VI
Bibliographia musical do Fado

É quasi impossivel coordenar um catalogo completo dos Fados (musica) hoje mais ou menos vulgarisados em Portugal.

Succedem-se uns aos outros. Apparecem, alguns d’elles gosam de certa popularidade, e demoram-se até que um novo Fado lh’a roube ou pelo menos cerceie; outros não encontram ecco no gosto publico, passam e esquecem rapidamente.

O catalogo alphabetico, que em seguida publicamos, abrange, ainda assim, mais de 100 Fados.

As indicações bibliographicas, que pudemos reunir, são por vezes deficientes, mas algumas não deixarão de ser interessantes.

De muitos Fados se ignora o nome do auctor.

A este respeito baldamos longas pesquizas e aturados esforços, mas tivemos de resignar-nos a mencionar apenas o titulo dos Fados por não haver meio de descobrir quaes foram os seus auctores.

É possivel que, n’uma nova edição, logrêmos preencher algumas lacunas.

Sempre que dissermos Fados, deve entender-se que são as composições musicaes d’este nome; quando se trata apenas da cantiga ou lettra, temos o cuidado de o fazer sentir para evitar equivocos.

Como entre a entrega do manuscripto ao editor e a publicação do livro mediaram largos mezes, pudemos addicionar a este capitulo alguns fados que foram publicados ou reeditados entretanto; bem como a noticia de outros que chegaram ao nosso conhecimento, e varias indicações que encontramos na imprensa relativas ao assumpto.


Posto isto, segue o catalogo.

Açoriano (Fado)

Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa.

Albertina (Fado)

Editor Raul Venancio, rua do Ouro, Lisboa.

Alcantara (Fado d’)

O sr. Fernando Diniz, professor lisbonense de guitarra, recolhe todos os Fados que vae ouvindo.

Possue uma collecção de mais de 60, mas não sabe o nome dos auctores de muitos d’elles.

Só por este colleccionador é que tive noticia do Fado d’Alcantara.

Alegre (Fado)

Auctora, Theodolinda E. Silva.

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Algarve (Fado do)

Musica de Alberto de Moraes; lettra de Bernardo de Passos.

Lettra:

Meu doce fado, és tão triste
Como á noite a voz do mar;
Tão triste, que a quem te canta
Dás vontade de chorar.
Eu não sei quem fez o fado,
Mas tenho d’isto a certeza:
Quem lhe deu esta tristeza,
Amou e não foi amado.
Se um dia a trança te ardesse
Nas chammas do teu olhar,
Nem talvez todo o meu pranto
Pudesse o fogo apagar.
Nada maior do que o ceu,
Que é immenso como o espaço,
Pois o ceu cabe em teus olhos
E tu cabes n’um abraço.
Teu chorar é uma aurora
E dizes que soffres tanto...
Mais triste do que o teu pranto
É meu rir a toda a hora.
Nos braços da cruz morreu
Por sina o proprio Jesus.
E eu morro longe dos teus,
Sendo tu a minha cruz.

Editores d’este Fado: Benjamin & Filgueiras, Lisboa.

Alijó (Fado de)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Amanhã (O) Fado.

Este Fado era cantado pelo actor Queiroz na revista do anno de 1895, Retalhos de Lisboa, por Eduardo Schwalbach Lucci.

Foi lithographada a musica na officina da rua das Flores, 13, Lisboa.

Basta citar uma ou duas copias para dar idéa da intenção do titulo:

De navios é preciso
Nossa esquadra guarnecer.
Amanhã se trata d’isso,
Hoje ha muito que fazer.
É força tomar juizo,
As finanças recompor.
Hoje não, oh que maçada!
Amanhã, se faz favor.

Amphiguri (Fado)

Publicado no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 49.

Anadia (Fado)

Este Fado nem foi composto pelo penultimo conde de Anadia, como muita gente suppõe, nem teve por berço a villa da Anadia.

Testemunha contemporanea (o fallecido Severo Ernesto dos Anjos) contou-me uma vez que o titulo d’este Fado lhe adveio de ter sido offerecido em Lisboa áquelle titular por um musico, de que me disse o nome, que infelizmente esqueci.

Vem publicado no 5.º fasciculo do Cancioneiro de musicas populares, e ahi se diz que «é uma das musicas no estylo moderno, do genero, mais distincta e não monotona.»

Incluido nas collecções das casas Lambertini, Sassetti, etc. de Lisboa, e da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.

O conde de Anadia viveu na bohemia elegante, mas não cantava o Fado, e supponho que não tocava guitarra.

Antonino (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Armada (Fado da)

Este Fado foi aproveitado por Freitas Gazul na revista de Souza Bastos Sal e pimenta. Cantava-o actriz Carmen Cardoso, applicando-lhe quadras allusivas aos vehiculos do empresario Jacinto, que então faziam carreiras nas ruas de Lisboa. Por este motivo se lhe ficou chamando tambem Fado do Jacinto.

Vide Jacinto.

Artilheiro (Fado)

Vide Fado Robles.

Até Chora! (Fado)

Composição de Julio Neuparth.

Atroador (Fado)

Incluido na 1.ª série de Fados da casa Sassetti, de Lisboa, e na collecção da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.

Ballada (Fado)

Original de Militão Lucio Garcia Coelho, professor de piano em Lisboa.

Beira (Novo Fado da)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra, na sua collecção.

Bohemio (Fado)

De Reynaldo Varella. Editado no Porto, para piano, por Eduardo da Fonseca.

Lettra:

Guitarra, minha guitarra,
Vamos correr esse mundo.
Será, vendo-te a meu lado,
Meu pesar menos profundo.
Quando eu gemer tu suspira,
Sorrirás quando eu sorrir.
Havemos assim, guitarra,
Prazer e dor compartir.
Quando a saudade da amante
Vier meus olhos turvar,
Tu cantarás, e cantando
Minha dor has de acalmar.
Entre as folhas orvalhadas
Dormem as rosas e os lirios.
Não dorme quem tem amores,
Porque amores são martyrios.

Branco e Negro (Fado do)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Brazileiro (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Brilhante (Fado)

Canto nacional para piano por N. S. Propriedade do auctor. Lith. R. das Flores—Lx.ᵃ.

Brisa (A) Fado

Composição de Francisco Jorge de Sousa Bahia, professor de musica em Lisboa.

Brisa e Rosa (Fado da)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Campestre (Fado)

Incluido (com o n.º 23) na 2.ª serie de Fados da casa Sassetti. Publicado no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 33.

Cantadores (Fado dos)

Incluido (com o n.º 22) na 2.ª serie de Fados da casa Sassetti.

Carmona (Fado)

Incluido (com o n.º 20) na 2.ª serie de Fados da casa Sassetti. Publicado no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 62.

Carriche (Fado de)

Pequena povoação da freguezia do Lumiar, arrabalde de Lisboa, Carriche é um sitio muito frequentado por occasião das esperas de touros, posto já o fosse mais, quando ali havia, ao fundo da calçada, o Hotel de Nova Cintra, com uma bella horta para comesainas ao ar livre. Hoje o dono do Hotel veio estabelecer-se no Campo Grande. No sitio, apenas restam algumas tascas, que ainda assim fazem bom negocio em noitadas de touros, e que são habitualmente visitadas pelos saloios que ali passam.

Cascaes (Fado)

Muito vulgarisado. Incluido (com o n.º 18) na 2.ª serie de Fados da casa Sassetti, e na collecção de 8 Fados da casa Lambertini. Publicado no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 56.

Cascaes é a praia aristocratica de Portugal; a praia da côrte.

Cascos de rolhas (Fado de)

Incluido (com o n.º 27) na 3.ª serie de Fados da casa Sassetti.

Casino Lisbonense (Fado do)

Original de João Maria dos Anjos.

Veja pag. 68 d’este livro.

O guitarrista João Maria dos Anjos

Cega (Fado da)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Cegos (Fado dos)

Incluido (com o n.º 17) na 2.ª serie de Fados da casa Sassetti.

Celta (Fado do)

Publicado no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 72.

Cezaria (Fado da)

Este Fado para guitarra foi dedicado por Ambrosio Fernandes Maia, como já dissemos, a uma rapariga de nome Maria Cezaria, continuadora das tradições fadistas da Severa.

A ella se refere a ultima das seguintes glosas de um Fado moderno:

Quando a Severa cantava,
Dizem os faias antigos
Que a pedido dos amigos
Grande copasio empinava.
Sem isso bem não cantava,
Não trinava com paixão;
Mas se via um cangirão
Dizia, ao som do fadinho:
—Venha lá mais um copinho
D’esse vinho de tostão.
E houve ainda outra canaria
Que tambem fazia o mesmo
E bebia sempre a esmo,
De fórma extraordinaria.
Chamava-se ella Cezaria
E era como a toutinegra,
Que canta sempre com regra
Tendo vinho ou agua-pé,
Pois já dizia Noé:
Só o vinho nos alegra.

(Transcriptas do Almanach da Severa para 1902).

Chegou! chegou!

O mesmo que Fado Visconti. Vide Visconti

Chiado (Fado do)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

Choradinho (Fado)

O Cancioneiro de musicas populares (fasc. 18) traz este popularissimo Fado com a seguinte annotação: «Recolhido em Lisboa, em 1850. Este é um dos fados propriamente ditos, e dos mais antigos, por onde se moldaram outros muitos que posteriormente appareceram.»

Não ha duvida que é, chronologicamente, dos primeiros. Mas o primeiro decerto não foi. (Vide Fado do marinheiro). Bem podia elle ter estabelecido o typo d’este genero de canções a julgar pela sua grande espontaneidade de sentimento, singela e profunda. Todavia a designação de Fado choradinho parece indicar que já havia outros, e que este se distinguia por um tom ainda mais plangente, d’onde lhe viera o nome. Em verdade, dir-se-ia um rosario musical feito de gemidos e suspiros.

O Cancioneiro dá-lhe a lettra de algumas quadras populares, taes como esta:

Quem tiver filhas no mundo
Não falle das malfadadas:
Porque as filhas da desgraça
Tambem nasceram honradas.

É claro que se lhe póde applicar qualquer outra lettra.

Este Fado está vulgarisadissimo.

Em Lisboa anda nas collecções das casas Sassetti, Engestrom, Lambertini, etc.

No Porto, Moreira de Sá escreveu sobre elle variações para piano, para rabeca, bandolim ou flauta com acompanhamento de piano ou de violão e guitarra.

Em Lisboa, Rey Colaço tambem glosou o Fado choradinho; dizia o jornal Novidades, de 31 de janeiro de 1903:

«Foi agora posto á venda mais um trabalho do illustre pianista Rey Colaço, uma das mais poderosas organisações artisticas do nosso paiz. É um fado (choradinho), e, como todas as producções inspiradas na melopeia que é o caracteristico da nossa raça, esta de Rey Colaço é cheia d’uma melancolia de poente do outono, terna e triste como uma despedida.

«O delicioso fado, que é dedicado ao sr. Raul Lino e estampa no frontispicio a reproducção da casa portugueza que aquelle architecto anda a construir para Rey Colaço, está á venda em todos os armazens de musica.»

Choramigas (Fado)

Incluido (com o n.º 34) na 3.ª serie de Fados da casa Sassetti.

Cigarreiras (Fado das)

Incluido (com o n.º 26) na 3.ª serie de Fados da casa Sassetti.

Cinira Polonio (Fado)

É o nome da gentil actriz brazileira, que durante muitos annos viveu e representou em Portugal, e que está actualmente na sua patria.

Este Fado foi recolhido pelo sr. Fernando Diniz (logar citado).

Cintra (Fado de)

Auctor, A. dos Santos Garcez.

Coimbra (Fado de)

Publicado no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 29.

Incluido (com o n.º 8) na 1.ª serie de Fados da casa Sassetti.

Collecção de fadinhos

(Vide Fadinhos).

Corrido (Fado)

O Cancioneiro de musicas populares diz que este Fado já era popularissimo em 1870, e dá-lhe a lettra de algumas quadras que andam na tradição oral.

Mas o Corrido não é mais que o simples acompanhamento do canto.

Sobre este typo melodico teem sido bordadas muitas variantes por Alexandre Rey Colaço, Reynaldo Varella, Militão e outros, incluindo um compositor extrangeiro, Munier.

O Fado corrido anda em todas as collecções.

Cotovia (Fado da)

Não sei o nome do auctor.

Custodia (Fado da)

Auctora, Custodia Maria. É antigo.

Damas (Fado das)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Desfalque, O (Fado)

Cantado na revista do anno, Agulhas e alfinetes, de Eduardo Schwalbach Lucci.

Dez mandamentos (Fado dos)

Por uma referencia do livro In illo tempore, de Trindade Coelho, sabemos da existencia d’este fado: «um condiscipulo que nós tinhamos chamado Miguel Dias, que era doido por musica, e levava o tempo a tocar violão, e a cantar o fado dos Dez mandamentos».

Diario de Noticias (Fado do)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

Dias de Souza (Fado)

O sr. J. Dias de Souza é aspirante dos telegraphos no Porto, collaborador de varios jornaes, auctor de alguns fados e acompanhador, á viola, dos primeiros guitarristas portuenses.

Antonio Mouson não gosta de tocar sem ser acompanhado por elle.

Nascido no Porto, baixo e extremamente magro, Dias de Souza, que não conta mais de trinta e tantos annos, tem uma physionomia illuminada por uma dupla expressão de intelligencia e bondade.

Domingos de Campos (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Eduardo Silva (Fados)

1.º, 2.º e 3.º

Recolhidos pelo sr. Fernando Silva na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Elegante (Fado)

Nada pude apurar a respeito do nome do auctor.

Elite (Fado da)

Composição do sr. Carlos Stuart Torrie, actualmente residente em Lisboa, mas oriundo de uma familia portuense.

Este Fado, foi editado pelo proprio auctor, em 1900.

Tem segunda edição.

A lettra é do sr. Mattoso da Fonseca. Transcrevemos as primeiras trez quadras:

Morenas prendem á terra
Na graça do seu sorriso.
Louras levam-nos ao ceu,
Aos sonhos do Paraiso.
Tens a candidez dos lirios,
A graça das borboletas,
A modestia dos martyrios,
O pudor das violetas.
Através o veu subtil
O seu olhar feiticeiro
Brilha como o sol d’abril
Em manhãs de nevoeiro.

Estoril (Fado do)

É o n.º 25 da 3.ª serie de Fados da casa Sassetti.

O Estoril, sobre a linha ferrea de Cascaes, é hoje um dos sitios mais elegantes que a população de Lisboa procura para veranear. Possue lindos e numerosos chalets, um estabelecimento thermal, magnifico hotel, matta sombria, e uma excellente praia de banhos. Com o Mont’Estoril, S. João do Estoril e Parede, constitue actualmente uma nova serie de estações balneares, que se povoaram dentro de poucos annos, e que fazem grande concorrencia a Cascaes.

Estudante (Fado do)

Do seu auctor apenas sei que tem o appellido Leite.

Estudantes (Fado dos)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 56.

Fadinho liró

Composição de Francisco Jorge de Souza Bahia.

Fadinhos (Collecção de)

Auctor, Moraes. Esta collecção foi editada pela casa Moreira de Sá, no Porto.

Fadinhos Portuenses

Só a lettra, e sem valor litterario. Collecção publicada no Porto pela Livraria Portugueza, de Joaquim Maria da Costa, Largo dos Loyos, 5. Conheço o fasciculo 2.º, que comprehende: Fadinho Brazileiro, Fado dos Amantes, Fado de S. Martinho, Fado do Caminho de Ferro. Transcrevemos este ultimo:

Da estação de Lisboa
Ao Poço do Bispo salto,
Vi os Olivaes no alto,
Mais Sacavem, cousa boa;
Á Povoa fui dar á tôa,
De longe Alverca avistei,
De Alhandra me aproximei,
Villa-Franca tambem vi,
No Carregado desci,
Por Azambuja passei;
Eu vi do Reguengo a ponte,
E de Sant’Anna tambem;
Vi o Valle de Santarem,
Mais de Santarem o monte;
Valle de Figueira defronte,
Matto de Miranda a par,
Fui Torres-Novas passar,
Parei no Entroncamento;
De Paialvo n’um momento
A Chão de Maçãs fui dar;
De Caxarias—que tal?
Na Albergaria me puz;
De Vermoil—catrapuz!
Dei co’ os ossos no Pombal;
A Soure fui menos mal,
P’ra Formoselha voei,
P’ra Taveiro nem olhei,
Em Coimbra quiz descer;
Depois de Souzellas ver,
Á Mealhada cheguei;
P’ra Mogofores segui rumo,
Eu vi do Bairro Oliveira;
De Aveiro—que brincadeira!
Para Estarreja fiz fumo;
Em Ovar me puz a prumo,
No Esmoriz quiz saltar,
Pelo Espinho ali ficar,
Quiz ver a Granja primeiro,
P’ra Valladares fui ligeiro,
Té que ao Porto fui parar.

Fado (Novas cantigas do)

Por Jayme de Sá. É publicação anterior a 1882, e foi feita no Porto pelos editores Clavel & C.ᵃ, rua do Almada 119-123.

Fado (Um)

Vide Rey Colaço e Fado plagiario.

Fado (Um)

Para piano por D. Laura Gentil. Lisboa.

Fado Nocturno

Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa.

Fado Novo

Auctor, Raymundo Varella.

Fado Novo

Na revista Beijos de burro, representada em abril de 1904 no theatro do Rato em Lisboa.

Fado Serenata

Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa. Vide Sinhá.

Fados

Rapsodia de Fados, para piano, composição do professor da «Tuna do Diario de Noticias», Augusto Machado. Dedicados á sr.ᵃ D. Maria Guerra Quaresma Vianna. Estão impressos, mas já antes haviam sido executados em publico.

Fados

Por Veterano. Só a lettra, publicada no Porto, em 1902. São cinco fados, contendo allusões pessoaes, como os seus titulos indicam.

Fados

Para piano, «escriptos expressamente para o «Auto de Misericordia», do Ex.ᵐᵒ Snr. Severim de Moraes, peça representada no Theatro D. Amelia, no sarau dos distinctos estudantes da Escola Polythecnica por A. Mantua».

São dois Fados. A lettra, como acima se diz, é de Severim de Moraes.

Do 1.º Fado:

Não te cances a estudar,
Toma tento com a morte:
Que passar ou não passar
É tudo questão de sorte.

Do 2.º Fado:

Quando em noutes de luar
Sósinha cantas o Fado,
Ouve-se alguem soluçar
No velho quarto do lado.
Sou eu que sonho acordado,
Sou eu que estudo e versejo;
Sou eu que em sonhos te vejo,
Ó dona do triste Fado.

Fados modernos (Collecção de)

Só a lettra, e sem valor litterario. Publicada no Porto pela Livraria Portugueza de Joaquim Maria da Costa, Largo dos Loyos, 5. Contém:

Fado dos janotas (primeira parte), fado do adeus do degredado, fado do verdadeiro amor, fado da velha presumida, fado do pescador, fado do cego e o cão.

Fado do meu coração (segunda parte), fado do medo da trovoada, fado do beijo, fado do pastor, fado do meu anjo.

Fado da saudade (terceira parte), fado de Lisboa, fado da minha guitarra, fado do engeitado, fado da donzella e o espelho, fado do pastor.

Fado do exercito (quarta parte), fado do ramalhete, fado da ultima vontade, fado das tesouras, fado dos ladrões, fado das guitarras.

Fado do noivado (quinta parte), fado do meu desejo, fado do amor, fado do escravo, fado d’um baptisado, fado dos padeiros.

Fado dos animaes (sexta parte), fado do que eu amo, fado do jantar, fado das cosinheiras, fado das torradinhas.

Fado do engeitado (setima parte), fado dos dois esposos, fado da mulher, fado das eleições, fado do casamento, fado do bebado.

Fado das aves (oitava parte), fado do leque, fado da desgraçada, fado do desafio, fados das fructas.

Não sei se n’esta mesma collecção ou n’outra, da mesma casa, anda a lettra dos seguintes Fados: Do Marquez de Pombal, de Luiz de Camões, da Portugueza, da Deusa Venus, Lisboeta, Bréjeiro, do Exercito, Descriptivo, Tripeiro, da Maia, etc.

Estes dois ultimos já se vendiam (1884) na antiga Livraria Civilisação, do Porto, rua de Santo Ildefonso.

É curioso que no texto de qualquer dos dois Fados não haja nenhuma composição que justifique o titulo.

Sob a designação de Fadinho Tripeiro estão incluidos:

A joven seduzida, A phylloxera, Não posso deixar de amar, Poucos se affastam do vicio; e sob a designação Fadinho da Maia: O mendigo, A miseria, Não chores! As criadas de servir.

Vide Fadinhos Portuenses.

Fados modernos

Collecção de 99 cantigas sob o titulo—A Guitarra d’ouro. Collaboração de Augusto Garraio, Luiz de Athaide, Luiz d’Araujo, Joaquim dos Anjos, Armelindo Veiga, Baptista Diniz, A. Roldão, Carlos Harrigton, Celestino da Silva, Coimbra Lobo, Dupont de Souza, Eduardo Fernandes, Ernesto Varella, Feliciano Correa, J. Rodrigues Chaves, Julio Dumont, J. I. d’Araujo, Penha Coutinho, Salomão Guerra e F. Napoleão de Victoria.

Figueira da Foz (Fado da)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 28.

É o n.º 2, com o epitheto de «rigoroso», da 1.ª serie da casa Sassetti.

Tambem publicado pelas casas Engestrom e Lambertini, de Lisboa; e Eduardo da Fonseca, do Porto.

Fonte da Sereia (Fado da)

É o n.º 6 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.

Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.

A Fonte da Sereia, que deu o titulo a este Fado, pertence á bella Quinta de Santa Cruz em Coimbra.

Hoje construiu-se n’essa magnifica vivenda d’outr’ora um bairro novo, mas crèmos que a Fonte da Sereia subsiste de pé.

Furnas (Fado das)

Musica de Alberto de Moraes; lettra de Candido Guerreiro.

Este Fado deve ser de inspiração michaelense, porque o valle das Furnas é o sitio mais bellamente pittoresco da ilha de S. Miguel.

Garoto (Fado do)

Lettra e musica de D. Ernestina Leite.

D’este Fado, bem como do anterior, são editores Benjamin & Filgueiras, Lisboa.

Gato (Fado do)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 63.

É o n.º 6 na 1.ª serie da casa Sassetti.

O mesmo que Fado Taborda. Vide Taborda.

General Boum

O n.º 14 na 2.ª serie da casa Sassetti.

General Boum é o nome de uma das personagens da operetta A Gran-Duqueza de Gerolstein.

Graça (Fado)

A justificação do titulo está no facto de ter sido dedicada esta composição ao sr. Silva Graça, proprietario e director do jornal O Seculo.

Guitarra (A) d’Almaviva

Canções da plebe (collecção de Fados, cantigas) por Adelino Veiga. Porto, 2.ª edição, 1882.

Hylaria (Fado da)

Publicado pela casa Engestrom; Lisboa.

Hylario (Fado ao)

Veja-se o cap. V d’este livro, pag. 229.

Hylario (Fados do)

Veja-se o cap. V d’este livro, pag. 225.

Jacinto (Fado do)

Veja-se Armada.

Jacinto era o nome do empresario de uns vehiculos, que faziam carreiras nas ruas de Lisboa. Como os Ripperts, a empresa resistiu por muito tempo, e ainda mais do que elles, á concorrencia dos carros americanos.

Esta resistencia tornou-se celebre pela tenacidade, apesar da pesada contribuição que a camara municipal impoz ao Jacinto.

Por fim, a sua empresa seguiu o exemplo dos Ripperts e deixou-se absorver pela companhia dos americanos, com a qual se fundiu.

Agora vieram os carros electricos e metteram os americanos n’um chinelo, como estes tinham mettido os Ripperts e os Jacintos.

É a lei do progresso: Celi tuera cela.

Janotas (Fado dos)

Auctor, J. R. Cordeiro.

João Blach (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

João de Deus (Fado)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 73.

João e Helena (Fado)

É o n.º 21 na 2.ª serie da casa Sassetti.

João Maria dos Anjos (Fado)

Composto em 1868.

Jorge da Silva (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

José Ricardo (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz. José Ricardo é o actor d’este nome.

Lamparina (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Lapa dos poetas (Fado da)

É o n.º 5 da Collecção do estudante Candido de Viterbo. Editora, a viuva Paula e Silva.

A Lapa dos poetas é um logar celebre e pitoresco na quinta das Cannas em Coimbra.

Lazarista (Fado)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 73.

Leandro (Fado)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 69.

Leça (Fado de)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 59.

É o n.º 16 na 2.ª serie de Fados da casa Sassetti.

Leça da Palmeira, certamente. Assim se chama a villa que se defronta com a de Mattosinhos (arrabalde maritimo do Porto). O rio Leça, separando as duas povoações, deu o nome a uma d’ellas.

Tambem nos suburbios do Porto ha Leça do Bailio, notavel ainda hoje pelo seu templo gothico, que pertenceu á ordem militar de S. João de Jerusalem.

O Fado deve ser de Leça da Palmeira, terra de marinheiros e, por conseguinte, de guitarras.

Leixões (Fado de)

Este Fado é o n.º 35 na 3.ª serie da casa Sassetti.

Leixões, penedia distante meia legua da foz do Leça, deu o nome ao porto artificial que procurou evitar os perigos da barra do Porto para navios de maior tonelagem.

Tem um Fado, e já teve um poema (heroe-comico) As viagens a Leixões, publicado em 1855 por Alexandre Garrett, irmão do visconde de Almeida Garrett.

Limoeiro (Fado do)

Composição do Padre Borba.

Linda-a-Velha (Fado de)

Musica de Alberto de Moraes; lettra de Alfredo Portugal. Editores, Benjamin & Filgueiras, Lisboa.

Linda-a-Velha (Ninha-a-Velha se dizia antigamente) é uma graciosa povoação, que se ergue sobre um cabeço, na freguezia de Carnaxide, dominando o largo panorama do Tejo.

Liró (Fadinho)

Vide Fadinho liró.

Lisbonense (Fado)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 22.

É o n.º 5 na 1.ª serie da casa Sassetti.

Tambem publicado pelas casas Lambertini e Engestrom, de Lisboa; e Eduardo da Fonseca, do Porto.

Foi seu auctor João Maria dos Anjos.

Livro d’ouro do fadista

Nova collecção de fados para cantar ao piano e á guitarra, escriptos e recopilados por Faustino Antonio da Cunha. Porto, 1878, Editora—Livraria portugueza e extrangeira.

Luar (Ao)

Fado muito facil para piano por Antoine de Ferrière. Editora, a livraria Avellar Machado.

Lettra: duas quadras apenas.

Luiz Petroline (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Machado Corrêa (Fado)

Supponho que Machado Corrêa é o jornalista d’estes appellidos, que collaborou na Tarde, Dia e Novidades, foi ponto de theatro em Lisboa, auctor dramatico, e que tendo ido para o Pará, como secretario da empresa Sousa Bastos, por lá se deixou ficar, passando depois para o Rio de Janeiro. Ultimamente regressou a Lisboa.

Madrugada (Fado)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 27.

Maggioly (Fado)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 5.º.

Maggioly é o appellido de um dos nossos melhores tocadores de guitarra.

Veja pag. 63 d’este livro, nota.

Marinheiro (Fado do)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 68.

Marinheiro (Fado do)

Este Fado é differente do anterior.

Parece ser dos primeiros que se vulgarisaram em Lisboa, segundo informa o velho guitarrista Ambrosio Fernandes Maia.

Elle não tem ideia de outro qualquer Fado mais antigo.

Maritimo (Fado)

É o n.º 9 na 1.ª serie da casa Sassetti.

Meiguinho (Fado)

Por Alberto Pimenta: Porto, 1901. Lettra de Campos Monteiro.

Meu (O) enlevo

Fado muito facil para piano por A. Dourade. Editora, livraria Avellar Machado, Lisboa.

Lettra: duas quadras apenas.

Monchique (Fado de)

Lettra e musica de Alberto de Moraes.

Editores: Benjamin & Filgueiras, Lisboa.

Monchique é, como se sabe, a «Cintra» do Algarve.

Mondego (Fado)

Editor, Raul Venancio; rua do Ouro, Lisboa.

Morenas (Fado das)

Editado no Porto, para piano, por Eduardo da Fonseca.

Crêmos que foi recolhido na provincia.

Tem lettra, que não pudemos obter.

Mouraria (Fado da)

É o n.º 31 na 3.ª serie da casa Sassetti.

Tambem anda nas collecções das casas Lambertini e Engestrom, de Lisboa; e da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.

Mouraria é, como se sabe, um dos bairros fadistas de Lisboa.

Mousão (Fado)

O sr. Antonio Mouson (é assim que o seu appellido deve escrever-se) nasceu no Porto e foi discipulo, em guitarra, de João Maria dos Anjos.

O seu nome inscreve-se entre os dos primeiros guitarristas portuenses, que são, além d’elle, Chico Brandão e Guilherme de Campos.

Dizem-me d’aquella cidade, a seu respeito:

«É o mais fecundo auctor de fados, o mais sentimental na expressão e no canto, fino rapaz de sala, fallando distinctamente o castelhano, o francez e italiano, um dos melhores vivants da troupe bohemia.»

Outra informação acrescenta:

«De altura regular, robusto e valente, é, a par d’estas qualidades physicas, um excellente rapaz, coração de ouro e alma educada para comprehender e sentir todos os grandes affectos, todas as grandes dores. O Porto inteiro o conhece e estima; tem muitos amigos e admiradores.

«É frequentador dos theatros, bailes de mascaras e dos cafés, especialmente do Portuense, onde se encontra todas as noites.

«Apesar de ter a cabeça quasi branca, não conta mais de 36 annos.

«Dedilhando a guitarra, entoa fados deliciosos, que as mulheres escutam com enlevo.

«Já se tem feito ouvir nos nossos theatros e nas praias, portuguezas e hespanholas, sempre com vivo enthusiasmo e ruidosos applausos.»

Mulher (Fado da)

Recolhido pelo sr Fernando Diniz, professor de guitarra.

Muller fils (Fado)

Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.

Nacional (Fado)

Composto por João Maria dos Anjos.

Vem incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 54.

É o n.º 12 na 1.ª serie da casa Sassetti.

Nazareth (Fado da)

Nazareth, praia de banhos na Extremadura, districto de Leiria. Terra celebre pelo famoso milagre com que ali foi favorecido D. Fuas Roupinho.

Noite serena (Fado)

Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.

Notas falsas (Fado das)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

Novo fado

Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.

Olinda (Fado serenata)

De Jacinto Freire. Editor, Eduardo da Fonseca, Porto.

Lettra: