Apetece minha alma a fonte viva
no estio de amor, em sesta ardente,
sequiosa se lança á gram corrente
da formosura que de vos deriva.
Cuidando de amansar a sede estiva,
quanto mais d’ amor beve é mais vehemente:
nunca se acabará este acidente,
que arde amor na minha alma em cousa viva.
Nem resiste ao ardor nem se consume,
porque ela é imortal, ele benigno,
nele deleita a dor, dá gosto a pena;
se imagina passar raio divino
deseja a alma abrasar-se no seu lume,
tal é do que em si esconde o bem que acena.