Desejei tanto huma vossa, que cuido que pola muito desejar a não vi; porque este he o mais certo costume da Fortuna, consentir que mais se deseje o que mais presto ha de negar. Mas porque outras naos me não fação tamanha offensa, como he fazerem-me suspeitar que vos não lembro, determinei de vos obrigar agora com esta; na qual pouco mais ou menos vereis o que quero que me escrevais dessa terra. Em pago do qual, d'ante mão vos pago com novas desta, que não serão más no fundo de huma arca para aviso de alguns aventureiros, que cuidão que todo o mato he ouregãos, e não sabem que cá e lá más fadas ha.
Despois que dessa terra parti, como quem o fazia para o outro mundo, mandei enforcar a quantas esperanças dera de comer até então, com pregão público: Por falsificadoras de moeda. E desenganei esses pensamentos, que por casa trazia, porque em mim não ficasse pedra sobre pedra. E assi posto em estado, que me não via senão por entre lusco e fusco, as derradeiras {482} palavras que na nao disse, forão as de Scipião Africano: Ingrata patria, non possidebis ossa mea. Porque quando cuido, que sem peccado que me obrigasse a tres dias de Purgatorio, passei tres mil de más linguas, peores tenções, damnadas vontades, nascidas de pura inveja, de verem su amada yedra de sí arrancada, y en otro muro asida.... Da qual tambem amizades mais brandas que cera, se accendião em odios que disparavão lume que me deitava mais pingos na fama, que nos couros de hum leitão. Então ajuntou-se a isto acharem-me sempre na pelle a virtude de Achilles, que não podia ser cortado senão pelas solas dos pés; as quaes de mas não verem nunca, me fez ver as de muitos, e não engeitar conversações da mesma impressão, a quem fracos punhão mao nome, vingando com a lingua o que não podião com o braço. Emfim, Senhor, eu não sei com que me pague saber tão bem fugir a quantos laços nessa terra me armavão os acontecimentos, como com me vir para esta, onde vivo mais venerado que os touros de Merceana, e mais quieto que a cella de hum Frade Prégador. Da terra vos sei dizer que he mãe de villões ruins, e madrasta de homens honrados. Porque os que se cá lanção a buscar dinheiro, sempre se sustentão sobre ágoa como bexigas; mas os que sua opinião deita á las armas Mouriscote, como maré corpos mortos á praia, sabei que antes que amadureção, se seccão. Ja estes que tomavão esta opinião de valentes ás costas, crede que nunca riberas de Duero arriba cavalgaron Zamoranos, que roncas de tal soberbia entre si fuesen hablando; e quando vem {483} ao effeito da obra, salvão-se com dizer que se não podem fazer tamanhas duas cousas, como he, prometter e dar. Informado disto veio a esta terra João Toscano, que, como se achava em algum magusto de rufiões, verdadeiramente que alli era su comer las carnes crudas, su beber la viva sangre. Callisto de Siqueira se veio cá mais humanamente, porque assi o prometteo em huma tormenta grande em que se vio. Mas hum Manoel Serrão, que, sicut et nos, manqueja de hum olho, se tẽe cá provado arrezoadamente, porque fui tomado por juiz de certas palavras, de que elle fez desdizer a hum Soldado, o qual pela postura de sua pessoa era cá tido em boa conta. Se das damas da terra quereis novas, as quaes são obrigatorias a huma carta, como marinheiros á festa de S. Frei Pero Gonçalves, sabei que as Portuguezas todas cahem de maduras, que não ha cabo que lhe tenha os pontos, se lhe quizerem lançar pedaço. Pois as que a terra dá? além de serem de rala, fazei-me mercê que lhe falleis alguns amores de Petrarca, ou de Boscão; respondem-vos huma linguagem meada de hervilhaca, que trava na garganta do entendimento, a qual vos lança ágoa na fervura da mor quentura do mundo. Ora julgae, Senhor, o que sentirá hum estomago costumado a resistir ás falsidades de hum rostinho de tauxia de huma Dama Lisbonense, que chia como pucarinho novo com ágoa, vendo-se agora entre esta carne de salé, que nenhum amor dá de si. Como não chorará las memorias de in illo tempore! Por amor de mi, que ás mulheres dessa terra digais de minha parte que se querem absolutamente ter alçada com baraço {484} e pregão, que não receiem seis mezes de má vida por esse mar, que eu as espero com procissão e palio, revestido em pontifical, aonde est'outras Senhoras lhe irão entregar as chaves da cidade, e reconhecerão toda a obediencia, a que por sua muita idade são ja obrigadas. Por agora não mais, senão que este Soneto[3] que aqui vai, que fiz á morte de Dom Antonio de Noronha, vos mando em sinal de quanto della me pezou. Huma Ecloga fiz sobre a mesma materia, a qual tambem trata alguma cousa da morte do Principe, que me parece melhor que quantas fiz. Tambem vo-la mandára para a mostrardes lá a Miguel Dias, que pela muita amizade de D. Antonio, folgaria de a ver; mas a occupação de escrever muitas cartas para o Reino, me não deo lugar. Tambem lá escrevo a Luis de Lemos em resposta d'outra que vi sua: se lha não derem, saiba que he a culpa da viagem, na qual tudo se perde.
Vale.
[3] He o Soneto 12.
Esta vai com a candeia na mão morrer nas de v. m.; e se dahi passar, seja em cinza; porque não quero que do meu pouco comão muitos. E se todavia quizer meter mais mãos na escudella, mande-lhe lavar o nome, e valha sem cunhos. {485}
La mar en medio y tierras, he dejado
Á cuanto bien cuitado yo tenia:
Cuan vano imaginar, cuan claro engaño
Es darme yo á entender que con partirme
De mí se ha de partir un mal tamaño!
Quão mal está no caso quem cuida que a mudança do lugar muda a dor do sentimento! E senão, diga-o quien dijo que la ausencia causa olvido. Porque emfim la tierra queda, e o mais a alma acompanha. Ao alvo destes cuidados jogão meus pensamentos á barreira, tendo-me ja, pelo costume, tão contente de triste, que triste me faria ser contente; porque o longo uso dos annos se converte em natureza. Pois o que he para mor mal, tenho eu para mor bem. Aindaque, para viver no mundo, me debruo d'outro panno, por não parecer coruja entre pardaes, fazendo-me hum para ser outro, sendo outro para ser hum; mas a dor dissimulada dara seu fruito; que a tristeza no coração, he como a traça no panno.
E por tão triste me tenho,
Que se sentisse alegria,
De triste não viviria.
Porque a tal sorte vim,
Que não vejo bem algum
Em quanto vejo,
Que não nasceo para mim;
E por não sentir nenhum,
Nenhum desejo.
Porque cousas impossiveis, he melhor esquecê-las que deseja-las. E por isso
Só, tristeza, vos queria,
Pois minha ventura quer {486}
Que só ella
Conheça por alegria;
E que se outra quizer,
Morra por ella.
Pouco sabe da tristeza quem (sem remedio para ella) diz ao triste que se alegre. Pois não vê que alheios contentamentos a hum coração descontente, não lhe remediando o que sente, lhe dóbrão o que padece. Vós, se vem á mão, esperais de mim palavrinhas joeiradas, enforcadas de bons propositos. Pois desenganae-vos, que desque professei tristeza, nunca mais soube jogar a outro fito. E porque não digais, que não sou gente fóra do meu bairro, vêdes, vai huma volta feita a este mote, que escolhi na manada dos engeitados; e cuido que não he tão dedo queimado, que não seja dos que ElRei mandou chamar; o qual falla assi:
Não quero, não quero
Jubão amarello.
Se de negro for,
Tão bem me parece,
Quanto me aborrece
Toda alegre côr:
Côr que mostra dor,
Quero, e não quero
Jubão amarello.
Parece-vos que se póde dizer mais? Não me respondais: Quem gabará a noiva? porque assentae, que fui comendo e fazendo, ou assoprando, que não he tão pequena habilidade. E porque vos não pareça, que foi mais acertar, que querê-lo fazer; vêdes, vai outra do mesmo jaez, com tanto que se não vá a pasmar. {487}
Perdigão perdeo a penna,
Não ha mal, que lhe não venha.
Em hum mal outro começa,
Que nunca vem só nenhum;
E o triste que tẽe hum,
A soffrer outro se offreça;
E só pelo ter conheça,
Que basta hum só que tenha,
Para que outro lhe venha.
Que graça será esperardes de mim propositos em cousa que os não tẽe para comigo? Pois ainda que queira, não posso o que quero; que hum sentido remontado, de não pôr pé em ramo verde, tudo lhe succede assi; e cada hum acode ao que lhe mais doe; e mais eu, que o que mais me entristece he ter contentamento, pois fujo delle, que minha alma o aborrece, porque lhe lembra que he virtude viver sem elle. Que ja sabeis que mágoa he, vê-lo-has e não o paparás. Por fugir destes inconvenientes,
Toda a cousa descontente
Contentar-me só convinha
De meu gôsto:
Que o mal, de que sou doente,
Sua mais certa mézinha
He desgôsto.
Ja ouvirieis dizer: Mouro, o que não podes haver, dá-o pola tua alma. O mal sem remedio, o mais certo que tẽe, he fazer da necessidade virtude: quanto mais, se tudo tão pouco dura, como o passado prazer. Porque, emfim, allegados son iguales los que viven por sus manos etc. A este proposito, pouco mais ou {488} menos, se fizerão humas voltas a hum mote d'enchemão, que diz por sua arte zombando, mais que não de siso (que toda a galantaria he tirá-la donde se não espera), o qual crede que tẽe mais que roer do que hum praguento. Por tanto recuerde el alma adormida, e mande escumar o entendimento, que d'outra maneira, de fuera dormiredes, pastorcico. E o meu Senhor diz assi:
Dava-lhe o vento no chapeirão,
Quer lhe dê, quer não.
Bem o póde revolver,
Que o vento não traz mais fruito;
E mais vento he sentir muito
O que, emfim, fim ha de ter.
O melhor, he melhor ser,
Que o vento no chapeirão,
Quer lhe dê, quer não.
Huma cousa sabei de mim, que queria antes o bem do mal, que o mal do bem; porque muito mais se sente o por vir, que o passado; e a morte até matar, mata. Não sei se sereis marca de voar tão alto; porque para tomar a palha a esta materia, são necessarias azas de Nebri. Mas vós sois homem de prol, e desculpa-me a conta em que vos tenho. E a que de mi vos sei dar he:
Que esperança me despede,
Tristeza não me fallece,
E tudo o mais me aborrece.
Ja que mais não mereceo
Minha estrella,
Só a tristeza conheço, {489}
Pois que para mi nasceo,
E eu para ella.
No mundo não tẽe boa sorte, senão quem tẽe por boa a que tẽe. E daqui me vem contentar-me de triste. Mas olhae de que maneira:
Vivo assi ao revés,
Tomando por certa vida
Certa morte,
Com que fólgo em que me pês;
Pois minha sorte he servida
De tal sorte.
Huma cousa sabei, que o mal, inda que ás vezes o vejais louvar, não ha quem o louve com a boca, que o não tache com o coração.
Ajuda-me a soffrer
Vida tão sem soffrimento,
E tão sem vida,
Ver que, emfim, fim hão de ter
Desgôsto e contentamento
Sem medida.
Attentae que não são maos confeitos de enforcado, para os que estão com o baraço na garganta, cuidar que o bem e o mal, aindaque sejão differentes na vida, são conformes na morte; porque vemos
Que não ha tão alta sorte,
Nem ventura tão subida,
Ou desastrada,
A quem o assópro da morte
Não sopre o fogo da vida.
A seu fim todas cousas vão correndo;
Nem ha cousa, que o tempo não consuma, {490}
Nem vida, que de si tanto presuma,
Que se não veja nada, em se vendo.
Que o mais certo que temos,
He não termos nada certo
Cá na terra.
Pois para seus não nascemos;
Se o seu nos dá incerto,
Nada erra.
Quero-vos dar conta de hum Soneto sem pernas, que se fez a hum certo recontro que se teve com este destruidor de bons propositos, e não se acabou, porque se teve por mal empregada a obra; cujo teor he o seguinte:
Forçou-me amor hum dia, que jogasse;
Deo as cartas, e az de ouros levantou;
E sem respeitar mão, logo triumphou,
Cuidando que o metal, que me enganasse.
Dizendo, pois triumphou, que triumphasse
A huma sota de ouros, que jogou,
Eu então por burlar quem me burlou,
Tres paos joguei, e disse que ganhasse.
Principes de condição, ainda que o sejão de sangue, são mais enfadonhos que a pobreza: fazem com sua fidalguia, com que lhe cavemos fidalguias de seus avós, onde não ha trigo tão joeirado, que não tenha alguma hervilhaca. Ja sabeis que basta hum Frade ruim, para dar que fallar a hum convento. Duas cousas não se soffrem sem discordia; companhia no amar, mandar villão ruim sôbre cousa de seu interesse. Não se póde ter paciencia com quem quer que lhe fação o que não faz. Desagradecimentos de boas obras destruem a vontade para não fazê-las a amigo, {491} que tẽe mais conta com o interesse, que com a amizade: rezae delle, que he dos cá nomeados.
Grande trabalho he querer fazer alegre rosto, quando o coração está triste: panno he, que não toma nunca bem esta tinta; que a lua recebe a claridade do sol, e o rosto do coração. Nada dá quem não dá honra no que dá: não tẽe que agradecer, quem, no que recebe, a não recebe; porque bem comprado vai o que com ella se compra. Não se dá de graça o que se pede muito. Estai certo, que quem não tẽe huma vida, tẽe muitas. Onde a razão se governa pela vontade, ha muito que praguejar, e pouco que louvar. Nenhuma cousa homizia os homens tanto comsigo, como males de que se não guardárão, podendo. Não ha alma sem corpo, que tantos corpos faça sem almas, como este purgatorio, a que chamais honra: onde muitas vezes os homens cuidão que a ganhão, ahi a perdem. Onde ha inveja, não ha amizade; nem a póde haver em desigual conversação. Bem mereceo o engano, quem creo mais o que lhe dizem, que o que vio. Agora ou se ha de viver no mundo sem verdade, ou com verdade sem mundo. E para muito pontual, perguntae-lhe donde vem: vereis que algo tiene en el cuerpo, que le duele. Ora temperae-me lá esta gaita, que nem assi, nem assi achareis meio real de descanso nesta vida; ella nos trata somente como alheios de si, e com razão;
Pois somente nos he dada
Para que ganhemos nella
O que sabemos.
Se se gasta mal gastada, {492}
Juntamente com perdella
Nos perdemos.
Enfim, esta minha senhora, sendo a cousa por que mais fazemos, he a mais fraca alfaia de que nos servimos. E se queremos ver quão breve he,
Ponderemos e vejamos
Que ganhamos em viver
Os que nascemos:
Veremos, que não ganhamos,
Senão algum bem fazer,
Se o fazemos.
E por isso respeitando,
Que o por vir tal será,
Enthesouremos;
Porque ao certo não sabemos
Quando a morte pedirá
Que lhe paguemos.
Nunca vi cousa mais para lembrar, e menos lembrada, que a morte: sendo mais aborrecida que a verdade, tẽe-se em menos conta que a virtude. Mas com tudo, com seu pensamento, quando lhe vem á vontade, acarreta mil pensamentos vãos; que tudo para com ella he hum lume de palhas. Nenhuma cousa me enche tanto as medidas para com estes que vivem na mor bonança, como ella; porque quando lhe menos lembra, então lhe arranca as amarras, dando com os corpos á costa; e, se vem á mão, com as almas no inferno, que he bem ruim gasalhado.
E pois todos isto temos,
Não nos engane a riqueza,
Por que tanto esmorecemos, {493}
Traz que vamos;
Ja que temos por certeza
Que quando mais a queremos,
A deixamos.
Gastâmos em alcançá-la
A vida; e quando queremos
Usar della,
Nos tira a morte lográ-la:
Assi que a Deos perdemos,
E a ella.
Porque ja ouvirieis dizer: Ninho feito, pêga morta. Que me dizeis ao contentamento do mundo, que toda a dura delle está emquanto se alcança? Porque acabado de passar, acabado de esquecer. E com razão, porque acabado de alcançar, he passado; e maior saudade deixa, do que he o contentamento que deo. Esperae, por me fazer mercê, que lhe quero dar humas palavrinhas de proposito.
Mundo, se te conhecemos,
Porque tanto desejamos
Teus enganos?
E se assi te queremos,
Mui sem causa nos queixamos
De teus danos.
Tu não enganas ninguem;
Pois a quem te desejar,
Vemos que danas:
Se te querem qual te vem,
Se se querem enganar,
Ninguem enganas.
Vejão-se os bens que tiverão
Os que mais em alcançar-te
Se esmerárão;
Que huns vivendo, não vivêrão, {494}
E outros, só com deixar-te,
Descansárão.
Se esta tão clara fé
Te põe claros teus enganos,
Desengana:
Sobejamente mal vê,
Quem com tantos desenganos
Se engana.
Mas como tu sempre mores
No engano em que andamos,
E que vemos,
Não cremos o que tu podes,
Senão o que desejamos
E queremos.
Nada te póde estimar
Quem bem quizer conhecer-te
E estimar-te;
Qu'em te perder ou ganhar,
O mais seguro ganhar-te
He perder-te.
E quem em ti determina
Descanso poder achar,
Saiba que erra;
Que sendo a alma divina,
Não a póde descansar
Nada da terra.
Nascemos para morrer,
Morremos para ter vida,
Em ti morrendo:
O mais certo he merecer
Nós a vida conhecida,
Ca vivendo.
Emfim, mundo, es estalagem,
Em que pousão nossas vidas
De corrida: {495}
De ti levão de passagem
Ser bem ou mal recebidas
Na outra vida.
Á fuera, á fuera Rodrigo, que eu se muito for por este caminho, darei em enfadonho, de que me parece me não livrará, nem ainda privilegio de Cidadão do Porto. E pois me vendo a vós, soffrei-me com meus encargos. E porque não digais que sou herege de amor, e que lhe não sei orações, vêdes, vai huma: Di, Juan, de qué murió Blas? com hum pé á Portugueza, e outro á Castelhana: e não vos espanteis da libré, que eu em qualquer palmo desta materia perco o norte. E os supplicantes dizem assi:
Di, Juan, de que murió Blas,
Tan niño y tan mal logrado?
Gil, murió de desamado.
Dime, Juan, quien se engañó,
Que con amor se engañase,
Pensando que el bien hallase,
Adonde el mal cierto halló?
Despues que el engaño vió,
Que hizo desenganado?
Gil, murió de desamado.
Travou com elle pendença,
Em ter razão confiado;
Mas Amor, como he letrado,
Houve contr'elle a sentença:
E co'aquella differença,
Disse entre si o coitado:
Gil, morreo de desamado.
Quem tẽe razão tão cerrada,
Que não saiba, sendo rudo
E sem respeito, {496}
Que sem Deos he tudo nada,
E nada com elle tudo
Sem defeito?
E sendo isto assi tão certo,
Como todos confessamos
E sabemos;
Não troquemos pelo incerto
O em que tão certo estamos,
Pois o vemos.
A tudo isto podeis responder, que todos morremos do mal de Phaeton, porque del dicho al hecho, vá gran trecho. E de saber as cousas a passar por ellas, ha mais differença, que de consolar a ser consolado. Mas assi entrou o mundo, e assi ha de sahir: muitos a reprehendê-lo, e poucos a emendá-lo. E com isto amaino, beijando essas poderosas mãos huma quatrinqua de vezes, cuja vida e reverendissima pessoa nosso Senhor etc.
——
O seguinte fragmento de uma composição satyrica em prosa e verso, em que Luis de Camões descreve uns jogos de canas, com que na cidade de Goa se festejou a successão de Francisco Barreto no governo daquelle Estado, appareceo na 3.ª edição das suas Rimas, com as duas antecedentes cartas, e em seguimento da ultima. O intento do poeta he mostrar por meio das divisas que tirárão os Justadores, que todos elles erão ou sacerdotes de Baccho, ou parvos, ou homens perdidos.
.....e hum que bebia excessivamente, tirou por divisa hum morcego; ave em que foi convertida Alcithoe com as irmãas, por desprezarem os sacrificios de Baccho. E como aquelle, que se em tal êrro cahisse, não {497} queria ser convertido em tão baixo animal e tão nojoso, dizia a sua letra assi em Castelhano:
Si yo desobedeciere
Á tu deidad santa y pura,
En al mudes mi figura.
Alguns praguentos quizerão dizer que esta letra era maliciosa, e que não queria dizer tanto desejar este galante de ser mudado em al, como que desejava almudes deste licor. Mas he muito grande falsidade, que sendo a letra assi feita, acaso acertou de sahir aquella palavra, com que molhava as suas quem tirava a divisa. Do que o innocente Autor, despois ficou para se enforcar. Mas outro galante, que de fino bebado ja passava os limites do bom e costumado beber, tirou por divisa huma palmeira; árvore, que entre os Antigos significava victoria; e ao pé della alguns ramos de vides e de parreiras pizadas; e dizia a letra assi:
Ficae vencidas, sem gloria,
Vós vides e vós parreiras;
Porque os ramos das palmeiras
São os que tẽe a victoria.
Tambem aqui não faltárão praguentos, que quizerão dizer que este devoto, deixando ja atraz Portugal, commettia com valeroso animo Orracas e Fullas, tendo em pouco Caparicas e Seixaes. Mas quem ha que fuja de más linguas, ou de mal costumadas gargantas?
Outro galante, a quem fazia mal ao estomago beber o vinho agoado, tirou por divisa huma peça de chamalote sem ágoas, que apresentava Baccho; e dizia a letra, como por parte do mesmo Baccho: {498}
Sem ágoas, Senhor, levaio
Se for bom,
Que las aguas de Moncaio
Frias son.
Aqui não tiverão praguentos que dizer, por ser opinião de physica, serem melhores os mantimentos simples, que os compostos.
Outro, que no beber lançava a barra inda mais além que os acima escritos, tirou por divisa huma salamandra, passeando por cima de humas brazas de fogo; e a letra dizia:
En el fuego vivo yo.
Mas o pintor errando as letras, acertou de pôr: De fuego la bebo yo. Donde os praguentos quizerão adivinhar que este galante bebia Orraca de fogo. O demonio foi fazer tal êrro, para delle sahir tamanho acêrto.
Outro devoto, que desque estava quente, dizia dos companheiros, quaesquer que fossem, o que de cada hum sabía, sem respeito, tirou por divisa hum demoninhado, lançando os olhos em alvo, escumando e apontando com o dedo para hum frasco de vinho; e dizia a letra:
Se fallar demasiado,
Não mo tachem, porque, emfim,
Aquella alma falla em mim.
Sendo atéqui introduzidos os religiosos de Baccho, pedírão dous d'outra religião que tambem os deixassem jogar as canas, e que elles tirarião tal divisa, com que se tirasse a limpo sua habilidade; e sendo entrados ambos juntos, por certa conformidade que {499} havia entre ambos, trouxerão pintados nas bandeiras cada hum seu par de pombas; e dizia a letra:
Se como vós ha hi par,
Vós o podereis julgar.
Certo, que atéqui chegou a malicia dos homens, porque tão subtilmente quizerão interpretar a innocencia desta letra, que tomárão a derradeira syllaba da primeira regra, e ajuntárão-na com a primeira da derradeira, que vem a dizer parvos; e disserão que juntos significavão isso aquelles dous innocentes. Mal peccado! tão errada anda a maldade humana, que logo tẽe por parvos aos que sabem pouco!
Outro homem entrou tambem por adherencia nas canas, o qual dizem que tinha partes maravilhosas; porque era tão perfeito em suas cousas, que o seu comer havia de ser o melhor temperado e o mais suave do mundo; e os seus vestidos erão sempre dos mais finos pannos e sitins, que se podessem descobrir; e esta perfeição até nos amores e amizades se lhe estendia, porque com os amigos sempre tinha subtilezas de conversação, e com as amigas hum fingir que queria o que não queria. E, emfim, até no jogar usava daquellas manhas todas, as que para ganhar erão necessarias. E tinha mais hum revez da fortuna recebido, que se lhe estendia desde a ponta do nariz até huma orelha. Este Senhor tirou por divisa huma camisa toda lavrada de pontinhos, lavor antigo; e a letra dizia assi:
Pontos de honrado e sisudo
Sempre na vida quiz ter;
Apontado no viver, {500}
Apontado mais que tudo
Em meu vestir e comer.
Pontos subtis no meu gôsto,
Mais subtis no conversar:
Tanto me vim a apontar,
Que apontado trago o rosto,
E as cartas para jogar.
Muitos outros homens illustres quizerão ser admittidos nestas festas e canas, e que se fizera memoria delles, conforme suas qualidades; mas infinita escritura fôra, segundo todos os homens da India são assinalados; e por isto esses bastem para servirem de amostra do que ha nos mais.
FIM.
Pag. 16. V. 17. Não do sol, mas da candea.] Todas as ed.; mas he lição viciosa, porque se a luz do sol não he sombra daquella idea, que em Deos está mais perfeita, menos o será a da candea. Exclue o poeta uma e outra destas luzes, para que se entenda a da belleza mortal, que tanto cá nos seduz e encanta. Corrigimos portanto:
Não do sol, nem da candea.
P. 67. V. 4. De mim tão longe.] Todas as ed.; mas he êrro, porque o poeta diz que, tinha posto a sua vontade em quem lhe fugio com ella, e pergunta depois se alguem vio a sua vontade de si tão longe? Corrigimos:
De si tão longe.
P. 123. V. 25.
Vós na minha gloria posto.
Eu na vossa sepultura.]
Todas as ed. Mas he justamente o contrário:
Vós na vossa gloria posto,
Eu na minha sepultura.
P. 124. V. 9.
Mas se esse rosto fingido
Quizereis representar,
Houvera por bom partido
Dar-lho a alma do sentido
Para a gloria do lugar.]
Assim andão corrompidos estes versos em todas as ed. Corrigimos: {504}
Mas se esse rosto fingido
Quizerão representar,
E houverão por bom partido
Dar-vos a alma do sentido
Para a gloria do lugar:
Víreis etc.
P. 148. V. 1. Vai o bem fugindo etc.] Estas endeixas, que evidentemente são do poeta, andão na 1.ª e 2.ª edição das Rimas; na 3.ª aindaque apontadas no index, forão supprimidas por descuido: nós as restituimos.
P. 164. V. 23. E amor he effeito d'alma.] Todas as ed. Parece que deve ser affeito d'alma.
P. 183. V. 7. Sem saber do cuidado o que sentia.] Todas as ed.; mas he êrro: corrigimos:
Sem saber de cuidado o que sentia;
isto he um saber de pensado, ou sem examinar, o que sentia.
P. 185. V. 20. Ao pé d'uma alta faia etc.] Esta que inadvertidamente aqui vai com o nome de Elegia, por assim andar nas precedentes edições, propriamente não he senão uma Egloga, que se deve ajuntar ás mais.
P. 185. V. 24. Tão queixoso d'Amor] Faria e Sousa. He vicio: corrigimos: Mui queixoso d'Amor.
P. 186. V. 8. As roxas brancas Nymphas] Faria e Sousa. He corrupção de texto: corrigimos:
Brancas, roxas, as Nymphas mais colhião,
porque se entende flores.
P. 188. V. 15. Junto do rosmaninho, que he crescer] Faria e Sousa. He corrupção de texto: corrigimos:
Junto do rosmaninho qu'he 'squecer.
P. 191. V. 25. Ai que me deras vida a morte dar-me] Faria e Sousa. He corrupção de texto: corrigimos:
Ai que me deras vida em morte dar-me.{505}
P. 197. V. 23. E como debil flamma a quem fallece O radical humor de que vivia] Faria e Sousa. He corrupção de texto; porque o radical humor só pode faltar as plantas: corrigimos:
E como debil flor etc.
P. 215. V. 15.
Por qual, Senhor, algum eu me trocára. Ou por qual algum rei de mais grandeza]
Faria e Sousa. Não julgamos correcto o dizer: por qual algum: devem portanto estes versos ler-se como nas primeiras edições:
Por que Rei, por que duque eu me trocára,
Por que Senhor de grande fortaleza?
P. 220. V. 30.
Se o successo he contrário da vontade As obras que são boas, e o desvio]
Faria e Sousa. He corrupção de texto: corrigimos:
Se o successo he contrário da vontade
Nas obras que são boas, e ha desvio etc.
P. 221. V. 41. Quanto de infamia] Faria e Sousa. Quãmanha infamia, 3.ª ed. Esta ultima nos parece ser a lição do poeta.
P. 222. V. 29. Populares a Pallas.] Todas as ed. He vicio de texto: corrigimos:
Populares (ó Pallas) etc.
P. 223. V. 17. E pois que tudo em vos se permittio] Faria e Sousa. No qual, pois tudo em vós etc.] 3.ª ed. Preferimos esta lição, que nos parece ser a do poeta.
P. 224. V. 11.
O querido de Deos por quem peleja
O ar tambem, e o vento socegado, {506}
Ao atambor acode, porque veja
Que quem a Deos ama, he de Deos amado
Assim se lião estes quatro versos na 3.ª edição. Manoel de Faria corrigio:
Oh querido de Deos, por quem peleja
O ar tambem, e o vento socegado!
Ao tambor acode, porque veja
Que o qu'a Deos ama, he de Deos amado.
Mas esta apostrophe, por elle introduzida, não tem aqui lugar; porque o poeta acaba de dizer na Oitava antecedente que quando Albuquerque nas praias da Persia conseguia victoria daquellas nações tão remotas, as settas, que tirava o arco Ormusiano, por milagre de Deos, se viravão no ar, pregando-se nos peitos dos mesmos que as tiravão; e continúa, observando que o querido de Deos que por elle peleja, o mesmo ar e o vento conjurado em seu favor, ao atambor lhe acodem, para que elle veja que o que a Deos ama, he delle amado e favorecido. Este he o sentido natural e obvio. Mas Faria e Sousa, vendo que estes versos erão imitação dest'outros de Claudiano:
O nimium dilecte Deo, cui fundit ab antris
Aeolus armatas hiemes! tibi militat aether,
Et conjurati veniunt ad classica venti.
julgando que o poeta os devia traduzir servilmente, e não accommodá-los ao seu intento, metteo aqui esta exclamação forçada, sem nem ao menos saber a quem ella se refere, porque diz elle mesmo: Yo dudo si esta exclamacion mira al Albuquerque, si al Rey Don Sebastian. E assim estando ja viciado o texto, muito mais o ficou ainda. Nós seguimos a lição antiga, mas como a falta de clareza que nella se encontra, argue vicio de cópia, corrigimos:
O querido de Deos, por quem peleja,
O ar tambem e o vento socegado
Ao atambor lhe acodem, porque veja
Que o que a Deos ama, he de Deos amado. {507}
P. 225. V. 3. Com louvores de Apollo celebrado.] Todas as ed.; mas aqui ha vicio, porque falta a clareza: corrigimos:
Com louvores de Apollo, e celebrado.
P. 228. V. 1. Depois que a clara aurora a noite escura.] Esta glosa do Soneto 14 bem como a do 194 que vai a pag. 132, evidentemente não he obra do poeta: por inadvertencia as conservámos nesta edição.
P. 257. L. 7. Que são muito e valem pouco.] Todas as ed.; mas o que o poeta quer dizer, he que um par de reales são cousa pouca, mas para um escudeiro pobre valem muito. Corrigimos:
Que são pouco, e valem muito.
P. 258. L. 17. Ora, pois, Senhor, o Auto dizem, que he tal.] Todas as ed. Mas he vicio manifesto: corrigimos:
Que tal dizem, que he?
P. 259. L. 1. E huma donzella que vem mais podre de amor, fallando como Apostolo, mais piedosa que huma lamentação.] Todas as ed.; mas he vicio: corrigimos:
Que vem podre de amor etc.
P. 259. L. 8. Olá, Senhores.] Lição vulgar. He viciosa: corrigimos:
Olá, Senhoras.
P. 286. V. 1. Mas qué amo y cararon.] Lição vulgar. He grande estrago de texto: corrigimos:
Mas qué amo y qué cabron!
P. 369. V. 11. Esperai, dir-vo-lo-ha.] Faria. He êrro: deve ler-se:
Dir-se-vos-ha.
P. 370. V. 14.
Pois só desse encantador
Me quero vingar de ti.] {508}
Lição vulgar: he viciosa: corrigimos:
Pois so desse encantador
Me quero vingar em ti.
P. 374. V. 48. E se mal vos succedesse.] Lição vulgar: he êrro de cópia ou de impressão: corrigimos:
E se mal nos succedesse.
P. 386. L. 11. O qual informado pelo pastor que a achára, (que era homem sabio na arte magica) e como a criára.] Lição vulgar; mas a oração esta imperfeita: corrigimos: O qual informado pelo pastor etc.; de como a achára e como a criára.
P. 402. V. 17. E levar-me a lenha o vento.] Lição vulgar: He viciosa, porque falta a clausula da oração: corrigimos:
He levar-me a lenha o vento.
P. 418. L. 5. Pois não devia assi de ser posantos e vanselos.] Lição vulgar. Estranha corrupção de texto: corrigimos:
Pois não devia assi de ser, polos Santos Evangelhos.
P. 418. V. 6. Que os amos e os cangrejos.] Lição vulgar. He viciosa: corrigimos:
Que o amor e os cangrejos.
P. 447. V. 16.
Que das montanhas erguidas
D'algum monte não sahisse.]
Lição vulgar. Não he menos notavel esta corrupção: corrigimos:
Que das montanhas erguidas
Algum monstro não sahisse.
P. 453. V. 20. Se tanto amasse.] Lição vulgar; mas aqui ha vicio de texto, porque falta a clareza, com que o poeta sempre costuma exprimir-se. Corrigimos:
Se eu tanto amasse. {509}
Pag. 467. V. 12.
Que quando por accidente
Da fortuna desastrado
Fosse apartado da gente
N'um lugar onde somente
Das feras fosse guardado:
E por ferro, fogo e ágoa
Buscar minha morte iria.]
Lição vulgar. Mas a corrupção de texto não póde ser mais visivel. Comtudo não difficil atinar-se com o sentido do poeta.
Acaba de dizer Dionysa a Filodemo que tomára ver-se dalli cem mil leguas, pelo perigo que corria a sua honestidade. Responde-lhe este, que isso desejava tambem elle que succedesse; porque nesse caso teria occasião de fazer por ella uma fineza, que fosse mais de agradecer; e vem a ser, que quando ella por algum caso da fortuna fosse apartada da gente n'um deserto onde não tivesse por guarda, senão as feras; por ferro, fogo e ágoa lá iria elle buscar a sua morte. E porque não póde ser outro o sentido do poeta, corrigimos:
Que quando por accidente
A fortuna desastrada
Vos apartasse da gente
N'um deserto, onde somente
Das feras fosseis guardada;
Lá por ferro, fogo e ágoa
Buscar minha morte iria etc.
P. 475. L. 20. Que estas cidras não se desistem em nove dias, senão em nove mezes.] Lição vulgar. Não ha maior corrupção de texto. Que tem as cidras que desistir? Que o poeta não disse um tal absurdo, he fóra de toda a dúvida. O que elle disse foi isto:
E porque estes sirgos não se desistem em nove dias, senão em nove mezes, foi-lhe a elle necessario acolher-se com ella etc. {510}
Sirgo he o envolucro, onde se encerra o bicho da seda, quando passa ao estado de metamorphose, e onde se conserva doze dias, ou nove, como diz o poeta. Mas a ignorancia transformou sirgos em cidras.
P. 482. L. 7. Porque quando cuido que sem peccado que me obrigasse a tres dias de purgatorio, passei tres mil de más linguas, peores tenções, damnadas vontades, nascidas de pura inveja de verem su amada yedra de si arrancada, y en otro muro asida... Aqui ha lacuna porque falta o verbo da oração.
P. 489. V. 28.
A quem não assopre a morte
Nem sopre o fogo da vida.]
Lição vulgar; mas a do poeta he:
A quem o assôpro da morte
Não sopre o fogo da vida.
P. 490. L. 26. Tres cousas não se soffrem sem discordia; companhia, namorar, mandar villão ruim sobre cousa de seu interesse.] Todas as ed. Mas o vicio he palpavel: corrigimos: Duas cousas não se soffrem sem discordia; companhia no amar, mandar villão ruim sobre cousa de seu interesse. {511}
Pag.
61 A dor que a minha alma sente
113 A morte, pois que sou vosso
103 Com razão queixar-me posso
76 Com vossos olhos, Gonçalves
93 Crescem, Camilla, os abrolhos
53 Da doença em que ora ardeis
125 Foi-se gastando a esperança
78 Ha hum bem que chega e foge
118 Minh'alma, lembrae-vos della
94 Olhos em que estão mil flores
73 Pois damno me faz olhar-vos
103 Quem disser que a barca pende
94 Quem se confia em huns olhos
116 Sem vós, e com meu cuidado
90 Vi chorar huns claros olhos
152 A culpa de meu mal só tem meus olhos
151 Foge-me pouco a pouco a curta vida
154 Oh triste, oh tenebroso, oh cruel dia
155 Sempre me queixarei desta crueza
194 A vida me aborrece, a morte quero
185 Ao pé d'hum'alta faia vi sentado
160 Aquella que de amor descomedido
175 Aquelle mover de olhos excellente
190 Belisa, unico bem desta alma minha
172 Depois que Magalhães teve tecida[4]
177 Entre rusticas serras e fragosas
208 Juizo extremo, horrifico e tremendo
164 O poeta Simonides fallando
157 O sulmonense Ovidio desterrado