Moliére alliava a um grande genio as mais formosas qualidades do coração, e tinha uma alma ao nivel do seu espirito. Caracter suave, complacente e generoso, nunca o abandonava o seu elevado sentimento caritativo.
Um dia em que partiu para S. Germano approximou-se-lhe um mendigo e pediu-lhe esmola. Moliére lançou-lhe uma moeda e subiu para o trem. Instantes depois percebeu que o pobre o seguia correndo. Fez parar. O pobre chegou-se e disse-lhe:
—«O senhor enganou-se, de certo, porque me deu um luiz, que eu venho entregar.»
—«Não, meu amigo—acudiu—e aqui tens outro.»
E como o seu genio estava continuamente álerta, e elle estudava em toda a parte a natureza, como homem que queria pintal-a, exclamou:
—Onde se vae aninhar a virtude?