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Felicidade pela Agricultura (Vol. I)

Chapter 32: IX Artigo do dia no «Diario do Governo» de 7 de Maio de 1849
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About This Book

A collection of essays and utopian meditations urging the improvement of rural life through agricultural reform and popular education. The author blends lyrical rural imagery, philosophical reflection, and autobiographical notes to argue that cultivating land, enlightening minds, and refining moral sentiment will foster public felicity. Practical recommendations alternate with visionary proposals; criticisms of contemporary policies appear alongside appeals to virtue and civic responsibility. The prose shifts between poetic exuberance and sober argument, using countryside metaphors to illustrate social aims and to propose gradual, humane paths to communal progress.

IX
Artigo do dia no «Diario do Governo» de 7 de Maio de 1849

«Lisboa, 6 de Maio.

«Um pensamento elevado, patriotico, e civilisador, dotou ha poucos tempos a Ilha de S. Miguel com uma das mais uteis e illustradas instituições, que se podem organisar em honra e beneficio da civilisação de qualquer povo. Essa instituição, intitulada Sociedade dos Amigos das Lettras e Artes em S. Miguel, deu começo n’esta Ilha a uma era inteiramente nova para a vida moral e physica dos seus habitantes.

«Abrindo as suas portas a todas as classes, admittindo em seu seio todos os que amam e cultivam as Lettras e Artes, todos os que desejam vel-as prosperar, todos os que aspiram a iniciar-se nos seus mysterios, de repente se fez poderosa pela concorrencia de muitas intelligencias, e de muitos exforços encaminhados e excitados por uma alma energica e perseverante, que é toda enthusiasmo e devoção pelas Lettras, e que toda se abraza em verdadeiro e acrisolado amor da Patria.

«Dentro em pouco esta Associação, composta de alguns centenares de pessoas, desde a mais alta nobreza, até á mais humilde profissão, incluindo as principaes Auctoridades da Ilha, e tendo á sua frente o seu instituidor e incançavel procurador, o snr. Antonio Feliciano de Castilho, abriu ao Publico aulas, de leitura, de Doutrina christan, de arithmetica, de geometria applicada ás Artes, de desenho de figura e paizagem, de poetica e declamação, de hygiene, de francez para senhoras, de inglez para homens, de geographia, de encadernação, de agrimensura, de desenho topographico, de dança, de torno, e de pyrotechnia; e projecta abrir aulas de economia politica, de historia, de gymnastica, de natação, de calligraphia, e de musica.

«Algumas d’aquellas aulas, frequentadas por um numero consideravel de individuos, numero que excedeu toda a expectação, vão dando de si os melhores resultados.

«Fazendo nas suas salas uma Exposição da Industria michaelense, reuniu abundantissima copia de productos, tão variados, e muitos tão excellentes, que apresentaram um quadro bem esperançoso dos progressos industriaes d’aquella Ilha[14]; quadro que em breve ali se deverá repetir; accrescentado e melhorado sem duvida pelo poderoso estimulo e nobre emulação, que o primeiro deveria produzir no animo de todos os industriaes.

«D’est’arte, esta sabia Instituição vai fazendo convergir para um centro, para um fim de utilidade geral, as ideias e exforços dos moradores de S. Miguel; e, ao passo que attrai para esta obra de interesse publico, vai fazendo tolerantes os partidos; vai-lhes unindo os homens; vai adoçando os costumes, e moralisando o Povo pelas relações da intima convivencia, pelos apertados laços do interesse commum.

«Mas para que o pensamento d’esta Associação se possa desenvolver como o concebeu seu illustre autor, como o expressam os Estatutos da Sociedade, já approvados pelo Governo, como o desejam todos os Socios, e com elles todos os Michaelenses, é necessario um edificio, com a capacidade e construcção proprias para as diversas escolas, para as sessões, para uma bibliotheca, para um museu, para um theatro de declamação, para uma sala de concertos musicos, para as exposições, e para um basar de productos industriaes.

«Lembrou-se a Sociedade de o construir á sua custa, e para esse fim encarregou o seu Presidente, o snr. Antonio Feliciano de Castilho, de vir pedir ao Governo e ás Côrtes a pequena cerca do extincto convento da Conceição, e a adjacente área e ruinas da egreja de S. José, para ali se fundarem os estabelecimentos da Sociedade.

«O requerimento já foi presente á Camara electiva, e depois remettido á Commissão competente. Uma e outra, dando a este negocio a importancia e consideração que elle merece, esperamol-o com confiança, não só o hão-de resolver favoravelmente, mas com a brevidade que reclama um objecto de tamanho interesse publico.»