S. João Baptista, filho de Zacharias e de Santa Elisabeth, prima da Virgem Santissima, retirou-se muito cedo para o deserto, levando uma vida cheia d'austeridades. Vestia uma pelle de camello atada á cinta por uma tira de couro, e o seu alimento constava de gafanhotos e mel bravo. Quando chegou á edade de trinta annos e foi preparado com rudes exercicios para o ministerio que lhe estava destinado, dirigiu-se ás margens do Jordão, prégando a penitencia, annunciando a realisação das prophecias e a vinda do Messias, que o tinha enviado para preparar os seus caminhos. «—Façam penitencia—exclamava elle—pois o reino dos céus está proximo». Os habitantes dos arredores corriam em multidão para o ouvirem. O synhedrio, tocado pelo seu genero de vida extraordinario e da sua eloquencia selvagem, enviou-lhe padres e levitas para saberem se era o Messias, ou Elias, ou simplesmente um propheta. Elle respondeu que não era propheta, nem Elias, nem Messias.—«Quem és então?, porque precisamos levar resposta aos que nos mandaram?»—«Sou a voz d'aquelle que grita no deserto:—tornae recto o caminho do Senhor!» E elle ajuntava:—«Aquelle que deve vir depois de mim é mais poderoso do que eu, e eu não sou digno de desatar os cordões do seu calçado. Moisés deu-vos a lei, mas o Christo vos dará a graça e a verdade.»
—Hoje estas palavras—gritar no deserto—teem um sentido desviado do primitivo. Significam na applicação—pregar, aconselhar, fallar em vão.