XXIV
Virtude, não és mais que um nome

Depois da morte de Cezar, os seus assassinos, forçados a fugirem deante da cólera do povo, levantado por Antonio, retiraram-se para a Macedonia. Os triumviros avançaram contra elles com forças consideraveis. Alguns dias antes da batalha, que devia decidir da sorte da republica, e n'uma noite em que Bruto velava na sua tenda, entregue a sombrias reflexões, pareceu-lhe, de repente, que ouviu entrar alguem. Volvendo-se viu um phantasma horrivel na sua presença.

—«Homem ou deus, quem és?»—lhe diz Bruto.

—«Sou o teu mau genio—responde—; vêr-me-has em breve em Philippes.»

Esta prophecia não devia tardar a realisar-se. Poucos dias depois, com effeito, e na noite que precedeu a batalha de Philippes, quando Bruto velava só na sua tenda, segundo o seu costume, em quanto que todo o exercito estava mergulhado em somno, o mesmo phantasma lhe appareceu segunda vez, o olhou com ar sinistro e se retirou sem proferir uma unica palavra. No dia immediato, a liberdade romana expirava nas planicies de Philippes, e Bruto matava-se, soltando esse grito de desanimo, muito conhecido:

—«Virtude, não és mais que um nome!»