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Notas d'arte

Chapter 29: XXV MANUEL MONTERROSO
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About This Book

Uma coletânea de notas críticas e impressões sobre exposições, esculturas e pinturas, em que o autor examina a evolução da pintura nacional, defende o estudo directo da luz e da cor e elogia artistas relevantes da cena contemporânea. Os textos mesclam observações técnicas sobre desenho, composição e veracidade da representação com relatos de visitas a mostras e comentários sobre obras e público. Sustenta a preferência por naturalidade e exercício de campo, discute formação artística e questões de apreciação estética em linguagem acessível.

Quién supiera escribir!


É um amplo trabalho executado visivelmente com muita e muita proficiencia. Ha uma das figuras (o padre) que está traçado com correcção e muita propridade.

Poderei affirmar que esta amadora é uma das novas que mais firmemente demonstra que ha-de ser uma bella artista.

Ainda figuram na exposição mais algumas senhoras, taes como: Viscondessa de Sistello, Condessa de Alto Mearim, D. Maria Alto Mearim, D. Beatriz Alto Mearim.

A condessa de Alto Mearim confirma de um modo justificado o seu talento hors ligne na confecção do bello quadro Poveretta.


José Romão Junior

D. Beatriz Alto Mearim, apparece com o seu estudo a pastel; tambem lhe não fica a dever nada. É este seu trabalho uma prova incontestavel do seu muito merito artistico.

D. Maria Luiza Alto Mearim apresenta duas cabecinhas interessantes e regularmente bem feitas.

Viscondessa de Sistello, com tres paisagens feitas com conhecimento de Arte, especialmente uma, que é bellamente feita.

Ha na exposição dois trabalhos de esculptura, um de Fernandes de Sá, Rapto de Ganymedes, outro de José Romão Junior, Cabeça de estudo.

A respeito do primeiro artista já eu disse atraz n'um desenvolvido artigo, o que pensava d'elle. Successor indiscutivel de Teixeira Lopes, é um bellissimo talento.

Do segundo, Romão Junior, é a primeira vez que vejo trabalhos seus, e confesso que a Cabeça de velho que apresenta, me dá uma magnifica impressão.


Poveretta—Condessa de
alto mearim

A figura lançada com largueza tem magnificos requisitos. É uma demonstração evidente de que Romão Junior maneja o cinzel e o escopro com proficiencia. Um novo de talento que, de futuro, ha-de continuar a affirmar que a raça dos esculptores portuenses é das de primeira ordem.

Na secção aguarella só figuram os nomes de dois concorrentes José de Brito, de quem atraz já fallei e D. Isabel Lauer.

Esta ultima com dois quadrinhos de figuras. Para mim não me desagrada o operario, se bem que nenhum d'elles por completo me prenda muito a attenção. Bastante amaneirados e muito exquisitos.

Com desenho a pastel apparecem tambem só dois concorrentes: José de Brito, artista consumado n'este genero, e D. Beatriz Alto Mearim.

Falta fallar de duas secções, ainda: desenho a claro-escuro e arte applicada. Na primeira das secções ha um trabalho delicioso de Torquato Pinheiro, um fino desenho do Convento de Santa Clara de Villa do Conde, trabalho impeccavel de correcção e firmeza.

Luiz Bastos, traz-nos retalhos d'essa linda Coimbra a cidade dos Bachareis, apanhados em estudos varios do Choupal, do Rio Mondego, de Santo Antonio dos Olivaes, etc. Alguns feitos com mestria.

Na arte applicada, Jorge Collaço, o distincto caricaturista do Supplemento de O Seculo. Os seus azulejos são interessantes e dignos de nota, especialisando o grande quadro Reviravolta, estudado com interesse e executado com cuidado.

E eis, meu amigo publico, a impressão sincera de quem viu a exposição com a independencia caracteristica do seu pensar e com a antecipada disposição de não regatear merecimentos a quem os tivesse, nem adular aquelles que, sendo mediocres, aspiram á enfatuada bazofia de serem notaveis. Sinceridade e nada mais.

É provavel que os verdadeiros entendedores não pensem como eu, mas lá diz o dictado:—que seria, do amarello se não houvesse mau gosto.

Deveria fechar já aqui a minha informação mas vejo lá expostos uns azulejos, panneaux, etc., que se desculpam por serem o reclame de uma fabrica de Ceramica, porque, se tem sido apresentados como trabalhos artisticos, então deveriam ser exautorados rigorosamente.

E adeus, que não tenho tempo para mais, nem sei mesmo se alguem terá coragem de ler isto até ao fim.


Barcos de pesca—julio ramos





XXIII

AMADORES PORTUENSES


ALBERTO AYRES DE GOUVEIA

Discipulo de MARQUES DE OLIVEIRA


Este meu biographado não é precisamente um amador; poderia, sem receio ele ser contraditado, e sem medo de errar, incluil-o francamente no numero dos nossos mais distinctos pintores, e isso porque os seus trabalhos artisticos são de molde a dar-lhe esse fôro.


Alberto Ayres de Gouveia

Alegro-me ao escrever este artigo, e alegro-me porque é sempre com consolo que me refiro áquelles que, possuidores de algum valor, se não deixam adormecer á sombra ele alguns louros colhidos na paz doce da mandria, antes tentam a mais e mais fixar as suas aptidões, n'um trabalho serio e proveitoso.

E, Alberto Ayres tem feito isto. Desde que se emprehendeu a pintar tem trabalhado com afinco e muitissimo proveito.

Conhecia de ha muito este rapaz, que, pela sua avultada fortuna, pelas relações de familia, e por viver na alta roda, onde se dava o prazer de ser um dos eleitos, eu tinha na conta de um excellente cavalheiro, um fino homem de sala, cavaqueador com espirito e mais nada!

Mas, enganei-me redondamente, o que não é para admirar, porque acontece a muito boa gente.

O meu biographado era tudo aquillo e ainda mais alguma coisa:—um amador enragé da pintura.

Como soube eu isto e como tive emfim a confirmação do seu merecimento artistico? Vou tentar dizel-o em poucas palavras.

Nas noites frias de inverno temos por costume reunirmo-nos alguns amigos em cavaqueira alegre e discutimos n'essas occasiões muitissimas coisas, problemas d'Arte, mundanismo, casos alegres do dia, philosophando de vez em quando sobre politica, litteratura, celebridades, theatros, etc., etc. Não é um cenaculo, nem uma academia, é um cercle algo espiritual, onde a alegria tem especialmente o seu logar.

Pois n'uma d'essas cavaqueiras abordou-se o assumpto pintores e amadores, e entre outros nomes veiu á tela da discussão o nome de Alberto Ayres de Gouveia, que um dos circunstantes conhecia perfeitamente.

Elogiou-o, fez a historia da sua aprendizagem d'Arte e eu fiquei como se costuma dizer com a pedra no sapato e, como observador que sou, tratei immediatamente de me informar do merecimento verdadeiro ou falso d'este amador.

De divagação em divagação e de informe a informe, vim a concluir que o meu amigo tinha muita razão e que Alberto Ayres era de facto um rapaz de incontestavel merecimento artistico.

Mas, não só como pintor elle deveria ser apreciado, como auctor e amador dramatico tambem. Eu me explico.

Um anno, estando a banhos como de costume, na formosa e aristocratica praia da Granja, alli deu as suas provas de amador, desempenhando, n'uma festa de caridade, alguns papeis de umas deliciosas comedias, que elle proprio tinha escripto, e que, segundo entendedores do genero, eram verdadeiras joias litterarias finamente buriladas.

E, com esta minha eterna mania de conversar, uma tarde, no atelier do meu muito amigo e infeliz Manuel San Romão, fallando-lhe dos divertimentos da Granja e a respeito do baile Luiz XV que alli se dera, das finas recitas que a gentil colonia alli a banhos, costuma realisar, o nome de Ayres de Gouveia foi citado e eu disse como me tinham inspirado sobre o seu merito litterario e artistico.

Manuel San Romão, com aquelle seu modo correcto e fino e aquelle seu espirito ousado e emprehendedor, n'um gesto todo de enthusiasmo fallou-me d'elle dizendo, que no que elle era notavel era na pintura e citava um formoso retrato do Snr. D. Antonio Ayres de Gouveia, então Bispo de Bethesaida, hoje Arcebispo da Calcedonia e tecendo-lhe os mais rasgados elogios, affirmou-me que elle era um amador que havia de futuro marcar epocha entre os artistas (mestres) portuguezes.


A palavra do Mestre—alberto ayres de gouveia


A opinião de Manuel San Romão, era para mim como uma pagina do Evangelho; elle que lhe via merecimento era porque na verdade o tinha.

O retrato se não era uma maravilha, dizia San Romão, era no entanto uma obra acceitavel e cheia de bellos predicados, um verdadeiro quadro tocado com proficiencia, desenhado com saber, d'um colorido doce e d'uma mais que regular semelhança.

Ao ouvir isto, logo se me arreigou no espirito a ideia de que elle tinha talento e me nasceu o desejo de ter de vizu a confirmação d'isso, o que só poderia conseguir visitando o seu atelier e a sua galeria, pois que elle, nem expunha, nem vendia os seus trabalhos.

Como conseguir porém isto? Quasi impossivel, porque o amador fugia á visita que eu tentava fazer-lhe, querendo assim deixar-se ficar no encoberto mysterio d'uma modestia, que não tinha razão de existir.

Passara-se tempo, muito tempo, sem que eu tivesse o prazer de, encontrando-o, lhe manifestar o desejo que tinha de n'uma visita ao seu atelier, vêr o que elle tinha realisado em Arte.

Em 1902, abre uma das exposições que o Instituto de Estudos e Conferencias tão proveitosamente tem organisado e realisado no Pateo da Misericordia. Era um magnifico dia de vernisage, e eu ao entrar sou immediatamente attrahido d'um modo particular e suggestivo, por umas poucas de telas que me saltam á vista impressionantemente. Tomo do catalogo e folheando inquiri quem é o seu auctor. O nome de Alberto Ayres de Gouveia era o que se lia por cima dos numeros que eu procurava. Eram, de facto, de molde a impressionar os trabalhos expostos. Á mente me saltou, como uma doce recordação, a conversa que tivera com Manuel San Romão e immediatamente me convenci de que quem pintava aquelles quadros não podia ser apellidado de simples amador.

Era indiscutivelmente muito mais do que isso, era um verdadeiro artista e com trabalhos taes, que alguns pintores, com nome feito, não desdenhariam assignar.

Em artigo que n'outro logar publíco a elles me referi e alli disse alguma coisa do que pensava a tal respeito. Agora porém que dedico ao seu auctor duas paginas do meu livro, em especial, não será demais tornar a fallar d'elles.

Eram para mim esses trabalhos primorosos, mas, se alguns defeitos tinham eram elles por si tão insignificantes que apenas mereciam o reparo ligeiro e unicamente indicativo, sem que viesse aggravado com a investida descortez e brutal de certa critica imperduravel e muitas vezes inconsciente. Porque os trabalhos expostos eram indicados no catalogo simplesmente como d'amador, mas d'amador distincto e correcto em verdade.

E bastava só isto, que elles fossem de amador, mas feitos firmemente com largueza de traço, precisão de côr, correcção de desenho e de perspectiva, definidos emfim como de verdadeiro artista, para espantar a critica de campanario e os entendedores bon marché.

E tudo isto porque? Porque habitualmente os amadores quando apparecem em publico com trabalhos seus, são estes tão banaes e tão simples que passam perfeitamente desapercebidos entre os trabalhos dos artistas, sem lhe fazerem mossa, ou sem lhe provocarem confrontos.

Com Alberto Ayres, porém, não se dava isso, apparecia pela primeira vez, mas tão desassombradamente e com trabalhos de tal folego, que até houve quem não quizesse acreditar que eram d'elle. Mas eram e tão bons que poderiam entrar com gloria em qualquer concurso, pois tenho a certeza que ao seu auctor seria dada uma primeira classificação.


Christo morto—alberto ayres de gouveia


Então é que mais e mais se me encasquetou na cabeça a ideia de observar toda a sua obra, conhecel-o no seu intimo, na sua maneira de vêr e de pintar, e depois de um assedio em forma consegui que elle me desse a honra de permittir-me uma visita d'Arte. E visitei então a sua formosissima casa, onde se espalham artisticos bibelots e bellos trabalhos de muito valor artistico. Fiz esta visita cheio d'uma suave uncção que se deve aos templos onde se sacrifica a um Deus. N'aquella casa sacrificava-se a Deusa Arte e por isso reverente alli me conservei.

Conversando durante algum tempo contou-me a sua iniciação na arte de pintar, e como, sob a competente e abalisada inspecção do grande Marques d'Oliveira, pôde conseguir o que fazia.

Desenhou muito, e quando lançava os seus vôos para mais alto, sob indicações do professor, foi em viagem artistica pela Europa, aos paizes onde mais afincadamente se rende culto á Arte e alli estudou nos museus e nas escolas de pintura alguma coisa que lhe désse conhecimentos uteis. E assim, analysando e estudando os quadros geniaes dos mestres e acompanhando os adeantamentos e os progressos das novas escolas, percorreu os muzeus de Madrid, Paris, Londres e Italia, não com a despreoccupação de um touriste, mas com a observação religiosa d'um crente, sob a indicação e a companhia de Marques de Oliveira, seu professor e que é entre os que pontificam na Pintura, um dos que mais sabiamente sabem vêr, porque é dotado d'um espirito critico especial e finissimo.

Da visita que fiz ao atelier d'este distincto amador, ficou a mais grata e a melhor das impressões.

D'entre as telas que vi, as que mais fundamente me impressionaram foram a Leitura das prophecias, Retrato do Ex.mo e Rev.mo Snr. Arcebispo de Calcedonia, A palavra do Mestre, Retrato do proprio auctor, Retrato de A. Burnay, Estudo, Baixo imperio, Appolo e Cabeça d'estudo (carvão), que são admiraveis.


S. João lendo as prophecias—alberto ayres de gouveia


D'alguns d'estes trabalhos, apresento as gravuras, que pude conseguir, quebrando quasi á força a modestia do meu biographado.

El-Rei D. Carlos, n'uma visita que fez á Exposição de Bellas-Artes em Lisboa, fez menção especial dos seus quadros, chamando-lhe pintor notavel e de pulso.

E de facto El-Rei não se enganou porque Alberto Ayres de Gouveia está na galeria dos artistas de pintura portuguezes mais distinctos.


Paisagem—candido da cunha





Estudo—joão augusto ribeiro





XXIV

Uma Exposição de Estatuetas


FRANCISCO GOUVEIA


Já era tempo de dedicar algumas palavras de justiça, ao distincto artista Francisco Gouveia, ácerca da visita que fiz á sua magnifica exposição de esculptura, aberta aqui no Porto, no Salão da Photographia Guedes, e cumprir o dever gratissimo de corresponder á galanteria e ao modo penhorante como elle me acolheu.


Francisco Gouveia

E faço-o, porque nunca antepuz á manifestação de admiração pelos trabalhos de qualquer artista de valor, outra qualquer manifestação.

A Arte, para mim a mais sublime das cousas, a mais insinuante das manifestações, tem um logar tão alto, tão deslumbrante, tão culminante que em frente d'ella eu julgo-me insignificantemente pequeno, e curvando-me reverente, fico depois extatico, cheio d'uncção na mais santa e na melhor das adorações.

Por isso, ao abalançar-me ao cumprimento d'um dever sagrado, eu commetteria um crime de lesa-religião artistica se não dedicasse algumas paginas á deliciosa exposição, que ha tempos tive o prazer de visitar.

Já o tenho dito varias vezes e hoje o repito: eu sempre que tenho ensejo de admirar uma obra de arte, pintura, esculptura, musica, ou seja o que fôr, nunca falto; sou dos que vou primeiro, e, quasi sempre, dos que sahem no fim.

É facil ficar perfeitamente embasbacado em frente d'um quadro, ou d'uma esculptura, durante horas, alheio a tudo quanto se passa em volta de mim, tal me tem succedido ante as obras de Malhôa, Salgado, Carlos Reis, Marques de Olivieira, etc., e como em nenhumas outras, ante as extraordinarias creações do sublime Teixeira Lopes.


Teixeira Lopes
f. gouveia

Por isso, como um fanatico pela Arte eu accorri ao Salão da Photographia Guedes a vêr os trabalhos, já para mim conhecidos de nome, do nosso querido concidadão Francisco Gouveia.

Que este artista, como todos os bons esculptores portuguezes, tambem é filho do Porto.

Francisco Gouveia, era um nome que se impunha já de ha muito á consideração e á admiração de todos nós, porque lá fóra, no estrangeiro, affirmava exhuberantemente, com os seus trabalhos, que nós os portuguezes tambem somos capazes de dar provas evidentes e definidas de intellectualidade e aptidão artisticas.

Entre muitos dos seus bellos trabalhos destacarei, para fazer notar aqui, o seu Beatriz de Portugal, que marcou d'uma fórma confirmativa e energica o seu saber e o seu modo de esculpir.

Este trabalho ao apparecer em Paris, de tal nomeada foi cercado, que mereceu a honra de ser reproduzido em diversas illustrações estrangeiras, onde se fizeram referencias honrosamente dignas ao nome do nosso artista.

Mas, como diz Xavier de Carvalho n'um pequeno esboço critico a respeito de Francisco Gouveia: «quiz ser o artista naturalista no minucioso detalhe, começando por nos dar um Eça de Queiroz apanhado n'uma pose verdadeiramente natural e sincera. Depois temos a serie das suas esplendidas estatuetas, tão cheias de vida plastica, d'um correctissimo desenho, mesmo quando o esculptor passa da maneira emocional do seu mestre querido Injabert á larga ébauche de Rodin que mesmo chegou a attingir na silhueta do grande artista rebelde».

E de facto assim é. Francisco Gouveia realisou este desideratum e ao abrir ao publico indifferente e á critica honrada e honesta d'uns, venenosa e malsinada d'outros, a sua exposição, fel-o, sem aspirar as louvaminhiches dos primeiros nem temer boas ou más apreciações dos segundos. Fel-o como affirmação publica do seu talento artistico e da sua persistencia do trabalho, fel-o como era justo que o fizesse.

Para isso traz-nos 78 trabalhos qual d'elles o mais fino, qual d'elles o mais correcto, qual o mais bem estudado, e mais bem executado.

Desde a estatueta séria á estatueta caricatural, desde os medalhões graves ás mascarasitas patinados, nada ha alli que não seja correcto e que não seja perfeito.

Estudos regularmente anatomisados, dando o individuo em todo o seu ser, em todo o seu aspecto, com todo o ar natural, parecendo mover-se regular e compassadamente, vivificados, com movimentações naturaes, expressão definida no rosto. E tudo isto em estatuetas que variam entre 40 e 60 centimetros d'alto.


Eça de Queiroz
f. gouveia

Mas, ha para mim, entre todos os trabalhos expostos, um, que é dos mais extraordinarios—a caricatura psychologica do grande morto Eça de Queiroz!—Fulgurantissima de genio. Vemos n'ella, n'aquelle bronze, atravez da esgrouviada figura do romancista que nos assesta o monoculo n'uma persistente meticulosidade de observador a sua alma analysta, com um quê de sarcastico, como sorrindo-se interiormente de toda esta nossa sociedade, que elle olha atravez da sua impertinente lente. É simplesmente assombroso.

A minha vontade era fazer notar uma a uma as estatuetas, as composições, as caricaturas, as medalhas, mas isso é impossivel e portanto, em mais duas palhetadas vou fechar este artigo.

Entre os trabalhos estatueta-retratos, muitos d'elles de pessoas nossas conhecidas, ha alguns com quem appetece conversar um pouco. A do Marcos Guedes, a do Pae Ramos, (ambos estes collegas do Janeiro), a do Snr. Caetano Pinho da Silva, a do nosso querido Teixeira Lopes, a de Guedes d'Oliveira são magnificas. Ha tambem um retrato do grande poeta Guerra Junqueiro (phantasia), que é muito interessante. Guerra Junqueiro é apresentado com uma tunica que lhe cae sumptuosamente como a um propheta, tendo o braço direito levantado em menção de quem préga o Evangelho, e no braço esquerdo as taboas da lei. É delicioso de concepção e de execução.


Marcos Guedes—Guedes d'Oliveira—Guerra
Junqueiro—Pae Ramos— francisco gouveia

Na estatueta-composição destacarei: A viajante, A primeira esculptura, A parisiense, A tristeza, Meditações, Grupo de leitoras, Saudades e Ama parisiense (do jardim de Luxemburgo).

Mas que estou eu aqui a destacar, se todas ellas são boas, se todas ellas me encantaram?!...

As outras, terras-cotas, bronzes, etc., são, como estas, deliciosas obras, que merecem ser vistas e apreciadas devida e detalhadamente.

Não é esta exposição de molde a ser visitada como uma exposição de quadros, onde as côres nos venham de longe em varias tonalidades, á vista. Não, aqui precisamos de parar, analysar feições, expressões, linhas, tudo, emfim. É preciso deixar a vista pousar durante um pouco, para examinar toda aquella perfeição, toda aquella correcção, que não se póde vêr á vol d'oiseau. É preciso fazer como eu fiz, estar lá horas e voltar lá mais vezes, que de cada vez que se lá volta novas cousas se descobrem nos trabalhos expostos. Quem vê só uma vez, quasi sempre não vê nada.

Vou acabar por aqui, antes, porém, devo dizer que Francisco Gouveia é um d'estes rapazes insinuantes, com quem se sympathisa logo que se falle com elle uma vez.

Modesto em extremo, é um trabalhador de verdadeiro merito, e um espirito lucidissimo. E eu, ao fechar o meu artigo para as Notas d'Arte, aqui lhe deixo significadas, ainda que muito pallidamente, a minha admiração ao seu grande talento artistico e a convicção de que o seu nome tem o direito indiscutivel de figurar a par do dos nossos primeiros artistas, pois exuberantemente conquistou um dos primeiros logares, como sacerdote magno, no templo da sublime Arte Portugueza.


Paisagem—lucilia aranha grave




Teixeira Lopes



















Caim—teixeira lopes




























XXV

MANUEL MONTERROSO


Tenho para mim este modo de pensar, talvez exotico, mas convicto, de que a caricatura é um maravilhoso remedio para muitas doenças sociaes.

Bem sei que nem sempre a cura se faz e a caricatura é applicada sem resultados praticos.


Manuel Monterroso

Mas, muitas vezes, a maior parte d'ellas, a applicação adquada, d'uma caricatura, no momento psychologico, produz tal revolução no meio onde é lançada, que a doença social desapparece como por encanto.

Com todos os remedios acontece a mesma coisa. Quantas vezes um illustre clinico applica um caustico, cheio de confiança, convencido que dentro de duas horas a pelle do doente estará levantada e suppurante, e apesar do medicamento estar em pleno effeito, o caustico falha, ou porque o doente já não dá reacção para que o resultado seja satisfatorio, e n'esse caso está morto, ou então por que a pelle é de tal fórma grossa e callejada que não ha nada que a possa atravessar e remover!

As doenças da sociedade são tal qual as doenças dos homens. E ella propria tambem tem anomalias como qualquer doente.

Uma sociedade morta, ou quasi a dar o ultimo suspiro, póde ser causticada com caricaturas, que não resurgirá. E o mesmo succederá se ella pela desfarçatez dos seus caracteres fôr uma sociedade estanhada, endurecida e callejada. Mas se entre essa sociedade alguma coisa houver ainda que vitalmente sinta as picadas ardentes da caricatura, então ella resaltará e viverá pondonorosamente espurgada do mal que a amortecia e definhava.


Dr Leopoldo Mourão
Caricatura
de manuel monterroso
Publicada na Voz Publica

A mesma revolução se faz na vida social dos homens isoladamente. Caricaturados por um lapis mordaz, mas fino, que os apresente á irrisão publica, sob qualquer dos seus aspectos ridiculos, elles remorder-se-hão na sua vaidade intima e, procurarão, embora disfarçadamente, curar-se dos seus defeitos, se é que o mal da desfarçatez os não contaminou tão intimamente, que os tenha posto por completo fóra da acção benefica, embora torturante do medicamento.

Muitos, muitissimos factos poderiam ser apontados como provas indiscutiveis e irrefutaveis, se quizessemos d'um modo affirmativo e terminante impôr a nossa opinião. Mas, não, não temos nem esse desejo, nem essa vaidade. Ao delinear estas linhas, simplesmente o fazemos como o avant-propos á apresentação que tentamos fazer d'um dos mais distinctos medicos portuenses, e no momento presente o primeiro caricaturista portuguez.

Hoje que infelizmente perdemos o maior de todos os nossos caricaturistas—o grande, o incomparavel mestre—Bordalo Pinheiro, posso dizer abertamente que Manuel Monterroso é entre nós o unico capaz de seguir tão gloriosamente como o Mestre, as suas deslumbrantes pisadas e seu genio fulgurante e radioso.


Uma pagina da Parodia—manuel monterroso


E, não quero que Monterroso me agradeça estas verdades sinceras que me saltam da penna, ditadas pelo pensamento, espontaneamente, lealmente, taes como as sinto. Não, nem o meu fim é esse. Se lhe dedico algumas palavras é porque na minha pequenez de insignificante amador de Arte, tenho por
elle, pelo seu lapis fino e caustico e pelo seu muito talento artistico, uma profunda admiração.

Extasiava-me diante das caricaturas de Bordalo com a veneração adoravel de verdadeiro admirador, do engraçado, do mordaz, do bello e do correcto.

Hoje ante o traço fino, seguro, preciso e mordaz de Monterroso tambem me permitto ficar extasiado. E tudo isto porque o considero um optimo caricaturista, um perfeito desenhista.

Incapaz, como sou, de faltar á verdade, não escrevia que o achava grande, nem o diria tão afoitamente, se não estivesse, como estou, convencido de tal.

Não digo isto, é bom que se saiba, para me dar ares; digo-o porque rebuscando e procurando na pequena galeria dos caricaturistas portuguezes, não encontro nenhum que possa passar-lhe adiante.


João Oliveira Ramos
Caricatura de manuel monterroso
Publicada na Voz Publica

Nem mesmo o Manuel Gustavo, que ainda assim, para, mim, é um dos melhores.

Pois, nem mesmo esse, que tão intimamente conviveu com o Mestre, que tão de perto recebeu as suas lições, póde dizer ousadamente a Manuel Monterroso:—eu valho mais do que tu... o primeiro logar pertence-me...

Por que de facto não vale. Manuel Monterroso tendo a intuição natural de fazer bonecos, (como elle diz), conhecendo anatomicamente o homem (ou elle não tivesse sido um dos bons discipulos do terrivel Lebre
[1], possuidor d'uma retentiva verdadeiramente photographica, elle, vendo uma vez um individuo, apanha-lhe immediatamente, não só as linhas geraes, mas os mais pequenos detalhes caricaturaes: e, n'estas condições, com estes predicados e alem de tudo isto uma boa dóse de talento, realisa desenhando verdadeiras obras primas.


Raphael Bordallo Pinheiro
Caricatura em barro
de manuel monterroso

Fulgurantissimas de graça são as varias paginas, que muitas vezes, de collaboração com os litteratos Campos Monteiro e Guedes d'Oliveira, viram a luz na Parodia.

Notavel como trabalho de verve fina e delicadissima a caricatura que foi offerecida ao Dr. João Pereira Dias Lebre, professor de anatomia da Escola Medica do Porto, no anno em que elle se jubilou.

Notaveis os seus trabalhos, que tem distribuidos por amigos, em amistosas dadivas.

Caricaturas avulsas de typos conhecidos feitas em intimas camaradagens e que o grande publico nunca teve o prazer de vêr, mas que eu conheço perfeitamente bem. Não fallando nas caricaturas que a largos traços de carvão elle lança rapidamente sobre o papel branco que friamente apparece ao publico, quando em algum concerto de caridade elle vem tambem coadjuvar o luzimento d'essa festa, com a irradiação do seu genio repentista e correcto.

N'essas occasiões é que elle tem mostrado mais publicamente a facilidade com que retem e executa o desenho caricatural dos typos apresentados.

A todos quantos tenho visto fazer este genero de trabalho, tenho notado uma coisa: elles ao apresentarem-se em publico trazem já no seu cerebro estudados e desenhados os typos a executar, e assim invariavelmente nos atiram com o José Luciano, o Hintze Ribeiro, o Burnay, o Zé Povinho, o Rei de Inglaterra, o Rei de Portugal e outros personagens, cujo perfil está de ha muito conhecido e estudado, perfis que, a maior parte das vezes, eu mesmo, leigo em desenho e em caricatura, ia desenhar depois de uma leve recordação.

Manuel Monterroso, não faz assim. Uma vez no palco ou estrado, lança a vista por sobre a plateia, e com aquelles olhinhos vivos e penetrantes fóca um individuo. Olha-o duas vezes e em seguida, costas voltadas ao publico elle ahi vae, carvão em punho, traçando, rapida e precisamente o typo que escolheu. É assim que elle faz; nunca trouxe de casa, no seu caderno de apontamento, as notas typicas dos individuos a desenhar.

Mas, não só como desenhista e caricaturista a lapis ou a aguarella, elle é notavel. Ha alguma coisa mais a notar no meu artista.

Como ceramista tambem é para ser notado e muito.


O Rei da Peça—Caricatura de manuel monterroso
Publicada no Primeiro de Janeiro


—Ora? dirá o leitor! Como ceramista? Pois não lhe conhecia essa prenda?!

—Nem eu! Mas ha tempos em conversa, a rirmos sobre mil coisas diversas e muito especialmente sobre bonecos, Manuel Monterroso disse-me á queima roupa: Sabe, vou fazer bonecos em barro, caricaturas de outra especie.

—Você está a brincar, disse-lhe eu.

—Não estou, não, verá. E a primeira ha-de ser a do Bordalo (ainda elle era vivo). Dito isto, despediu-se de mim, e, bem contra minha vontade, não o tornei a vêr durante uns poucos de dias.

Nem mais me tinha lembrado d'isso, quando uma bella manhã vejo entrar o Monterroso pela porta dentro com um embrulhosito na mão, dizendo:—Cá está a obra.



Os Donos da Casa—Caricatura de manuel monterroso
Publicada no Primeiro de Janeiro



Corri apressado ao seu encontro, obrigo-o a mostrar-me o embrulhito e... ante a apparição que se fazia deante dos meus olhos eu ficava estasiado.

Uma delicada, uma fina maquete da figura em corpo inteiro do grande mestre da Caricatura, apparecia diante de mim, admiravelmente lançada, sabiamente estudada e medida, bellamente executada. Não parecia o primeiro trabalho de um amador, não. Era o trabalho de quem sabe e muito, como o barro se espalma e se contorna, como se modela e como se vivifica.


José Ribeiro—Caricatura
em barro de
manuel monterroso

Não penseis que faço o
elogio balofo d'uma insignificancia. Faço simplesmente a resenha verdadeiramente sincera de uma das mais notaveis manifestações do talento do meu querido caricaturista.

Não resisti, abracei-o, felicitando-o e pedi-lhe que continuasse n'aquelle novo systema de caricaturar os homens notaveis do nosso tempo, e do nosso conhecimento. Prometteu-me continuar mas, a sua medicina e os seus muitos afazeres, não tem consentido que os meus olhos possam vêr mais d'aquellas deliciosas obras.

A reproducção em bronze da maquete, em que fallei foi elle, como manifestação da sua muita admiração e amizade pelo grande mestre, levar-lh'a a Lisboa, onde Bordalo, como eu, se extasiou ante a disposição artistica de Monterroso e a execução d'aquelle trabalho.

E, posto isto, posso fechar o artigo porque já provei bem á evidencia que Manuel Monterroso é innegavelmente um rapaz de indiscutivel talento.

Mas, perguntará o leitor: a que veiu aquelle prologo em que se fez jogar a medicina e a caricatura como meios curativos da sociedade e das gentes?!

Eu explico. É que se não tivesse gasto tanto tempo ainda vos havia de dizer como é que o Manuel Monterroso póde ser ao mesmo tempo um grande caricaturista e um bello medico. Isso porém fica para segundas leituras.



XXVI

A BAIXELLA BARAHONA


Venho cheio d'um sincero enthusiasmo fallar-vos agora exclusivamente d'um dos maiores acontecimentos para a arte de ourivezaria portugueza, e não só para ella como para a Arte, na verdadeira accepção da palavra; da Baixella Barahona!


Columbano Bordallo Pinheiro

É esta já bem conhecida em todo o Portugal, pelo que d'ella tem dito os jornaes de Lisboa, mas um brado mais, d'um sincero amador, nunca faz mal para engrossar o côro de hossanas, que em volta de tão magnificente obra, se tem levantado por todos quantos a tem visto.

A casa Leitão & Irmão, innegavelmente os primeiros joelheiros e ourives portuguezes, levaram a cabo a execução da obra mais monumental e mais artistica no seu genero, que se tem feito em Portugal ha cem annos para cá. E estou bem certo que será preciso passar um incalculavel numero de annos para que se faça uma outra obra assim.

Dous são os motivos, que me levam a acreditar n'esta profecia: «A falta de homens de gosto e de dinheiro, como o
dr. Francisco Barahona; e a falta de comprehensão da maior parte da gente, de que a Arte é a manifestação mais bella e mais brilhante do desenvolvimento espiritual e intellectual d'uma nação».


Serpentina da Baixella Barahona

Mas, como não me julgo com competencia para
divagações philosophicas sobre Arte, Dinheiro e Gosto, vou entrar no meu assumpto—A Baixella Barahona—da qual estão em exposição o Centro de meza, e as Duas serpentinas.

São estes tres monumentos, deixem-me assim chamar-lhe, uma coisa phantastica. Delineados sobre motivos esculpturaes do tempo de D. João V, harmonisou-se n'uma contextura brilhante, encantadora, fazendo-nos passar, como que em revista as decorações architectonicas dos monumentos da epocha, os escudos d'armas da casa real de D. João V, as talhas douradas dos conventos, as conchas nacaradas dos mares, que nós portuguezes dominamos nos nossos tempos de navegadores, e as aguas espraindo-se nas nossas formosissimas praias onde o mar bate altisonante, cantando ainda restos das nossas passadas glorias.

É como que a orquestração muda d'uma epopeia de deslumbramento e de luxo. Mereciam um poema, tal é o seu primor e a sua riqueza.

Por ambas as vezes, que fui vêr estas deslumbrantes obras de arte, fiquei estasiado algumas horas, na contemplação d'ellas, e cada vez que as olhava novos encantos lhe achava; aqui eram os festões de flores que pareciam baloiçar ao sopro da aragem, pendentes das mãos torneadamente papudas dos deliciosos amores; mais em baixo, os golphinhos com as suas fauces escancaradas d'onde jorram torrentes d'agua que se espraiam pelo enconchado da base; de todos os lados, as nacaradas conchas encurvadas caprichosamente n'um anichamento sublime de preciosidades do fundo do mar, e contornando tudo isto n'uma justeza de fórma, n'um carocolar de serpente, d'um brunido admiravel, como que uma fita de seda que mãos delicadas de fadas se entretivessem a dispôr alli, como cercando aquella serie de deliciosas coisas.

Alguem que tenha visto a Baixella, dirá: e as figuras que alli existem onde as deixará ficar o chronista?

As figuras essas são deslumbrantes de contextura, e se me deixei ficar para o fim a fallar n'ellas, é, que tão fundo me feriram no espirito que lhe reservo um logar mais ao fim do artigo para que quem me ler nunca se esqueça d'ellas.


Centro de meza da Baixella Barahona


O centro, como muito bem diz o nosso amigo M. Oliveira Ramos, na memoria escripta expressamente para ser distribuida pela casa Leitão aos seus convidados, compõe-se d'uma taça oblonga de amplo bojo, enfunada para a base e recordando talvez na sua fórma, o casco dos nossos galeões do periodo aureo.

De cada lado d'esta taça e como sentados no rebordo, ha duas figuras; um Fauno e uma Bachante.

O Fauno, tendo n'uma das mãos uma frauta de Pan, ri brejeiramente para um amor que parece ter-se deitado na base a analysar aquelle typo tão caracteristico e tão bem delineado. E a Bachante com um exhuberante cacho d'uvas, tenta o outro amor que, deitado tambem, nos dá a impressão suave d'um delicioso bébé a quem uma nympha estivesse fazendo negaças com em brinquedo.

Mas, é tal o deslumbrante das fórmas e o rigor da anatomia d'estas figuras, tão primorosamente modeladas e tão assombrosamente executadas que parece que aquella fria prata, de que são feitas, se anima e palpita. Todo o conjuncto é bello, mas as figuras extasiaram-me.

Columbano Bordallo Pinheiro, ao modelar aquelles primores de arte, (talvez isto seja uma heresia), fez, a meu vêr, um dos seus trabalhos mais geniaes, a manifestação mais ampla do seu muito talento.


Magdalena
columbano bordallo pinheiro

Porque é preciso ter-se muito talento para se realisarem obras d'aquellas.

Ficarei por aqui, se bem que não era esse o meu desejo, mas a falta d'espaço e de tempo, a isso me obrigam. Antes porém de fechar cumpre-me fazer, por este meio, o que já fiz pessoalmente, dar um aperto de mão, a quem se abalançou a uma empreza como esta e saudar enthusiasticamente com o meu fraco appoiado os grandes collaboradores d'esta manifestação de arte portugueza,—o dr. Francisco Barahona, o verdadeiro patriota que sabe como ninguem comprehender para que serve o dinheiro,—Columbano Bordallo Pinheiro, que para essa obra deu parte do seu eu artistico—Augusto Luiz de Sousa e Francisco Ignacio Cardoso os dois artistas ourives sob a direcção dos quaes se executou tal obra.

Aos snr. Leitão & Irmão um bravo! Um bravo enthusiastico d'um humilde admirador.

E para fechar, folgarei immenso ouvindo dizer que esses tres monumentos vão mostrar ao mundo inteiro, na Exposição de Paris, que em Portugal ha verdadeiros artistas e homens de arte.