LXXXI
Templo de Jano

O famoso templo de Jano, que foi fundado em Roma por Numa, estava aberto durante a guerra e fechado no periodo da paz. Jano, o mais antigo rei d'Italia, ácerca do qual os mythologos teem dificuldade em se entenderem, passava por ter tido um reinado longo e tranquillo, o que o fizera considerar como o deus da paz e o tinha posto em grande honra para Numa, o rei mais sabio que teve Roma.

Durante um periodo de quasi mil annos, o templo de Jano só foi fechado oito vezes: a primeira no reinado de Numa; a segunda, no anno 519, de Roma, depois da primeira guerra punica; a terceira, no anno 723, depois da batalha d'Actium; a quarta, no anno 730, depois da guerra cantabrica; a quinta, no anno 740, apoz a pacificação da Germania; a sexta, no anno 824, por Vespasiano, depois da conquista da Judeia; a setima, no anno 834, por Domiciano, em seguida á guerra dos Dacios, e a ultima, no anno 994, por Gordio III, vencedor dos persas.

É esta a ultima menção que a historia faz d'esta cerimonia. Virgilio, no livro VII da Eneida, fez a descripção do templo de Jano e do cerimonial que presidiu á sua abertura.

—É por allusão a este templo, que se diz no estylo oratorio, e, sobretudo, em poesia—abrir o templo de Jano—para fazer guerra, começal-a, declaral-a, e—fechar o templo de Jano—para conclusão do tratado de paz, e pôr fim ás hostilidades.