6. Creolo da Martinica


Cremos que versa principalmente sobre este dialecto a obra seguinte, que conhecemos apenas pelo catalogo da bibliotheca de Burgaud des Marets: Catéchisme en langue créole, précédé d'un essai de grammaire sur l'idiome usité dans les colonies françaises, par M. Goux, missionnaire à la Martinique. Paris, Vrayet de Suroy, 1842, in 8.º Mais recente é o livro de Turiault: Étude sur le langage créole de la Martinique. Brest. 236 pp. in 8.º en deux volumes. 1876. (Paris, Viaut.) Contém uma serie de enigmas, numerosos proverbios, alguns contos, algumas canções e diversas traducções do francez. Vid. Mélusine, I, 55. Paris, 1877.



IV. LINGUA FRANCA



Littré, Dict. de la langue française, s. v. franc 4, define lingua franca: «jargon mélé d'italien, d'espagnol, etc. à l'usage des Francs de l'Orient» isto é, dos europeus do Levante.

J. Creswell Clough no ensaio On the existence of mixed languages, p. 11, define, fundado na auctoridade de Malte Brun, a lingua franca do Mediterraneo como uma mistura de catalão, limosino, siciliano e arabe, originada nos estabelecimentos de escravos dos mouros e turcos. O auctor não conheceu porém nenhum specimen d'essa lingua. (The Athenaeum, 1877. January to June, p. 545.)

Segundo o mesmo periodico inglez, vol. cit. p. 608, ha um Dictionnaire de la langue franque, ou petit mauresque, à l'usage des français en Afrique, publicado ha alguns annos em Marselha. O vocabulario comprehende palavras italianas, algumas fórmas approximando-se do hespanhol e ainda um certo numero de termos locaes usados na Argelia.

O principe L. L. Bonaparte considera, com rasão, a lingua franca como estando para com o italiano litterario na mesma relação que o indo-portuguez para com o portuguez, os dialectos creolo-francezes para com o francez, o negro-hollandez para com o hollandez, (Athenaeum, vol. cit., p. 640 e 703.)

Lingua franca Italiano
Bon giorno, Signor; comme ti star?—Mi star bonu, e ti?—Mi star contento mirar per ti.—Grazia.—Mi pudir servir per ti per qualche cosa?—Muciu grazia.—Ti dar una cadiera al Signor.—Non bisogna. Mi star bene acousì.—Comme star il fratello di ti?—Star muciu bonu. Buon giorno, Signore; come stai?—Io sto bene, e tu?—Io son contente di vederti.—Grazie.—Poss'io servirti in qualche cosa?—Molte grazie.—Dà una seggiola al Signore.—Non ho bisogno. Io sto bene così.—Como sta il tuo fratello?—Sta molto bene.

(The Athenaeum, 1877, 1.º sem., p. 640).



L. L. Bonaparte dá as seguintes regras que caracterisam a lingua franca: 1.ª Os nomes não têem plural: amigo==amigo e amigos. 2.ª Os verbos não têem conjugação, mas só um futuro periphrastico e um participio terminando em ato ou ito: mi, ti, ellu, noi, voi, eli, andar significam não só eu vou, tu vaes, elle vae, nós vamos, vós ides, elles vão, mas tambem eu ia, etc., eu fui, etc.; bisogno andar significa eu irei, etc. 3.ª Star significa ser e ter, quando são usados como verbos auxiliares. 4.ª Avir ou tenir significam ter, mas só com a idéa de possuir. 5.ª O regimen directo dos pronomes pessoaes é precedido da preposição per: mi mirar per ella, eu vejo-o.

Molière no acto IV do Bourgeois gentilhomme deu uma imitação da lingua franca.

«Scène X.—Le Muphti, Dervis, Turcs, chantans et dansans; Monsieur Jourdain, vêtu à la turque, la tête rasée, sans turban et sans sabre.

Le Muphti, à M. Jourdain.


Se ti sabir,
Ti respondir,
Se non sabir,
Tazir, tazir.

Mi star muphti,
Ti qui star si?
Non intendir,
Tazir, tazir.


«Scène XI.—Le Muphti, Dervis, Turcs chantans et dansans.


Le Muphti. Dice, Turque, qui star quista? Anabatista? anabatista?

Les Turcs. Ioc.

Le Muphti. Zuinglista?

Les Turcs. Ioc.

Le Muphti. Coffita?

Les Turcs. Ioc.

Le Muphti. Hussita? Morista? Tronista?

Les Turcs. Ioc, ioc, ioc.

Le Muphti. Ioc, ioc, ioc. Star pagana.

Les Turcs. Ioc.

Le Muphti. Luteranos.

Les Turcs. Ioc.

Le Muphti. Puritana?

Les Turcs. Ioc.

Le Muphti. Bramina? Moffina? Zurina?

Les Turcs. Ioc, ioc, ioc.

Le Muphti. Ioc, ioc, ioc. Mahametana? Mahametana?

Les Turcs. Hi Valla. Hi Valla.

Le Muphti. Como chamara? Como chamara

Les Turcs. Giourdina, Giourdina.

Le Muphti (sautant). Giourdina, Giourdina.

Les Turcs. Giourdina, Giourdina.

Le Muphti.

Mahameta, per Giourdina,
Mi pregar, sera e matina.
Voler far un paladina
De Giourdina, de Giourdina;
Dar turbanta e dar scarrina,
Con galera, e brigantina,
Per deffender Palestina,
Mahameta, per Giourdina,
Mi pregar sera e matina.
Star bon Turca Giourdina?


Les Turcs. Hi Valla. Hi Valla.

Le Muphti (chantant et dansant). Ha la ba, ba la chou, ba la ba, ba la da.

Les Turcs. Ha la ba, la la chou, ba la ba, ba la da.


«Scène XIII.—Le Muphti, Dervis, Monsieur Jourdain, Turcs, chantans et dansans.

Monsieur Jordain (après qu'on lui a ôté l'Alcoran de dessus le dos). Ouf!

Le Muphti (à M. Jourdain).

Ti non star furba?

Les Turcs.

No, no, no.

Le Muphti.

Non star forfanta?

Les Turcs.

No, no, no.

Le Muphti (aux turcs).

Donar turbanta.

Les Turcs.

Ti non star furba?
No, no, no.
Non star forfanta?
No, no, no.
Donar turbanta.


Les Turcs dansans mettent le turban sur la tête de M. Jourdain au son des instruments.

Le Muphti (donnant le sabre à M. Jourdain).


Ti star nobile, non star fabbola,
Pigliar schiabolla.


Les Turcs (mettant le sabre à la main).


Ti star nobile, non star fabbola,
Pigliar schiabolla.


Les Turcs dansans donnent en cadence plusieurs coups de sabre à M. Jourdain.

Le Muphti.

Dara, dara
Bastonnara.


Les Turcs.

Dara, dara
Bastonnara.


Les Turcs donnent à M. Jourdain des coups de bâton en cadence.

Le Muphti.

Non tener honta,
Questa star l'ultima affronta.


Les Turcs.

Non tener honta,
Questa star l'ultima affronta.»


O uso frequente na lingua franca da palavra sabir, principalmente na expressão mi no sabir com que os levantinos e argelinos respondiam ás perguntas que lhes faziam os estrangeiros e que elles não comprehendiam, fez dar a essa lingua o nome de sabir, lingua sabir. Vid. Littré, Dictionnaire de la langue française. Supplément, s. v. Sabir.

A. Darmesteter, De la création actuelle de mots nouveaux dans la langue française, p. 261, n. define ainda: «Le sabir ou langue franque, mélange d'italien, de français, de provençal et d'arabe parlé par les marins de la Méditerranée».

Algumas phrases ou expressões da lingua franca chegaram, sem duvida por intermedio dos marinheiros, até ao calão ou girias dos diversos povos da Europa. No cant (calão de Inglaterra) ha por exemplo: nantee dinarly (não tenho) nenhum dinheiro, da lingua franca; niente dinaro, do italiano niente, nada (==fr. néant) e denario (==port. dinheiro, hesp. dinero, fr. denier, do lat. denarius). Em portuguez ha nentes do ital. niente, que não veiu ao que parece por intermedio da lingua franca. Nicles, nada, da giria dos garotos portuguezes parece estar por niks e corresponder ao nix da lingua franca. «The well-known Nix mangiare stairs at Malta derive their name from the endless beggars who lie there and shout «Nix mangiare», i. é. «nothing to eat»,—an expression which exhibits remarkably the mongrel composition of the Lingua Franca, mangiare being italian, and Nix (germ. Nichts), an evident importation from Trieste, or other Austrian seaport.» The Slang Dictionary, apud Johan Storm, Englische Philologie I, 162-3.

Storm junta em nota a pag. 163: Li n'um romance maritimo inglez a seguinte lamuria de um pedinte maltez: «Me molto miserabile, signore! Nix padre, nix madre, nix mangiare per sixteen days, per Gesù Christo.» Nix é considerado geralmente na Italia pelo povo como a negação allemã ou estrangeira. Mas o emprego de uma expressão como nix ou de termos extranhos não determina de modo algum o caracter da lingua franca. O emprego de expressões como sixteen days é um accidente de momento que se encontra em todas as linguas: quando a gente que as falla se acha em contacto com estranhos recorre á sua maior ou menor provisão de termos estrangeiros. A composição da lingua franca não é realmente mais mongrel que por exemplo a do inglez, que apresenta vocabulos provenientes de innumeras linguas.



V. CONSIDERAÇÕES GERAES



Não foram só as linguas romanicas que serviram de base á formação de dialectos como os que acâbamos de noticiar: podemos dar indicação de dialectos similhantes de origem germanica, a cujo estudo procederemos logo que tenhamos materiaes sufficientes.

O negro-english, dialecto assim chamado impropriamente, é fallado na colonia hollandeza de Surinam, na Guiana, por uma população de cêrca de 100:000 individuos, dos quaes 90:000 negros e 10:000 de origem européa. As fórmas grammaticaes estão reduzidas n'este dialecto, como em todos os similhantes a um minimo.

The Bible of Every Land, p. 213, dá noticia de traducções dos Psalmos e do Novo Testamento no negro-english. Julgâmos terem por objecto este dialecto os livros seguintes que ainda não lográmos ver:

Kurzgefasste neger-englische Grammatik. Bautzen, 1854.

Van der Vegt, Proeve eener handleiding om het neger-engelsch.

O creolez (ingl. creolese) é um dialecto tendo por base o hollandez, fallado pela população negra das ilhas de Santa Cruz, S. Thomaz e S. João (Indias Occidentaes); não tem distincção de genero nem numero, nem declaração de nomes, nem conjugação simples de verbos.

Em 1781 o governo da Dinamarca fez imprimir em Copenhagen uma traducção do Novo Testamento n'esse dialecto; em 1818 fez-se nova edição. Segundo The Bible of Every Land, pag. 212, parece que o creolez caíu em desuso.

O inglez serviu de base na China á formação dialectal chamada Pidgin English (pidgin é approximadamente a pronuncia chineza do inglez biznes, business). Não vimos ainda a obra de Leland, Pidgin English singsing, or Songs and Stories in the China-English dialect. London, 1866.

Na Introduction to the Study of Sign Language among the north american Indians by Garrick Mallery (Smithsonian Institution-Bureau of Ethnology. Washington, 1880.) p. 12, achâmos a seguinte noticia: «Os kalapuyas do Oregão meridional usaram até ha pouco uma linguagem de signaes, mas gradualmente adoptaram para a communicação com o estrangeiro a lingua composta, commummente chamada giria tsinuk ou giria chinook, que provavelmente se originou para fins commerciaes nas margens do Columbia antes da chegada dos europeus, fundada sobre o tsinuk, tsiholi, nutka, etc., mas agora enriquecido por termos francezes e inglezes, e esqueceram quasi inteiramente os seus antigos signaes. A prevalencia d'esta lingua mestiça, formada nas mesmas condições que produziram o pigeon-english ou a lingua franca do oriente, explica a falta notada de lingua de signaes entre as tribus da costa noroeste».

A giria tsinuk não é talvez, apesar do que nos diz G. Mallery, mais do que um dialecto inglez da natureza dos que são objecto do presente estudo.

Ninguem ainda, que saibâmos, viu com clareza o verdadeiro caracter e reconheceu as leis geraes que presidem á formação de dialectos de que nos occupâmos.

O eminente philologo P. Meyer tocou a nosso ver em um dos pontos essenciaes da questão, mas por falta sem duvida de termos de comparação não a collocou á verdadeira luz: «Estudar-se-hão com interesse, diz elle, com relação ao dialecto da Trinidad, os diversos tempos compostos pelos quaes os negros remediaram as lacunas da conjugação, achar-se-ha materia para diversas comparações com os factos parallelos que apresenta á formação das linguas romanicas. Nada deve porém esquecer que a comparação tem aqui a mais fraca base. Os negros, quando aprenderam o francez, estavam habituados a uma lingua absolutamente differente e nunca souberam mais que as palavras e as fórmas mais usuaes de seu novo idioma, emquanto o latim vulgar de que saíram por desenvolvimentos individuaes e locaes as linguas romanicas, foi sempre um idioma sufficientemente completo, cujas transformações foram assás lentas para que as lacunas tenham tido tempo de se encher facilmente ao passo que se formaram». Rev. critique, 1872 artigo 50. Na passagem seguinte, M. P. Meyer mostra ter repugnancia em admittir que a formação de dois dialectos creolos obedeça a leis perfeitamente identicas: «Parece que o patois da ilha de França offerece, na deformação do francez, analogias com o da Trinidad que não são explicadas sufficientemente pela communidade do ponto de partida».

O dr. Bos (Romania IX, 571) admitte já a independencia d'essas formações analogas, sem ver ainda aqui a acção de leis geraes: «Os diversos creolos (francezes) que se fallam nas Antilhas, na America, nas ilhas Mascarenhas, no Oceano Indico, têem todos um ar de familia, uma similhança ainda mais accentuada que a que existe entre as linguas neo-latinas, e devida provavelmente á sua maior mocidade e á sua maior proximidade da lingua mãe. Alem d'isso essa lingua mãe, o francez, é unica para os idiomas creolos; e o latim vulgar, quando deu origem ás linguas neo-latinas, tinha talvez já perdido a unidade, e experimentado as influencias regionaes que deviam transformal-o, aqui em francez, acolá em provençal, alem em italiano, etc. Fóra pois da questão de tempo, a grande similhança que existe entre as linguagens creolas provém provavelmente da unidade da lingua que lhe deu origem: o francez representa aqui o papel do latim vulgar com relação ás linguas romanicas».

As idéas geraes com relação á formação d'estes dialectos expressas por E. Tesa no seu citado estudo sobre o creolo de Curaçáo não me parecem tambem exprimir a verdade dos factos. «Due studj sono a farsi nella istoria delle lingue: la libertà e la servitù. Una favella si disgiunge da una grande famiglia, serbando parte del tesoro commune e nei valori radicali che si incorporano in un grupo di suoni, e ne' canoni derivativi, e nelle flessioni. Questa ricchezza ereditata non giace inerte. È un grande albero: e dei molti rami, quale si leva più alto, quale si arresta a mezza la via; ma in ciascuno è una vita sua propria: vi discorre lo stesso succo a nutrirli, ma è vario lo spessore degli strati e le virtú: tutto è un agitarsi, un crescere; finchè le due ultime foglie, che si toccano in mezzo al sereno dei cieli, non rammentano più che la radice commune è nascosta in un luogo solo e circondata di poca terra.

«Beata la nazione alla quale, in codesta opera de' secoli, la lingua si disvolge senza ingiustamente comandare e senza miseramente servire; perchè anche negli organismi vocali così corrompe il vedersi schiavo como il farsi tiranno.

«Bensì le lingue, presto o tardi, si incontrano, si impinguano, si tarpano l'una l'altra; o sia l'imitazione delle idee come nella prosa de' Cechi e de' Magiari, guidata in tanta parte dal tedesco: o da questa lingua in quella si trasfonda la somma delle parole, como le sanscrite nel tamulico; le turche nel greco, nell'armeno, nello schipetaro, nel româno, nel bulgaro, nel serbo. Talora poi le forme stesse o cedeno alle alle straniere o le accettano cooperatrici a rappresentare il pensiero; come nel persiano e più nel turco e, con istrazio peggiore, nel huzuresco.

«Un esempio di queste corruzioni profonde lo veggiano a Curassao; e non osservato, ch'io sappia, dai linguisti. Non ho trovato che un libro; e bisognerebbe sapere se altri ve ne sieno e serbino tutti le forme spagnuole, o incomincine a corrompere anche la lingua degli Olandesi, padroni nuovi. Poi sarebbe utile a conoscere quale dialetto vi parlassero gli aborigeni; quando sia scomparso o se ancora se ne conservino le tracce; finalmente quanto sieno in quel picciolo popolo i discendenti di Spagna i quanto di Olanda...

«Certo da questo breve studio sul curassese saremo condotti a ristringere la opinione di Augusto Fuchs che lo spagnuolo, dominatore in tanta parte di America, non si mescolò a nessuna delle lingue indigene da formare um nuovo dialetto (Cfr. Die romanischen Sprachen. Halle, 1849, p. 7). Non s'è mescolato; ma il pensiero nazionale trascinò dietro a sè le fórme spgnuole e gli avanzi; così che ne derivò una favella che non assomiglia certo a nessuno dei dialetti metapireneici.

«A me pare che uscirebbe un bel libro, ma da non farsi in Europa, chi si ponesse a ricercare come le lingue latine rimutassero; il francese nel Canada, in Haiti; il portoghese nel Brasile e lungo le coste d'India; a Cuba, a Portorico e via via lo spagnuolo. sarebbe a discoprirsi la gramatica indigena; e dedurne le leggi dissolutive di quella parola, là inerte o quasi, che fu stromento a forti pensiere e alle grazie dell'arte in bocca a Dante, a Cervantes, a Voltaire.»

Como se vê o douto professor de Pisa inclina-se a admittir como explicação dos dialectos creolos uma accommodação das fórmas romanicas á grammatica das linguas dos povos entre os quaes esses dialectos se formam.

Alguns eruditos brazileiros, conhecedores dos dialectos indigenas, admittem influencia grammatieal d'estes dialectos sobre o portuguez do seu paiz.

«A lingua fallada pelos primitivos incolas d'El-Dorado, a lingua do selvagem, que teve voga nos primeiros tempos do desenvolvimento do Brazil, que durante dois seculos entre os proprios colonos europeus era «a lingua geral» e de uso quotidiano no tracto commum, usada e fallada até no pulpito, ainda hoje fallada no Paraguay, teve tal importancia já, que, temendo-se que fosse esquecida a lingua portugueza, mereceu ser proscripta expressamente a ponto de a mandarem abolir pela provisão de 12 de outubro de 1727 (Jornal do Timon, t. 2.º; p. 315). E depois, apezar de tudo, ella perdura ainda, já não digo pelo facto de subsistir hoje entre varias e numerosas tribus do Amazonas e de Matto Grosso, porém, perdura na lingua portugueza, fallada pelos descendentes dos Brazis, dando-lhe um feitio caracteristico que distingue essencialmente essa falla brazileira da portugueza, não só na inflexão da voz, não só na phonetica, mas ainda no tornêo grammatical e no phraseado que tem seu que de novo, não usado na terra lusitana, e a final em grande numero de vocabulos de todo não portuguezes. A «lingua geral» é certo, morreu com o indio e ou si não morreu ainda, vae morrer e desapparecerá com o derradeiro selvagem, que a locomotiva da civilização tem de aniquilar na sua marcha, no seu «avança para deante». Porèm, como em seguida á derrubada, onde era a mata virgem, surge a capoeira, do mesmo modo no campo de exterminio, do qual se-eliminou o indio, subsistem o mameluco, o caboclo, o caipira, o matuto; e essa pobre gente que constitue a nossa gente da roça, os nossos officiaes de officio, a nossa soldadesca e a nossa maruja, concorre sem a menor duvida com a maior percentagem para formar o algarismo da nossa população. Desappareceu o indio (abá), o indigena, o autochtone (t-yby-abá==typynabá), o selvagem (tapyyia),—mas ficou o caboclo, o perfilhado por branco (caraïb-oca==caribóca), o mameluco, o filho da mulher india (membyrucá), o pelle tostada (caipíra), ou o homem corrido, envergonhado, abatido, submettido (kuaipira). E esses mamelucos, caboclos e caipiras, fallando a lingua do «outro», do extrangeiro, do homem de lá longe, do emboaba, (amo-abá), fallando essa lingua corrompida pelo fallar do africano, do selvagem negro (tapyyñuna), conservam no sotaque, no phraseado, reminiscencias da «lingua geral» que vão se-fazer ouvir ainda no seio do parlamento, onde desgraçadamente predomina um francez assaz eivado de francezismos e tambem já de não poucos inglezismos. Foi proscripta a lingua do indio (o abá ñeenga), mas na lingua do branco (no caraï-ñeenga) fallada pelos matutos, e reproduzida ás vezes com bastante merito em escriptos litterarios, subsistem dizeres sui generis, oriundos da lingua materna, certamente materna pois que elles são os mamelucos, os filhos da mulher indigena, são os caboclos oriundos do homem branco. Como muito bem diz o sñr. dr. Couto de Magalhães, na linguagem popular do Brazil ha não só grande quantidade de vocabulos tupis ou guaranis, mas ainda phrases, figuras, idiotismos e construcções peculiares. Quanto ao vocabulario é incontestavel, e com um pouco de attenção vê-se, que no portuguez brazilico abundam dicções de linguas americanas em numero mais consideravel talvez que o das dicções arabicas que se-conservam no lexicon portuguez. Dizemos «linguas americanas», porque na realidade não ha só vocabulos do abáñeenga, e sim tambem do chilidugu, do kechua callu, do karai-arianga, e outras, como sejam brisa, canôa, furacão, piroga, mate, guasca, guampa, gaûcho, etc. Nas sciencias naturaes (mórmente na botanica) e na geographia é mais que consideravel o numero de vocabulos oriundos de linguas americanas[7]

«Nem o tupi oriental, aquelle que era fallado na costa quando os jesuitas o escreveram, e que faz objecto dos diccionarios e grammaticas que nos legaram; nem a lingua Kirirí, um tupi que era fallado pela tribu d'esse nome, não são hoje linguas vivas. Assim como os selvagens ou desappareceram ou subsistem mestiçados, assim a lingua ou desappareceu ou mestiçou-se no rustico fallar do nosso povo, conseguindo introduzir na lingua portugueza do Brazil centenares de raizes[8].

«O cruzamento d'estas raças (indigenas do Brazil, negros e brancos) ao passo que misturou os sangues, cruzou tambem (se nos é licito servirmo-nos d'essa expressão) a lingua, sobretudo a linguagem popular. É assim que, na linguagem do povo das provincias do Pará, Goyaz, e especialmente de Matto-Grosso, há não só quantidade de vocabulos tupís e guaranís accommodados á lingua portugueza e n'ella transformados, como ha phrases, figuras, idiotismos, e construcções peculiares ao tupí. Este facto mostra que o cruzamento physico de duas raças deixa vestigios moraes, não menos importantes do que os do sangue. O notavel professor norte-americano C. F. Hartt nota que são rarissimos os verbos portuguezes que têem raizes tupís, e cita como um d'esses raros exemplos, talvez unico, o verbo moquear. Se o illustre professor houvesse viajado outras provincias, veria que esse exemplo não é isolado, e que não temos um, mas muitos verbos vindos do tupí, e alguns d'elles tão expressivos e energicos que não encontrâmos equivalentes em portuguez; citarei entre outros os seguintes: espocar (Pará) por: arrebentar abrindo; petequear (Minas, S. Paulo) por: jogar; entocar (geralmente em todo o Brazil) por metter-se em buraco, ou figuradamente, por: encolher-se, fugir á responsabilidade; gapuiar (Pará, Maranhão) por: apanhar peixe; cutucar (geral) por: tocar com a ponta; espiar (geral) por: observar; popocar (Pará, Maranhão) por: abrir arrebentando; pererecar (geral) por: caír e revirar; entejucar por: embarrear; encangar por: metter os bois no jugo; apinchar por: lançar, arremessar; capinar por: limpar o matto; embiocar por: entrar no buraco; bobuiar por: fluctuar; catingar por: exhalar mau cheiro; tocaiar por: esperar, etc., são outros tantos verbos com que o tupí enriqueceu a lingua popular dos habitantes do interior do Brazil, lingua ás vezes rude, não o contestâmos, mas ás vezes tambem de uma energia e elegancia de que só póde fazer idéa, aquelle que tem estado em uma roda de gaúchos folgazãos a ouvil-os contar a historia de seus amores, suas façanhas de valentia, ou as lendas, ás vezes tão tocantes e poeticas de suas superstições, metade christãs, metade indigenas[9]...

«Se dos verbos passassemos aos substantivos, nomes de animaes, logares, plantas, ver-se-hía que nada menos de mil vocabulos, quasi uma lingua inteira, passou e veiu fundir-se na nossa, assim como com o cruzamento tem passado e ha-de continuar a passar o sangue indigena a assimilar-se e confundir-se com o nosso[10]

Como se vê os dois escriptores brazileiros, que têem um longo conhecimento do tupi-guarani, nenhum facto apresentam que prove a influencia grammatical que admittem: as suas indicações resumem-se a factos lexiologicos, alguns dos quaes são muito contestaveis.

Não entraremos n'um exame critico directo das diversas opiniões que acabâmos de citar. Os materiaes por nós accumulados permittem-nos assentar os seguintes principios, em face dos quaes é facil julgar essas opiniões.

1.º Os dialectos romanicos e creolos, indo-portuguez e todas as formações similhantes representam o primeiro ou primeiros estadios na acquisição de uma lingua estrangeira por um povo que falla ou fallou outra.

Este principio é por assim dizer evidente. Basta observar como os estrangeiros que não têem estudos grammaticaes começam a fallar a lingua de um paiz que não é o seu para a ver perfeitamente confirmada. Mi no fallá portuguese é uma phrase typica que todos conhecemos na bôca dos inglezes.

Os factos observados nos dialectos creolos de Santo Antão, Guiné, etc., revelam graus diversos na acquisição do portuguez. A lingua franca póde ser considerada como o typo mais rudimentar das formações de que nos temos occupado. Aqui devemos observar um facto interessante: consiste elle em que o povo de qualquer paiz achando-se em contacto com estrangeiros que não fallam a sua lingua reduz esta tambem, por assim dizer instinctivamente, ao mesmo typo privado de fórmas grammaticaes que caracterisam os dialectos creolos[11].

Nos contos populares, os mouros, os turcos e os negros são apresentados pelo povo a fallar uma lingua em que o infinito substitue as outras fórmas verbaes; assim em G. Pitré, Fiabe, novelle e racconti popolari siciliani, I, 17, n.º 1, ha o seguinte dialogo entre um turco e S. Nicolau: «Bonciornu Santu Nicola!»—«Addiu Maumettu.»—«Pigghiari tanticchia d'ogghiu?»—«Pigghiari quanto vôi.» Póde comparar-se a versão portugueza d'essa facecia em a nossa collecção de Contos populares portuguezes, n.º 72. O douto e indefesso collector das tradições sicilianas ministra-nos a seguinte nota: «Nel Malmantile del Lippi annotato dal Minucci, vol. III, pag. 257, a proposito della frase del Lippi star usanza si legge: «Star usanza. È detto alla maniera degli stranieri, specialmente tedeschi, o turchi, che cominciando a parlar un poco Italiano, si servono quasi sempre dell'infinito in luogo di qualsivoglia tempo. È curiosa la perifrase d'uno schiavo turco, che avendo rubato un turibolo d'argento, volendolo vendere, andava dicendo negli orecchi a coloro, ch'egli supponeva lo potessino comprare: Voler comprar un andare un venire un sentir buono?»

É com razão que M. E. Egger nas suas Observations et réflexions sur le développement de l'intelligence et du langage chez les enfants (Paris, 1879. 8.º) compara a linguagem das creanças aos dialectos creolos: «A vingt-huit mois l'enfant connaît le sens des trois mots: ouvrir, rideau et pas (négation); déjà il les rapproche avec une certaine dextérité, en les acompagnant du geste et du monosyllabe ça. Pas ouvrir ça signifie «la fenêtre est fermée»; pas rideau ça signifie «la fenêtre n'a pas de rideau». On reconnaît là ces grossières façons de parler qu'on décore parfois du nom de patois nègre, parce que les nègres de nos colonies n'empruntent guère à la langue de leurs maîtres qu'un petit nombre de vocables, les plus nécessaires, et qu'ils les accouplent, selon le strict besoin, sans aucun souci de la conjugaison et même de la syntaxe.» Ob. cit., p. 44.

Os dialectos de que nos temos occupado não são pois o resultado de uma transformação lenta, gradual, tendo por ponto de partida principal a alteração phonetica, como a que se opera nas linguas que seguem o curso normal da sua evolução, como a que transformou o latim em portuguez, hespanhol, provençal, italiano e valachio; nos dialectos creolos e similhantes a alteração phonetica é o menos; com ella pouco se explica da estructura morphologica e syntactica d'essas fórmas de linguagem. Bopp e Diez são de muito pouca utilidade immediata, os principios da grammatica comparada usual de pouco nos servem para entendermos aquelles dialectos.

A transformação da linguagem em virtude da alteração phonetica é um phenomeno de base physiologica; a formação dos dialectos creolos é no que tem de essencial um phenomeno psychologico. Formam-se elles rapidamente, para acudir á necessidade das relações; é o povo inferior pela raça, pelo estado de civilisação, mas ao mesmo tempo mais forte de instinctos, mais rico de espontaneidade, é esse que os forma com os materiaes da lingua do povo superior, que em regra não desce a aprender ou mesmo a dar attenção ás expressões do barbaro, do selvagem. Ao ouvido do povo inferior chegam primeiro como ondas sonoras tumultuosas as palavras do povo superior, depois aquelle percebe como que um rythmo, depois n'aquelle oceano de palavras descobre alguns pontos firmes, salientes; fixa-se n'elles: são as fórmas mais geraes e frequentes da linguagem; ellas bastam—a lingua nova, o instrumento indispensavel para o trato está forjado; enriquecel-o, approximando-o do typo perfeito, é obra do tempo, se o houver, se as condições o permittirem; mas a riqueza não será muitas vezes mais do que anomalia, porque aquella fórma primeira de linguagem, nascida de um trabalho todo espontaneo, era perfeitamente coherente. Por fim dá-se muitas vezes um phenomeno curioso: entendido do povo superior, do povo que em geral manda, o povo inferior não quer saber mais nada da lingua d'elle, contentando-se com o dialecto que formou: então o povo superior ver-se-ha obrigado a fallar a sua propria lingua alterada[12].

É innegavel que a primeira reducção morphologica (podemos assim definir o processo de formação dos nossos dialectos) que uma lingua experimenta na bôca de um povo que tinha já outra deixa vestigios profundos, ainda quando o povo acaba por esquecer completamente a sua lingua propria e por conhecer de um modo mais completo a morphologia da lingua que adopta de um outro povo. Os processos periphrasticos da primeira phase da acquisição da lingua estranha não desapparecerão de todo, e mais tarde, quando a alteração phonetica, que elles favorecem, obscurecer certas fórmas grammaticaes, esses processos voltarão a ser normaes na lingua. Não será a causa d'esta natureza que serão devidos os futuros periphrasticos, por exemplo, nas linguas romanicas? Até hoje não se determinou com precisão o grau e caracter da influencia exercida por um povo sobre a lingua estranha que a conquista ou outras causas lhe faz adoptar. O erro capital n'esta questão consiste, a nosso ver, em se suppor que a lingua estranha é alterada pelo typo da lingua propria. O estudos dos dialectos creolos permitte-nos resolver esta questão.

2.º Os dialectos romanico-creolos, indo-portuguez e todas as formações similhantes devem a origem á acção de leis psychologicas ou physiologicas por toda a parte as mesmas e não á influencia das linguas anteriores dos povos em que se acham esses dialectos.

Os factos accumulados por nós mostram á evidencia que os caracteres essenciaes d'esses dialectos são por toda a parte os mesmos, apesar das differenças de raça, de clima, das distancias geographicas e ainda dos tempos. É em vão que se buscará, por exemplo, no indo-portuguez uma influencia qualquer do tamul ou do singalez. No dialecto macaista a formação do plural por duplicação do singular póde attribuir-se a uma influencia chineza, mas esse processo é tão rudimentar que nenhuma conclusão podemos fundar sobre elle. No dialecto da ilha de Sant'Iago muito muito é um superlativo.

Os phenomenos phoneticos que nos offerecem os dialectos creolos nada têem de especial: a suppressão do r final, a tendencia para o iotacismo, por exemplo, apparecem-nos quasi por toda a parte; as proprias excepções são as mesmas: assim temos ser e não em Ceylão, em Macau, no archipelago de Cabo Verde. Nenhum som das linguas indigenas foi transportado para os dialectos creolos; mas alguns sons das linguas europeas foram modificados. Ora na propria Europa se notam modificações similhantes. A seguinte observação do dr. Bos sobre o creolo da ilha Mauricio é, emquanto aos sons, quasi inteiramente applicavel a todos os dialectos similhantes: «É provavel que os sons do francez que o negro não pôde reproduzir faltavam na sua lingua. A influencia das linguas negras reduziu-se a isso; ellas não.... implantaram nenhum som novo; ellas supprimiram os que ellas ignoravam[13], para os substituir por outros mais ou menos analogos: e mudo por i, ui por i , j por z, ch por ç, etc.»

No fallar brazileiro, por exemplo, não parece haver nenhum dos sons particulares do tupi-guarani.

A acção das leis psychologicas geraes vae quasi sempre nos dialectos de que nos occupâmos até ás feições miudas; assim não só a periphrase com as fórmas mais geraes nos apparece para substituir as fórmas não adquiridas, mas ainda a mesma preferencia por certas fórmas auxiliares se nota quasi por toda a parte; assim o presente formado com ta (==estar) em Macau, nas ilhas de Cabo Verde, em Curaçáo; em Ceylão como em Curaçáo lo é o elemento formativo do futuro. Na Luisiania ==était serve para formar o imperfeito.

A preferencia dada n'esses dialectos aos pronomes regimens, que vêem occupar o logar dos pronomes sujeitos encontra-se entre nós no fallar das creanças e tem grande extensão nas phrases populares das nossas linguas europêas[14].

A propria selecção lexiologica, isto é, a preferencia dada a certos termos, manifesta a acção das mesmas leis geraes, das mesmas tendencias nas formações que estudâmos, apesar das differenças de raças e de meios; assim para significar fallar ou dizer encontrâmos em Ceylão, Curaçáo, archipelago de Cabo Verde, etc., a palavra papiá, o que é tanto mais interessante quanto esse termo não parece existir hoje nem em hespanhol nem em portuguez. O substantivo misté (mister) em Ceylão, em Macau, em Curaçáo, no archipelago de Cabo Verde, tem o valor de um verbo significando ser preciso, ter necessidade de, dever. Pamóde e promodi(==por amor de) tomam em Macau, como em Santo Antão, o logar da conjuncção porque, de um modo independente; em quanto o passóba (==por es'obra) de Curaçáo nos lembra o quamobrem latino. Assilai por tal em Ceylão e Macau deve ter-se produzido tambem independentemente n'um e n'outro dialecto; a palavra é composta de assi (d'este modo) e lai por laia, que em portuguez significa especie, sorte, estofo. sentido desenvolvido do de .

A extensão já tão consideravel d'este artigo não nos permitte desenvolvermos mais completamente estas idéas, julgâmos porém ter ministrado sufficientes provas de que os dialectos creolos e formações similhantes não revelam influencia alguma directa, salvo no vocabulario, das linguas anteriores dos povos que os fallam, mas que se deve ver n'elles apenas o resultado da acção de leis geraes a que obedece por toda a parte o espirito humano.

O nosso Estudo sobre a grammatica e o vocabulario do indo-portuguez completará as nossas observações na parte comparativa[15].



Notas:

[1] Logo qui por quê l'or qui. Hoje é muito usado na cidade da Praia.

[2] O desapparecimento da syllaba inicial de minha explica-se pelo facto d'esta palavra se tornar proclitica? G. Vicente tem enha.

[3] As particularidades historicas que seguem são extrahidas da obra Ceylon, an account of the Island, etc. by sir James Emerson Tennent. London, 1860, 2 volumes, 8.º

[4] Istes Escrituras de Novo Testamento, (que nossa Senhor Jesus Christo ja papia,) particularmente te da sabe, istes Mandamentos, que quer dizia.

[5] Apud Carl Engel, An Introduction to the Study of National Music. London, 1866. 8.º, p. 351.

[6] Catin en patois normand est une poupée.

[7] Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. 1878-1879. Vol. IV. Manuscripto guarani da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, etc., publicado com a traducção portugueza, notas, e um esboço grammatical do abáñee pelo dr. Baptista Caetano d'Almeida Nogueira, p. XI-XII.

[8] O Selvagem, I. Curso da lingua geral segundo Ollendorf. II. Origens, costumes, região selvagem, por Couto de Magalhães. Rio de Janeiro, 1876, 8.º, p. 40.

[9] Ob. cit., p. 77.

[10] O Selvagem, I. Curso da lingua geral segundo Ollendorf, etc., p. 77.

[11] «Dès 1633, le père Lejeune se plaignait qu'on employât entre Français et Indiens un jargon qui n'était, à proprement parler, ni le français ni l'indien, et cependant, ajoutait-il avec surprise, les Français, à l'user, se flattent de parler indien, et les Indiens pensent s'exprimer en bon français.» Maspèro Rev. ling. IX, 405.

[12] Vid. acima as interessantes observações de Bocandé.

[13] Seria preferivel dizer: parte dos que ellas ignoravam.

[14] Vid. J. Storm, Englische Philologie, I, 207 ss.

[15] N'esse estudo tentaremos tanto quanto nos é possivel fazer com os materiaes que temos á nossa disposição, indicar as particularidades phoneticas do indo-portuguez, escondidas em grande parte sob a orthographia adoptada pelos missionarios inglezes, e que julgâmos não dever modificar no specimen que démos, reproduzido do folheto que contém Orações, Dez Mandamentos, O sermão riba do montanha (sem data nem logar de impressão).