X
Fallecimento
de Canning. Sua
indivídualidade.
O prematuro desapparecimento de Canning,
em Agosto de 1827, poupou-lhe amargas
decepções, porque, das
nações latino-americanas
por elle introduzidas na vida
politica, nenhuma, com excepção do Brazil,
se mostrou immediatamente digna da honra
que lhes fôra dispensada. Nem commercialmente
a America Latina, e ahi não se
exceptua o Brazil, tornou-se o fertilissimo
campo de actividade, exploração e lucro
que Canning devaneava, de harmonia com
a maioria dos seus compatriotas. Tambem
ás novas nações foi muito sensivel a
falta
de Canning, porque n'elle perderam um
conselheiro interessado, zeloso e seguro,
que lhes não furtaria animação, assim
como
lhes não regatearia admoestações,
segundo
pode deprehender-se do seguinte periodo de
uma carta sua a Granville
[75]:
«Rejubilou-me
erguer esses povos á condição de
Estados,
mas não os deixarei imaginarem-se
muita cousa (
fancy themselves too fine
fellows),
como certamente aconteceria si não
fossem tratados d'alto quando o merecem
(
as they would be apt to do if not snubbed
when they deserve it).
Não foi menos sensivel a sua falta á
Grã
Bretanha, cuja evolução no sentido democratico,
poderosa ainda que indirectamente
orientada n'esse sentido pelo espirito aberto
e progressivo de Canning, não poude ficar
suspensa pelos esforços do duque de Wellington
e dos
high tories, durante o curto
ministerio que serviu de transição para o
gabinete reformista de Lord Grey. Canning,
si tivesse vivido, teria precedido Gladstone
na sua famosa passagem do campo conservador
para o campo liberal: teria certamente
sido o organizador da nova Inglaterra,
creada pela Reforma de 1832. Um
escriptor do valor de Sir George Lewis, o
auctor do classico livro sobre as administrações
inglezas de 1783 a 1830, e intelligencia
cuja sagaz observação é
realçada por
um profundo conhecimento dos factos de
que se occupa, não vacilla em affirmar que
nenhum estadista britannico dos tempos
modernos deixou no continente da Europa
um nome tão identificado com uma politica
larga e generosa.
Canning foi nada menos do que o agente
dissolvente da Santa Alliança dos Reis contra
os Povos, ou melhor, o energico reagente
que produziu o precipitado de corôas absolutas,
depositadas para sempre como sedimento
no liquido purificado da corrente
popular. A Independencia do Novo Mundo
latino-americano, elle a consummou contra
a opposição da Europa Continental, ainda
mais adversa, si possivel, ao engrandecimento
commercial e moral da Grã Bretanha
do que ao alastramento das idéas republicanas.
E para pôr um remate adequado a
tão nobre vida, contribuio mais do que ninguem,
mais mesmo do que os Czares russos,
empenhados de corpo e alma na absorpção
da Turquia, para a final libertação da Grecia,
a parte das artes e da philosophia, a sua
patria intellectual, porque elle foi um apaixonado
da Forma, ou da expressão real, e
um cultor das Idéas, ou do fundamento
abstracto. O seu estylo plastico—vibrante
de ironia e de affeição nas cartas intimas,
tumido de originalidade e de força pratica
nos papeis officiaes, directo, incisivo e ao
mesmo tempo cheio de dignidade nas orações
parlamentares—era a expressão de
uma intellectualidade facetada e luminosa
como um diamante. De qualquer lado que
a encaremos, para qualquer lado que a
voltemos, ella sempre esparge luz e chama
a nossa vista.
Canning, fallecido aos 57 annos e tendo
tido que dominar condições e circumstancias
contrarias, não poude chegar ao zenith
da sua influencia politica, mas a sua attracção
tanto sobre as massas como sobre a
classe directora, e n'aquelle momento ainda
quasi exclusivamente directora, foi, não
obstante os dissidentes amigos da reacção,
verdadeiramente magnetica. O
Times,
o
jornal que n'este seculo melhor ha traduzido
a media do pensamento inglez, e cuja
independencia de linguagem foi sempre tão
completa que, no dia immediato ao da
morte de Jorge IV, pronunciou com absoluta
franqueza no seu editorial que «nunca
existira um individuo menos lamentado
pelos homens do que o defuncto Rei,»
escrevia a 7 de Agosto de 1827, quando
Canning agonisava em Chiswick, que nunca
a solicitude na Inglaterra fôra mais intensa
ou universal pela vida de um homem publico.
Esta homenagem da opinião é tão
espontanea e foi tão singelamente manifestada,
que nenhum outro elogio a poderia
encarecer.
APPENDICE
APPENDICE
DOCUMENTO N.º 1
INSTRUCÇÕES PARA
SERVIREM DE REGULAMENTO AO SR.
MANOEL RODRIGUES GAMEIRO PESSOA NA MISSÃO COM
QUE PARTE PARA A CÔRTE DE LONDRES DE ENCARREGADO
DE NEGOCIOS DO IMPERIO DO BRAZIL.
Tendo S. M. O Imperador Resolvido que Vmce.
passasse a residir junto de S. M. Britannica no mesmo
caracter de Encarregado de Negocios deste Imperio
em que se achava na Côrte de França, por se fazer
indispensavel em Londres uma pessoa de provada capacidade
acreditada por este Governo, para que não houvesse
interrupção no desempenho das
funcçoens politicas
e commerciaes a cargo do Marechal Felisberto
Caldeira Brant que antecedentemente as exercia; e servisse
de orgam immediato dos sentimentos constantes
de S. M. O Imperador para firmar em bases solidas e
decorosas os verdadeiros interesses de ambas as
Naçoens, das quaes he sem duvida o principal o
Reconhecimento
da Independencia deste Imperio, como
tudo já foi a Vmce. participado nos meus antecedentes
officios, cumpre agora remetter a sua Credencial, e
aquellas Instrucçoens mais essenciaes que o Governo
de S. M. I. confia da sua dexteridade e intelligencia.
2º
Não cessando o Consul Geral de S. M. Britannica
nesta Côrte de representar sobre a
detenção do Brigue
Beaver em 12 de Janeiro p. p. bem como a admissão
no serviço deste Imperio do Tenente Britannico Taylor,
qualificado como Desertor da Marinha da sua
Nação, e
não parecendo sufficientes as
explicações que este
Ministerio tem dado de ambos aquelles procedimentos,
visto ter insistido o sobredito Consul como a Vmce. tem
sido constante pelo meu despacho numero 17 de 26 de
Novembro ultimo; Deseja S. M. O Imperador que para
não soffrer a menor duvida a realidade de Seus Sentimentos
em querer condescender com S. M. B. e inteiral-o
de sua Franqueza e Amizade, Vmce. se apresente
immediatamente a esse Governo como auctorisado para
ir tratar expressamente deste assumpto, e depois de
fazer uso de todas as razoens produzidas na minha
Correspondencia Official com o Consul Britannico,
tendentes a demonstrar que o Governo Brazileiro não
teve premeditação a desagradar essa
Côrte, que mui
pelo contrario tem o maior sentimento pelas consequencias
que parecem nascer daquelles dois factos,
Vmce. fará ver que tem ordem de os desapprovar
solemnemente em Nome e da parte de S. M. I., que
os considera como um acto de inconsideração do
passado
Ministerio; dando Vmce. esta satisfação
annunciará
que S. M. I. em ultima prova da veracidade das protestaçoens
feitas e do seu ardor em manter a melhor
harmonia com o Governo Britannico, estará promto a
dimittir o Tenente Taylor; mas Vmce. empregará todo
o seu zelo em ponderar a extensão do sacrificio que
S. M. I. fará em dimittir e entregar um Official que
tão
bom serviço ha prestado ao Imperio, e que procura
expiar a sua primeira falta redobrando de actividade e
zelo no serviço de uma Nação
tão estreitamente ligada
em interesses e affeiçoens á sua propria
Nação. Exporá
pois que nestas circumstancias e na convicção de
que
S. M. B. não tem em vista levar este caso a um ponto
só proprio de dois Governos que acintemente desejassem
romper publicamente os meios conciliatorios,
Espera o
Imperador que S. M. B. generosamente o desembarace
da penosa alternativa em que se acha.
O meu citado Despacho n. 17 e as inclusas copias da
Correspondencia que tem tido logar sobre o Tenente
Taylor, e Brigue Beaver, servirão ao seu zelo de subsidio
para se regular em tão melindrosa como importante
materia.
3º
Dado este passo que muito se lhe recommenda será
logo o seu primeiro cuidado procurar ser admittido
publicamente como Encarregado de Negocios quando
não assente que deva primeiramente instar pelo seu
recebimento publico nessa qualidade, antes de desempenhar
a commissão acima, com o fundamento de que
será mais solemne, e por isso mais ampla e formal a
satisfação por Vmce. dada como Agente Publico e
Diplomatico. Tambem se valerá para o fim de ser
reconhecido diplomaticamente do exemplo da França
que acaba de nomear um Encarregado de Negocios
para residir junto de S. M. I., não se esquecendo outro
sim de observar que consentindo o mesmo Augusto
Senhor que o Consul Chamberlain tenha funcçoens
diplomaticas nesta Côrte, só para que
não soffram as
relações de ambos os Paizes, parecia de justa e
decorosa
reciprocidade que na Côrte de Londres não
continuasse
a repugnancia de receber e reconhecer os
Enviados do Brazil, até mesmo porque este recebimento
era o preparatorio de negociaçoens da maior importancia
para a propria Inglaterra.
4º
Trabalhará immediatamente em promover o Reconhecimento
authentico e formal da Independencia,
Integridade, e Dymnastia do Imperio do Brazil, para o
qual esse Governo já se acha disposto, dando Vmce. a
entender quando julgar preciso que S. M. I. tem na
Europa pessoas da sua Confiança com todos os poderes
necessarios para tratar deste assumpto com a Potencia
ou Potencias que melhor apreço derem aos desejos do
Brazil, com tudo Vmce. não nomeará essas pessoas,
mas participará opportunamente a estas as
intençoens
do Governo Britannico, a quem por esta occasião
insinuará
o quanto seria prejudicial á Inglaterra que outra
qualquer Potencia fosse a primeira a tratar com o Imperio
do Brazil, e tivesse a prioridade do Reconhecimento.
5º
Os Plenipotenciarios referidos no Artigo antecedente
são Vmce e o Marechal Felisberto Caldeira, que
partirá
brevemente desta Côrte levando os precisos Poderes
para ambos; e tanto com elle como com o Encarregado
de Negocios em Pariz terá uma correspondencia
effectiva, communicando e recebendo todas as noticias
que concorrerem ao bom desempenho de suas commissoens.
6º
Para conseguir o desejado Reconhecimento exporá
com energia e firmeza os motivos que teve o Brazil.—1º
Para resentir-se da retirada d'El Rei Fidelissimo o
Sñr. D. João VI.—2º Conservar em seu
seio o seu
Augusto Primogenito.—3º Recusar o jugo tyrannico
que as Côrtes demagogicas de Lisboa preparavam á
sua
boa fé.—4º Acclamar por seu Defensor Perpetuo ao
Mesmo Augusto Principe.—5º Separar-se emfim de
uma Metropole a que não podia mais permanecer unido
senão nominalmente, quando a Politica, os interesses
Nacionaes, o resentimento progressivo do Povo, e até a
propria Natureza tornavam de facto o Brazil Independente.—6º
O acclamar conseguintemente ao Herdeiro
da Monarchia de quem fazia parte, conciliando os principios
da Legitimidade com os da Salvação do Estado,
e interesses publicos.—7º Conferindo o Titulo de Imperador,
por certa delicadeza com Portugal; por ser
conforme ás idéas dos Brazileiros; pela
extensão territorial;
e finalmente para annexar ao Brazil a cathegoria
que lhe deverá competir no futuro na lista das outras
Potencias do Continente Americano.
Mostrará seguidamente em resposta aos receios que
se suscitarem sobre a consolidação do Imperio que
esta
mesma marcha gradativa, e apparentemente contradictoria
com que o Brazil tem chegado ao seu actual estado,
he uma prova da prudencia que o tem guiado a tão
importante resultado, e demonstra evidentemente quanto
deve ser applaudida sua resolução, pois que
esgotou
todos os recursos para conservar a união com Portugal,
e conheceo por experiencia todos os inconvenientes das
diversas situações por que passára.
Fará ver que nada poderá jamais mudar o
sentimento
destes Povos em sustentar a sua Independencia
e o seu Imperador e Defensor Perpetuo, que por
sua parte tem igualmente refletido com madureza sobre
os interesses da Nação que Rege e Defende; e
jamais
retrogradará um só passo da Cathegoria a que
está
elevado; sendo por isso só calculada a espalhar o azedume
e desconfiança toda e qualquer repugnancia da
parte das outras Naçoens em reconhecer como legitimo
um Governo fundado na Justiça, e na vontade de quatro
milhões de habitantes. Insistirá nos
esforços que
S. M. I. tem feito para suffocar algumas facçoens dispersas
que a effervescencia do Seculo tem animado
contra os Principios Monarchicos; facçoens estas que
poderão porém ganhar forças, ou ao
menos mais diuturnidade,
se as Potencias da Europa continuando a
não coadjuvarem materialmente a S. M. I., levarem a
sua indifferença ao ponto de nem se quer prestarem
a mera formalidade do Reconhecimento do Imperio;
abandonando assim o Imperador a seus proprios recursos,
quando tanto interesse têm as ditas Potencias em
que se mantenha a Realeza na America.
7º
Além das razoens acima expostas, dos exemplos de
Columbia e outros pequenos Estados que já têm sido
reconhecidos Independentes, e dos principios de Direito
Publico a que póde tambem recorrer, pois o Brazil tem
sempre sido coherente com elles, insinuará dextramente
que os proprios interesses da Inglaterra pedem este
Reconhecimento pois não seria extranho que o Governo
Brazileiro tratasse exclusivamente com outra Potencia
a este respeito, estipulando-se condiçoens que pudessem
affectar os interesses commerciaes da Grã Bretanha
neste vasto Imperio, e poderá por esta occasião
fazer
ver que a Prussia mesmo já fez a iniciativa de um
Tratado a que por ora S. M. I. não Julgou necessario
responder.
8º
Sendo talvez a amizade existente entre a Inglaterra
e o Governo de Portugal um apparente obstaculo ao
Reconhecimento por aquella Potencia do Imperio do
Brazil; cumpre que Vmce. mostre.—1º Que a Independencia
deste Imperio não foi effeito do Systema
Constitucional que regeo Portugal, para que cessado
esse Systema tornasse por sua parte o Brazil ao primitivo
estado; pois as Côrtes Lisbonenses não fizeram
mais que accelerar, por suas injustiças, uma Independencia
que já de muito estes povos desejavam, e era
consequente do estado de virilidade a que haviam chegado.—2º
Que S. M. Fidelissima he assás illustrado
para reconhecer que foi chegada a epocha em que o
Brazil, unica colonia do Novo Mundo que estava por
constituir-se, havia de entrar na lista das outras Naçoens,
muitas das quaes não têm a mesma grandeza
territorial, a mesma população e os mesmos
recursos.—3º
Que S. M. Fidelissima abandonando o Brazil, ou
preferindo-lhe a outra parte da Monarchia, a que então
estava unido, em uma epocha tal, como que o tinha
deixado Arbitro da sua sorte, e dos melhores meios de
firmar a sua grandeza e segurança.—4º Que tendo
estes Povos Acclamado o Seu Filho Primogenito,
quando era inevitavel o rompimento com Portugal,
mostraram-lhe nesta crise o quanto respeitavam a Casa
de Bragança.—5º Que sabendo S. M. F.
não ser
nova
na historia das Naçoens a divisão destas em ramos
de
uma mesma Dynastia; e estando finalmente o Imperador
prompto a tratar com seu Augusto Pai, debaixo da
base do Reconhecimento da Independencia, de tudo
quanto ainda puder ser vantajoso a ambas as Naçoens,
só resta a S. M. F. tirar partido de tão boas
disposiçoens,
e por si ou por intervenção de alguma outra
Potencia,
aproveitar do Brazil o que ainda fôr possivel.
9º
Fará sentir a esse Governo que de algum modo conciliaria
a sua delicadeza com os seus verdadeiros interesses
servindo de mediador para que Portugal reconheça
a Independencia, Integridade, e Dynastia deste
Imperio; Mediação que S. M. I. acceitaria de boa
vontade,
ficando todavia reservadas para deliberação
futura
as condiçoens que Portugal quizesse propôr.
10º
Fará toda a vigilancia em seguir o fio das intrigas e
negociaçoens da Côrte de Lisboa, e seus Agentes,
não
poupando meio algum de as penetrar, e communicar
opportunamente a esta Secretaria de Estado, com os
documentos que lhe forem relativos, sendo possivel.
11º
Tudo o mais Confia S. M. Imperial do seu reconhecido
zelo, intelligencia e patriotismo, Esperando que
continuará a proceder com o maior ardor pelos interesses
Nacionaes.
Palacio do Rio de Janeiro, 24 de
Novembro de 1823.
Luiz
Je.
de
Carvalho e Mello.
DOCUMENTO Nº 2
Illmo. e Exmo. Sñr.
Nós, abaixo assignados, temos a honra de nos dirigir
a V. Ex. para lhe notificarmos, que estamos munidos
de Plenos Poderes de S. M. o Imperador do Brazil
para conferir, e tratar nesta Corte com o Plenipotenciario
ou Plenipotenciarios que S. M. Fidelissima se
Dignar nomear afim de pôr termo á discordia
existente
entre os respectivos Governos, e pela maneira que fôr
mais decorosa a ambos os Estados.
He tão honrosa e tão benefica a nossa
missão que
ficamos persuadidos de que V. Ex. terá o maior prazer
em leval-a ao conhecimento de S. M. Fidelissima, e de
nos participar a resolução do mesmo Augusto
Senhor
sobre hum objecto que interessa tanto seu Paternal
coração. Resta-nos pedir a V. Ex. que haja de
aceitar
os mui sinceros protestos da nossa alta
consideração.
Deus guarde a V. Ex.
Londres, em 20 de Abril de 1824.
Illmo e Exmo Sñr.
Marquez de
Palmella.
Felisberto
Caldeira Brant,
Manoel Rodrigues Gameiro Pessoa.
DOCUMENTO Nº 3
copia da
resposta do marquez de
Palmella
O abaixo assignado recebeo o Officio que os Illmos
Snres Felisberto Caldeira Brant e Manoel Rodrigues
Gameiro Pessoa lhe dirigirão em data de 20 de Abril
proximo passado, e tendo-o levado, como lhe cumpria,
a Real Presença de Sua Magestade, immediatamente
recebeo ordem do mesmo Augusto Senhor para transmittir
ao Conde de Villa Real, Seo Enviado Extraordinario
e Ministro Plenipotenciario na Corte de Londres,
os Poderes necessarios, afim de ouvir, e discutir as
proposições que lhe forem dirigidas tendentes a
pôr
termo a discordia que desgraçadamente existe entre os
Reinos de Portugal, e do Brazil; achando-se o mesmo
Conde eventualmente authorisado a concluir qualquer
ajuste que possa conciliar os verdadeiros interesses, e
o decoro de ambas as Partes.
Sua Magestade Fidelissima não tem cessado de dar
provas dos sinceros dezejos, que o animão de apagar
tão fataes dissenções, e de
restabelecer a boa harmonia
entre dois Paizes, cujos Habitantes são Irmãos e
se
achão mutuamente ligados por tantos, e tão
estreitos
vinculos; he de suppôr que estes beneficos dezejos
sejão plenamente correspondidos, e que sejão
comprovados
com factos, como o tem sido os de S. M. Fidelissima:
o abaixo assignado concebe essa esperança lisongeira,
e não pode deixar de tirar hûa
indução favoravel
da acertada escolha que S. A. Real o Principe D. Pedro
fez das Pessoas aquem confiou o manejo de tão importantes
interesses. O abaixo assignado pede a Suas Senhorias
queirão aceitar os protestos de sua alta
consideração.
Lisboa 21 de Maio de 1824.
Marquez
de Palmella.
DOCUMENTOS Nos 4 a 7
NÉGOCIATION
ENTRE LE
PORTUGAL ET LE
BRÉSIL[76].
Nº 4
Première
Conférence.
Présens: M. le Comte de
Villa
Real, M. le Général
Brandt, M. le
Chevalier
Gameiro, M. le
Chevalier de
Newmann, M.
Canning.
M. le Plénipotentiaire de Portugal, et MM. les
Plénipotentiaires
du Brézil, ayant demandé les bons offices
des Gouvernements Britannique et Autrichien, à l'effet
d'opérer une Réconciliation entre le Portugal et
le
Brézil, et s'étant réunis à
cet effet, en présence de
M. Canning, Secrétaire d'État de S. M.
Britannique
pour les Affaires Étrangères, et de M. le
Chevalier de
Newmann, Chargé d'affaires de S. M. I. R. et Apostolique
auprès de la Cour de Londres, M. de Villa Réal,
et MM. les P. P. du Brézil, ont exhibé
à la Conférence
leurs Pleins Pouvoirs respectifs, et, après les avoir lu,
M. de Villa Réal a observé que puisqu'il
n'était
pas
nécessaire, pour le moment, d'échanger ces
instruments,
il se contentait de protester verbalement contre
les Titres du Prince, au nom duquel les Pleins Pouvoirs
de MM. les Plénipotentiaires Bréziliens avaient
été délivrés.
M. de Villa Réal a ensuite demandé aux P. P.
Bréziliens,
de vouloir bien lui expliquer quelles étaient les
propositions qu'ils avaient à faire au Portugal.
MM. les Plénipotentiaires Bréziliens ont
répondu,
qu'ils demandaient du Portugal, la Reconnaissance de
l'Indépendance du Brézil, et de la
Catégorie Politique.
A quoi M. de Villa Réal a observé qu'avant toute
autre discussion il y avait trois points sur lesquels il
désirait avoir des explications et des assurances: savoir,
si MM. les P. P. Bréziliens pouvaient promettre:
1º La cessation des hostilités de la part du
Brézil
contre le Portugal;
2º Le rétablissement des relations de commerce
entre les deux pays;
3º La restitution des propriétés et
vaisseaux
portugais
saisis par les Bréziliens, ou une indemnité
équivalente.
MM. les P.P. Brésiliens ont répondu, qu'ils
n'étaient
pas autorisés à donner ces promesses; mais qu'ils
pouvaient
assurer, que de fait les hostilités avaient
été
suspendues de la part du Brézil, depuis le mois de
Novembre dernier; qu'ils avaient déjà
écrit pour presser
la continuation de cette suspension; et que la négociation
étant à présent ouverte, ils
écriraient sans perte
de temps à leur Gouvernement sur les deux autres
points.
MM. les P. P. du Brézil ont de leur
côté demandé
des explications sur l'expédition qu'on préparait
dans
les ports du Portugal contre le Brésil: sur quoi M. de
Villa Real a répondu, que cette expédition ne
mettrait
à la voile que dans le cas du renouvellement des
hostilités
de la part du Brézil, ou de la rupture de la
présente
négociation; et que de sa part il était
disposé à
continuer la négociation, dans l'espérance que
les trois
points susmentionnés seraient admis de la part du
Brézil, aussitôt que les communications des P. P.
Bréziliens
y seront parvenues.
Sur quoi la séance a été
levée.
Nº 5
Seconde
Conférence Brézilienne,
le 19 juillet.
Présens: MM. le Comte de Villa Real,
Général
Brandt, M. le Chevalier Gameiro, le Prince Esterhazy,
M. Canning, M. le Chevalier de Newmann.
Le Protocole de la dernière séance a
été lu et
approuvé.
MM. les P. P. B. B. déclarent qu'ils ont écrit
à leur
Cour par la Malle du 14 sur les trois points que M. le
comte de Villa Real a suggérés dans la
dernière conférence,
demandant une prompte réponse et surtout
qu'elle soit précédée d'un acte
publique concernant la
suspension des hostilités; et comme ils pouvaient assurer
que tout cela serait accordé immédiatement si
l'Indépendance
du Brézil était reconnue, ils prient M. le
comte de Villa Real de leur déclarer s'il est
autorisé de
reconnaître l'Indépendance et les nouveaux titres
du
Brézil.
M. de Villa Real a répondu qu'il envisageait les trois
points susdits comme préliminaires à toute
négociation,
que cependant il n'avait pas voulu arrêter la
marche de celle-ci, dans l'espoir que ces trois points
seraient accordés; et qu'il était par
conséquent prêt à
continuer cette négociation pourvu qu'on n'exige pas
comme condition préalable la reconnaissance de
l'Indépendance:
S. M. T. F. dans la supposition que cette
demande préalable ne serait pas faite ayant consenti
à
ne pas mettre en avant son droit incontestable de
souveraineté
sur le Brézil.
Sur cela M. Canning a proposé, pour faciliter la
marche de la
négociation,
de rédiger son projet
de réconciliation,
pour être ensuite pris en considération par les
deux parties. Cette idée a été
agréé par les P. P. B. B.
et M. le comte de Villa Real a déclaré que faute
d'autorisation
pour la discuter, il s'empresserait de transmettre
un tel projet à son Gouvernement.
MM. les P. P. B. B. ont demandé la restitution des
prisonniers Bréziliens qui se trouvent actuellement en
Portugal; et ont déclaré que si M. le comte de
Villa
Real pouvait consentir à leurs demandes, qu'ils enverraient
de suite des bâtimens en Portugal pour amener
ces prisonniers au Brézil.
M. le Comte de Villa Real a répondu qu'il n'avait
pas de pouvoirs suffisants pour accorder cette demande,
mais qu'il la transmettrait sans délai à sa Cour.
Sur quoi, etc., etc.
Nº 6
PROTOCOLE
Conférence
Brézilienne, le 9
Août 1824.
Présens: M. le Comte de Villa Real, M. le
Général
Brandt, M. le Chevalier de Gameiro, M. Canning, le
prince Esterhazy, M. le Chevalier de Newmann.
Le Protocole de la dernière Conférence a
été lu et
approuvé.
M. de Villa Real a annoncé qu'il avait écrit
à Sa
Cour á l'égard des sujets Bréziliens
détenus en Portugal,
et a déclaré que son Gouvernement avait
relâché
et ordonné la restitution du Vaisseau Brézilien
nommé
Jervis; il a demandé
ensuite à Messieurs les Plénipotentiaires
Bréziliens s'ils avaient déjà
reçu l'autorisation
de faire une déclaration sur les trois points
mentionnés
dans le Protocole de la première séance.
MM. les Plénipotentiaires Bréziliens ont
répondu,
qu'à l'égard de la première question,
c'est-à-dire
celle relative aux hostilités, ils avaient
déjà reçu des
assurances positives de leur Gouvernement qu'aucune
tentative ne serait faite de la part du Brézil contre
les Colonies Portugaises—que sur les deux autres
questions ils n'avaient encore aucune explication à
donner;—mais
qu'ils référaient M. le
Plénipotentiaire
Portugais à M. Canning pour les réponses que le
Gouvernement Britannique pourrait avoir reçu sur ces
objets du Gouvernement Brézilien.
MM. les Plénipotentiaires du Brézil ont
démandé
l'insertion au Protocole de la Déclaration suivante:
qu'ils continueraient la négociation dans l'espoir qu'Elle
terminerait par la reconnaissance de l'Indépendance du
Brézil.
M. le Plénipotentiaire de Portugal a
déclaré qu'il
ne pouvait rien promettre qui invaliderait les droits
de Souveraineté de Sa Majesté Très
Fidèle, mais que
l'objet de cette négociation étant une
Réconciliation
entre le Portugal et le Brézil, il la continuerait
d'après
les Principes énoncés par Lui dans les Protocoles
précédents.
M. Canning a présenté à la
conférence un Projet
de Réconciliation qu'il avait préparé
d'après l'offre
qu'il en avait fait, à la conférence
précédente.
M. Canning en a donné copies à MM. les
Plénipotentiaires
de Portugal, du Brézil et de l'Autriche; mais ce
Projet ayant été rédigé
seulement comme moyen de
faciliter une Réconciliation, il a été
convenu de ne pas
le mettre au Protocole.
M. Canning a ajouté qu'il ne se tenait pas du
tout ni à la forme ni à la substance de ce
projet, que
peut-être en le prenant en plus mûre
considération, il
y ferait des changements lui-même, et qu'il invitait
MM. les Plénipotentiaires de lui faire le plus franchement
possible, leurs observations là-dessus.
Nº 7
Conférence
Brézilienne les 11 et
12 Août 1824.
Présens: M. Canning, M. le P. Esterhazy, M. de
Newmann, M. le Comte de Villa Real, M. le Général
Brandt, M. le Chevalier Gameiro.
Le Protocole de la dernière séance a
été lu et approuvé.
M. le Plénipotentiaire du Portugal a annoncé que
s'étant adressé à S. E. M. Canning en
suite de ce qui
a été déclaré par MM. les
P. P. B. B. dans la dernière
Conférence, a appris avec peine que le Gouvernement
Brézilien n'a point accédé aux
représentations
qui lui ont été adressées par M.
Chamberlain d'après
l'ordre du Gouvernement Britannique, au sujet des
trois points que le Gouvernement Portugais a toujours
annoncés comme devant être applanis, et devoir
servir
de préliminaires à toute négotiation.
Le Gouvernement
du Brézil n'a pas même indiqué la plus
légère intention
de vouloir accéder à ces trois points, pas
même
celle de faire cesser les hostilités, mais il a simplement
référé le Gouvernement Britannique aux
instructions
qu'il enverrait à MM. les P. P. B. B.
Le P. Portugais ayant pris sur lui l'immense responsabilité
de ne pas insister sur l'admission de ces trois
points par MM. les P. P. B. B. dans l'espoir qu'ils
seraient accordés, ne peut plus aujourd'hui entretenir
cet espoir contre les faits qui ressortent des dernières
informations qui sont arrivées de Rio de Janeiro, et des
déclarations peu satisfaisantes qui ont
été faites par
MM. les P. P. B. B. dans la dernière Conférence.
Il
se voit donc forcé á regret d'attendre de
nouvelles instructions
de Sa Cour, devant porter à sa connaissance
que les représentations qui ont été
adressées au Gouvernement
de Rio de Janeiro n'ont point été
agréées
par Lui; quoiqu'elles soient de toute justice, et qu'elles
aient été considérées
ainsi, non seulement par le Cabinet
de Londres, mais aussi par celui de Vienne qui les
a fait appuyer auprès du Gouvernement de Rio de
Janeiro.
MM. les P. P. B. B. ont dit qu'ils n'ont pas répondu
à la première demande de M. le P. Port., parce
qu'ils
étaient chargés de le faire à S. E. M.
Canning; la
demande primitive ayant été faite au Gouvernement
Brézilien par le Consul Général de S.
M. Britannique.
Qu'aujourd'hui ils pouvaient assurer M. le P. Port.,
que le Gouvernement Brézilien avait prévenu les
désirs
des Cours de Londres et d'Autriche, et avait pris la
résolution de cesser les hostilités, de
discontinuer les
séquestres, et de faciliter les relations de commerce
entre le Portugal et le Brésil, avec le
ménagement
qu'il doit avoir pour l'opinion publique, si fortement
prononcée contre toute correspondance avec le Portugal,
avant la Reconnaissance formelle de l'Indépendance
du Brézil. Que ces ménagements sont si
nécessaires au
maintien de la Royauté dans le nouveau monde, que le
Gouvernement Brézilien croit qu'ils seront
approuvés
par les Cours d'Autriche, et de Londres, ainsi que par
le Portugal lui-même.
M. le P. Port. a répondu que les assurances de
MM. les P. P. B. B. ne reposant pas sur des faits,
mais sur des considérations morales, il ne pouvait que
les porter à la connaissance de sa Cour, et attendre les
instructions.
Il répétait en même temps qu'il ne
pouvait espérer
que les représentations de MM. les P. P. B. B.
auraient plus d'effet que celles qui ont déjà
été faites
par les puissantes interventions de l'Autriche et de
l'Angleterre.
MM. les P. P. B. B. ont répondu que la demande
des deux Cours était faite dans une époque
où les négociations
n'étaient pas encore ouvertes entre le Brézil et
le Portugal. La demande de M. le P. du Portugal ayant
été présentée par suite de
l'ouverture des négociations,
MM. les P. P. B. B. espéraient que cette démarche
serait agréée, et que le résultat en
serait tout à fait
satisfaisant.
MM. les P. P. B. B. en se référant à
l'invitation
contenue dans le Protocole précédent—de faire
leurs
observations sur le Projet présenté par M.
Canning
comme moyen de Réconciliation, ont dit, qu'ils adoptent
comme le leur ce Projet de Réconciliation, en se
réservant
le droit de le discuter avec M. le P. Portugais, et
de le signer sous
spe rati; et
qu'ils invitent M. le P. Portugais
de le transmettre à sa Cour.
Le P. Portugais a observé que d'après la
déclaration
qui est consignée dans ce Protocole, et dans les
précédents,
il n'est pas autorisé à accepter, ni à
transmettre
un Projet de Réconciliation entre le Portugal et le
Brésil, qui porte atteinte aux droits légitimes
de
S. M. T. F. sur le Brésil; mais que MM. les P. P. B. B.
ayant accepté ce projet comme le leur, il ne peut s'opposer,
vu le délai qui en résulterait pour la
négociation,
à ce qu'il soit transmis par un intermédiaire au
Gouvernement de S. M. T. F., auquel il rendra compte
de ce qui s'est passé à cet égard,
afin de recevoir de sa
Cour des ordres ultérieurs.
MM. les P. P. B. B. ont ensuite prié MM. les
P. P. d'Autriche, et M. Canning de vouloir bien transmettre
le projet au Gouvernement Portugais, avec l'invitation
à ce Gouvernement d'autoriser le plus
tôt possible
son Plénipotentiaire à Londres à
discuter le susdit
Projet.
M. Canning a répondu qu'il se prêterait volontiers
au désir exprimé par MM. les P. P. B. B., et
qu'il
transmettrait le Projet á la Cour de Lisbonne ou
conjointement
avec les P. P. d'Autriche, ou seul, si ces
Messieurs ne se trouvaient pas autorisés à
prendre part
à cette transmission.
MM. les P. P. d'Autriche ont déclaré que
jusqu'à
présent ils s'étaient abstenus de
délivrer officiellement
aucune opinion depuis l'ouverture de cette négociation,
le désir principal de leur Gouvernement ayant
été que
l'objet important qui avait réuni MM. les P. P. Portugais
et Brésiliens, fût principalement
considéré par
eux comme une affaire de famille, à régler de
gré à gré,
chacune des parties étant le meilleur juge de son
intérêt,
et des sacrifices que l'une ou l'autre croira devoir
faire à la force des circonstances. Le Gouvernement
Autrichien a toujours agi avec le sentiment de la plus
parfaite impartialité, en donnant sous une forme amicale
et confidentielle, tant au Rio de Janeiro qu'à Lisbonne,
les conseils qu'il croyait pouvoir être dans
l'intérêt
d'un chacun, á l'effet d'opérer une
Réconciliation
si désirable pour les deux pays. Le Gouvernement
Autrichien eût préféré que
MM. les P. P. B. B. et P.
eussent pu s'entendre à l'amiable, et procéder
dans cette
négociation sans avoir besoin de recourir constamment
aux puissances dont ils ont demandé les bons offices.
Mais depuis que cette négociation a acquis un
caractère
plus officiel qu'elle ne semblait devoir obtenir au
premier abord, les P. P. A. A. par le même sentiment
d'impartialité qui a guidé leur Gouvernement dans
toute
cette affaire, croiraient en dévier, s'ils ne
déclaraient
pas ici que, tout en sentant la nécessité d'un
arrangement
qui mette fin aux malheureux différents qui
existent entre le Portugal et le Brésil, ils n'entendent
pas par là rien énoncer qui puisse
préjuger ou porter
atteinte aux droits du Roi de Portugal—et c'est donc
à S. M. T. F. de juger elle-même des meilleurs
moyens
qui pourraient terminer ces différents.
En conséquence de la présente
déclaration, et pour
répondre à la demande qui vient de leur
être adressée
par MM. les P. P. B. B., ils ne se croient pas autorisés
à prendre part à la transmission au Gouvernement
Portugais du Projet de Réconciliation mentionné
dans
le présent Protocole;—projet qui, d'ailleurs sera,
sans leur entremise, porté à la connaissance de
ce
Gouvernement par le P. Britannique.
M. Canning a ajouté, qu'il se chargeait, en
conséquence,
à lui seul, de transmettre ce Projet,—et qu'il
attendrait les réponses qu'il pourrait recevoir du Portugal,
pour inviter ces Messieurs à une nouvelle
conférence;—mais
MM. les P. P. sont tous généralement
convenus que dans l'intervalle le manque d'une réunion
formelle n'empêcherait pas MM. les P. P. Portugais
et B. B. de s'entendre et de se fournir réciproquement
des explications propres à faciliter un arrangement
final et satisfaisant.
Sur quoi, etc., etc.
DOCUMENTO Nº 8