254 Me deziam, que—me livrara da grosseria o ruim methodo de historiar da Portugueza.

255 Tendo dentro de si filhos tam ingratos, que a modo de venenosas viboras lhe rasgaô a reputaçaõ.

256 Se alguma cousa me lastima, he ver, que a pouca noticia que della (a lingoa Portugueza) tenho, me fara levar o estilo de historia menos lustroso do que podera ir, sendo composto porque fizera seu fundamento na elegancia e fermosura da pratica mais que na verdade e certeza do que se conta; o que se naõ permitte em homem que professa nome de historiador authentico.—Prologo, p. 4.

257 With regard to these portraits, it may be observed that they are not well engraved; but according to the assurance of Brito, they were faithfully copied from the best likenesses extant. It would not be easy to find a portrait of Philip II. of Spain, who is here described as the eighteenth King of Portugal, which so decidedly expresses the character of that austere despot.

258 I am acquainted with this work only by means of the Spanish translation which is entitled:—Historia oriental de las peregrinaciones de Fernan Mendez Pinto, Portuguez. Madr. 1620. fol.

259 They are noticed by Barbosa Machado.

260 These works are more particularly noticed at the commencement of the preceding volume, page 14.

261 See preceding vol. page 431.

262 A writer of Spanish verse, and the author of several approved Spanish comedies.

263 Jacinto Cordero (according to the Spanish orthography and pronunciation of Cordeiro), Elogio de poetas Lusitanos. Lisb. 1631. Those who wish to study the progress of Portuguese poetry, will derive no information from this book.

264 A sufficient acquaintance with the more celebrated of these Portuguese sonneteers, may be acquired from the collection of Portuguese poems, edited by Matthias Pereira da Sylva, under the following fantastical title:—A Fenix renascida, ou Obras poeticas dos melhores engenhos Portugueses (though only those of the seventeenth century are included). Segunda ediçaõ. Lisb. 1746, in 3 volumes octavo. Not one half of this collection is worth perusing.

265 See preceding vol. page 428.

266 Barbosa Machado notices this polygraphic author with nearly as much enthusiasm as the Spaniards speak of Lope de Vega. He even asserts, that, in point of style Faria y Sousa may be placed on a parallel with the most distinguished of the ancient writers.

267 They are included in the first and fourth volumes of his Fuente de Aganippe. (Madrid, 1446).

268 The following sonnet will afford a specimen of these compositions. It is not indeed totally free from affected phrases; for example, the sixth line. But that line is sufficiently atoned for by the rest:—

Ninfas, Ninfas, do prado, tam fermosas
que nelle cada qual mil flores gera,
de que se tece a humana Primavera
com cores, como bellas, deleitosas;
Bellezas, ô Bellezas luminosas,
que sois abono da constante esfera:
que todas me acudisseys, bem quisera,
com vossas luzes, e com vossas rosas.
De todas me, trazey maes abundantes,
porque me importa neste bello dia
a porta ornar da minha Albania bella.
Mas vôs, de vosso culto vigilantes,
o adorno me negays, que eu pretendia,
porque bellas nam soys diante della.

269

Cante de Amor os puntas penetrantes,
Que de huns divinos olhos despedidas,
Despois de dadas immortaes feridas
Sairam do meu peito triumfantes; &c.

270 This singular declamation is as follows:—

Vos Satiros biformes que lavando
neste ribeiro estays o pè ligeiro,
deixay, deixay, o limpido ribeiro,
que em profano exercicio ides turbando.
Porque os aureos cabellos vem mostrando
sobre essa superficie o meu Luzeiro,
que là no fundo della he Sol primeiro,
a donde o mesmo Sol està cegando.
Deixayme sô na liquida corrente;
porque nam sairà do vitreo seyo,
se acompanhado aqui de alguem me sente.
Assi Menalio disse de Amor cheyo:
e o lavor do lavar a torpe Gente
nam deixou nunca, nem Albania veyo.

271

Dizerte a minha pena me recrea;
Porem na boca sinto huma amargura,
De que he somente conhecida cura
A tua numerosa e doce vea; &c.

272 For example, the following reminiscential sonnet, which is disfigured only by the concluding phrase:—

Sempre que torno a ver o bello prado
onde primeira vez a soberana
divindade encontrey con forma humana,
ou humana esplendor deificado:
E me acordo do talhe delicado,
do riso donde ambrosia, e nectar mana,
da fala, que dà vida quando engana,
da branca maõ, e do cristal rosado:
Do meneo suave, que fazia
crer que de brando Zefiro tocada
a Primavera toda se movia;
De novo torno a ver a Alma abrasada;
e em desejar sômente aquelle dia
vejo a Gloria Real toda cifrada.

273 For instance the following:—

Passáram ja por mim loucos verdores
do fresco Abril da humana vaidade;
Primavera tam fora da verdade,
que as flores sam engano, o fruto errores.
Passáram ja por mim inuteys flores,
o Veraõ passou jà da ardente idade:
prazer acomodado à mocidade;
veneno da razam em bellas cores.
Bem creo que estou dellas retirado;
mas nam sey se de assaltos vaõs, tiranos,
que tem o entendimento ao jugo atado.
Porque mal me asseguram meus enganos,
que o fruto destas flores he passado,
se os costumes nam fogem como os annos.

274 They are contained in the first and fourth volumes of the Fuente de Aganippe, see page 279.

275 No es dar liberdad de consciencia, para introducir siempre escorias y licencias, sino advertir que un hombre grande puede hazer tal vez lo que quisiere, y es gravissime crimen el pedirlo cuenta; y mas, si se lo pide algun Pigmeo en estudios y en juizio.

276 Lo que ella (la poesia) solamente quiere,—es invencion, imagenes, affectos y alarde de todas sciencias.—And yet he has declared shortly before, that learning is not essential to poetry. It is not worth while to transcribe in the author’s own words, the other critical judgments here quoted.

277 Barbaso Machado, in his Lexicon of learned men, expressly says of Faria e Sousa, that he was indebted to his extraordinary talents and knowledge de ser venerado por Oraculo.

278 Those who understand, or imagine they understand Portuguese, may try how far it is practicable to translate verbally the commencement of one of these eclogues:—

Roque. He gram coisa bergonha ter no rosto;
a o tella nelle antrambos ugalmente,
agora a hum põto aqui ambos ha posto
A poys tàmen dos dous algó nõ mente
digeme, ò certo, se de mim Martinho
mal falou honte a aquella boa gente.
Afons. Se a todos lhe esquece o Samsodorninho,
como lhes lembrarias? Sò tratàmos
de dar ós bolos fim, a fim o binho.
Em tè, maes nom querer todos folgamos.

279 The commentary on the Lusiad is published separately. It is entitled, Lusiadas de Luis de Camoens, &c. commentadas por Manuel de Faria y Sousa. Madr. 1639, 4 parts, in 2 folio volumes. The commentary on the miscellaneous poems of Camoens is entitled: Rimas varias de Luis de Camoens, &c. commentadas por Man. de Faria y Sousa. Lisb. 1685, in 7 small folio volumes. The latter, therefore, was not printed until thirty-six years after the death of Faria e Sousa.

280 An abundant collection of comic sonnets, decimas, canções and epigrams by Noronha, may be found in the fifth volume of the Fenix renascida, already quoted.

281 A specimen shall be given here, little worthy as such fooleries are of perusal. The sonnet is written to rhymed endings (com consoantes forçados.)

Naõ socegue eu mais, que hum bonifrate,
De agoa sobre mim se vase hum pote,
As galas, que eu vestir, sejaõ picote,
Com sede me dem agua em açafate;
Se jogar o xadrez, me dem hum mate,
E jogando às trezentas hum capote,
Faltemme consoantes para hum mote,
E sem o ser me tenhaõ por orate;
Os licores, que beba, sejaõ mornos,
Os manjares, que coma, sejaõ frios,
Naõ passee mais ruo, que a dos fornos;
E para minhas chagas saltem fios,
Na cabeça por plumas traga cornos,
Se meus olhos por ti mais forem rios.

282 The language of this sonnet will enable the reader to form a right idea of the merits of the author, who was, however, much admired in the age in which he lived!

Desdourem-se as areas do Pactolo,
Turvem-se as claras aguas do Canópo,
O bebado de Bacco entorne o copo,
Rache a guitarra o franchinote Apollo.
Desencache-se o Ceo de polo a polo,
A douda Venus morra, e o seu cachopo,
Em fim pereça tudo quanto topo,
Que a Lereno matou o villaõ de Eolo.
Por Jesu Christo se entre maõs tomara
Este villaõ ruim, o Rei do vento,
Com hum vergalho de boy o debreara.
Por S. Pedro do Ceo, que hum momento
A miseravel alma lhe mandara
C’um piparote ao reino do tormento.

283 The Obras poeticas of Barbosa Bacellar were printed at Lisbon in the year 1716. The greater part consists of poems which are also dispersed through the Fenix renascida.

284 For instance, the following to a nightingale in a cage; a favourite theme with the Portuguese sonneteers:—

Ave gentil cativa, que os accentos
Inda dobras com tanta suavidade,
Como quando gozavas liberdade,
Sendo do cãpo Amfiaõ, Orfeo dos ventos:
Da vida livre os doces pensamentos
Perdestes junto à clara suavidade
De hum ribeirinho, que com falsidade
Grilhões guardava a teus cõtentamentos.
Eu tambem desse modo fuy cativo,
Que amor me tinha os laços emboscados
Na luz de huns claros olhos excellentes.
Mas tu vives alegre, eu triste vivo,
Com que somos conformes nos estados,
E somos na ventura diferentes.

285 The Portuguese Saudades must by no means be confounded with the Spanish Soledades in the style of Gongora. (See preceding vol. page 435). In the Portuguese word Saudade are singularly blended the significations of Saùde (a salutation), and Soledad (the Spanish word for solitude). Hence also the untranslatable adjective Saudoso.

286 In these Saudades Aonio thus discourses with flowers. He turns from one to another, and finds in each a peculiar sympathy with himself:—

Cada flor o detinha,
E a cada flor attento
Sequellas inferia ao seu tormento,
Huma rosa encarnada
Com melindres de bella.
Com presumpções de estrella
Fazia aqui galante
Ostentaçaõ de purpura brilhante:
Aonio commovido
Lhe disse eternecido:
Ay fermosa memoria,
Retrato de huma gloria,
Que possui taõ breve,
Nevoa ao Sol, fumo ao ar, ao vento neve,
Mal lograda fermosa,
Rosa defunta, quando a penas rosa.
Em huma mata verde
Hum jasmim odorifero nevava,
E derramando cheiro
Ao vento suavizava,
Quando Aonio passando,
As vezes a cabeça meneando,
Disse comsigo: Ah triste!
Quanto ha jà que me falta o brando alento
Daquella voz branda o doce acento,
Que alegre a meus ouvidos respirava,
Com que a vida animava,
Fazendo verdadeiras docemente
Mentiras do Oriente.

But these beautiful plays of fancy are protracted to a tedious length.

287

Ouvi de hum pastor triste
De injusto amor o sentimento justo.

288 De huma alma morta o sentimento vivo.

289

Porem vive a memoria
Na bronze de alma.

290 Some are included in the second volume of the Fenix renascida, and among them are the Saudades de Albano.

291 These comic tales and other poems by Freire de Andrada, are printed in the third volume of the Fenix renascida.

292

Naõ mais, Plataõ, cançada fantasia,
Que me tem cõ tres onças de discreto
Mais carregado jà, que huma elegia,
E mais sentencioso, que hum Soneto:
Levar á praça quero a livraria,
Vender da Instituta até o Decreto.
Com os Juristas Vinnios, e Donelos,
E os Letrados do tempo Machavelos.
Livros a meus estudos sempre ingratos,
Hoje vossa liçaõ deixo importuna;
Passome ao bairro jà dos mentecatos,
Só por avisinhar com a fortuna:
Cuidey fosseis a meus trabalhos gratos,
E do minhas paredes a coluna,
Fiey muito no tempo, andey errado;
Porque tratey o Mundo como honrado, &c.

293

Ja para as Musas faço outra mudança,
Divertindo entre burlas tanto engano,
Que por ver, se de gosto o lança hum dia,
Joga com dados falsos a alegria.

294

Os olhos de atrevidos ou de honrados
Naõ conhecem no Ceo luzes mais bellas.
Piratos sam do Sol, ja rebellados,
Outro Flandes emfim contra as estrellas.

295

Corada a boca està fazendo afrontes
As rosas que secar de inveja vemos.

296

Se he que me pedem campo, estou rendido,
Pois em dous olhos vejo o Sol partido.

297

Quem a casa destroe, aonde mora?
Muito mas o altar, onde se adora.

298

Naõ das fruto às aveças, comodo errado,
As lagrimas primeiro que o peccado.

299

Que o Demonio da carne acobardado
Foge da Cruz, e chega-se ao Cruzado.

The word Cruzado, which is the name of a Portuguese coin with the impression of a cross, may likewise signify a person who is crossed, or who bears the sign of the cross, or the cross of a military order.

300

Diz, que nasceo guerreiro—
No signo de Leão, que he deshumano.
Eu sey, que no do Tauro, e naõ me engano.

301

E se pecca no quinto mandamento,
Somente he por palavra, ou pensamento.

302

Tinha Narcisso assomos de soldado
Animados do tinto, e do palhete,
Porém este Annibal, este alentado
Melhor despeja os frascos, que o mosquete.
Sobremesa Leaõ com rosto irado,
O campo da batalha era o bofete,
Bizarrias nos traz já muito usadas.
Que ergueo sempre copas, joga espadas.
Meteo maõ trinta vezes na estacada,
Nunca ferio ninguem co’a columbrina,
Todos lhe sabem a cõpleiçaõ da espada,
Que he colerica sim, mas naõ sanguina.
Jà mais trouxe a tizona ensanguentada,
Sempre temava seca a disciplina,
Que he valente opilado alguem presume,
Por naõ trazer na espada o seu costume; &c.

303 There is only sufficient space for a short specimen of this prattling nonsense:—

Leva de amor privilegios
E de Diana licenças
Para castigo de brutos,
Para encanto de bellezas.
Contra as bellezas dos bosques,
E os moradores das penhas
Dos olhos fulmina rayos,
E das maõs despede settas.
Lastima, e horror a hum tempo
Monte, e valle representa,
Naquelle gemendo brutos,
Neste suspirando Deosas; &c.

304 Even this sonnet is inserted in the Fenix renascida as a sample of excellence:—

Naõ viste, ó Licio, o ar de horror vestido
Arrastar negras sombras enlutado?
Melancolico o Ceo como enfiado
No regaço da noite adormecido?
Naõ viste, que de luz destituido
Deo ao orbe celeste esse cuidado
O Sol, paludamente agonizado,
De opposiçaõ maligna comprehendido?
Pois agora verás no mal presente
Pela morte de Filis toda a esfera
Padecer alta dor, grave accidente.
Que se em fim nesta ordem, que se altera,
Por hum Sol eclipsado isto se sente
Por hum Sol já defunto que se espera?

305 The collection is entitled, Parnasso Lusitano de divinos e humanos versos, Lisb. 1733, in two vols. octavo. Several of Violante do Ceo’s poems, both Portuguese and Spanish, particularly sonnets, are included in the first volume of the Fenix renascida.

306 The whole sonnet is here subjoined. Were it not for the celebrity of the authoress, it would scarcely be worth while to augment this collection of examples by such a specimen:—

Musas, que no jardim do Rey do dia
Soltando a doce voz, prendeis o vento:
Deidades, que admirando o pensamento
As flores augmentais, que Apollo cria;
Deixay, deixay do Sol a companhia,
Que fazendo invejoso o Firmamento
Huma Lua, que he Sol, e que he portento,
Hum jardim vos fabrica de harmonia.
E porque naõ cuideis que tal ventura
Póde pagar tributo á variedade
Pelo que tem de Lua a luz mais pura:
Sabey que por mercé da divinidade,
Este jardim canoro se assegura
Com o muro immortal da eternidade.

307

Si fue para tal Sol el mundo Occaso,
Tambien es de tal Sol el ciel Oriente.

308

Tu que Arraes deves ser da vital barca
Que navega no mar do mal tyranno,
Novo Galeno, Apollo Lusitano,
Medico em fim do Portuguez Monarca.

309 The following is a patriotic sonnet in question and answer. Violante do Ceo could not easily have paid a more affected compliment to King John IV.

Que logras Portugal? Hum rey perfeito.
Quem o cõstituîo? Sacra piedade.
Que alcançaste com elle? A liberdade.
Que liberdade tens? Serlhe sujeito.
Que tens na sujeição? Hõra, e proveito.
Que he o novo Rey? Quasi deidade.
Que ostenta nas acções? Felicidade.
E que tem de feliz? Ser por Deos feito.
Que eras antes delle? Hum labyrinto.
Que te julgas agora? Hum firmamento.
Temes alguem? Naõ temo a mesma Parca.
Sentes alguma pena? Huma só sinto.
Qual he? Naõ ser hum mundo, ou naõ ser cento,
Para ser mais capaz de tal Monarca.

310 The five escutcheons which constitute the Portuguese arms.

311 This interminable epistle commences thus:—

Já que haveis de surcar as crystalinas
Aguas da Foz do Tejo áquellas prayas,
Que o mundo vio ao tremolar das Quinas.
Em quanto as vossas voadoras fayas
As azas desfraldando, levaõ ao vento,
Seguindo as suas prateadas rayas;
Ouvi o rouco som deste instrumento,
Que inda que toca, os pontos desentoa,
Que he differente a voz do pensamento.
Naõ julgueis o que he pelo que soa,
Que se na citra do papel a penna
Toca suave, rijamente atroa; &c.

312 It is contained in the second vol. of the Fenix renascida.

313 The fame of this Bahia must at last have totally died away. Barbosa Machado does not mention him. The editor of the Fenix renascida seems, however, to have entertained a particular partiality for this rhymester; for Bahia’s witticisms occupy a considerable portion of that work.

314 The following octave, which forms the commencement of Bahia’s Polyphemus, may be quoted as the last specimen of this monstrous style. These lines were afterwards parodied:—

Donde Neptuno cõ grilhões de argento
Prende o robusto pé do Lilibeo,
Que ao Ceo dá gosto, á terra dá tormento,
Gloria de Jove, inferno de Tyfeo:
Entre hum campo, que tem no monte assento,
Colosso o monte, o campo Colysseo,
Cerra hum penhasco huma caverna fria,
Donde a noite naõ sahe, nem entre o dia.

315 Such humorous descriptions as the following, occur not unfrequently in Bahia’s long romances of travels:—

As mininas dos meus olhos
Choravaõ como mininas
Pedaços d’alma, que entaõ
De cantaro parecia.
Perlas netas naõ choravaõ,
Que como saõ taõ tenrinhas,
Inda naõ tem perlas netas,
A penas tem perlas filhas.
Dava-me a agua pela barba,
E creyo se affogaria,
O meu rosto, se o meu rosto
Naõ nadára com bexigas.
Mas a fim, que o dia, e hora
Da jornada me esquecia,
Porque sobre ingenium tardum
Sou tambem memoria infirma; &c.

316 This lyric eulogy is thus superscribed:—

Ao serenissimo Rey D. Affonso, quando mandou alistar por soldado a Santo Antonio de Lisboa.

Bahia advises his sovereign to suspend the further levying of troops. He says:—

Deixay mais listas, pois jà
Santo Antonio se alistou,
Que como suo pay livrou,
Sua patria livrarà.

317 Barbosa Machado notices him in an ostentatious manner, and enumerates all his writings.

318 In the following the idea, though false in itself, is interestingly expressed. The poet asserts, that he who tells his pain, suffers more than he who conceals it.

Na queixa o sentimento se engrãdece,
No silencio se afrouxa o sentimento,
Que se o lembrar da dor dobra o tormento,
Quem suffoca o pezar, menos padece.
No silencio talvez a dor se esquece;
Na voz naõ póde ter esquecimento,
Com que a dor no silencio perde o alento,
Quando a magoa na queixa reverdece.
Se a memoria do mal dobra o penoso,
E quem o diz desperta essa memoria,
Mais sente, que quem dentro a pena feixa;
Porque este no silencio tem repouso,
E aquelle augmenta a dor, se a faz notoria,
Pois renova o pezar, quando se queixa.

319 The following sonnet, which is poetically conceived and executed shall serve as an example. It is addressed to a laurel tree against which a sun-flower reclines:—

Aqui tens a fineza bem nascida,
Se aqui tens Febo a queixa bem fundada,
Pois te segue huma flor enamorada,
Se te foge huma planta endurecida.
Nasce huma Clicie de attençaõ vestida,
Junto a huma Dafne de aspereza armada,
Que onde a belleza blasonou de amada,
Naõ se queixe a belleza de offendida.
Eu amo, e meu amor nada consegue,
E porque de esperanças me despoje,
O que me desagrada me persegue:
Oh como estamos differentes hoje,
Que a ti te foge o tronco, a flor te segue,
A mim me segue o tronco, a flor me foge.

320 His works have been with great veneration preserved by different collectors, and were published by Domingos Carneiro, under the title of Poesias varias da Andre Nunes da Sylva, recolhidas, &c. Lisb. 1671, in one vol. octavo, dedicated to the author.

321 The following sonnet on the catholic worship of the cross may serve as a specimen:—

Se em golfo de sereas proceloso,
Empenho repetido do cuidado,
O sabio Grego, ao duro Mastro, atado
âs Sereas escapa cauteloso.
Eu, no mar deste mundo tormentoso
De Sirtes et Sereas povoado,
â vossa Cruz, Senhor, sempre abraçado
Os perigos escape venturoso.
Oh livraime, meu Deos, de tanto astuto
Laberintho, de tanto cego encanto,
Para que colha desta planta o fruto;
Que he justo, doce Amor, em risco tanto,
Se salva a Ulisses hum madeiro bruto,
Que a mim me salve este madeiro Santo.

322

O tumulo de Isabella,
Do firmamento flor, do campo estrella.

And then again:—

Muzico Rouxinol, joga animada
Es Orpheo aos sentidos, flor á vista.

323 The following is a stanza of one of his patriotic odes:—

Suspendese confuso o Castelhano
De ver de Portugal o brio ouzado,
E guarnecendo a praça, troca ufana
O trofeo em cuidado;
Retirarse procura,
Porem o Luzo altivo
A batalha o provoca vingativo;
A hum monte se encomenda cautelozo;
Azas o Luzo veste bellicozo,
Hum comete feroz, outro reziste,
Este se anima, aquelle cahe por terra,
Tudo he mal, tudo he pena, tudo he guerra,
Que neste duro empenho de Mavorte
Reina a ira, arde o fogo, impéra a morte.

324 Besides the Fenix renascida, which contains an account of most of the Portuguese sonneteers of the seventeenth century, there is a later, but upon the whole a much worse collection of the same sort, which comprises only two volumes, though it extends beyond the close of the eighteenth century. It is entitled:—Eccos que o clarim da Fama dà; Postilhaõ de Apollo, &c. (Echos which resound from the trumpet of Fame, or the Postillion of Apollo.) The title is still longer, and the remainder is in still worse taste. The collection was published at Lisbon in the year 1761.

325 Retiro de cuidados, e vida de Carlos e Rosaura, composto pelo Padre Matheus Ribeyro, &c. Lisb. 1688. 4 parts in 2 vol. oct.