Quel rapaz.
Quel rapariga.
Quels (ou quel) rapaz.
Quels (ou quel) raparigas.
Aquelle rapaz.
Aquella rapariga.
Aquelles rapazes.
Aquellas raparigas.


O interrogativo é: quen, qui, ou quê-nhê, quem.

Eis o quadro dos pronomes pessoaes.

Singular: En, in, mi
-n
Bu (abó)
Di bó
-bo
Ê
-l
nhô
êl, -le
eu
-me
tu
de ti
-te
elle
lhe
lhe (vos)
o
Plural: Nós, nu
-no
Nhô, nhôs
nhô
Ês
-ls
nós
-nos
vós
vos
elles
lhes





Quên qui dan (dâ-n) el.
Quên qui dá-bo el.
Quên qui dá-nhô el.
Quên qui dá-no el.
Quên qui dá nhô el.
Quên qui dals (da-ls) el.
Bu tâ entendêle.
En tâ jural.
Quem m'a deu.
Quem t'a deu.
Quem lh'a deu.
Quem nol'a deu.
Quem vol'a deu.
Quem lh'a deu.
Tu entendel-o.
Eu o juro.


Bu (vós) tendo usurpado o logar de tu, não ha pronome da segunda pessoa do plural; o pronomen reverentiae é substituido por nhô==senhor, nhâ==senhora. Nhô tomou o signal do plural: ô nh'amigos, nhôs al judan fazê ês cuza, ó meus amigos, vós haveis de me ajudar a fazer esta cousa.

O pronome da segunda pessoa do singular diz-se quando é precedido de proposição: di bó, de ti.

Nas ilhas de Barlavento ha bucê, bucês, bocê, bocês em logar de , abó e nhô.

Os seguintes exemplos mostram as fórmas dos possessivos ou seus equivalentes:

Nha caballo.
Nha caballos.
Nha egua.
Nha eguas.
Ês caballo ê di men.
Ês caballos ê di men.
Ês egua ê di men.
Ês eguas é di men.
O meu cavallo.
Os meus cavallos.
A minha egua.
As minhas eguas.
Este cavallo é meu.
Estes cavallos são meus.
Esta egua é minha.
Estas eguas são minhas.





Bu cavallo.
Bu cavallos.
Bu egua.
Bu eguas.
Ês caballo ê di bó.
Ês egua ê di bó.
O teu cavallo.
Os teus cavallos.
A tua egua.
As tuas eguas.
Este cavallo é teu.
Esta egua é tua.





Si caballo, sês caballo.
Caballo di nhô ou nhâ.
Ês caballo ê di nhô.
O seu cavallo, o cavallo d'elle.
O seu (vosso) cavallo.
Este cavallo é vosso, seu.





Nós boi.
Nós báca.
Ês boi ou ês báca ê di nós.
O nosso boi.
A nossa vaca.
Este boi ou esta vaca é vosso, vossa.





Si caballo, sês caballo.
Ês caballo ê di sês, d'êls ou d'ês.
O seu cavallo (d'elles).
Este cavallo é seu (d'elles).


4. Verbo. Esta parte da grammatica do creolo de Santo Antão apresenta uma riqueza muito maior que em geral os outros dialectos similhantes. Não é difficil explicar este facto: o contacto persistente entre a população que falla o dialecto e os que fallam o portuguez puro tende naturalmente a fazer penetrar no creolo maior numero de fórmas portuguezas. Vimos já o que se dava com as fórmas do plural. Damos os paradigmas da conjugação e faremos depois algumas observações sobre elles.

Ser (sér)


Indicativo


Presente Perfeito composto
Mi ê
Bu, abo ou abo bu ê
Êl ê
Nós, nos nu ê
Ês ê
Eu sou
Tu és
Elle é
Nós somos
Elles são
Eu ten sido
Bu ten sido
Êl, ê ten sido
Nos, nu, ten sido
Ês tên sido
Eu tenho sido
Tu tens sido
Elle tem sido
Nós temos sido
Elles têem sido


Imperfeito e perfeito Futuro
Mi era
Bu etc. era
Êl era
Nós era
Ês era
Eu era
Tu eras
Elle era
Nós eramos
Elles eram
En al ser
Bu al ser
Êl al ser
Nu al ser
Ês al ser
Eu serei
Tu serás
Elle será
Nós seremos
Elles serão


Condicional

En tâ sérba
Bu tâ serba
Ê tâ sérba
Nu tâ sérba
Ês tên de ser
Eu seria
Tu serias
Elle seria
Nós seriamos
Elles seriam


Subjunctivo

Presente Imperfeito
En ser
Bu ser
Ê ser
Nu ser
Ês ser
Eu seja
Tu sejas
Elle seja
Nós sejamos
Elles sejam
Mi era
Bu era
Êl, ê era
Nu era
Ês era
Eu fosse
Tu fosses
Elle fosse
Nós fossemos
Elles fossem


Futuro composto

In ten de ser
Bu ten de ser
El, ê ten de ser
Nos, nu ten de ser
Ês ten de ser.
Eu tiver de ser
Tu tiveres de ser
Elle tiver de ser
Nós tivermos de ser
Elles tiverem de ser


Imperativo

Ser Sê tu Nhu ser Sede vós


Haver


Este verbo é quasi exclusivamente empregado para a expressão do futuro como auxiliar, portanto no presente do indicativo.

A fórma al provém de ha-de, por apocope e mudança de d em l.

O verbo dêbê é empregado como auxiliar, substituindo al. Na cidade da Praia diz-se hôbe (oubi) tempo, tên habido, mas essas fórmas não se acham ainda no creolo rachado.


Ten (ter)


No presente do indicativo tên para todas as pessoas no paradigma escripto pelo nosso informador; mas nas cartas 2.ª e 3.ª ha tênê como fórma fundamental, servindo pois para o presente só com os pronomes e figurando nos tempos compostos, como ser no paradigma acima.

O imperfeito e o perfeito do indicativo tem tenba, tinha, para todas as pessoas; o imperativo tên. Emprega-se o participio tido.

Stá (estar)


No presente do indicativo sta ou star para todas as pessoas; no imperfeito staba, no perfeito stêbe, ou no creolo rachado staba, como no imperfeito. Os tempos periphrasticos conformam-se ao paradigma de ser. Emprega-se o participio stado.

Verbos não auxiliares


O presente em regra é expresso por (-stá) com o infinito, para todas as pessoas exemplos: en tâ jurâ, eu juro, bô tâ flâ, vós dizeis; mas occorre tambem como presente a simples fórma do infinito: nhu sabê, vós sabeis. Algumas fórmas do presente portuguez, principalmente da terceira pessoa, occorrem, sem variação, com o auxiliar ou isoladas, exprimindo o presente: en tâ bai, eu vou; êl tâ lêba, elle leva; en péga, eu agarro; en tâ biro, eu volto; in xinto, eu me sento.

Ha fórmas do preterito como fazeba, fazia, baba, ia (sobre o presente bai).

O perfeito parece ser expresso pelo infinito, como recebê, fugî (elle fugiu), xinti, matá, entendê, nas cartas acima.

O imperativo é expresso pelo infinito: esquecê, esquece, esquecei; judá, ajuda, ajudae. Occorrem algumas fórmas particulares como ben, vem, vinde.

Ha participios em ado como usado, enfadado, em edo como screbedo, escripto, em ido (normal?).

Os tempos periphrasticos seguem o paradigma de ser (auxiliar com a fórma principal, infinito presente ou participio passado).

Algumas vezes o futuro é identico ao presente: en tâ mandá, mandarei; bô tâ flal, dir-lhe-has.

Observações lexiologicas


A etymologia dos vocabulos creolos é geralmente transparente nos specimens que publicâmos; notâmos apenas particularmente os seguintes, comquanto outros chamem tambem a attenção:

, não; origem incerta.

, , que; provirá da conjugação adversativa mas?

Mantenha em mantenha chéo, significando muitas recommendações; originou-se este emprego evidentemente da formula antiga de saudar: Deus te mantenha.

Pamóde, porque; provém da formula por amor de, por mór de, muito usada em portuguez, significando por causa de. No dialecto de Macau usa-se no mesmo sentido a variante phonetica prómódi.

Papiá, fallar; flâ toma o sentido de dizer.

em nhu sâ tâ passado como tem passado, e sâ tâ dal, lhe tem dado, etc., é obscuro para nós.

Sábe (de saber) serve para exprimir que uma cousa é agradavel; câ sábe, que é desagradavel; ês cumida ê sâbe, esta comida é agradavel, sabe bem; quel home tên ar sábe, aquelle homem ter ar agradavel; algumas vezes póde traduzir-se por bem. Fede exprime o contrario: chêrá féde, cheirar mal; fazêl féde, offendel-o.

Tioque, até que; oque (oc), oqu'ês, quando.

Nomes hypocoristicos ou nomes de casa


Baca. Lourenço. Jéjé. José.
Balanta. Valentim. Faia. Raphael.
Banda. Domingos. Fan. Estephania.
Barujo. Vicente. Fina. Josephina.
Beba. Genoveva. Fita. Antonio.
Bebé. Bernabé. Fonfon. Affonso.
Beto. Alberto. Fronha. Luiza.
Beto. Roberto. Gena. Eugenia.
Bibina. Balbina. Gruida. Margarida.
Bina. Etelvina. Ia. Maria.
Bocha. Ambrosio. Lela. Magdalena.
Bomba.
Bombina.
Anna. Lelencha. Florencia.
Caella. Michaela. Lelencho. Florencio.
Caixa. Nicolau. Lena. Helena.
Cote. Torquato. Lorma. Jeronymo.
Chalino. Marcellino. Lota. Izabel.
Chamara. Maximiana. Maja. Luiz.
Chamaro. Maximiano. Mana. Germana.
Chana. Sebastiana. Mano. Germano.
Chana. Luciana. Maral. Pedro.
Chanchane. Alexandre. Mongido. Hermenegildo.
Chéché. José. Motas. Thimotheo.
Chella. Marcella. Munda. Raymundo.
Chello. Marcello. Nhaba. Filippe.
Chencho. Innocencio. Nico. Manuel.
Chicha. Narcisa. Oiro. Miguel.
Chichi. Cecilia. Pelico. Polycarpo.
Chica. Francisca. Penha. Gregorio.
Chico. Francisco. Pomba. Ignez.
Chimí. Cazimiro. Potâ. Hippolyto.
China. Filippe. Queta. Henriqueta.
Choga. Chrysostomo. Quinquina. Joaquina.
Choncha. Sebastião. Ramal. Antonio.
Chubanta. Martha. Roda. Andreza.
Chumpa. Paula. Ronda. Agostinho.
Cobra. Francisco. Supro. Cypriano.
Coco. Simoa. Tancha.
Tantancha.
Constança.
Coima. Paulo. Tantana. Victoriana.
Colaça. Nicolaça. Tantano. Victoriano.
Cuna. Joaquina. Tatacha. Anastacia.
Dada. Felicidade. Tatacho. Anastacio.
Damás. Damasio. Tetêa. Dorothea.
Delba. Amaro. Têtês. Matheus.
Dico. Frederico. Tilia. Mathilde.
Didi. Claudina. Tinho. Martinho.
Dindino. Bernardino. Tino. Faustino.
Dique. Henrique. Tintim. Valentim.
Doca. Theodora. Tintina. Catharina.
Doco. Theodoro. Tólo. Bartholomeu.
Doli. Isidoro. Touco. Victor.
Doria. André. Tuda. Gertrudes.
Dunda. Domingos.

Ás formações hypocoristicas que têem limitadissima extensão em Portugal, abriu-se um campo novo nos dialectos fóra da Europa; algumas d'essas fórmas vieram de lá para a metropole, como Juca, Nhónhô, etc.

É difficil e em parte impossivel achar as relações que existem entre algumas d'essas fórmas hypocoristicas de Santo Antão e as usuaes correspondentes; para algumas não haverá até talvez relação etymologica; mas a difficuldade provém principalmente do pequeno numero das fórmas que conhecemos, que não nos permittem reconhecer todas as variedades dos processos, a que devem a existencia. As fórmas difficeis de reduzir ou irreductiveis, em a nossa lista são: Baca, Banda, Barujo, Bomba (e Bombina), Caixa, China, Choga, Choncha, Chubanta, Chumpa, Cobra, Coco, Coima, Delba, Doria, Dunda, Faia, Fita, Fronha, Lota, Maja, Maral, Nhabo, Oiro, Pelico, Pomba, Potâ, Ramal, Roda, Ronda, Touco (32 fórmas). As outras fórmas hypocoristicas de Santo Antão provém das usuaes correspondentes por processos de formação em geral perfeitamente regulares. O processo mais geral é o da simples apherese de todos os elementos que precedem a syllaba accentuada; essa alteração raramente é a unica que se dá: quasi sempre se complica com outras. Em poucos casos a apherese deixa de fazer desapparecer todas as syllabas que precedem a accentuada (vid. infra Mongido e Chamaro).

Formação por apherese


A. Simples apherese.

Caela de Michaela. Mano de Germano
Colaça » Nicolaça. Queta » Henriqueta.
Fina » Josephina. Tinho » Martinho.
Lena » Helena. Tino » Faustino.



Em:

Ia de Maria


a apherese estendeu-se á consoante inicial da syllaba accentuada.


B. Apherese complicada com outros phenomenos phoneticos.

1) Modificações nas vogaes finaes:


Cate de Tor-quato. Mota-s de Ti-motheo.
Dada » Felici-dade. Munda » Raymundo.
Gena » Eu-genia.


2) Apocope:

Fan de Este-phania


3) Apocope com retracção do accento:


Tólo de Bartholo-meu


4) Alteração da vogal accentuada:


Cuna de *Quina de Joa-quina.


5) Quéda de r da syllaba accentuada, com ou sem modificação das vogaes finaes:


Beto de *Berto de Al-berto.
Beto » *Berto » Ro-berto.
Dico » *Drico » Fre-drico, Frederico.
Guida » *Grida » Mar-grida, Margarida.
Tuda » *Trudes » Ger-trudes.


6) Modificações nas consoantes das syllabas conservadas:

a) v em b.


Beba de *Veva de Genoveva.
Bina » *Vina » Etel-vina.


b) s, z (ç, s) em ch:


Chicha de *Cisa de Nar-cisa.
Chello » *Cello » Mar-cello.
Tancha » *Tança » Cons-tança.


c) ci, si, ti em ch:


Bocha de *Brosio de Am-brosio.
Chana » *Ciana » Lu-ciana.
Chencho » *Cencio » Inno-cencio.
Chana » *Tiana » Sebas-tiana.


Em Bocha houve quéda de r como em Beto, Tuda, etc., mudança de o em a como em Munda.


d) Mudança de ç em ch com alteração n'uma vogal protonica:


Chalino de *Cellino de Mar-cellino.


e) Mudança de ç em ch e desapparecimento d'uma consoante:


Chico de *Cisco de Francisco.

Facico é a pronuncia pathologica do nome Francisco.


f) Alterações diversas regulares de consoantes (complicadas n'alguns casos com modificações vocalicas).

Assimilação de ld em ll (l):


Tilia de *Tilde de Ma-thilde.


Assimilação de ld em d:


Mongido (Mengido) de *Menegildo de Hermenegildo.


r em l, n em r:


Lorma de *Ron(y)mo de Je-ronymo.


r em l:


Doli de *Doro de Isi-doro.


r em d:


Dique de *Rique de Henrique


n em r:


Chamáro de *Chimiano de Ma-ximiano.


n em l:


Lela de *Lena de Magda-lena.


g) Alteração consonantal irregular:


Doca de *Dora de Theo-dora.


h) Alteração da consoante da syllaba accentuada com apocope de syllaba:


Chimí de *Zimí de Ca-zimiro.



C. Apherese e reduplicação:

1) Sem apocope:


a) Bibina de *Bina de Bal-bina.
Chanchane » *Chane (Chandre) » Alexandre.
Dindino » *Dino » Bernar-dino.
Lelencho » *Lencho (Rencho) » Flo-rencio.
Tantancha » *Tancha » Constança.
Tatacho » *Tacho » Anas-tacio.
Tetea » *Tea » Doro-thea.
Tetés » *Tés (Teus) » Ma-theus.
b) Bebé » * » Berna-bé.
Chéché » *Ché » José.
Jéjé » * » José.
Quimquim » *Quim » Joa-quim.
Tintim » *Tim » Valen-tim.


2) Com apocope:


Didi de *Di (Dina) de Clau-dina.
Fonfon » *Fon (Fonso) » A-fonso.
Chichi » *Chi (Chilia) » Ce-cilia.

Chichi póde explicar-se tambem por apocope.


3) Com syncope:

Tantano de Tano (Trano, Triano, Toriano) de Vic-toriano.
Tintina » Tina (Trina, Tarina) » Ca-tharina.


Formação por apocope (sem apherese)


A. Sem retracção do accento:


Balánta de Valentim.
Pelíco » Policarpo.
Supro » Cypriano.


Algumas das fórmas difficeis de explicar resultam sem duvida, em parte, de uma complicação de processos; Potâ, por exemplo, provém, de Hypolito por apherese de Hy, syncope de l com contracção de vogaes e protracção do accento, mas esta fórma permanece isolada. A derivação póde tambem, como n'outras linguas, ter representado algum papel (Lota==Izabelota).

Os processos de formação que acabâmos de expor não têem nada de especial: encontram-se com simples variantes n'um grande numero de linguas antigas e modernas, falladas a distancias consideraveis, pertencendo a grupos radicalmente distinctos.

Mr. Robert Mowat consagrou ás fórmas hypocoristicas um estudo muito interessante, De la déformation dans les noms propres, publicado primeiramente em Mémoires de la société de linguistique de Paris, e depois na brochura Noms propres anciens et modernes (Paris, 8.º, 1869), p. 41-59. Um grande numero de fórmas hypocoristicas germanicas acha-se estudada na obra especial de Franz Stark, Die Kosenamen der Germanen (Wien, 1868, 8.º), em August Fick, Die Göttinger Familiennamen (Programma do Gymnasium and Realschule erster Ordnung zu Göttingen. Göttingen, 1875, 4.º), em Ludwig Steub, Die Oberdeutschen Familienamen (München, 1870, 8.º peq.) Nos Studien zur romanischen Wortschöpfung von Carolina Michaëlis ha uma collecção interessante de fórmas hypocoristicas romanicas (p. 70 ss). São essas as obras que temos á mão sobre o assumpto, mas ha outras que d'elle se occupam, como a de August Fick, Griechische Eigennamen. Vamos extrahir d'essas obras alguns exemplos que provam a existencia de leis geraes nas formações hypocoristicas.

Na Biblia Aram (Gen. 22, 21) e Ram (Job. 32, 2) designam o mesmo personagem; o mesmo se dá com Jaziel (Chr. I, 15, 20) e Aziel (Chr. I, 15, 18). Mowat, que cita esses exemplos, approxima Lazaro (Evangelho de S. João e de S. Lucas) de Eleazaro (Livro dos Machabeos) e adduz o copta Chael (cp. Caella por Michaela no creolo de Santo Antão), o phenicio Karthalon por Melkarthalon, Stembal por Manastambal (segundo Gesenius).

No grego o processo da apherese é raro; exemplo:


Κλητος por Ανάκλητος


A apherese com derivação observa-se em:


Στασοῦλα de 'Ανα-στασίη , suf. οῦλα
Σταθακης de Εὐ-στάθυος , suf. ακη


Na mencionada lingua ao contrario o processo da apocope é frequente, sendo as terminações supprimidas substituidas constantemente por a final ᾶς; exemplos:


'Αλεξᾶς de 'Αλέξανδρος 'Αλεξᾶς de 'Αλέξανδρος
'Αρτεμᾶς » Αρτεμίδωρος Μηνᾶς » Μηνόδωρος
Επαφρᾶς » Επαφρόδειτος Νικανδᾶς »
Νικανδρίδας
Ζηνᾶς » Ζηνόδωρος Ολυμπᾶς » Ολυμπιόδωρος
Κλεόπας » Κλεόπατρος Παρμενᾶς »
Παρμενίδης ou Παρμενίσκος
Κλεοφᾶς » Κλεόφαντος
Λουκᾶς » Λουκανός Σιλᾶς »
Σιλουανός


O inglez, com a sua tendencia para accentuar a syllaba inicial, emprega de preferencia a apocope nas formações hypocoristicas; essa apocope é complicada com outros factos phoneticos, de que mencionaremos alguns.


1. Apocope simples:


Chris de Chrístian de Christiánus.
Clem » Clemént » Cleméntius.
Dan » Dániel » Daniél.
Tom » Thómas » Thomás (Θωμάς).
Greg » Grégory » Gregórius.


2. Apocope e adjuncção de um s:

a) Sem assimilação de consoantes:


Cutts de Cuth-bert.
Edes » Ed-ward.


b) Com assimilação de consoantes:


Watts de Walter , Gibbs de Gilbert.


Comp. creolo Motas de Timotheo.

3. Apocope com mudança de r em d:


Dick de Richard , Dobbs de Robert.


Comp. creolo Dique de Henrique.

Nos seguintes nomes germanicos medievaes desappareceu ou a primeira ou a segunda parte:


Faro por Burgundofaro. Bruna por Brunihildís.
Giso » Wartgis. Euva » Evarix.
Offa » Ceolwulf. Hrode »
Hruodolf.
Prandus » Rotprandus. Sunna » Suanilda.
Uffo » Liudulfus. Tado » Tadelbertus.


A suppressão de uma parte do nome foi seguida ou acompanhada, como se vê, de outras modificações, comparaveis em parte ás que observámos nas fórmas hypocoristicas do creolo de Cabo Verde.

O processo de addição de suffixos diminutivos ás fórmas mutiladas tem grande extensão nas linguas germanicas. Exemplos:


Godi-ko de *Gode por Gode-fredus.
Ghise-ke » *Gise » Gise-lbertus.
Ghere-ke » *Ghere » Gere-hardus.
Albi-so » *Albe » Albe-ricus.
Gisle-zo » *Gisel » Gisel-bertus.
Berti-nus » *Bert » Bert-randus.
Feli-nus » *Fel » Fel-mirus.


Escolhemos agora alguns exemplos da lista das fórmas hypocoristicas francezas dadas por Mowat:


Bastien de Sebastien. Guste de Auguste.
Billon » Barbillon. Livet » Olivet.
Briel » Gabriel. Mancet »
Clémencet.
Brois » Ambrois, Ambroise. Mas » Thomas.
Colas » Nicolas. Maury » Amaury.
Cot » Jacot. Nardon » Bernardon.
Delle » Adèle. Pin » Chopin.
Fan » Stephan. Pold » Léopold.
Fonce, Fons » Alphonse. Randal » Durandal.
Gelle » Angèle. Sandre » Alexandre.
Gory » Grégory. Thézard » Balthazar.
Hippeau » Philippeau. Vestris » Silvestre.


Estes exemplos bastam para mostrar que as fórmas hypocoristicas creolas são o resultado da acção de leis geraes.