Sonho que sou um cavaleiro andante,
por desertos, por sois, por noite escura,
paladino do amor, busco anhelante
o palacio encantado da Ventura.
Mas ja desmaio, exhausto e vacilante,
quebrada a espada ja, rota a armadura;
e eis que subito o avisto, fulgurante
na sua pompa e aerea formosura!
Com grandes golpes bato á porta e brado:
Eu sou o vagamundo, o desherdado,
abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas de ouro com fragor,
mas dentro encontro só, cheo de dor,
silencio e escuridão, e nada mais!