XLVII
Mario sobre as ruinas de Carthago

Mario, livre das prisões de Minturnes, fez-se á vela para a Africa. O navio que o conduzia, privado d'agua, quiz aportar á Sicilia, mas uma força armada assaltou a equipagem, matou varios homens, e o proprio Mario só com difficuldade escapou. Alguns dias depois desembarcou na Africa, nos mesmos locaes aonde se elevava outr'ora a poderosa cidade de Carthago.

Apenas em terra, Sextilio, pretor da Lybia, homem dedicado a Sylla, fez-lhe intimar ordem de deixar aquella provincia, e como o mensageiro lhe pedisse uma resposta, elle disse-lhe:

—«Vae dizer a teu senhor, que viste Mario, errante e fugitivo, sentado sobre as ruinas de Carthago!»

A presença d'este grande proscripto sobre as ruinas ainda fumegantes da antiga e poderosa rival de Roma, é um dos mais frisantes exemplos das vicissitudes humanas, e a maneira simples e energica com que esta approximação é expressa, faz d'elle uma das mais sublimes lições que a historia tem tido a consignar.

Toda a gente conhece o verso em que Delille poz em presença esses dois infortunios:

«E essas ruinas, sim, consolavam-se a si!»