BERNARDIM RIBEIRO

1482-1552

101. Egloga de Jano e Franco

Dizem que havia um pastor
antre Tejo e Odiana
que era perdido de amor
por uma moça Joana:
Joana patas guardava
pela ribeira do Tejo;
seu pai acerca morava
e o pastor de Alentejo
era e Jano se chamava.
Quando as fomes grandes foram
que Alentejo foi perdido,
da aldea que chamam o Torram
foi este pastor fugido;
levava um pouco de gado
que lhe ficou d’ outro muito
que lhe morreo de cansado,
que Alentejo era enxuto
d’ agua e mui seco de prado.
Toda a terra foi perdida:
no campo do Tejo só
achava o gado guarida;
ver Alentejo era um dó.
E Jano para salvar
o gado que lhe ficou
foi esta terra buscar,
e se um cuidado levou
outro foi ele lá achar.
O dia que ali chegou
com seu gado e com seu fato,
com tudo se agasalhou
em uma bicada de um mato;
e levando-o a pacer
o outro dia á ribeira
Joana acertou de ir ver,
que se andava pela ribeira
do Tejo a flores colher.
Vestido branco trazia,
um pouco afrontada andava,
formosa bem parecia
aos olhos de quem na olhava.
Jano em vendo-a foi pasmado,
mas por ver que ele fazia
escondeo-se antre um prado:
Joana flores colhia,
Jano colhia cuidado.
Depois que ela teve as flores
ja colhidas e escolhidas
as desvariadas cores,
com rosas entremetidas,
fez delas uma capela
e soltou os seus cabelos
que eram tam longos como ela;
e de cada um a Jano em vê-lo
nacia uma querela.
E em quanto isto fazia
Joana, o seu gado andava
por dentro da agua fria
todo apos quem o guiava:
um pato grande era a guia,
e todo junto em carreira
ora rio acima ia,
ora na mesma maneira
o rio abaixo decia.
Joana como assentou
a capela, foi com a mão
á cabeça e atentou
se estava em boa feição;
nam ficando satisfeita
do que da mão presumia,
partio-se d’ ali direita
para onde o rio fazia
d’ agua uma mansa colheita.
Chegando á beira do rio,
as patas logo vieram
todas uma a uma em fio,
que toda a agua moveram;
de quanto ela ja folgou
com aquestes gasalhados
tanto entonces lhe pesou,
e com pedras e com brados
d’ ali longe as enxotou.
Depois que elas foram idas
e que a agua assossegou,
Joana, as abas erguidas,
entrar pela agua ordenou;
e assentando-se entam
as çapatas descalçou
e pondo-as sobre o cham
por dentro da agua entrou,
e a Jano pelo coraçam.
Em quanto com passos quedos
Joana pela agua ia,
antre uns desejos e medos
Jano onde estava ardia:
nam sabia se falasse,
se saisse ou estivesse,
que o amor mandava que ousasse
e porque a nam perdesse
fazia que arreceasse.
Dizem que naqueste meo
se esteve Joana olhando,
e descobrindo o seu seo
olhou-se e disse, um ai dando:
Eu guardo patas, coitada,
nam sei onde isto ha de ir ter:
mais era eu para guardada!
Que concerto foi este ser,
formosa e mal empregada!
Em aquisto Jano ouvindo
nam se pode em si sofrer
que d’ antre as ervas saindo
se nam lançasse a correr.
Joana quando sentiu
os estampidos de Jano
e que se virou e o viu,
temor do presente dano
lhe deu pes com que fugiu.
Mui perto estava o casal
onde vivia o pai dela,
que fez mais longe o mal
que Jano tive de vê-la.
Mas o medo que causou
Joana partir-se assi
tanto as mãos lhe embaraçou
que a çapata ali
com a pressa lhe ficou.
Jano quando viu e olhou
que nenhum remedio havia,
para o lugar se tornou
aonde ela na agua se via;
e vendo a çapata estar
no areal á beira d’ agua,
foi correndo a abraçar.
Tomando-a creceu-lhe a magua
e começou de chorar;
toda a çapata e os peitos
em lagrimas se banharam,
muitos foram os respeitos
que tanto choro causaram.
Encostado ao seu cajado,
a çapata na outra mão,
depois de um longo cuidado
de dentro do coraçam
começou falar cansado:
Jano
Despojo da mais formosa
cousa que viram meus olhos,
para eles sois uma rosa
e para o coraçam abrolhos:
çapata deixada aqui
para mal de outro mor mal,
quem te leixou leva a mi;
que troca tam desigual!
Mas pois assi é, seja assi.
Agora ei vinte e um anos
e nunca inda té agora
me acorda de sentir danos,
os deste meu gado em fora;
e hoje por caso estranho
nam sei em que hora aqui vim:
cobrei cuidado tamanho
que aos outros todos pos fim,
eu mesmo a mi mesmo estranho.
Antes que este mal viesse
que me tantos vai mostrando,
que alguns cuidados tivesse
nam me matavam cuidando;
agora por meus pecados
e segundo em mi vou vendo,
nam podem ser outros fados:
meus cuidados nam entendo
e moiro-me assi de cuidados.
Dentro de meu pensamento
ha tanta contrariedade
que sento contra o que sento
vontade e contra-vontade;
estou em tanto desvairo
que nam me entendo comigo
donde esperarei repairo,
que vejo grande o perigo
e muito mor o contrairo!
Quem me trouxe a esta terra
alhea, onde guardada
me estava tamanha guerra
e a esperança levada!
Comigo me estou espantando
como em tam pouco mudei,
mas cuidando nisto estando
os olhos com que outrem olhei
de mi se estavam vingando.
E por meu mal ser mor inda
de mi tenho o agravo mor
que da minha magua infinda
en fui parte e causador,
que se me nam levantara
d’ antre as ervas onde estava,
mais dos meus olhos gozara
e ja que assi se ordenava
isto ao menos me ficara.
Desastres, cuidava eu ja
quando eu ontem aqui cheguei,
que a vos e a ventura má
ambos acabava, e errei!
Triste, que me parecia
que, o meu gado remediado,
comigo bem me haveria;
e estava-me ordenado
est’ outro mal que ainda havia.
Ó mal, nam vos sabe a vos
quem me vos a mi causou!
Tristes dos meus olhos sós
que trouxeram aonde estou
olhos a certo lugar!
Ribeira mor das ribeiras
que levam as aguas ao mar,
vos me sereis verdadeiras
testemunhas do pesar!
Autor
E em dizendo isto, parece,
transportou-se no seu mal
e como a quem o ar falece
caio naquele areal.
Grande espaço se passou
que esteve ali sem sentido
e neste meo chegou
um pastor seu conhecido
e que dormia cuidou.
Franco de Sandovir era
o seu nome e buscava
uma frauta que perdera,
que ele mais que a si amava.
Este era aquel pastor
a quem Celia muito amou,
ninfa do maior primor
que em Mondego se banhou
e que cantava milhor.
E a frauta sua era aquela
que lhe Celia dera quando
o desterraram por ela,
chorando ele, ela chorando.
Viera ele ali morar
porque achou aquelas terras
mais conformes ao cuidar:
d’ ambas partes cercam serras,
no meo campos para olhar.
D’ outro tempo conhecidos
estes dous pastores eram,
d’ estranhas terras nacidos,
nam no bem que se quiseram;
e por aquesta razam
tornou Franco a lhe notar
como jazia no cham
e deu-lhe que sospeitar
o lugar e a feiçam.
Muito esteve duvidando
Franco o que aqui faria:
indo-se e Jano deixando,
o coraçam lhe doia;
tambem para o acordar
nam sabia se acertava,
que Jano era no lugar
novo e arreceava
em cabo de o anojar.
Naquesta duvida estando,
Jano, que estava emborcado,
disse, um sospiro dando:
Ai cuidado e mais cuidado!
Ouvindo-lhe isto dizer,
Franco ficou espantado,
e tornando-o milhor ver
de sob seu esquerdo lado
viu-lhe a çapata ter.
Sospeitou logo o que era,
que era tambem namorado,
e no que Jano dissera
se ouve por certificado.
Naquisto Jano acordou:
quando viu Franco estar,
sem fala um pouco ficou.
Franco, apos o saudar,
falar-lhe assi começou:
Franco
Cuidava eu agora, Jano,
que estavas em outra parte
e polo teu aqueste ano
me pesava ir por esta arte.
Desejava ver-te aqui
quando me contava alguem
a seca grande que ha aí
em Alentejo, e porem
nam quisera ver-te assi.
Conta-me, que mal foi este,
que tam demudado estás?
O que houveste ou perdeste?
Se ha remedio havê-lo has.
Faz Jano entam por se erguer,
nam podendo de cansado,
foi-lhe a mão Franco estender,
e a um freixo encostado
lhe começou responder:
Jano
Vim a estes campos que vejo
por dar vida a este meu gado;
vi acabado um desejo,
outro maior começado:
ás minhas vacas dei vida
e a mim a fui tirar,
a profecia comprida
que me Pierio foi dar,
vendo-me a barba pungida.
De Pierio vai gram fama,
disse Franco, antre os pastores,
todos por amigos chama
e dizem que é dado a amores.
Rogo-te, Jano, me digas,
pois te ele avisou primeiro,
como cobraste fatigas?
Que ouço que é mui verdadeiro
para amigos e amigas.
Jano
Tam cansado, respondeo,
d’ um cuidado, Franco, me acho,
que m’ agora aqui naceo
que até na voz tenho empacho.
Ao que ham de acaecer
nam pode homem resistir,
que o que ha de ser ha de ser,
nam se lhe pode fugir,
defender nem esconder.
Mas porque, Franco, contigo
desabafo em falar,
porque sei que es meu amigo,
tudo te quero contar;
nem remedio nem conforto
nam te hei, Franco, de pedir,
que do mal em que estou posto
nam me espero de remir
senam depois que for morto.
Dia era de um gram vodo
que a um santo se fazia,
onde ia o povo todo
por ver e por romaria;
lembra-me que andava entam
vestido todo de novo,
ao hombro um chapeiram
que pasmava todo o povo,
com um cajado na mão.
Tomando-me pelo braço,
Pierio entam me levou
d’ ali um grande espaço
onde milhor sombra achou.
E mandando-me assentar
ele tambem se assentou,
e antes de começar
para mi um pouco olhou,
e a voltas de chorar:
Pierio
Vejo-te, disse ele, Jano,
dos bens do mundo abastado,
mas contando ano e ano
fico de todo cortado.
Vejo-te lá pela idade
de uma nuve negra cercado,
vejo-te sem liberdade,
de tua terra desterrado,
e mais de tua vontade.
Em terra que inda nam viste
pelo que nela has de ver
vejo-te o coraçam triste
Para em dias que viver.
Has de morrer de uma dor
de que agora andas bem fora:
por isso vive em temor,
que nam sabe homem aquela hora
em que lhe ha de vir o amor.
Nam pode ja longe vir,
Jano, aquisto que te digo;
vejo-te a barba pungir:
olha como andas contigo!
A terra estranha irás
por teu gado nam perderes,
longos males passarás
por uns mui breves prazeres
que verás ou nam verás.
E dando um pouco á cabeça
a maneira d’anojado:
por teu bem porem te creça
a barba, disse, de honrado!
Treslada-o no coraçam
isto que te aqui direi,
que ainda alguns tempos virão
Jano, que te alembrarei:
mande Deus que seja em vão!
Por cobrares a fazenda
a ti mesmo perderás,
perda que nam tem emenda
depois, quando o saberás.
Nos campos de uma ribeira
onde vales ha e lugares
te está guardada a primeira
causa destes teus pesares,
noutra parte a derradeira.
Geitos em cousas pequenas,
louros cabelos ondados
porão para sempre em penas
a ti e teus cuidados.
Falas cheas de desdem,
de presunçam cheas elas,
cousas que outras cousas tem
te causarão as querelas
de que morrer te convem.
Jano
De todo o que te ei contado
todo casi aconteceo,
que o que ainda nam é passado
polo passado se creo.
Agora d’ antes pouco ha
viram meus olhos que foram
quem m’ os levou apos si lá:
a alma a vida se me foram,
desprezaram-se de mi ja.
Autor
Um gram cão que Franco trazia,
de grande faro, entramentes
deu com a frauta onde jazia
e trouxe-a entam entre as dentes.
Vendo-a Franco alvoroçou-se
e foi correndo ao cão
que nos pes alevantou-se
e deo-lhe a frauta na mão
e apos aquilo espojou-se.
Escontra Jano tornou
entam Franco, assi dizendo:
quem ve o que desejou
nam se lembra d’ al em o vendo:
fui-te a palavra cortar,
mas d’ aquisto dá tu a culpa
a quem a eu nam posso dar;
ou, Jano, por ti me desculpa,
pois sabes o que é desejar.
De cousa que muito queiras
deve essa frauta de ser,
disse Jano. Sam primeiras,
lhe tornou Franco a dizer.
Quem te tal dono outorgou,
disse-lhe Jano apos isto,
a muito a ti te obrigou.
A la fe gram mestre nisto
deves ser se o cão nam errou.
Canta, Franco, alguma cousa,
ama a musica a tristeza:
veremos se me repousa
onda a magua tem firmeza.
Disse Franco: certamente
cantarei pola vontade
te fazer como a doente,
inda, Jano, que á verdade
a minha é chorar sómente.
Quero-te cantar aquela
que ontem depois que perdi
a frauta cantei sem ela.
Á noite quando me vi
cansado de nam na achar
mais muito que de buscâ-la,
me fui eu ontem lançar;
mas, Jano, faço-te fala
que nam pude olho cerrar.
Lá depois de noite mea,
quando tudo se calava,
comecei em fala chea;
um mocho me acompanhava:
de longe me parecia
(nam sei se me enganava eu)
que ele a mi me respondia
com um ai grande como o meu;
mas o canto assi dizia:
Cantiga
Perdido e desterrado,
que farei? onde me irei?
depois de desesperado
outra mor magua achei.
Desconsolado de mi,
em terra alhea alongado,
onde por remedio vim
e reparo do meu gado.
Mas ó malaventurado
de mi sem consolaçam!
temo que ha de ser forçado,
pois que fui tam mal fadado,
matar-me com minha mão.
Que conta darei eu agora
a quem nam m’ a ha de pedir?
que desculpa porei ora
a quem nam me ha de ouvir?
Frauta, dom da mais querida
que cobre esta noite escura,
frauta minha, sois perdida!
Façam-me uma sepultura,
que muito ha que estou sem vida.
E ponham na sepultura
letras que digam desta arte:
A da alma está em outra parte.
Se aprouver aos longos anos
e aos empos que ham de vir
que destes graves meus danos
venha Celia parte ouvir,
lá onde triste estiver
se ela consigo apartada
lagrimas ter nam poder,
será minha alma pagada,
ou o que entam de mi ouver.
Inda que nam queira nada,
tudo é menos de passar
que lá os olhos soem levar.
Fugiram contando os dias,
fizeram-se as noites sós,
para os tristes como nos.
Jano, esta é a cantiga,
cá a derradeira cri que era,
e por sair de fadiga
confesso-te que o quisera.
Mas se a alma e entendimento
nam morrem com o corpo, a magua
me ficará! Vamonos, que sento
que é tempo do gado ir a agua:
tambem tem tempo o tormento.

102. Romance de Avalor

Pela ribeira de um rio
que leva as aguas ao mar
vai o triste de Avalor,
nam sabe se ha de tornar.
As aguas levam seu bem,
ele leva seu pesar.
Só vai e sem companhia,
que os seus fora ele deixar,
que quem nam leva descanso
descansa em só caminhar.
Descontra onde ia a barca
se ia o sol abaixar;
indo-se abaixando o sol
escurecia-se o ar;
tudo se fazia mais triste
quanto havia de ficar.
Da barca levantam remos,
a ao som do remar
começaram os remeiros
dos bancos este cantar:
Que frias eram as aguas!
Quem as haverá de passar?
Dos outros bancos respondem:
Quem as haverá de passar
senam quem a vontade pos
onde a nam pode tirar!
Tras a barca lhe vam os olhos
quanto o dia dá lugar:
nam durou muito, que o bem
nam pode muito durar.
Vendo o sol posto contra ele
soltou os olhos ao chorar,
soltou redeas ao cavalo
da beira do rio andar.
A noite era calada
para mais o maguar,
que ao compasso dos remos
era o seu sospirar.
Querer contar suas maguas
sería areas contar.
Quanto mais se ia alongando,
se ia alongando o soar:
dos seus ouvidos aos olhos
a tristeza foi igualar.
Assi como ia o cavalo
foi pela agua dentro entrar,
e dando um longo sospiro
ouvira longe falar:
Onde maguas levam alma
vam tambem corpo levar.
Mas indo assi por acerto
foi com um barco na agua dar,
que estava amarrado á terra
e seu dono era a folgar.
Saltou assi como ia dentro
e foi a amarra cortar:
a corrente e a maré
acertaram-no a ajudar.
Nam sabem mais que foi dele
nem novas se podem achar,
sospeita-se que era morto
mas nam é para afirmar.
Mais sam as maguas de amor
do que se podem cuidar.

103. Romance

Pensando-vos estou, filha,
vossa mãi me está lembrando
enchem-se-me os olhos de agua,
nela vos estou lavando.
Nacestes, filha, entre magua,
para bem inda vos seja,
pois em vosso nacimento
fortuna vos houve enveja.
Morto era o contentamento,
nenhuma alegria ouvistes,
vossa mãi era finada,
nos outros eramos tristes.
Nada em dor, em dor criada,
nam sei onde isto ha de ir ter:
vejo-vos, filha, formosa,
com olhos verdes crecer.
Nam era esta graça vossa
para nacer em desterro:
mal haja a desventura
que pos mais nisto que o erro.
Tinha aqui sua sepultura
vossa mãi e magua a nos;
nam ereis, vos, filha, nam,
para morrerem por vos.
Nam houve em fados razam
nem se consentem rogar:
de vosso pai hei mor dor
que de si se ha de queixar.
Eu vos ouvi a vos só
primeiro que outrem ninguem:
nam foreis vos se eu nam fora,
nam sei se fiz mal ou bem.
Mas nam pode ser, senhora,
para mal nenhum nacerdes
com esse riso gracioso
que tendes sob olhos verdes.
Conforto mais duvidoso
me é este que tomo assi:
Deus vos dé milhor ventura
do que tivestes té aqui!
A dita e a formosura
dizem patranhas antigas
que pelejaram um dia,
sendo d’ antes muito amigas.
Muitos ham que é fantasia,
eu que vi tempos e anos
nenhuma cousa duvido
como ela é azo de danos.
Nem nenhum mal nam é crido,
o bem só é esperado,
e na crença e na esperança
em ambas ha hi cuidado,
em ambas ha hi mudança.