Duas horas da tarde. Um sol ardente
nos colmos dardejante e nos eirados;
sobreleva aos gritos abafados
o grito das bigornas estridente.
A taberna é vacia: mansamente
treme o loureiro nos umbrais pintados,
zumbem á porta insectos variegados,
envolvidos do sol na luz tremente.
Fia á soleira uma velhinha: o filho,
no ceo mal acordou da aurora o brilho,
saiu para os cançaços da lavoura;
a nora lava na ribeira, os netos
ao longe correm semi-nus, inquietos,
no mar ondeante da seara loura.