
| Bebé. |
Bernabé. |
Fonfon. |
Affonso. |
| Beto. |
Alberto. |
Fronha. |
Luiza. |
| Beto. |
Roberto. |
Gena. |
Eugenia. |
| Bibina. |
Balbina. |
Gruida. |
Margarida. |
| Bina. |
Etelvina. |
Ia. |
Maria. |
| Bocha. |
Ambrosio. |
Lela. |
Magdalena. |
Bomba.
Bombina. |
Anna. |
Lelencha. |
Florencia. |
| Caella. |
Michaela. |
Lelencho. |
Florencio. |
| Caixa. |
Nicolau. |
Lena. |
Helena. |
| Cote. |
Torquato. |
Lorma. |
Jeronymo. |
| Chalino. |
Marcellino. |
Lota. |
Izabel. |
| Chamara. |
Maximiana. |
Maja. |
Luiz. |
| Chamaro. |
Maximiano. |
Mana. |
Germana. |
| Chana. |
Sebastiana. |
Mano. |
Germano. |
| Chana. |
Luciana. |
Maral. |
Pedro. |
| Chanchane. |
Alexandre. |
Mongido. |
Hermenegildo. |
| Chéché. |
José. |
Motas. |
Thimotheo. |
| Chella. |
Marcella. |
Munda. |
Raymundo. |
| Chello. |
Marcello. |
Nhaba. |
Filippe. |
| Chencho. |
Innocencio. |
Nico. |
Manuel. |
| Chicha. |
Narcisa. |
Oiro. |
Miguel. |
| Chichi. |
Cecilia. |
Pelico. |
Polycarpo. |
| Chica. |
Francisca. |
Penha. |
Gregorio. |
| Chico. |
Francisco. |
Pomba. |
Ignez. |
| Chimí. |
Cazimiro. |
Potâ. |
Hippolyto. |
| China. |
Filippe. |
Queta. |
Henriqueta. |
| Choga. |
Chrysostomo. |
Quinquina. |
Joaquina. |
| Choncha. |
Sebastião. |
Ramal. |
Antonio. |
| Chubanta. |
Martha. |
Roda. |
Andreza. |
| Chumpa. |
Paula. |
Ronda. |
Agostinho. |
| Cobra. |
Francisco. |
Supro. |
Cypriano. |
| Coco. |
Simoa. |
Tancha.
Tantancha. |
Constança.
|
| Coima. |
Paulo. |
Tantana. |
Victoriana. |
| Colaça. |
Nicolaça. |
Tantano. |
Victoriano. |
| Cuna. |
Joaquina. |
Tatacha. |
Anastacia. |
| Dada. |
Felicidade. |
Tatacho. |
Anastacio. |
| Damás. |
Damasio. |
Tetêa. |
Dorothea. |
| Delba. |
Amaro. |
Têtês. |
Matheus. |
| Dico. |
Frederico. |
Tilia. |
Mathilde. |
| Didi. |
Claudina. |
Tinho. |
Martinho. |
| Dindino. |
Bernardino. |
Tino. |
Faustino. |
| Dique. |
Henrique. |
Tintim. |
Valentim. |
| Doca. |
Theodora. |
Tintina. |
Catharina. |
| Doco. |
Theodoro. |
Tólo. |
Bartholomeu. |
| Doli. |
Isidoro. |
Touco. |
Victor. |
| Doria. |
André. |
Tuda. |
Gertrudes. |
| Dunda. |
Domingos. |
|
|
Ás formações hypocoristicas que
têem limitadissima extensão em
Portugal, abriu-se um campo novo nos dialectos fóra da
Europa; algumas
d'essas fórmas vieram de lá para a metropole,
como
Juca,
Nhónhô,
etc.
É difficil e em parte impossivel achar as
relações que existem entre
algumas d'essas fórmas hypocoristicas de Santo
Antão e as usuaes
correspondentes; para algumas não haverá
até talvez relação etymologica;
mas a difficuldade provém principalmente do pequeno numero
das fórmas que conhecemos, que não nos permittem
reconhecer todas as
variedades dos processos, a que devem a existencia. As
fórmas difficeis
de reduzir ou irreductiveis, em a nossa lista são:
Baca,
Banda,
Barujo,
Bomba (e
Bombina),
Caixa,
China,
Choga,
Choncha,
Chubanta,
Chumpa,
Cobra,
Coco,
Coima,
Delba,
Doria,
Dunda,
Faia,
Fita,
Fronha,
Lota,
Maja,
Maral,
Nhabo,
Oiro,
Pelico,
Pomba,
Potâ,
Ramal,
Roda,
Ronda,
Touco (32 fórmas). As
outras fórmas hypocoristicas de
Santo Antão provém das usuaes correspondentes por
processos de
formação em geral perfeitamente regulares. O
processo mais geral é
o da simples apherese de todos os elementos que precedem a syllaba
accentuada; essa alteração raramente é
a unica que se dá: quasi sempre
se complica com outras. Em poucos casos a apherese deixa de fazer
desapparecer todas as syllabas que precedem a accentuada (vid.
infra
Mongido e
Chamaro).
Formação por apherese
A. Simples apherese.
| Caela |
de |
Michaela. |
Mano |
de |
Germano |
| Colaça |
» |
Nicolaça. |
Queta |
» |
Henriqueta. |
| Fina |
» |
Josephina. |
Tinho |
» |
Martinho. |
| Lena |
» |
Helena. |
Tino |
» |
Faustino. |
Em:
a apherese estendeu-se á consoante inicial da syllaba
accentuada.
B. Apherese complicada com outros
phenomenos phoneticos.
1) Modificações nas vogaes finaes:
| Cate |
de |
Tor-quato. |
Mota-s |
de |
Ti-motheo. |
| Dada |
» |
Felici-dade. |
Munda |
» |
Raymundo. |
| Gena |
» |
Eu-genia. |
|
|
|
2) Apocope:
3) Apocope com retracção do accento:
4) Alteração da vogal accentuada:
| Cuna |
de |
*Quina |
de |
Joa-quina. |
5) Quéda de
r
da syllaba accentuada, com ou sem modificação das
vogaes finaes:
| Beto |
de |
*Berto |
de |
Al-berto. |
| Beto |
» |
*Berto |
» |
Ro-berto. |
| Dico |
» |
*Drico |
» |
Fre-drico, Frederico. |
| Guida |
» |
*Grida |
» |
Mar-grida, Margarida. |
| Tuda |
» |
*Trudes |
» |
Ger-trudes. |
6) Modificações nas consoantes das syllabas
conservadas:
a)
v em
b.
| Beba |
de |
*Veva |
de |
Genoveva. |
| Bina |
» |
*Vina |
» |
Etel-vina. |
b)
s,
z
(
ç,
s) em
ch:
| Chicha |
de |
*Cisa |
de |
Nar-cisa. |
| Chello |
» |
*Cello |
» |
Mar-cello. |
| Tancha |
» |
*Tança |
» |
Cons-tança. |
c)
ci,
si,
ti em
ch:
| Bocha |
de |
*Brosio |
de |
Am-brosio. |
| Chana |
» |
*Ciana |
» |
Lu-ciana. |
| Chencho |
» |
*Cencio |
» |
Inno-cencio. |
| Chana |
» |
*Tiana |
» |
Sebas-tiana. |
Em
Bocha houve quéda de
r como em
Beto,
Tuda, etc., mudança
de
o em
a como em
Munda.
d) Mudança de
ç em
ch com
alteração n'uma vogal protonica:
| Chalino |
de |
*Cellino |
de |
Mar-cellino. |
e) Mudança de
ç em
ch e desapparecimento d'uma
consoante:
| Chico |
de |
*Cisco |
de |
Francisco. |
Facico é a pronuncia
pathologica do nome
Francisco.
f) Alterações diversas regulares de consoantes
(complicadas n'alguns
casos com modificações vocalicas).
Assimilação de
ld em
ll
(
l):
| Tilia |
de |
*Tilde |
de |
Ma-thilde. |
Assimilação de
ld em
d:
| Mongido (Mengido) |
de |
*Menegildo |
de |
Hermenegildo. |
r em
l,
n em
r:
| Lorma |
de |
*Ron(y)mo |
de |
Je-ronymo. |
r em
l:
| Doli |
de |
*Doro |
de |
Isi-doro. |
r em
d:
| Dique |
de |
*Rique |
de |
Henrique |
n em
r:
| Chamáro |
de |
*Chimiano |
de |
Ma-ximiano. |
n em
l:
| Lela |
de |
*Lena |
de |
Magda-lena. |
g) Alteração consonantal irregular:
| Doca |
de |
*Dora |
de |
Theo-dora. |
h) Alteração da consoante da syllaba accentuada
com apocope de
syllaba:
| Chimí |
de |
*Zimí |
de |
Ca-zimiro. |
C. Apherese e
reduplicação:
1) Sem apocope:
| a) |
Bibina |
de |
*Bina |
de |
Bal-bina. |
|
Chanchane |
» |
*Chane
(Chandre) |
» |
Alexandre. |
|
Dindino |
» |
*Dino |
» |
Bernar-dino. |
|
Lelencho |
» |
*Lencho
(Rencho) |
» |
Flo-rencio. |
|
Tantancha |
» |
*Tancha |
» |
Constança. |
|
Tatacho |
» |
*Tacho |
» |
Anas-tacio. |
|
Tetea |
» |
*Tea |
» |
Doro-thea. |
|
Tetés |
» |
*Tés (Teus) |
» |
Ma-theus. |
|
|
|
|
|
|
| b) |
Bebé |
» |
*Bé |
» |
Berna-bé. |
|
Chéché |
» |
*Ché |
» |
José. |
|
Jéjé |
» |
*Jé |
» |
José. |
|
Quimquim |
» |
*Quim |
» |
Joa-quim. |
|
Tintim |
» |
*Tim |
» |
Valen-tim. |
2) Com apocope:
| Didi |
de |
*Di
(Dina) |
de |
Clau-dina. |
| Fonfon |
» |
*Fon
(Fonso) |
» |
A-fonso. |
| Chichi |
» |
*Chi
(Chilia) |
» |
Ce-cilia. |
Chichi póde explicar-se
tambem por apocope.
3) Com syncope:
| Tantano |
de |
Tano
(Trano, Triano, Toriano) |
de |
Vic-toriano. |
| Tintina |
» |
Tina
(Trina, Tarina) |
» |
Ca-tharina. |
Formação por apocope (sem apherese)
A. Sem
retracção do accento:
| Balánta |
de |
Valentim. |
| Pelíco |
» |
Policarpo. |
| Supro |
» |
Cypriano. |
Algumas das fórmas difficeis de explicar resultam sem
duvida,
em parte, de uma complicação de processos;
Potâ, por exemplo,
provém,
de
Hypolito por apherese de
Hy, syncope de
l com
contracção de
vogaes e protracção do accento, mas esta
fórma permanece isolada.
A derivação póde tambem, como n'outras
linguas, ter representado
algum papel
(
Lota==
Izabelota).
Os processos de formação que acabâmos
de expor não têem nada
de especial: encontram-se com simples variantes n'um grande numero
de linguas antigas e modernas, falladas a distancias consideraveis,
pertencendo
a grupos radicalmente distinctos.
Mr. Robert Mowat consagrou ás fórmas
hypocoristicas um estudo
muito interessante,
De la déformation dans
les noms propres, publicado
primeiramente em
Mémoires de la
société de linguistique de
Paris, e depois
na brochura
Noms propres anciens et
modernes (Paris, 8.º, 1869),
p. 41-59. Um grande numero de fórmas hypocoristicas
germanicas
acha-se estudada na obra especial de Franz Stark,
Die
Kosenamen der
Germanen (Wien, 1868, 8.º), em August Fick,
Die Göttinger Familiennamen
(Programma do
Gymnasium and Realschule erster Ordnung
zu Göttingen. Göttingen, 1875,
4.º), em Ludwig Steub,
Die Oberdeutschen
Familienamen (München, 1870, 8.º peq.) Nos
Studien zur romanischen
Wortschöpfung von Carolina
Michaëlis ha uma collecção interessante
de fórmas hypocoristicas romanicas (p. 70 ss).
São essas as
obras que temos á mão sobre o assumpto, mas ha
outras que d'elle se
occupam, como a de August Fick,
Griechische
Eigennamen. Vamos extrahir
d'essas obras alguns exemplos que provam a existencia de leis
geraes nas formações hypocoristicas.
Na Biblia
Aram (Gen. 22, 21) e
Ram (Job. 32, 2) designam o
mesmo personagem; o mesmo se dá com
Jaziel (Chr. I, 15, 20) e
Aziel (Chr. I, 15, 18). Mowat, que
cita esses exemplos, approxima
Lazaro
(Evangelho de S. João e de S. Lucas) de
Eleazaro (Livro dos Machabeos)
e adduz o copta
Chael (cp.
Caella por
Michaela no creolo de
Santo Antão), o phenicio
Karthalon por
Melkarthalon,
Stembal por
Manastambal
(segundo Gesenius).
No grego o processo da apherese é raro; exemplo:
A apherese com derivação observa-se em:
| Στασοῦλα |
de |
'Ανα-στασίη |
, |
suf.
οῦλα |
| Σταθακης |
de |
Εὐ-στάθυος |
, |
suf.
ακη |
Na mencionada lingua ao contrario o processo da apocope é
frequente,
sendo as terminações supprimidas substituidas
constantemente
por a final ᾶς; exemplos:
| 'Αλεξᾶς |
de |
'Αλέξανδρος |
'Αλεξᾶς |
de |
'Αλέξανδρος |
| 'Αρτεμᾶς |
» |
Αρτεμίδωρος |
Μηνᾶς |
» |
Μηνόδωρος |
| Επαφρᾶς |
» |
Επαφρόδειτος |
Νικανδᾶς |
»
|
Νικανδρίδας |
| Ζηνᾶς |
» |
Ζηνόδωρος |
Ολυμπᾶς |
» |
Ολυμπιόδωρος |
| Κλεόπας |
» |
Κλεόπατρος |
Παρμενᾶς |
»
|
Παρμενίδης
ou
Παρμενίσκος |
| Κλεοφᾶς |
» |
Κλεόφαντος |
| Λουκᾶς |
» |
Λουκανός |
Σιλᾶς |
»
|
Σιλουανός |
O inglez, com a sua tendencia para accentuar a syllaba inicial, emprega
de preferencia a apocope nas formações
hypocoristicas; essa
apocope é complicada com outros factos phoneticos, de que
mencionaremos
alguns.
1. Apocope simples:
| Chris |
de |
Chrístian |
de |
Christiánus. |
| Clem |
» |
Clemént |
» |
Cleméntius. |
| Dan |
» |
Dániel |
» |
Daniél. |
| Tom |
» |
Thómas |
» |
Thomás
(Θωμάς). |
| Greg |
» |
Grégory |
» |
Gregórius. |
2. Apocope e adjuncção de um
s:
a) Sem assimilação de consoantes:
| Cutts |
de |
Cuth-bert. |
| Edes |
» |
Ed-ward. |
b) Com assimilação de consoantes:
| Watts |
de |
Walter |
, |
Gibbs |
de |
Gilbert. |
Comp. creolo
Motas de
Timotheo.
3. Apocope com mudança de
r em
d:
| Dick |
de |
Richard |
, |
Dobbs |
de |
Robert. |
Comp. creolo
Dique de
Henrique.
Nos seguintes nomes germanicos medievaes desappareceu ou a primeira
ou a segunda parte:
| Faro |
por |
Burgundofaro. |
Bruna |
por |
Brunihildís. |
| Giso |
» |
Wartgis. |
Euva |
» |
Evarix. |
| Offa |
» |
Ceolwulf. |
Hrode |
»
|
Hruodolf. |
| Prandus |
» |
Rotprandus. |
Sunna |
» |
Suanilda. |
| Uffo |
» |
Liudulfus. |
Tado |
» |
Tadelbertus. |
A suppressão de uma parte do nome foi seguida ou
acompanhada,
como se vê, de outras modificações,
comparaveis em parte ás que observámos
nas fórmas hypocoristicas do creolo de Cabo Verde.
O processo de addição de suffixos diminutivos
ás fórmas mutiladas
tem grande extensão nas linguas germanicas. Exemplos:
| Godi-ko |
de |
*Gode |
por |
Gode-fredus. |
| Ghise-ke |
» |
*Gise |
» |
Gise-lbertus. |
| Ghere-ke |
» |
*Ghere |
» |
Gere-hardus. |
| Albi-so |
» |
*Albe |
» |
Albe-ricus. |
| Gisle-zo |
» |
*Gisel |
» |
Gisel-bertus. |
| Berti-nus |
» |
*Bert |
» |
Bert-randus. |
| Feli-nus |
» |
*Fel |
» |
Fel-mirus. |
Escolhemos agora alguns exemplos da lista das fórmas
hypocoristicas
francezas dadas por Mowat:
| Bastien |
de |
Sebastien. |
Guste |
de |
Auguste. |
| Billon |
» |
Barbillon. |
Livet |
» |
Olivet. |
| Briel |
» |
Gabriel. |
Mancet |
»
|
Clémencet. |
| Brois |
» |
Ambrois, Ambroise. |
Mas |
» |
Thomas. |
| Colas |
» |
Nicolas. |
Maury |
» |
Amaury. |
| Cot |
» |
Jacot. |
Nardon |
» |
Bernardon. |
| Delle |
» |
Adèle. |
Pin |
» |
Chopin. |
| Fan |
» |
Stephan. |
Pold |
» |
Léopold. |
| Fonce, Fons |
» |
Alphonse. |
Randal |
» |
Durandal. |
| Gelle |
» |
Angèle. |
Sandre |
» |
Alexandre. |
| Gory |
» |
Grégory. |
Thézard |
» |
Balthazar. |
| Hippeau |
» |
Philippeau. |
Vestris |
» |
Silvestre. |
Estes exemplos bastam para mostrar que as fórmas
hypocoristicas
creolas são o resultado da acção de
leis geraes.