É verdade innegavel ser tudo quanto alli se praticou de
maravilhoso, devido ao genio extenso e luminoso de Miguel de Arriaga.
Assim o provam as actas do Senado, as cartas de Cam-pau-sai, as de
Bernardo Aleixo, e o hymno cantado na presença dos bons
Macaenses, pelo benemerito cidadão José Baptista
de Lima, no dia em que estes celebraram o triumfo de Miguel de Arriaga
pela extincção dos piratas.
Quando fallei, em 1824, na 1.ª parte desta memoria,
ácerca
do bom governo Macaense referime á sua fórma e
aos annos em que influio nelle Miguel de Arriaga, e Bernardo
Aleixo. Agora vejo, com
admiração, o Sr. Lucas arrogar a sí os
louvores de outros, quando elle ainda nem ao menos tinha visto
Macáo!
O Sr. Lucas diz, a paginas 23 de sua memoria:—Sei em ultima
analyse
que não sei nada, e não sou nada—e a
paginas 7
diz:—Tendo eu sido autor de todos os negocios publicos e mui
particularmente este, sería bastante para dar
idéa do objecto contestado, e da falta de
exactidão da memoria impressa em 1824, do espirito,
conhecimentos, e fins com que foi escripta.—
O homem que não é nada, e não quer
nada pretende roubar a gloria dos que foram alguma cousa; contestar com
falsidades, documentos legaes e autenticos. Confessa a veracidade dos
factos impressos nesta memoria, e censura o seu autor por
não lhe dar a elle o que pertencia a outros! Eis a falta de
exactidão encontrada pelo Sr. Lucas: dahi nasce a sua
desconfiança ácerca do espirito,
conhecimentos e fins com que ella fôra escripta.
Póde viver certo
de que o
espirito
foi patriotico; os conhecimentos extraídos, parte das actas
do Senado, parte
adqueridos na
presença
dos factos; e os fins limitaram-se no gosto de levar
á posteridade os factos macaenses.
Arriaga, Bernardo Aleixo, Pereira Barreto, Alcoforado, e outros muitos
empregados naquella empreza, já o mundo os havia perdido
quando tive a honra de publicar pela imprensa as suas virtudes e
proezas; o Sr. Lucas não sendo nada e não
querendo nada, esperou que elles morressem para denegrir não
só as proezas, mas tambem as virtudes daquelles
varões illustres!
—Não posso deixar passar semelhante
expressão,
diz o Sr. Lucas a pag. 11, por conter noções
erroneas e falsas em perjuizo da honra e da gloria que me provem do
resultado de todos os brilhantes feitos na época
sómente do meu governo, e cujo brilhantismo principiou com a
minha chegada e acabou com a minha retirada!—
Ainda senão vio maior
jactancia. O Sr. Lucas chega aponto de alterar a
fórma
do governo só a fim de roubar a gloria
que não lhe pertence.
É elle mesmo quem confessa, apesar do
roubo que pretende fazer, a paginas
42 da sua memoria, não ter influencia no
governo.—O Senado,
diz elle, projectou mandar a galera Ulises ao Rio de
Janeiro, afim de cumprimentar El-Rei; oppuz-me; com tudo a galera
proseguio—Assim destroe o mesmo Sr. Lucas as suas argucias.
Em quasi todas as paginas da sua memoria lançou argumentos
contra-producentes.—Chegaram os piratas pela sua quantidade e
força, diz elle a paginas 43, a dominar os canaes de
Wampo-o; então por circunstancias, apesar das ordens
superiores que me embaraçavam a fazelo, expedi ordens em
Setembro de 1809 para serem batidos. O Sr. Lucas, em seus improvisos
desacredita os mesmos a quem pretende elogiar. As ordens superiores
referem-se ao Vice-Rei de Goa: porque motivo daria este ordem para
não se atacar os piratas? Estaria comprado por elles? Que
mais é preciso para saber-se
que
o Sr. Lucas não
cooperara
cousa alguma para a destruição dos piratas,
elle mesmo confessa que fôra
obrigado a
mandar ordens para serem batidos os piratas?
Em verdade o Senado, de quem Arriaga éra a alma, foi quem o
obrigou a mandar aquella ordem; logo fica demonstrado pelo mesmo Sr.
Lucas, que o brilhantismo daquella época não lhe
pertence, pois até para expedir a ordem para serem batidos
os piratas foi obrigado pelo Senado.
É certo, diz elle a pag. 46, que um dia depois que recebi
parte do commandante da esquadra, em que dava por verificada a entrega
de Cam-pau-sai,
partio Arriaga para a bocca do rio Tygre, dizendo ír a
negocio
particular, e é certo que indo, esteve com o
cabeça dos piratas; e é certo tambem que este
logo se retirou com toda a sua esquadra; e que a entrega se
não fez, quando a parte do commandante (Alcoforado) a dava
por verificada!—
Que mais se poderia dizer em desabono do Sr. Lucas, do que elle mesmo
escreveo? Pois quem diz fizera tudo, não sabendo nada! Quem
diz que o brilhantismo de Macáo principiara com a sua
chegada alli, e acabara com a sua retirada, confessa que tendo uma
esquadra vencedora debaixo das suas ordens,
deixara fugir o inimigo depois de se ter
já
entregado?
Então a quem comprou Arriaga na
sua viagem á bocca do rio Tigre,
ao
Chefe da esquadra
portugueza, ou
ao chefe dos
piratas? Compraria ambos? Tudo aquillo
é falso; mas quando fosse verdadeiro,
provaria
que
éra Miguel de Arriaga quem predominava em Macáo.
Os documentos improvisados pelo Sr. Lucas; e o Officio dirigido ao
Vice-rei, são partos do seu estro, quando se achava dominado
pelo furor de elogiar-se. O enviado inglez, no Rio de Janeiro,
servio-se delles para desacreditar Arriaga, e Bernardo Aleixo na
opinião de El-Rei; mas este desmascarou a intriga, premiou
os macaenses, e castigou o Vice-rei, por ter mandado a Macáo
o Sr. Lucas, que desde então já mais obteve
emprego algum.
Este cavalheiro além de pretender a gloria alheia, deixa ver
na sua memoria o azedume com que a escrevêra! Tentou deprimir
os macaenses, e denegrio a sua estirpe. Um brasileiro jámais
deve fallar em desabono ácerca de colonias povoadas por
degradados; por quanto assim que Pedro Alves Cabral descobrio
o Brazil despejaram-se as masmorras de
Portugal. Quando nossos maiores chegaram a edificar uma cidade no
imperio chinez, os criminozos de todo o reino eram diminutos para domar
a sanha dos
butecudos e tupinambas
nos sertões do Brazil.
Timor é o unico presidio que temos além da
Taprobana. Só Camões, pelo respeito devido ao
genio, obteve ficar em Macáo servindo o emprego de Juiz dos
orfãos naquella cidade, rica pela salubridade do clima,
pelos alimentos, pela forma do seu governo, e pelas virtudes de seus
moradores.
O Sr. Lucas não escreveu para fornecer
á historia cousas proprias a fazer os homens melhores;
pertendeu injuriar os macaenses com despreso da razão e da
justiça. As providencias que ele diz foram a
Macáo em 1783, são impoliticas e desconcertadas:
que outra cousa se poderia esperar de dois theologos no governo de um
reino? (Martinho de Mello,
e um frade)
visões, argucias,
e fogueiras.
Fallava Martinho de Mello, naquella época, dos
incontestaveis direitos que tem a corôa de Portugal sobre
Macáo! Que dirá o imperador
da China, a quem pagamos fóro?
Mas quando assim fosse, quem sustentou ha perto de 300 annos esses
direitos? Degradados? Por certo não. Martinho de Mello era
tão hospede na historia daquelle paiz, que ignorava haver um
decreto feito em 31 de Agosto de 1629, que prohibe a qualquer
degredado, que alli se refugie, servir os encargos da cidade,
e mesmo de eleger
para elles.
—O Senado de Macáo, composto de degradados que
para alli se
refugiam, diz Martinho de Mello, ou de outros similhantes,
ignorantissimos em materia de governo, não lhe importa cousa
alguma que diga respeito a o decoro nacional, nem ao
incontestavel direito da soberania, que Portugal tem áquelle
importante dominio!—
Fallar assim a povos residentes na China, não é
só grande impolitica mas tambem supina ignorancia das
materias de governo. Graças aos generozos macaenses, que
despresando as invectivas dos sejanos, tem sempre concorrido para tudo
quanto é decoroso e interessante a Portugal. O procedimento
daquelle ministro deixa ver que elle tinha mais
carencia de luzes e de virtudes, do que os homens
a quem offendeu.
Nem Martinho de Mello, nem o Sr. Lucas (da viola) jámais
poderiam fazer as proezas que em todos os tempos obraram os illustres
macaenses. Thomaz Vieira, natural de Macáo, sendo governador
daquella cidade em 1627, vendo-a sitiada pelos hollandezes, armou seis
pequenas embarcações e foi accommettelos. Abordou
uma grande náo, que tomou, fazendo horrivel mortandade no
inimigo; os restantes fugiram deixando triumfante o denodado Vieira.
Os macaenses sempre honraram e prestaram a Portugal, já
fazendo despezas avultadas com os nossos embaixadores ao imperador da
China, já mandando generosos presentes á capital
do reino luso, já derramando o proprio sangue a fim de
limpar as costas da China de piratas, já na defeza dos muros
levantados por seus maiores.
Os governadores exigentes das providencias, que alli mandou Martinho de
Mello, eram similhantes aos que desolaram Macáo em 1626,
1709, 1747, e mesmo ao Sr. Lucas
seu elogiador aprol da tyrannia. Para se avaliar dos homens que pedem
taes providencias, bastará ler a carta seguinte do Conde de
S. Vicente. Tem por objecto responder a El-Rei D.
Afonso
VI. sobre o
oitavo que mandava receber, de todos os rendimentos particulares;
tributo imposto em 1666 pelo vice-rei Antonio de Mello e Castro.
—Sr.: a India ve-se de muito longe, e ouve-se mui tarde:
assim
não me espanto da fórma com que muitas ordens se
expedem, nem do mal
com que outros se
guardam[43].
Já um grande
ministro disse:—A jurisdicção dos Reis
de
Portugal apenas chega a Santarem; dahi para cima tudo é dos
corregedores—Na India a dos vice-reis não chega a
tanto; o
mais é dos capitães das fortalezas! Os gentios
não tem fazendas, os canarins apenas cultivam para comer;
assim não ha de quem se receba esse oitavo. Das pedras
não se tira mel. Vossa Magestade deve mandar á
India quem lhe faça desses impossiveis, que eu
não sei mais do que chorar as miserias, que vejo. Se isto
vai de mim, venha outro; se
nasce dos povos,
tenha Vossa Magestade delles piedade. Goa 26 de Janeiro de 1668.
Se todos os vice-reis fallassem deste modo aos imperantes,
não íriam a Macáo
aquellas offenças em logar de providencias; os povos seriam
felizes, os portuguezes respeitados, e os Alvarengas mais commedidos.
Julgo ter dito quanto basta para fazer arrepender o Sr. Lucas de querer
arrogar asi a honra, que
não lhe pertence, e de ser ingrato aos macaenses que tanto
lhe soffreram. Para o Sr. Lucas avaliar, com mais conhecimento de
causa, o espirito e fins com que fora escripta esta memoria, ahi lhe
remetto a copia fiel de uma carta que dirigi ao Senado de
Macáo em 1826, assim como a sua resposta.
Carta dirigida
ao Senado de
Macáo.
Senhores, ainda que separado de vós ha doze annos pela
distancia immensa da Europa á China, o meu espirito esteve
sempre comvosco. Havendo no coração o germen de
todas as virtudes, e recebido da natureza
alma docil ás suas impressões, jámais
poderia esquecer-me das sublimes qualidades que possuis. Deviam ser
escriptas por outro Andrade como Jacinto Freire, mas tivesteis a
desventura de viverdes em seculo diminuto em escriptores capazes de dar
vida ás proezas dos heroes.
—Grandes e magnificos foram sem duvida os feitos dos
athenienses; mas
quanto a mim, diz Salustio, menores do que a fama. Havendo alli muitos
e grandes escriptores, as proezas dos athenienses foram celebradas no
mundo pelas maiores. Assim o valor dos que as fizeram passa por tal,
qual nos seus exagerados escriptos o figuraram esses preclaros
engenhos
[44]—Em
nosso tempo não acontece o mesmo; para
o mundo saber das vossas proesas na carreira da gloria servio-se da
minha tosca penna.
O livro que vos offereço é pequeno em volume,
porém grande em seu objecto: basta conter os grandes feitos
que praticasteis na
extincção dos piratas. Na segunda parte que ficou
a imprimir-se em Lisboa
ainda
alcançasteis mais gloria. Na primeira realçam os
vencedores de Cam-pau-sai, na segunda brilha o Senado com a
expulsão dos inglezes. Porém não
é elle a mesma cousa, o Leal Senado de Macáo, e
os cidadãos macaenses? Nesse tempo luctuoso viviam todos
animados do mesmo espirito; a todos se ouvia a mesma
voz:—Morrer,
dizeis, ou mostrar que descendemos dos Castros e dos
Almeidas.—
Desculpai, Srs., se desafio a vossa mágoa recordando-vos os
illustres collegas, que por longa serie de annos regeram com vosco esta
cidade.
Julgo-os com direito
á minha lembrança e
aos vossos elogios. Porque motivo usarão os oradores
celebrar só os poderosos? Por que não louvam
elles as pessoas abalisadas em merito e virtudes? Se é
preciso celebrar sempre os grandes, porque não se lembram
tambem dos homens que foram uteis? Não será digno
de louvor o magistrado que usando da espada de Astrêa, por
muitos annos, o fez com tanta prudencia, que não ferio
cidadão algum? Magistrado que havia
coração tão sensivel e humano, que
não se limitando
em fazer
a paz e a ventura de uma cidade, pretendia abranger com esses dons
á maior parte do mundo? Que abrazado no sancto amor da
patria, empenhava quanto possuia para engrandecela e glorificala? Em
fim o varão forte que assaltado por intrigas e calumnias de
ingratos, capazes de enfraquecer o espirito de Zeno, as supportava de
animo tranquillo? Vós sabeis que Miguel de Arriaga possuio
estas sublimes qualidades.
Quem, Senhores, deixará de louvar o illustre José
Joaquim de Barros, quando nesse mesmo recinto, agitando-se a
questão se deviam, ou não ter, accesso os
inglezes, exclamou.—Voto que não se deixem entrar;
desse-me
o lugar mais arriscado para defendelo; se a fortuna me for adversa,
gostoso darei a vida em honra da Pa
Quem, Senhores, deixará de louvar o illustre José
Joaquim de Barros, quando nesse mesmo recinto, agitando-se a
questão se deviam, ou não ter, accesso os
inglezes, exclamou.—Voto que não se deixem entrar;
desse-me
o lugar mais arriscado para defendelo; se a fortuna me for adversa,
gostoso darei a vida em honra da Patria
[45].
Qual de vós, macaenses, nessa crise perigosa houve
differentes sentimentos? Todos repulsasteis o inimigo por modo singular
e extraordinario.
Do monumento consagrado á vossa memoria, offereci um
exemplar ao Sr. D. João
VI; dizendo-lhe que certo de em parte alguma
depositar melhor as proezas macaenses do que em suas reaes
mãos, alli lhe entregava feitos praticados em dias, bem
similhantes aos do feliz tempo em que os lusitanos pelo caminho da
virtude subiram ao templo da immortalidade. Fiquei satisfeito por saber
depois, que El-Rei apreciára o livro, onde se acham exaradas
as proezas macaenses; porém será completo o meu
gosto se as julgardes levadas á posteridade por maneira
digna de vós.
Em verdade, Senhores, é preciso ser estupido para
não admirar o vosso animo, e barbaro para com o vosso
exemplo não sentir o estimulo da virtude. Coimbra, Mattos,
Limas, e outros, possuiram virtudes perfeitas: serviram por mais de
trinta annos os encargos desta cidade por modo, que nem Focio, ou
Aristides o fez melhor
Em verdade, Senhores, é preciso ser estupido para
não admirar o vosso animo, e barbaro para com o vosso
exemplo não sentir o estimulo da virtude. Coimbra, Mattos,
Limas, e outros, possuiram virtudes perfeitas: serviram por mais de
trinta annos os encargos desta cidade por modo, que nem Focio, ou
Aristides o fez melhor em Athenas
[46].
Macaenses, se os louvores provém de interesse, devem
despresar-se; se a lisonja tenta
enganar os poderosos,
deve temer-se; porém quando a
admiração tributa homenagem á virtude
deve estimar-se.
Assevero-vos que
nesse opusculo
liguei sempre a minha alma
ás vossas acções;
se lhes faltam pensamentos animados, por mingua de genio, tem o grito
da verdade, unico preciso para immortalisar-vos.
Resposta.
O Senado recebeo com satisfação a vossa memoria,
por ver nella immortalisados os feitos macaenses, na
estincção dos piratas, que infestavam o nosso
arquipelago. Em verdade vós ornasteis o vosso e o nosso
quadro com as flores e bellesas de Camões e dos Andrades. O
Senado não perderá
occasião, em que vos possa ser util em reconhecimento de
tão precioso presente.
Cartorio do Senado, 16 de Novembro de
1826
FIM.
Notas:
[1]
Sacrifico a minha vida e fortuna á vossa (dizia
Cicero ao povo Romano); só exijo em recompensa conserveis a
memoria dos
meus serviços
Catilinaria IV.
[2]
M. Thomas.
[3]
Diniz
Ode XV.
[4]
O reprehensivel descuido dos nossos auctores agora o
pagamos por castigo, ignorando os nossos proprios successos; e
sujeitando-nos a
crêr, e a estimar delles sómente aquella pequena
parte, que nos quizeram contar os inimigos, mais obrigados da
dôr, que da verdade.
D. F. M. C. 26.
[5]
Era este Illustre Varão de mediana altura,
reforçado, largo de ombros, mui cabelludo e tinha
olhos amarellos.
[6]
Navio de 20 bombardas com 300 homens.
[7]
Camões,
C. X. Est
82
[8]
Por
estas acções heroicas, ainda que
barbaras, pode julgar-se o valor dos inimigos que tinhamos a vencer.
[9]
Ode
XI. Epodo 4
[10]
Ode XV. Dinis.
[11]
Embarcação de 20 tonelladas.
[12]
Camões, C. X. Est. 12 e 13.
[13]
Jacintho F. de Andrade.
[14]
Cam-pau-sai flagelou as provincias meridionaes do Imperio
com repetidos tributos; e saques aos remissos.
[15]
Foi mui reprehensivel o modo porque obrigaram Arriaga a
dacontas do dinheiro, que seus inimigos
divulgavam ter elle levado dos cofres publicos, em sua
administração; sabendo-se em
Macáo, os sacreficios que elle tinha feito em honra da
Nação e a bem
daquella cidade. Graças eternas sejam dadas á sua
memoria.
Além de não dever nada aos cofres publicos, (
como mostrou a
Commissão nomeada para lhe tomar contas) ficou sendo credor
de 11 contos de réis; o que foi
publico nas gazetas de Macáo.
[16]
Com especialidade F. A. P. Thovar e Felis José
Coimbra.
[17]
Diuiz Ode
34
[18]
Camões, Canto 2, Est. 100.
[19]
Duarte Nunes de Leão, C. dos reis de Portugal.
[20]
L. J. de Alvarenga, queixa-se do mysterioso silencio
guardado a seu respeito nesta memoria. No fim della direi qual foi o
mysterio.
[21]
No suburbio da cidade.
[22]
Camões, Canto 1. Est X.
[23]
Este paragrafo foi composto no dia 9 de Maio de 1824; dia
em que o Senhor D. J. VI proclamou aos portuguezes de bordo da Nao
Windsor Castle; tomou aquelle asilo para escapar aos malevolos que o
tinham cercado desde o dia 30 de Abril.
[24]
Sá
de Miranda.
[25]
Allud e a uma maxima de
confucio.
[26]
O Imperador observou a seguinte maxima de
Confucio.—Respeitos que te levam vantagem
por natureza.
[27]
Promenade autour du monde, em 1817, 1818, 1819, 1820,
Carta 68.
[28]
Cidade portugueza na ilha de Timor. Procedia este
contentamento por terem saído de Coupang, cidade hollandeza
na parte
occidental da mesma ilha aonde Arago e seus companheiros foram mal
recebidos.
[29]
Duarte Pacheco, depois de fazer prodigios na Asia, a
inveja, a calumnia e a intriga trouxeram-o da Africa a Lisboa
em ferros. Albuquerque, de-pois de immortalisar a
nação a que pertencia, foi victima das
mesmas furias. Não admira ter Alcoforado em premio de seus
ma-Portantes serviços o governo da pestilente ilha de Timor,
onde morreu na flor da idade.
[30]
Como estariam hoje os brazileiros se Pedro Alves Cabral levasse
taes ordens.
[31]
Vede se esses homens que prestaram serviços, para terem
patria, recusaram as enormes pensões com que pertendem
inchar!
[32]
No protesto de Bernardo Aleixo se verá o
espirito da intimação.
[33]
Esta correspondencia foi extrahida, por integra, do
Senado, mas é dada aqui em espirito.
[34]
O Governador éra o orgão do Senado.
[35]
Já em 1802 quizeram os Inglezes abusar dos
nossos tractados com o governo Chinez.
[36]
É notavel o modo
civíl
e urbano
do governo de Macáo, e as maneiras asperas de
Roberts, etc. companhia.
[37]
Tinha chegado na antevespora ordem de Goa para entrarem os
inglezes em Macáo!
[38]
Note-se como fallam os mandarins a nosso respeito. Eis o
que prometti na introducção da primeira
parte.
[39]
Admira não dizer que os mandaria para
Botany-bay.
[40]
Bernardo Aleixo apelou para o tempo: esse inflexivel juiz
dos homens e das cousas já castigou os seus detractores.
[41]
M. de Levis.
[42]
Juizo dos sobrecargas, mandado a Londres.
[43]
É boa resposta ás providencias de
Martinho de Mello.
[44]
Versão do Sr. J. V. B. Feio.
[45]
Varão septuagenario.
[46]
Catão o censor, não possuio
tão grande somma de virtudes perfeitas, como havia o
benemerito cidadão Felis José
Coimbra.
Lista de erros corrigidos
Aqui encontram-se
listados todos os erros encontrados e corrigidos:
(*)
Correcções efectuadas com base na errada da obra
original.
Foram mantidas as
variações das palavras "La Perouse", "Le
Perou-se", "La Perou-se"...
Na
página
85, não existe ponto 3º//nota 3.
A
pontuação foi corrigida de acordo.
Exemplo:
colocação de pontos finais em vez de
vírgulas no final de frases.