Musa, dá-me inspirações
Para o meu fado cantar,
Que enterneçam corações
E que os façam palpitar.
Cordas da minha guitarra,
Soltae uns tristes gemidos,
Lembranças da mocidade,
D’esses tempos tão queridos.
As minhas tristes canções,
Repassadas de amargura,
São saudades desfolhadas
Pelas noutes sem ventura.
Teus olhos de côr tão negra,
Brilhantes, meigos e lindos,
Desejos accendem n’alma
De beijos loucos, infindos.

Palmyra Bastos (Fado)

Pelo actor Roldão. Editora, a livraria Avellar Machado; Lisboa.

Este Fado chamou-se assim em razão de ter sido cantado por aquella actriz na revista Tim-tim por tim-tim.

Traz o retrato de Palmyra Bastos, a lettra em verso, e um artigo em prosa assignado por Julio de Menezes.

Parodia (Fado da)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, na sua collecção.

Pedro Rolla (Fado)

Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.

Pedrouços (Fado de)

O sr. Simões Ratolla, excellente consultor sobre tudo que diz respeito a Pedrouços, teve a gentileza de me fornecer a seguinte informação:

«O Fado de Pedrouços não tem lettra. A musica é de Antonio e Eduardo Castello Branco. Possuo um exemplar impresso, para piano, com 12 pautas, e com o n.º 982, que julgo ser de chapa.

«Nas caixas de musica, de 4 Fados, encontra-se um com a indicação: Fado de Pedrouços—Branco.

«É o mesmo Fado; evidentemente só ha um Fado de Pedrouços

Penedo da meditação (Fado)

É o n.º 1 da Collecção do estudante Candido de Viterbo, publicada em Coimbra.

Editora, a viuva Paula e Silva.

O «Penedo da Meditação», que fica nas proximidades de Cellas, é um dos sitios mais pittorescos e mais decantados dos arrabaldes de Coimbra.

Penedo da saudade (Fado do)

É o n.º 4 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.

Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.

O «Penedo da Saudade» é uma das mais encantadoras paragens do formoso aro que circumda a cidade de Coimbra. Sitio predilecto dos estudantes, como o «Penedo da meditação». Diz a lenda que D. Pedro I frequentava muito este logar, onde desafogava saudades da sua querida e desditosa Ignez.

Pimpão (Fado do)

Para piano e canto. Lettra de Pan Tarantula. Musica de Arthur Davis Tavares de Mello.

Na capa reproduz em miniatura o frontispicio de um numero do periodico O Pimpão.

Duas quadras, das seis que constituem a lettra:

O Pimpão é rei da troça,
O Pimpão é rijo d’aço!
O Pimpão entra na choça,
O Pimpão entra no paço!
Do Pimpão nasce a Folia,
Do Pimpão Jubilo brota,
Do Pimpão surde a Alegria
Do Pimpão salta a Risota!

Este Fado foi publicado pela empresa da folha humoristica O Pimpão.

Pina (Fado do)

Composição de Julio Neuparth.

Pintasilgo (Fado do)

Auctor, Rey Colaço. Veja-se este nome.

Pisões (Fado dos)

É o n.º 32 na 3.ª serie da casa Sassetti.

Pitada (Fado do)

É o n.º 19 na 2.ª serie da casa Sassetti.

Plagiario (Fado)

Por A. B. Ferreira Junior.

Editor, Eduardo da Fonseca; Porto.

O auctor intitulou assim a sua composição, porque n’ella imita outra de Rey Colaço, Um Fado, que está incluido nos 5 a que fazemos referencia no principio da noticia Rey Colaço.

Pobre preto (Fado do)

Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.

Popular (Fado)

Na 2.ª serie da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.

Porto (Fado)

Encontro uma referencia a este Fado no Livro d’ouro do fadista, Porto, 1878.

Diz assim:

Conhecendo o meu destino,
Julgando-me um desgraçado,
Dediquei-me d’alma e vida
Ás raparigas do fado.
Cantava ao som da guitarra
(Quantas vezes já tão torto!)
Um fadinho muito usado,
Chamado o Fado do Porto.

Povo (Fado do)

Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.

Primavera, A (Fado)

Editado no Porto, para piano, por Eduardo da Fonseca.

Vem acompanhado de lettra, que principia:

De tarde, virei da selva,
Sobre a relva,
Os meus suspiros te dar;
E de noite, na corrente,
Mansamente,
Mansamente te embalar!

Primeiro Fado

De Luiz Pinto d’Albuquerque. Offerecido a Rey Collaço. Publicado no Porto, por Moreira de Sá.

Traz as seguintes quadras:

O meu amor, que exquisito...
Sendo rosa desmaiada,
De cada vez que eu a fito
Torna-se logo encarnada!
Sei os segredos das rosas,
Da branca e da encarnada.
A encarnada anda d’amores;
Da branca não digo nada...

Quinta das lagrimas (Fado da)

É o n.º 3 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.

Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.

A Quinta das lagrimas, em Coimbra, é uma propriedade celebre pela sua belleza e pela lenda. Uma fonte, chamada dos amores, ainda hoje mantem a tradição.

Dos amores de Ignez, que ali passaram.
Vêde que fresca fonte rega as flores,
Que lagrimas são a agua, e o nome amores.

Rabicha (Fado da)

É o n.º 30 na 3.ª serie da casa Sassetti; Lisboa.

Rabicha é o logar que fica sob o arco grande do aqueducto das Aguas Livres, em Lisboa. Ha ali hortas, retiros, muito frequentados por fadistas e outra gente de vida airada. Não ha dia em que se não cante o Fado n’aquelle rincão votado ao prazer do canto e do copo.

Recreio musical (Fado do)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

Rey Colaço (Fados de)

Estão publicados 8. Cinco d’elles não teem nome especial. Os outros intitulam-se: Hylario, Corrido e Pintasilgo. Um d’aquelles cinco é offerecido á sr.ᵃ duqueza de Palmella.

Alexandre Rei Colaço é um brilhante pianista, professor do Conservatorio.

Os seus Fados são verdadeiras rapsodias portuguezas, variações artisticas sobre motivos populares.

Quasi todos são acompanhados de uma ou duas quadras colhidas na tradição oral.

Lia-se no Diario de Noticias, de janeiro de 1904:

«N’uma linda edição feita por uma das primeiras casas editoras de musica da Allemanha, acaba de ser posta á venda a encantadora e popularissima collecção de fados do nosso eminente pianista e professor Rey Colaço.

«A impressão é muito nitida e perfeita. A capa, para que tudo tenha o sabor portuguez, é uma curiosa e magnifica reproducção a côres do nosso lenço popular, o celebre lenço da estamparia do Bolhão, orlado d’arabescos com caracter genuinamente oriental.

«A collecção comprehende oito fados—os que são propriedade do compositor, porque o 2.º é do sr. Sassetti—entre esses fados ha o «Choradinho», o «Corrido», o «Hylario», o «Pintasilgo» e esse «primeiro fado» que tem corrido o paiz e que todos os amadores gostam de tocar, e toda a gente gosta d’ouvir.

«Este «primeiro» fado foi levemente modificado n’um sentido mais artistico e musical.

«A mencionar ainda a deliciosa «Canção das Serras», talvez a mais bella pagina de Colaço, n’um rythmo originalissimo—o mesmo da «Canção do Mondego»—digna de figurar ao lado das «Feuilles d’album» do Grieg. Pediriamos ao delicadissimo compositor que nos desse mais d’estas «Feuilles d’album», genero que elle, como ninguem, póde cultivar entre nós com exito.

«Uma collecção que todos os «dilettantes» devem ter sobre a sua estante.»

Ribatejo (Fado do)

Conheço muito bem a musica d’este Fado, que pela primeira vez ouvi em 1901. Não sei quem é o auctor. Tambem não sei se ha apenas a musica ou se anda acompanhada de lettra especial.

Creio que a sua área de divulgação se circumscreve ás povoações ribeirinhas mais proximas de Lisboa. Em Santarem não é conhecido, como d’ali me diz o sr. João Arruda, redactor do Correio da Extremadura, em carta que vou transcrever, porque n’ella se encontram algumas rapidas informações que confirmam asserções minhas, expostas no texto d’este livro.

Diz o sr. Arruda:

«Não se conhece nenhum fado do Ribatejo e quanto a fados locaes diz-me um regente de musica muito distincto, que ha aqui, que todos nascem em Lisboa. Por aqui temos o verde-gaio, o balhariló e outras cantigas.

«Tambem consultei o mestre da banda de caçadores 6, e um amador de musica, que muitos annos dirigiu a Academia Bellini, e elles nada conhecem, tendo aliás feito alguns fados baseados no que existe

Ribeira Nova (Fado da)

Na collecção da casa Lambertini.

Rigoroso (Fado)

O mesmo que Fado corrido. Vide Corrido. É o simples acompanhamento para as trovas de qualquer Fado.

Palmeirim diz a respeito da Severa:

«O orgulho de se considerar a primeira da sua classe, de ouvir o seu nome celebrado em todas as banzas, e os seus amores assoalhados em todos os fados, «desde o rigoroso, que não consente variações», até ao mais artistico, em que a voz adormece, e acorda em requebros languidos, tornavam-n’a surda á voz da consciencia».

Robles (Fado)

J. R. Robles, que foi 1.º sargento de cavallaria e agora é empregado da Companhia dos Tabacos, em Lisboa, já vem mencionado a pag. 63 d’este livro entre os melhores tocadores de guitarra.

Este Fado anda na 2.ª série da casa Eduardo da Fonseca, Porto, e foi incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 57.

O seu auctor compol-o de 1879 a 1880. Estando por esse tempo em Evora, ahi se generalisou o seu Fado. Em 1900, havendo tido baixa no exercito, deu-o a rever em Lisboa a pessoas competentes, e depois o publicou.

O Fado Robles, que algumas pessoas denominam Artilheiro, tambem é popular no Porto, onde o auctor fez serviço militar até janeiro de 1891.

Roldão (Fado)

Este Fado foi cantado pelo actor Roldão na peça José João (parodia) que se representou no theatro do Principe Real em Lisboa.

O auctor da peça, e, portanto, das coplas é o sr. Eduardo Fernandes (Esculapio), antigo redactor do Seculo, hoje do Diario.

A musica e a lettra foram editadas pela Livraria Popular, de Francisco Franco, travessa de S. Domingos, Lisboa.

O frontispicio é illustrado com dois retratos do actor Roldão e com uma scena da peça.

Um dos retratos representa aquelle actor vestido de fadista, guitarra em punho, tal como apparecia no palco.

Dizeres do frontispicio: Fado Roldão, cantado pelo auctor, etc.

Ora, como já dissemos em outro logar, este Fado é, com leves alterações, especialmente na 2.ª parte, a canção Hija del Guadalquivir, que estava publicada desde 1894, no Porto, em o Cancioneiro de musicas populares.

Não dizemos isto como censura, mas apenas para notar uma coincidencia casual, que muitas vezes se tem dado na poesia e na musica.

O actor Jorge Roldão nasceu em 1859: foi musico de infantaria 16; entrou para o theatro como executante na orchestra; depois passou a ponto, e de ponto a actor. Trabalhou no Porto, nos theatros D. Affonso e Carlos Alberto; em Lisboa tem trabalhado nos theatros da Rua dos Condes, Principe Real, Trindade e Avenida.

Artista de merito secundario, é comtudo uma «utilidade».

Roldão cantava o «seu» Fado em ré maior.

No folheto Fados modernos vem a lettra de um Fado para o Roldão.

Rosa de Vila (Fado)

Composto pelo sr. Julio Neuparth expressamente para ser cantado pela artista d’aquelle nome na festa de caridade realizada no Colyseu dos Recreios, a 26 d’abril de 1904, em beneficio da classe dos vendedores de jornaes de Lisboa, após a gréve dos typographos.

Rosas (Fado das)

Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa.

Ruas (Fado das)

É o n.º 23 na 3.ª serie da casa Sassetti, de Lisboa.

Salas (Fado das)

Na collecção da casa Engestrom e da casa Sassetti, de Lisboa; e na de Eduardo da Fonseca, Porto.

Santo Thyrso (Fado de)

Apenas existe a lettra, que recolhi no livro Santo Thyrso de Riba d’Ave, e que foi composta por um pobre carpinteiro d’aquella villa, Narciso Ferreira d’Araujo, o Ferreirinha, quando partiu para o Brazil, onde falleceu.

Adaptava esta lettra a qualquer Fado dos até então conhecidos.

Saudade (Fado)

Para piano, por Herminio dos Anjos. Homenagem ao inconfundivel poeta das «Peninsulares». Editora, livraria Avellar Machado.

Traz no frontispicio o retrato de Simões Dias, e n’uma folha appensa esta «silva de cantigas» do mesmo poeta, para serem cantadas com a musica do Fado:

O peixe vive nas aguas,
Vive a flor entre abrolhos,
Só eu não vivo um instante
Longe da luz dos teus olhos.
Cada vez que a tua falla
Vem morrer nos meus ouvidos,
De sobresalto e de gosto
Perco de todo os sentidos.
Tu és o raiar da aurora
Que no puro azul divaga,
Eu, frio sol que descora,
E pouco a pouco se apaga.
Saudades que me vão n’alma
Ninguem as póde contar,
São tantas como as estrellas,
Como as areias do mar.
Meu amor se andas perdido
Sem saber quem te perdeu,
Nos meus olhos tens a escada
Por onde se sobe ao céu.
Como a rosa desfolhada
Vae boiando na corrente,
O meu pensamento vôa
Para ti constantemente.
Se eu soubesse que te rias
Quando eu suspiro e dou ais,
Tirava os olhos da cara
Para nunca te ver mais.
Quando foi á despedida,
Quando te apertava a mão,
Dobrou o sino a finados,
Morria o meu coração.
Quando eu morrer vae á cova
Sobre o meu corpo chorar,
Que ao sentir que por mim chamas
Hei de aos teus braços voltar.
Não te faças tão esquiva,
Não digas que me não queres,
Que eu por mal de meus peccados
Bem sei o que são mulheres.
Se tu suspiras, suspira
Cá dentro o meu coração;
Se tu choras, tambem choro,
Vê lá se te quero ou não.
Mandei lêr a minha sina,
E a sina me respondeu
Que um triste fugir não póde
Á sorte que Deus lhe deu.
Sonhos d’amor e ventura
Quando tornareis a vir?
Só se fôr na outra vida
Quando d’esta me partir.
Se souberes que estou morto
Não te ponhas a chorar,
Mais vale acabar a vida
Do que viver a penar.
Teu corpo é feito de cêra,
Tão tenrinho que mais não;
Amor, quem t’o derretera
Ao calor do coração!
Teus olhos são mais escuros
Do que a noite mais fechada,
E apesar de tanto escuro
Sem elles não vejo nada!

Sebenta (Fado da)

Composto por D. Laura Escrich e offerecido á Tuna academica de Coimbra, em 1899, a proposito de se celebrar n’aquella cidade o centenario da Sebenta, hilariante festa escolar promovida e realizada pelos alumnos da Universidade.

A Sebenta é, como se sabe, a synopse, redigida por um estudante e adquirida pelos outros, da prelecção feita pelo professor em cada cadeira.

Tradição universitaria, tem resistido á troça dos estudantes e á opposição de alguns lentes.

Em 1852 escrevia o dr. Adrião Forjaz, da faculdade de direito:

«Continuarão as sebentas? quer dizer continuará a trocar o maior numero de alumnos juristas o indispensavel estudo dos seus compendios e das obras magistraes, que os elucidam, pela tomada de cór d’uma papeleta, que o agiota-alumno autographou á pressa dos apontamentos tomados durante a exposição do professor? Receamos que a molestia não diminua. Ajuda-a grande numero de empresarios, a preguiça que favorece em muitos dos alumnos, e a falta talvez d’uma combinação e energica decisão dos professores.»

Referindo-se ao prematuro fallecimento da auctora d’este Fado, dizia a folha lisbonense, O Dia, no seu numero de 12 de novembro de 1902:

«Ha existencias affastadas e calmas, tão serenas que parecem ter direito a que a desgraça as esqueça.

«A senhora que acaba de fallecer, loura, elegante e distincta, com trinta e cinco annos apenas, tinha uma vida de grande simplicidade e dedicação—iamos quasi a dizer d’heroismo.

«Só com sua mãe, uma senhora de altas virtudes e raro caracter, trabalhava incessantemente, para que no seu lar houvesse o agasalho sufficiente a uma senhora de cabellos brancos, que n’um momento via partir-se-lhe dolorosamente o coração. A morte leva-lhe assim, inesperadamente, a sua unica filha!

«A sr.ᵃ D. Laura Escrich, filha do sr. Frederico Alexandre Meiners, allemão, ha muito tempo no Rio de Janeiro, vivia entregue ás suas licções de pintura, em que era distinctissima, adorada pelas suas discipulas. Compunha tambem valsas e musicas de grande harmonia e valor.

«Cinco dias bastaram para espesinhar e dispersar toda esta existencia de serenidade e trabalho. Hontem ás 11 horas bruscamente morria. Curvemo-nos perante a grande Dôr d’aquella que viu ao mesmo tempo morrer-lhe nos braços a filha e com ella fenecerem-lhe as ultimas esperanças de felicidade na terra.»

Sebenta (Fado da)

É a serenatella do «Auto da sebenta», composta pelo estudante Candido de Viterbo.

Veja-se o que dizemos a este respeito no capitulo V, quando tratamos dos Fados litterarios.

Sello (Fado do)

Referindo-se á romaria do Senhor da Serra, em Bellas, anno de 1902, dizia o Diario de Noticias, de Lisboa:

«Dançou-se animadamente durante a tarde, em varios sitios da quinta, não deixando tambem de ouvir-se um ou outro cantador de fado, que ao som do «pianinho» largava a sua cantiga mais ou menos engraçada, como a que segue:

Eu não sei cantar o fado
Pois que não tenho capello,
E p’ra largar a piada
Não quero pagar o sello.»

É possivel que o cantador enfiasse outras quadras allusivas ao mesmo assumpto. Mas esta basta como prova de que o sello já entrou alguma vez nos dominios do Fado.

Sem nome (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Sentimental (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de Fados.

Sepulveda (Fado do)

Sepulveda é o sr. Julio Cesar Affonso Sepulveda, despachante na Alfandega de Lisboa, mais conhecido entre os rapazes pela abreviatura Veda.

D’este Fado fez ultimamente uma edição, impressa na Allemanha, o sr. Raul Venancio, estabelecido em Lisboa na rua do Oiro.

Serenata (Fado)

Composto por Manuel Luiz Ferreira Tavares para a recita do curso do 5.º anno theologico-juridico, 1900-1901.

Lettra de Nanzianceno de Vasconcellos:

O rouxinol quando trina
Escolhe a luz do luar,
Mas a tua voz divina
Canta á luz do teu olhar.
Têm o som tão puro e lindo
As fallas da tua bocca!...
Parecem ’strellas cahindo
Em chuva dourada e louca.
Se Deus te pudesse ouvir
Lá no ceu entre mil lumes,
Deixava Deus de existir,
Deus morria de ciumes!
Têm o som tão puro e lindo, etc.
Eu de mil vidas, nenhuma
Te negava, minha huri!
Mas mesmo tendo só uma
Morro d’amores por ti.
Têm o som tão puro e lindo, etc.

Serenata (Fado)

Vide Olinda.

Severa (Fado da)

Vide cap. IV, pag. 158.

Sinhás (Fadinho das)

É o n.º 36 na 3.ª serie da casa Sassetti, de Lisboa.

Soffrimento (Fado do)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 55.

Sol e dó (Fado)

Supponho que é edição da casa Sassetti.

Syndicateiros (Fado dos)

É o n.º 29 na 3.ª serie da casa Sassetti.

Taborda (Fado)

Vide Gato.

Talvez te escreva (Fado)

Da revista do anno, de Eduardo Schwalbach Lucci, intitulada Nicles.

Tancos (Fado de)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 70.

É o numero 7 na 1.ª serie da casa Sassetti.

Tancos, villa da Extremadura, concelho da Barquinha, onde Fontes Pereira de Mello mandou construir em 1865 um campo de manobras.

Theodolinda (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz.

Torrinha (Fado da)

É o n.º 33 na 3.ª serie da casa Sassetti.

A antiga quinta da Torrinha, situada no casalinho do Carvoeiro a Valle de Pereiro (alto da Avenida da Liberdade) em Lisboa, foi uma horta muito frequentada por gente patusca, que ali ia merendar e ceiar n’uma tasca.

Trez horas (Fado das)

Musica de Reynaldo Varella. Lettra:

Pela calada da noite,
Emquanto não surge a aurora,
Que esta minh’alma se affoite,
Suspira, guitarra, chora.
Voga, barco, mansamente
Pelas aguas prateadas.
Leva este canto dolente
Aos peitos das namoradas.
Cada nota tão sentida
Que a minha guitarra envia,
É uma canção dolorida
D’amor e melancolia.
E estas canções eu trago-as
Presas nas azas da brisa,
Para espalhar sobre as aguas
Emquanto o barco deslisa...

Este Fado foi composto n’uma noite de patuscada, exactamente á hora que lhe serve de titulo, e editado, no Porto, pela casa Eduardo da Fonseca.

Triste (Fado)

Composição de Augusto Machado.

Triste (Fado)

Musica do professor de guitarra Julio Silva; lettra de Armando de Araujo.

Cantou-se no sarau da imprensa realizado em 1902 no Colyseu dos Recreios.

É dedicado á memoria do poeta portuense Antonio Nobre, cujo retrato, em traje academico, orna a capa da musica.

Oh! alvôr das madrugadas
Já tenho saudades tuas,
Do choro das guitarradas
Gemendo o fado das ruas...
’Inda vem distante a aurora
E á luz que se escôa triste
Minha alma cantando, chóra
Alguem que já não existe...
Vae subindo oh! triste canto,
—Nunca a tristeza te sóbre!
Vae levar ao céu meu pranto,
Pelo poeta Antonio Nobre...
Pois no céu decerto anda
Quem tamanha dôr cantou,
Quem sabe se na demanda
Da paz que não alcançou!
A capa de seda escura,
Na qual andavas envolto,
Era a noite da tortura,
Que não te deixava solto!...
N’uma tristeza sem calma,
O teu pensar exquisito,
Com pedaços da tua alma,
Deixou teu soffrer escripto...
É um livro amargurado,
...Já não se escreve outro assim.
—São prantos d’um desgraçado,
—Uns prantos... quasi sem fim!
N’essa magua que venero
Quem de ti não teve dó!...
Se tu fôste o auctor sincero
Do livro chamado: Só!
Em cada sinistro verso
Teu olhar chóra, talvez...
E que de pranto disperso
No livro d’um portuguez!
Quem essas paginas olha
Assim te julgou na terra:
—Um lyrio rôxo que esfólha,
Na solidão d’uma serra!
Tiveste um ribeiro d’agua
Que manso beijou teu pé...
—Refresco á febre da magua,
—Imagem santa da Fé...
E tu soffrias!... emquanto
O ribeiro, a murmurar,
Pedia pelo seu Anto,
Padre-Nossos a rezar!
E tanto, tanto soffreu
Seu desgraçado menino,
Que finalmente... morreu,
D’aquelle mal, tão mofino!
Oh! velhinha amargurada
Por causa d’aquella dôr,
Já rompeu a madrugada,
Já socega o teu amor.
Descança agora, velhinha,
De quem elle tanto falla,
Que toda a flôr se definha
Após o aroma que exhala.
O luar, seu companheiro
Das confidencias d’amor,
Foi com elle ao extrangeiro,
Como o servo e o seu senhor!
Mas, na volta de Pariz,
Onde lhe escutou a voz,
Saudades d’esse infeliz
Veio gemer entre nós...
E esta capa, irmã da tua,
Vem acenar-te saudosa...
Já quando o pranto da lua
Em neve amortalha a rosa!

Trovadores (Fado dos)

Auctor, Avelino Baptista.

Vaporosas (Fado das)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

Victor Hussla (Fados de)

Victor Hussla nasceu em S. Petersburgo a 16 de outubro de 1857. Veio para Lisboa em 1887 como director da Real Academia de Amadores de Musica. Violinista distincto e professor bem orientado, prestou importantes serviços artisticos áquella associação e a Lisboa.

A seu respeito escreve Ernesto Vieira no Diccionario biographico dos musicos portuguezes:

«Como compositor produziu Hussla trabalhos de muito valor. De todos o mais importante é a sua grande symphonia, obra vasta e trabalhada com grande esmero no mais puro estylo allemão. De igual auctor é a «Abertura», composição menos extensa mas do mesmo modo trabalhada.

«Não foram porém estas as suas producções que mais lisonjearam o nosso ouvido meridional. Sobrelevaram-lhes no effeito as celebres «Rapsodias portuguezas», em que os nossos cantos nacionaes tiveram pela primeira vez a honra de ser luxuosamente revestidos de uma orchestração primorosa e em alguns pontos verdadeiramente admiravel.»

Nas «Rapsodias» foram por elle comprehendidos alguns Fados.

Nomeado professor do Conservatorio em 1897, falleceu repentinamente, indo a entrar para aquelle edificio, na manhã de 14 de novembro de 1899.

Vida (A) Fado

Composição de Julio Neuparth.

Vimioso (Fado)

Vide capitulo IV d’este livro, pag. 183.

28 (Fado do)

Publicado no Porto, para piano, pela casa Eduardo da Fonseca.

Tem sido attribuido ao Hylario, como dissemos no cap. V, pag. 229.

Mas o seu auctor foi um rapaz cego que viveu em Braga e era protegido do reverendo abbade de S. João do Souto, padre José do Egypto Vieira.

Este cego tinha no asylo o n.º 28, e toda a gente o conhecia mais pelo numero que pelo nome.

D’ahi o titulo com que o seu Fado se generalisou.

Visconti (Fado)

Visconti, um cançonetista de circo, veio a Lisboa, onde o rythmo das suas canções comicas se tornou popular.

Esse rythmo é o que se chama Fado Visconti. (Está incluido na collecção de Fados da casa Eduardo da Fonseca, Porto.)

Lettra de algumas das canções:

Hespanhol p’ra malaguenha,
Portuguez p’r’o lindo fado.
Já não ha nem póde haver
Canto a estes comparado.
Puz os pés na campa fria
De quem na vida amei tanto.
Uma voz ouvi dizer:
Não me pises, ó tyranno.
Se eu soubera que voando
Alcançava o teu amor,
Ia pedir á sopeira
As azas... do assador.

Zé povinho (Fado do)

Incluido no Cancioneiro de musicas populares portuguezas, fasciculo 72.

FIM