Meu príncipe, d’esta vez
Espero que o plectro obre,
Ainda que para um pobre
Tudo succede al revéz:
O que tão raro me fez,
Levante-me hoje de raso,
Que é já meu timbre em tal caso
Querer por solo querer,
Porfiar hasta vencer
Los empenos de un acaso.
Tanta tragedia e inopia
Tenho em Angola soffrido,
Que em mim se vê el parecido
Del mentir de la Ethiopia:
De tal retrato e tal cópia
Foi causa um general zêlo,
Mas por divino modelo
Quem tanto me fez cahir,
Tanto me viu resurgir:
Lo que juizios del cielo!
Senhor: favores tão grandes
Nunca os poderei pagar:
Mas eu hei de vos mandar
Un valiente Negro en Flandes:
Ao senhor Vasco Fernandes,
A quem por fé tanto adoro,
Por quien a Cruz Sancta imploro,
Que lhe dê Sancta Cruz Neto,
Tambem mandar-lhe prometto
Un esclavo en grilhos de oro.
Dois negros são não pequenos,
Que offereço de antemão;
E posto que só dois são
Pocos bastan, si son buenos:
A El-rei, quando não dê menos,
Ao menos o servirei
Com muita amigavel lei,
E prometto desde aqui
Que tenha em Carconda em mi
El maior Amigo El-rei.