LXV
Um imperador deve morrer em pé

Vespasiano, imperador romano, ia além de sessenta e nove annos, quando foi atacado da doença que o levou ao tumulo, não por agudos soffrimentos, mas por um enfraquecimento progressivo. Conservando até ao fim a sua serenidade d'alma, elle transformava em gracejo a apotheose que lhe ia ser conferida.—«Percebo que começo a tornar-me deus», dizia elle alegremente á medida que a sua situação se tornava desesperada. Apesar da sua extrema fraqueza não interrompeu um instante as suas occupações habituaes; dava tempo aos negocios e audiencia no leito. Afinal, sentindo-se desfallecer, fez um derradeiro e supremo esforço para se levantar, dizendo:

—«É preciso que um imperador morra de pé!»

E tendo-se feito vestir, expirou entre os braços dos seus officiaes.

—Luiz XVIII, nos ultimos dias da sua vida teve uma phrase que recorda a de Vespasiano. Apesar do depauperamento das suas forças, continuava a mostrar-se em publico e nos conselhos. A 25 d'Agosto de 1824, dia de S. Luiz, respondeu ao conde d'Artois, seu irmão, que o aconselhava a não receber:

—Um rei de França morre, mas não deve estar doente!»