JOÃO XAVIER DE MATTOS

† 1789

158. Soneto

Pos-se o sol: como ja na sombra fea
do dia pouco a pouco a luz desmaia!
E a parda mão da noite, antes que caia,
de grossas nuvens todo o ar semea.
Apenas ja diviso a minha aldea,
ja do cipreste não distingo a faia.
Tudo em silencio está: só la da praia
se ouvem quebrar as ondas pela area.
Com a mão na face a vista ao ceo levanto,
e cheo de mortal melancolia
nos tristes olhos mal sustento o pranto:
e se inda algum alivio ter podia
era ver esta noite durar tanto
que nunca mais amanhecesse o dia!