III
Épocas historicas da Litteratura portugueza

Para formar a Historia de uma Litteratura moderna em especial, importa considerar a nação que a produziu como membro d’esta Republica occidental, analysando as manifestações do seu genio esthetico e deduzindo pela comparação dos typos communs a marcha que seguiu a evolução esthetica da Europa desde a Edade media até ao presente, nas suas relações complexas com as instituições politicas e economicas, bem como com as phases mentaes e affectivas do espirito e da sociabilidade. A um trabalho concreto de erudição tem de seguir-se uma forte abstracção philosophica, considerando a Edade media como o fóco de elaboração do genio esthetico tanto para as linguas e para a poesia como de todo o systema das bellas-artes. Pelo exame da marcha geral da Civilisação europêa no seu movimento de decomposição e por tanto de instabilidade social, se comprehenderá como o elemento classico serviu de apoio provisorio para o exercicio das capacidades estheticas na época mentalmente agitada da Renascença. Todas as phases por que passou a civilisação europêa sob a dissolução do regimen catholico-feudal, actuaram nas fórmas das Litteraturas, umas vezes desviando-as da idealisação dos seus elementos affectivos medievaes para a imitação greco-romana, outras vezes confundindo-os, e por ultimo regressando á origem organica. É este facto fundamental o em que melhor se observa a solidariedade das Litteraturas romanicas, e o que melhor define as transformações que constituem a caracteristica de cada época historica. Assim as épocas da Historia da Litteratura portugueza são semelhantes ás que apresentam as outras litteraturas meridionaes.